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20 de julho de 2026

  • China amplia demanda e Brasil terá disputa maior pela soja

    A demanda chinesa por soja deverá continuar crescendo na temporada 2026/27, mas o mercado brasileiro terá outro comprador cada vez mais relevante disputando o grão: a indústria de esmagamento instalada dentro do próprio país.

    Em seu relatório de julho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos elevou a projeção das importações chinesas de soja de 114 milhões para 115 milhões de toneladas em 2026/27. Para 2025/26, a estimativa atual é de 113 milhões de toneladas.

    O USDA também aumentou a previsão das exportações brasileiras de soja para 118 milhões de toneladas, justificando a alteração pela maior demanda da China.

    Ao mesmo tempo, o esmagamento de soja no Brasil deverá atingir 65 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 3,5 milhões de toneladas em relação à temporada anterior.

    Segundo o USDA, a expansão é sustentada pela combinação de uma grande oferta de soja, novos investimentos industriais e aumento da demanda por óleo e farelo. A capacidade ativa de esmagamento foi estimada em 77 milhões de toneladas em 2025, quase 30% acima do nível de 2020.

    Isso significa que o mercado brasileiro passará a depender de dois grandes canais de consumo: exportação do grão, especialmente para a China e processamento interno para produzir farelo, óleo e matéria-prima para biodiesel.

    O USDA projeta que as exportações brasileiras de farelo de soja alcancem o recorde de 26,9 milhões de toneladas em 2026/27, aumento de 1,9 milhão de toneladas.

    A demanda mundial de importação de farelo deverá crescer 4%, puxada por mercados como União Europeia, Indonésia, Vietnã, México e Tailândia.

    Esse movimento é importante porque permite ao Brasil ampliar a participação no comércio de produtos processados, e não apenas no embarque do grão in natura.

    Outro fator de sustentação é o biodiesel. O USDA destaca que o óleo de soja representa parcela majoritária das gorduras e dos óleos utilizados na produção brasileira do biocombustível.

    O consumo industrial de óleo de soja pode chegar a 7,3 milhões de toneladas em 2026/27, 300 mil toneladas acima da temporada anterior.

    O avanço cria demanda mais constante para as esmagadoras, embora a intensidade desse efeito dependa das regras de mistura, do preço do óleo e da concorrência de outras matérias-primas.

    Uma safra grande pode atender simultaneamente exportadores e processadores. No entanto, a expansão dos dois canais tende a tornar mais relevante a disputa por soja em determinadas regiões e épocas do ano.

    A intensidade dessa concorrência dependerá de fatores como:

    • tamanho efetivo da safra brasileira;
    • localização das novas unidades de esmagamento;
    • capacidade de armazenagem;
    • custos de transporte até portos e indústrias;
    • prêmios de exportação;
    • câmbio;
    • margem obtida com farelo e óleo.

    Quando o preço pago pela indústria supera a paridade de exportação, o lote pode permanecer no mercado doméstico. Quando porto, câmbio e prêmio oferecem remuneração maior, a exportação ganha competitividade.

    Para o produtor, a expansão da indústria pode representar maior número de compradores e novas referências regionais de preço.

    Mas isso não garante valorização automática. Uma produção acima da demanda, problemas logísticos ou recuo nos preços internacionais podem limitar o movimento.

    A principal mudança é que o Brasil continuará fortemente dependente da China para escoar soja em grão, mas terá uma indústria doméstica com capacidade crescente de absorção e agregação de valor.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Quem guardar milho agora pode perder dinheiro

    O mercado do milho atravessa um período de recuperação moderada, sustentado por riscos climáticos e pela redução gradual dos estoques, mas ainda limitado pela perspectiva de ampla oferta global. Segundo análise da TF Agroeconômica, o momento exige decisões comerciais cautelosas, com foco em proteção de margens, vendas escalonadas e avaliação rigorosa dos custos de carregamento.

    Para os agricultores, a recomendação é aproveitar a melhora dos preços para comercializar o grão em etapas, evitando concentrar toda a estratégia na expectativa de novas altas. Parte da produção pode ser mantida disponível para capturar eventuais avanços caso o clima nos Estados Unidos piore, mas a armazenagem deve considerar despesas financeiras, seguro, perdas de qualidade e custo de estocagem.

    Cooperativas devem reforçar operações de hedge, orientar os associados sobre o impacto do carregamento na rentabilidade e acompanhar de perto o clima no Corn Belt e o ritmo das exportações brasileiras. Para cerealistas, o cenário favorece compras em momentos de correção, gestão mais ativa dos estoques e uso de proteção contra a volatilidade internacional.

    As indústrias de ração podem manter aquisições escalonadas, aproveitando períodos de realização de lucros em Chicago, sem antecipar grandes volumes enquanto persistirem dúvidas sobre a safra norte-americana. Já as usinas de etanol devem avaliar a cobertura de matéria-prima para os próximos meses e proteger margens diante do risco de menor disponibilidade interna no segundo semestre.

    A tendência no Brasil segue de alta gradual, impulsionada pelo consumo dos estoques da safrinha e pela possível expansão das exportações. Mesmo assim, o avanço tende a ser moderado, e o ganho futuro só será vantajoso quando superar os custos de manter o milho armazenado.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/