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24 de junho de 2026

  • Combinação de calor e umidade representa risco direto à produtividade e ao bem-estar de bovinos leiteiros

    O estresse térmico pode reduzir o consumo de alimento, afetar a reprodução, aumentar a ocorrência de doenças e diminuir a produção e a qualidade do leite. Em situações críticas, estimativas indicam perdas potenciais expressivas na produção diária, especialmente em vacas de maior produtividade. É o que aponta a Circular técnica 33 – Risco potencial de estresse térmico calórico para bovinos leiteiros nas regiões ecoclimáticas do RS, publicada recentemente pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).

    Segundo uma das autoras do estudo, pesquisadora e médica veterinária do DDPA, Adriana Tarouco, a ideia é alertar para o aumento do risco de estresse térmico. “A Circular avaliou dados de temperatura do ar e umidade relativa registrados em 29 estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), considerando as primaveras de 2022, 2023 e 2024 e os verões de 2022/2023, 2023/2024 e 2024/2025”, explica.

    A publicação mostra que, embora os valores médios do Índice de Temperatura e Umidade (ITU) nem sempre indiquem situação de estresse, os valores máximos e a duração das horas em desconforto revelam um cenário de atenção para a pecuária leiteira gaúcha. “O risco foi mais evidente nos verões, quando cerca de 70% das regiões avaliadas apresentaram condição média de estresse térmico leve a moderado nos ciclos 2023/2024 e 2024/2025. Em alguns locais, os máximos absolutos do ITU chegaram a níveis severos ou críticos”, destaca Adriana.

    Conforme outra autora do estudo, pesquisadora Ivonete Tazzo, as regiões mais vulneráveis foram Vale do Uruguai, Baixo Vale do Uruguai, Missioneira e Depressão Central, áreas de menor altitude e com maior exposição a temperaturas elevadas. “O destaque é o Vale do Uruguai, uma das principais bacias leiteiras do Estado, onde a combinação de calor e umidade representa risco direto à produtividade e ao bem-estar dos animais”, alerta.

    “No verão 2023/2024, por exemplo, o Vale do Uruguai registrou apenas 30,6% das horas em conforto térmico, enquanto o Baixo Vale do Uruguai teve apenas 25,2%. No verão seguinte, o Baixo Vale do Uruguai manteve a condição mais crítica, com 28,7% das horas em conforto e mais de 20% do período em estresse severo ou crítico”, exemplifica Ivonete.

    A primavera também apresentou sinais de agravamento. “Apesar de os ITUs médios terem permanecido, em geral, abaixo do limite de estresse, houve aumento progressivo entre 2022 e 2024. Os máximos absolutos indicaram situações severas em várias regiões, especialmente no Vale do Uruguai e no Baixo Vale do Uruguai, que chegaram a valores próximos ou acima do limite crítico”, pontua a pesquisadora.

    O que fazer

    A Circular reforça que o monitoramento contínuo das condições meteorológicas e do ITU deve fazer parte da rotina dos sistemas leiteiros, principalmente nos períodos mais quentes do ano. Entre as medidas recomendadas estão sombreamento natural ou artificial, oferta permanente de água fresca, ventilação, ajustes no manejo alimentar e maior atenção durante ondas de calor. O estudo também evidencia a necessidade de estratégias regionalizadas, já que regiões de maior altitude, como as Serras do Nordeste e do Sudeste, apresentaram condições mais favoráveis de conforto térmico.

    “Em síntese, a publicação chama a atenção para um desafio crescente da cadeia leiteira gaúcha: adaptar os sistemas de produção a um ambiente climático mais quente e variável, reduzindo perdas produtivas e protegendo o bem-estar dos animais”, conclui Adriana.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial