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12 de junho de 2026

  • Umidade do solo influencia oferta de forragem

    As pastagens gaúchas seguem apresentando condições distintas entre as regiões do Rio Grande do Sul, refletindo principalmente as diferenças na disponibilidade de umidade do solo. Enquanto algumas áreas registram avanço das forrageiras de inverno e início do pastejo, outras ainda enfrentam dificuldades no estabelecimento e desenvolvimento das plantas. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (11) pela Emater/RS-Ascar.

    Segundo a Emater/RS-Ascar, os campos nativos apresentam crescimento reduzido em grande parte do Estado devido às baixas temperaturas e à menor disponibilidade hídrica. Ainda assim, em algumas localidades, a oferta de forragem permanece suficiente para atender os rebanhos.

    Na região administrativa de Bagé, o desenvolvimento das pastagens teve pouca evolução em comparação ao período anterior. A combinação entre baixa radiação solar, temperaturas reduzidas e limitações hídricas restringiu o crescimento de aveia, azevém e trevos. Nas áreas semeadas mais tarde, foram observadas falhas de estabelecimento e atraso no desenvolvimento, o que limita a utilização das áreas ou exige redução da lotação animal. As chuvas registradas em alguns municípios contribuíram para melhorar pontualmente as condições das pastagens e devem favorecer a retomada das adubações de cobertura.

    Em Caxias do Sul, as pastagens anuais de inverno, especialmente aveia, azevém e trigo, apresentam desenvolvimento adequado e boa oferta de forragem para o pastejo. Nos sistemas de integração lavoura-pecuária, a disponibilidade de alimento é considerada elevada. Mesmo com limitações relacionadas à adubação nitrogenada, as áreas seguem evoluindo e ajudam a reduzir os efeitos do vazio forrageiro de outono.

    Na região de Ijuí, as forrageiras de inverno apresentam bom estabelecimento, coloração uniforme e desenvolvimento satisfatório. As áreas implantadas entre o final de março e o início de abril ampliam gradualmente a oferta de trigo e aveia para pastejo. A Emater/RS-Ascar destaca, entretanto, que a baixa luminosidade tem reduzido a taxa de crescimento das plantas e a produção de matéria seca. O plantio segue dentro do cronograma das propriedades, favorecido pelo tempo firme registrado ao longo da semana.

    Já na região de Passo Fundo, a combinação de umidade adequada, luminosidade e temperaturas amenas favoreceu o desenvolvimento das pastagens anuais de inverno, especialmente aveia e azevém. A oferta de forragem aumentou e os produtores retomaram as adubações de cobertura, principalmente com o uso de ureia e cama de aviário. Também avançam os trabalhos de dessecação das áreas destinadas ao cultivo de trigo para silagem.

    Na região de Pelotas, o cenário varia entre os municípios. Em Pedro Osório, a escassez de chuvas reduziu o crescimento das pastagens e afetou a disponibilidade de alimento para os rebanhos. A implantação das áreas de inverno está praticamente paralisada em muitas propriedades devido à falta de umidade suficiente para garantir a germinação e o estabelecimento inicial das forrageiras. Os produtores aguardam a ocorrência de precipitações mais expressivas para retomar os trabalhos. Em São Lourenço do Sul, por outro lado, as áreas cultivadas com aveia e azevém já iniciaram o pastejo e apresentam boa produção de forragem.

    Na região de Porto Alegre, a situação permanece heterogênea. Em algumas localidades, o frio e a falta de chuvas reduziram o crescimento do campo nativo e das pastagens de inverno, especialmente em áreas com solos arenosos. Em outras, as precipitações registradas mantiveram níveis adequados de umidade no solo, favorecendo tanto a implantação quanto o desenvolvimento das forrageiras.

    As regiões de Santa Maria e Soledade registraram bom desenvolvimento das pastagens de inverno, impulsionado pelas condições meteorológicas e pela disponibilidade adequada de umidade. O pastejo já foi iniciado em diversas áreas de aveia, garantindo oferta de forragem em quantidade e qualidade para os rebanhos e reduzindo os impactos do vazio forrageiro outonal.

    Na região de Santa Rosa, as pastagens de inverno apresentam vigor vegetativo e disponibilidade de alimento considerados satisfatórios. Conforme a Emater/RS-Ascar, as condições favorecem a alimentação dos rebanhos, embora os custos de manutenção permaneçam elevados devido aos preços dos fertilizantes nitrogenados utilizados na adubação de cobertura. O campo nativo, apesar de não registrar aumento significativo na produção de forragem, mantém condições adequadas em razão da menor incidência de chuvas, que reduz os danos causados pelo pisoteio dos animais nas áreas de pastejo.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • NOAA confirma início do El Niño

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11.06) o início do El Niño, após as anomalias de temperatura no Pacífico Equatorial ultrapassarem +0,5°C e a atmosfera tropical apresentar resposta compatível com o fenômeno.Por enquanto, o El Niño ainda é fraco — mas a tendência é de fortalecimento nos próximos meses, com 63% de probabilidade de atingir categoria muito forte entre novembro e janeiro — o que o colocaria entre os maiores eventos registrados desde 1950.

    A principal preocupação está no que pode vir pela frente. A NOAA aponta 63% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre novembro e janeiro, com anomalias de temperatura acima de +2,0°C. Se isso se confirmar, o evento entrará para a lista dos mais intensos já registrados desde 1950 — o que popularmente se chama de Super El Niño.

    Os dados que levaram à confirmação mostram um aquecimento claro no Pacífico. O índice Niño-3.4, uma das principais referências usadas para monitorar o fenômeno, marcou +0,7°C acima da média na última semana. Outra medição, o Niño-1+2 — que cobre a costa da América do Sul —, chegou a +2,1°C. Mesmo com uma leve queda nas temperaturas subsuperficiais do oceano, as águas mais quentes que o normal continuam presentes nas camadas mais profundas do Pacífico equatorial.

    A atmosfera também dá sinais claros. Ventos em baixos níveis soprando de oeste, ventos em altos níveis de leste e nuvens de chuva mais ativas que o habitual no Pacífico central foram observados nas últimas semanas — todos indicadores clássicos do El Niño em desenvolvimento. Perto da Indonésia, no entanto, a atividade atmosférica ficou na média ou abaixo dela.

    Os modelos climáticos indicam que o fenômeno deve continuar se intensificando até o inverno do Hemisfério Norte, entre 2026 e 2027. A NOAA destaca que o alto conteúdo de calor acumulado no oceano e a expansão dos ventos de oeste dão mais segurança a essa projeção. Ainda assim, o órgão faz um alerta importante: mesmo que o El Niño se torne muito forte, seus efeitos variam bastante de região para região — nem todo lugar sentirá os impactos da mesma forma.

     

    Fonte:  https://www.agrolink.com.br/

  • Emater/RS-Ascar reavalia projeções da Safra de Grãos de Verão no RS

    Com a colheita dos grãos de verão praticamente concluída no Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar reavalia produtividade e produção de soja, milho, milho silagem, feijão e arroz obtidas na Safra 2025/2026 e divulgadas no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (11/06). No caso da soja, restam apenas áreas pontuais de segunda safra, sem representatividade estatística. A produtividade média estadual foi reavaliada para 2.707 kg de soja por hectare, representando redução de 14,8% nos 3.180 kg/ha projetados antes do início do plantio. A área efetivamente plantada no Estado foi 6.697.172 hectares, uma redução de 1,5% em relação aos 6.796.172 hectares da Safra 2024/2025 (IBGE). A produção da oleaginosa totaliza 18.132.401 toneladas, um aumento de 32,9%, se comparado às 13.643.986 toneladas colhidas na safra anterior (IBGE).

    As condições atmosféricas registradas no período, caracterizadas por elevada umidade relativa do ar, presença frequente de neblina e baixa insolação, dificultaram a finalização das últimas operações de colheita do grão. Os resultados produtivos consolidados evidenciam elevada variabilidade regional, como reflexo das distintas condições hídricas observadas ao longo do ciclo.

    Milho – A colheita de milho alcança 98% da área cultivada nesta safra, que foi de 812.540 hectares, conforme reavaliação da Emater/RS-Ascar, o que corresponde a 13,1% a mais, se comparada aos 718.190 hectares semeados na Safra 2024/2025 (IBGE). As áreas remanescentes correspondem principalmente a lavouras implantadas no período tardio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), conduzidas em pequenas propriedades.

    A produtividade estadual do milho foi reestimada pela Emater/RS-Ascar em 7.362 kg/ha, valor de ínfima variação percentual em relação à estimativa inicial de 7.376 kg/ha, realizada antes do início do plantio. Apesar dos impactos do déficit hídrico em alguns momentos do ciclo, a produção estadual do cereal na Safra 2025/2026 está estimada em 5.981.614 toneladas, o que representa acréscimo de 13,1% em relação a 5.290.051 toneladas colhidas na safra anterior.

    Milho silagem – A colheita de milho para silagem ultrapassa 99% da área cultivada no Estado. Em algumas regiões, as lavouras implantadas tardiamente e destinadas à produção de grãos foram redirecionadas para a ensilagem, em razão dos danos provocados pelas geadas, que comprometeram o potencial produtivo e dificultaram a adequada conclusão do ciclo para a finalidade inicialmente prevista. Essa estratégia permitiu o aproveitamento da biomassa remanescente e a mitigação parcial das perdas decorrentes dos eventos climáticos.

    A produtividade média de silagem para a Safra 2025/2026 foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar em 36,878 kg/ha, representando redução de 3,8% nos 38.338 kg/ha estimados na ocasião do plantio. A área plantada é de 349.085 hectares, sendo 2% inferior aos 356.300 hectares plantados na Safra 2024/2025 (IBGE). O volume da produção alcança 12,87 milhões de toneladas, sendo 0,7% inferior à safra anterior, quando atingiu 12,96 milhões de toneladas. No comparativo com a estimativa inicial dessa safra, que era de 14,03 milhões de toneladas, a redução é de 8,3%.

    Feijão 1ª safra – A primeira safra de feijão no Estado foi concluída. A reestimativa de produtividade realizada pela Emater/RS-Ascar apontou 1.726 kg/ha, sendo 3% inferior aos 1.779 kg/ha projetados no início do plantio. A área foi reavaliada para 23.942 hectares, representando redução de 22,3 % nos 30.797 hectares cultivados na Safra 2024/2025 (IBGE). A produção está estimada em 41.320 toneladas, sendo 26,3% inferior às 56.98 toneladas colhidas no ano anterior (IBGE), e 11% menor que as 46.412 toneladas previstas inicialmente.

    Feijão 2ª safra – A colheita da segunda safra avançou para 85% da área cultivada no Estado, restando 15% das lavouras em maturação. As condições climáticas recentes, caracterizadas por maior disponibilidade de radiação solar e temperaturas amenas, favoreceram a evolução das áreas em final de ciclo e a retomada dos trabalhos de colheita. A área de cultivo atualizada pela Emater/RS-Ascar foi reestimada em 9.818 hectares, sendo 45,7% inferior aos 18.070 hectares cultivados ano anterior (IBGE). A produtividade revista está em 1.414 kg/ha, 0,01% superior aos 1.401 projetados inicialmente. A 2ª Safra deverá resultar na produção de 13.880 toneladas, sendo 37,2% inferior às 22.111 toneladas colhidas na Safra 2025 (IBGE).

    Arroz – A cultura está em entressafra. A reavaliação de área aponta 891.908 hectares efetivamente plantados (Instituto Riograndense do Arroz – Irga), redução de 8,1% em relação aos 970.212 hectares de 2025. A produtividade foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar de 8.703 kg/ha e produção de 7.762.464 toneladas, o que representa 11,4% inferior às 8.762.370 toneladas produzidas no ciclo anterior.

    Culturas de Inverno

    Trigo – A semeadura do trigo avançou de forma significativa no Estado, favorecida pelas condições de solo e pela perspectiva de precipitação. As lavouras implantadas apresentam germinação e desenvolvimento inicial adequados e emergência uniforme. Apesar do progresso das operações, há expectativa de redução da área cultivada em relação à safra anterior, motivada pela combinação de restrições de crédito, pelo menor nível tecnológico empregado, pelos custos de produção elevados e pelas incertezas quanto ao comportamento climático durante o ciclo. Em algumas regiões, parte das áreas inicialmente destinadas ao cereal poderá ser substituída por culturas alternativas, plantas de cobertura ou sistemas pecuários.

    A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.

    Aveia-branca – A implantação de aveia-branca se encontra próxima da conclusão na maior parte das regiões produtoras do Estado. As condições climáticas têm favorecido a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento vegetativo inicial das lavouras, que apresentam estande adequado e baixa incidência de pragas e doenças. As áreas mais precoces estão em início de perfilhamento, e os produtores realizam adubação nitrogenada em cobertura e demais tratos culturais de rotina.

    Em termos de área cultivada, observa-se cenário de relativa estabilidade em parte das regiões. Em outras, registra-se expansão moderada da cultura, consolidando seu papel nos sistemas produtivos de inverno. A estimativa de área cultivada para 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE.

    Canola – A semeadura está em finalização e deve ser concluída até a próxima segunda-feira (15/06). Na maior parte do Estado, as condições de umidade do solo e as precipitações, mesmo leves, favoreceram a germinação e a emergência e, como consequência, a formação de estandes satisfatórios. No entanto, em algumas áreas, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm limitado o crescimento inicial e dificultado o manejo de plantas daninhas.

    As lavouras apresentam, de forma geral, bom potencial produtivo. Mantém-se a expectativa de grande expansão da área cultivada em relação à safra anterior, impulsionada pela inserção da cultura nos sistemas de rotação, pelos resultados econômicos anteriores e pelo interesse dos produtores em diversificar a produção de inverno. A área cultivada no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.

    Cevada – A implantação de cevada ganhou impulso e já está em finalização, com redução estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. A retração decorre da sensibilidade dos grãos a agentes físicos e biológicos, favorecidos à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, o que diminui o interesse comercial dos produtores pela cultura. A área cultivada em 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial