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maio 07 2026 Gestão, eficiência e planejamento serão decisivos para a pecuária em 2026, alerta Embrapa
Cenário de valorização da arroba convive com alta da reposição, juros elevados e incertezas geopolíticas
A pecuária brasileira deve enfrentar em 2026 um cenário marcado por oportunidades, mas também por aumento da complexidade na gestão da atividade. Apesar da valorização da arroba do boi gordo, fatores como alta no preço da reposição, juros elevados, volatilidade internacional e possíveis impactos sobre fertilizantes e exportações exigirão planejamento e tomada de decisão baseada em indicadores técnicos e econômicos.
Essa é a avaliação do pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne), Guilherme Cunha Malafaia. Segundo ele, este ano os sistemas mais eficientes e estruturados serão premiados. “Em 2026, não basta produzir bem. Será necessário administrar capital, risco e eficiência produtiva com muito mais rigor”, afirma.
Para Malafaia, um dos principais pontos de atenção é o aumento expressivo nos preços do bezerro e do gado magro, reflexo da entrada da pecuária em um novo ciclo de retenção de fêmeas para recomposição do rebanho nacional.
Com isso, a relação de troca entre boi gordo e reposição atingiu um dos maiores níveis da série histórica. Ele comenta que atualmente são necessárias cerca de nove arrobas de boi gordo para a compra de um bezerro, tornando a aquisição de animais um fator determinante. O pesquisador destaca que a “decisão de compra da reposição precisa ser estratégica. Comprar mal em 2026 pode comprometer toda a operação, mesmo em um cenário de arroba valorizada”.
Gestão de risco ganha importância
Diante do ambiente macroeconômico atual, o qual combina juros elevados, crédito mais seletivo e aumento do custo de capital, se amplia a necessidade de gestão financeira nas propriedades.
Entre as estratégias recomendadas estão o uso de instrumentos de proteção de preços, como operações de hedge e contratos a termo, além do planejamento financeiro estruturado e da avaliação criteriosa do retorno sobre o capital investido. Malafaia é enfático: “o produtor precisará atuar cada vez mais como gestor financeiro da atividade”.
Sustentabilidade e rastreabilidade
Outro ponto relevante é o avanço das exigências socioambientais nos mercados internacionais. Sustentabilidade e rastreabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a representar condições de acesso a mercados e linhas de financiamento.
O pesquisador cita como exemplos as exigências relacionadas à regulamentação ambiental europeia e o interesse de mercados estratégicos, como Japão e Coreia do Sul, em sistemas com rastreabilidade individual, monitoramento de fornecedores e mensuração de pegada de carbono. Nesse contexto, a pecuária tropical brasileira com sistemas baseados em pastagens e tecnologias de baixo carbono, desenvolvidas pela Embrapa, se sobressaem.
Eficiência produtiva e resiliência climática
A intensificação sustentável da produção também foi apontada como estratégia central para reduzir custos e aumentar a resiliência dos sistemas pecuários frente às mudanças climáticas.
Entre as práticas destacadas estão recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), confinamento estratégico, melhoramento genético e redução da idade de abate.
O especialista em cadeias produtivas avalia que “o sistema que combina pastagem recuperada, integração, suplementação estratégica e gestão eficiente terá mais condições de permanecer competitivo”.
Dependência do mercado chinês
Malafaia comenta os riscos associados à elevada dependência das exportações brasileiras de carne bovina em relação à China, destino de mais da metade do volume exportado pelo Brasil.
De acordo com ele, eventuais restrições comerciais reforçam a importância da diversificação de mercados e da abertura de novos destinos para a carne bovina. Entre os mercados considerados estratégicos estão Japão, Coreia do Sul e União Europeia, especialmente para produtos com maior valor agregado e atributos ligados à sustentabilidade.
Por fim, “o ambiente atual premia gestão baseada em evidências, disciplina financeira, rastreabilidade e intensificação sustentável. Quem operar apenas no improviso poderá enfrentar dificuldades”, conclui o pesquisador da estatal.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/
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maio 07 2026 Crise de insumos ameaça produção global
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio voltou a elevar a preocupação com o abastecimento global de fertilizantes e seus efeitos sobre a produção de alimentos. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor de agronegócio, o conflito envolvendo o Irã recolocou o mercado desses insumos no centro das atenções, com impactos diretos sobre a segurança alimentar mundial.
A principal preocupação está na possibilidade de interrupção do fluxo logístico pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela relevante do comércio global de ureia, enxofre e amônia. A restrição de oferta também atinge, direta ou indiretamente, outros elementos essenciais para a agricultura, como fósforo e potássio, ampliando a pressão sobre cadeias produtivas já sensíveis a choques de custo e disponibilidade.
Como consequência, os preços dos fertilizantes nitrogenados já registram altas entre 30% e 50%, com aumentos ainda mais expressivos em algumas regiões. No caso do enxofre, insumo fundamental para a produção de fertilizantes fosfatados, a variação apontada vai de US$ 100 a US$ 1.000 por tonelada. Esse movimento é agravado pelo encarecimento da energia, principal componente na produção de fertilizantes, o que amplia a pressão de custos em toda a cadeia agrícola.
O reflexo mais direto aparece no campo. Com insumos mais caros e escassos, produtores em diferentes regiões tendem a reduzir doses ou postergar aplicações, comprometendo a produtividade das lavouras e reduzindo a oferta global de alimentos nas próximas safras.
A avaliação é que o problema vai além de uma crise de custos e pode se transformar em uma crise de produção. O fertilizante, muitas vezes pouco destacado no debate global, surge como um dos principais vetores de impacto sobre a oferta de alimentos em 2026/27. Além disso, a projeção de um El Niño forte pode atingir lavouras já debilitadas pela menor aplicação de nutrientes, ampliando os efeitos sobre produtividade, custos ao produtor e preços dos alimentos.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/