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27 de maio de 2026

  • A que preço o produtor vai vender a soja em 2026?

    Após um período prolongado de preços pressionados, a comercialização da soja tende a ser influenciada não apenas pelas cotações atuais, mas também pela memória recente do produtor. Segundo análise da Veeries, esse comportamento pode voltar a ganhar peso em 2026, em um cenário que lembra, em parte, o observado em 2020.

    Naquele ano, muitos produtores venderam soja a R$ 85 por saca, enquanto os preços chegaram a R$ 150 ao longo do ano. A maior parte não conseguiu capturar a valorização posterior. Mais do que um episódio pontual, o movimento revelou um padrão de decisão comum em momentos de recuperação depois de ciclos longos de preços baixos.

    Depois de conviver com valores deprimidos por um período extenso, o produtor tende a enxergar qualquer melhora como uma boa oportunidade de venda. A lembrança das cotações menores passa a pesar mais do que a possibilidade de um cenário mais favorável adiante. Esse fator comportamental ajuda a explicar por que parte da produção pode ser negociada antes de uma eventual alta mais consistente.

    O início de 2026 apresenta um pano de fundo semelhante. Após quatro anos de preços pressionados, é natural que o produtor queira travar vendas quando encontra níveis considerados razoáveis. O risco, segundo a leitura da consultoria, é que essa decisão ocorra antes de o mercado mostrar com mais clareza sua direção.

    A principal diferença está na variável climática dos Estados Unidos, que ainda permanece em aberto. A safra norte-americana começa a ser definida justamente no período em que soja e milho costumam ganhar tendência mais clara. Por isso, o paralelo com 2020 não deve ser entendido como previsão de preços, mas como uma análise sobre comportamento de venda.

    A questão central para 2026 é em que ponto o produtor considerará o preço suficiente para negociar. Em ciclos longos de baixa, esse ponto costuma ser redefinido para baixo, aumentando a chance de vendas antecipadas em momentos de recuperação inicial.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Agronegócio no Rio Grande do Sul movimenta US$ 3,2 bilhões em exportações no primeiro trimestre de 2026

    O agronegócio no Rio Grande do Sul exportou US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, valor que representou 72% das exportações totais do Estado e se consolidou como o quarto maior da série histórica para o período em termos nominais, liderando a geração de empregos formais no período. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve retração de 3,8%, equivalente a US$ 127,2 milhões em termos absolutos. O resultado foi influenciado principalmente pela redução das exportações do complexo soja, de fumo e seus produtos e de produtos florestais.

    Os números estão publicados no Boletim Indicadores do Agronegócio do RS, coordenado pelo pesquisador Sérgio Leusin Júnior e divulgado pelo governo do Estado, por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

    Recordes no setor de carnes

    Apesar da retração no resultado consolidado do trimestre, alguns segmentos do agronegócio gaúcho registraram desempenho recorde e ajudaram a atenuar a queda nas exportações. O setor de carnes apresentou o melhor resultado entre os principais segmentos exportadores, somando US$ 743,1 milhões, alta de 22,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e novo recorde para um primeiro trimestre.

    O avanço foi puxado principalmente pela carne suína, que cresceu 49,6%, impulsionada pelo aumento da quantidade embarcada, e pela carne bovina, com alta de 44,8%, favorecida pela valorização dos preços no mercado internacional. Também registraram crescimento as exportações de animais vivos, que avançaram 147,4% e atingiram recorde para o período, com embarques de cerca de 84 mil cabeças de bovinos, principalmente para a Turquia, além das máquinas e implementos agrícolas, que tiveram alta de 24,2%.

    Retrações

    O resultado geral do trimestre foi influenciado, principalmente, pela redução nas exportações do complexo soja (-27,2%), de fumo e seus produtos (-25,8%) e de produtos florestais (-19,9%). No caso da soja, a retração esteve concentrada na soja em grão, refletindo a menor disponibilidade do produto após a quebra de safra provocada pela estiagem em 2025, embora derivados como óleo e farelo tenham registrado crescimento no período.

    No fumo, a queda decorreu da combinação entre menor quantidade embarcada, preços internacionais menos favoráveis e retração das compras por parte da China. Já nos produtos florestais, a redução se concentrou em celulose e madeiras, especialmente nas vendas para os Estados Unidos.

    Novos mercados

    No comércio exterior, o agronegócio gaúcho também ampliou a presença em novos mercados, o que contribuiu para reduzir parte das perdas em destinos tradicionais. As exportações para o Egito cresceram 174,6%, impulsionadas principalmente pelo milho, enquanto as vendas para as Filipinas avançaram 158,2%, puxadas pela carne suína.

    Também houve expansão para a União Europeia (+18,2%). No sentido oposto, China e Vietnã registraram retração nas compras, influenciadas principalmente pela menor demanda por soja em grão, fumo, trigo e farelo de soja.

    Emprego e perspectivas

    No mercado de trabalho, o agronegócio respondeu por 49,3% dos novos empregos formais gerados no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre de 2026. O setor registrou saldo positivo de 23.123 postos com carteira assinada, resultado de 96.327 admissões e 73.204 desligamentos.

    O segmento agroindustrial liderou a criação de vagas, com 15.137 novos empregos, seguido pelas atividades agropecuárias, com 8.687 postos. Na indústria de abate e fabricação de carnes, o estoque de empregos formais chegou a 72.461 vínculos ativos em março, recorde histórico para o setor.

    Para os próximos meses, a expectativa é de recuperação das exportações do complexo soja com a entrada da safra de 2026, cuja produção está estimada em 18,3 milhões de toneladas, volume 34,6% superior ao da temporada passada.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial