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8 de setembro de 2026

  • Trigo evolui de forma satisfatória no Rio Grande do Sul

    As lavouras de trigo apresentam evolução diferenciada no Rio Grande do Sul, com predominância de áreas em final de desenvolvimento vegetativo, elongação do colmo e emborrachamento, as quais totalizam 50%. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (03/09), as parcelas mais adiantadas estão em floração (33%), formação e enchimento de grãos (16%) e em maturação (1%). A área projetada para a safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média é estimada em 2.701 kg/ha.

    O período com menor precipitação e maior disponibilidade de radiação solar permitiu a retomada das operações de adubação nitrogenada e dos tratamentos fitossanitários, em especial nas áreas com restrições de acesso em razão da elevada umidade dos solos. Entretanto, a sequência de dias nublados e chuvosos, registrada em semanas anteriores, favoreceu a evolução de doenças fúngicas, como manchas foliares, ferrugens e oídio, além de aumento da incidência de giberela nas lavouras em fase reprodutiva.

    Na região de Santa Rosa, 27% das lavouras de trigo estão em desenvolvimento vegetativo, 45% em floração, 25% em enchimento de grãos e 3% maduras. A última semana apresentou evolução satisfatória, favorecida por tempo seco e aumento de radiação solar e da luminosidade diária. Contudo, referente ao cenário fitossanitário, ainda há incidência de oídio, ferrugens e manchas foliares. As geadas do início do período foram, em geral, de baixa intensidade e não deverão causar impactos relevantes.

    Canola

    A canola se encontra em fase reprodutiva (floração, formação de síliquas e enchimento de grãos), com evolução diferenciada entre as regiões, sendo mais adiantadas no Noroeste do Estado, onde algumas lavouras foram colhidas. O aumento da luminosidade e das temperaturas favorecem o avanço do ciclo e, nas áreas mais adiantadas, a formação e o enchimento das síliquas.

    Porém, os períodos prolongados de nebulosidade, de elevada umidade e de precipitações frequentes limitaram o desenvolvimento em algumas áreas e tendem a reduzir o potencial produtivo. A ocorrência de granizo provocou danos em alguns cultivos. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.

    Carinata

    As lavouras estão em reprodução, predominando as fases de formação de síliquas e de enchimento de grãos. A melhoria das condições de luminosidade favoreceu a evolução do ciclo, mantendo a cultura dentro do padrão esperado. O quadro fitossanitário está estável, com incidência pontual de pragas e doenças. Na região de Santa Maria, em Tupanciretã, 100% das lavouras se encontram em enchimento de grãos.

    A fitossanidade está satisfatória, mas foi identificada incidência localizada de esclerotinia (mofo-branco) e de bacterioses, estas associadas a lesões provocadas por granizo. Já na região de Santa Rosa, as lavouras estão em fase reprodutiva, sendo 5% em florescimento e 95% em formação de síliquas e enchimento de grãos. A maior insolação no período favoreceu o desenvolvimento, sem ocorrências expressivas de problemas fitossanitários ou climáticos.

    Aveia-branca

    As lavouras apresentam desenvolvimento fenológico variável, avançando para a fase de enchimento de grãos. A colheita já foi iniciada nas áreas mais adiantadas. De modo geral, as condições das lavouras estão satisfatórias, embora sejam observadas diferenças quanto ao potencial produtivo e às condições fitossanitárias.

    Na região de Passo Fundo, 60% das lavouras de aveia-branca se encontram em florescimento, e 40% em enchimento de grãos, com boa sanidade. Foram registrados episódios de granizo em alguns municípios, cujos danos serão avaliados com maior precisão nos próximos dias.

    Cevada

    A cevada avança da fase vegetativa para os estágios reprodutivos (elongação do colmo, espigamento, florescimento e enchimento de grãos). As condições climáticas permitiram a retomada das operações de manejo fitossanitário, embora as chuvas tenham mantido elevado o risco de doenças fúngicas entre a fase de espigamento e a reprodutiva.

    O estado geral está satisfatório, mas há incidência de doenças foliares em parte das lavouras. A área estimada de cultivo é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha.
    Culturas de Verão

    Milho

    A implantação da safra de milho apresentou forte avanço durante o período, favorecida pela redução da umidade superficial dos solos e pelo aumento da disponibilidade de radiação solar e das temperaturas, e está mais acelerado nas áreas de menor altitude e nas localidades com janela de semeadura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) já estabelecida.

    As lavouras apresentam germinação e emergência satisfatórias, além de estandes uniformes. Predominam áreas em estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo. Nas lavouras semeadas em solo ainda excessivamente úmido ou submetidas a chuvas logo após a operação ocorreram problemas pontuais de estabelecimento.

    A estimativa realizada pela Emater/RS-Ascar aponta o plantio de 896.401 hectares de milho, sendo 7,42% superior à safra anterior, produtividade projetada de 7.711 kg/ha e produção aproximada de 6,91 milhões de toneladas, que representa incremento de 7,18%. A ampliação da área do cereal ocorre em um contexto de recuperação e consolidação da cultura no Estado. Na safra 2025/2026, a área efetivamente cultivada foi de 812,5 mil hectares, sendo 13,1% superior à safra 2024/2025, e a produção alcançou aproximadas 5,98 milhões de toneladas, também acima do ciclo precedente.
    Olerícolas e Frutícolas

    Alho

    Na região de Caxias do Sul, em São Marcos, os cultivos seguem com bom desenvolvimento vegetativo, apesar das condições climáticas. As primeiras lavouras implantadas devem iniciar o processo de diferenciação (início formação dos bulbos) em meados de setembro. As geadas não afetaram a cultura.

    Brássicas (brócolis, couve-flor e repolho)

    Na região de Lajeado, em Vale Real, as brássicas estão em plena produção, com produto de muito boa qualidade, embora as condições meteorológicas desfavoráveis, como o excesso de umidade no solo, tenham causado perdas de qualidade nessas culturas.

    Citros

    Na região de Erechim, está encerrada a colheita das variedades de laranja Salustiana, Iapar, Umbigo Navelina e Rubi, comercializadas com preços muito baixos, em torno de R$ 0,40/kg. A colheita de laranja Valência começou no início de agosto. Os citricultores estão desanimados em razão dos baixos valores ofertados pelas indústrias processadoras, cenário agravado pela retração da demanda e dos preços da laranja in natura.

    Laranja Valência destinada à indústria de suco está sendo comercializada a R$ 380,00/t. Há expectativa de leve recuperação dos preços a partir de setembro, impulsionada pela subvenção aprovada e pela elevação gradual das temperaturas, fator que tende a estimular o consumo de suco e de frutas in natura.

    Na região de Lajeado, em Montenegro, foram colhidos 60% dos pomares de bergamota Montenegrina, havendo diferença de preço para o produto entregue no mercado consumidor. A colheita de laranja Valência alcança 30% dos pomares. Em Maratá, a colheita da bergamota Montenegrina atingiu 70% da área cultivada, variando conforme a qualidade dos frutos. Em São José do Sul, os produtores relatam pouca na comercialização de limão-tahiti, mas há expectativa de melhora nas vendas no final do ano.

    PASTAGENS

    Nativas

    Na região de Bagé, os campos nativos continuam apresentando rebrota moderada. As principais limitações ao crescimento e à utilização das pastagens estão concentradas nas áreas com maiores acumulados de chuva, onde os alagamentos ou o encharcamento do solo têm restringido o desenvolvimento das plantas. O manejo de lotação inadequado nos últimos meses reduziu a oferta de pastagens de qualidade, em decorrência da menor capacidade de realização de fotossíntese e de recuperação.

    Na região de Santa Maria, em Júlio de Castilhos, o retorno de dias mais ensolarados, com maior incidência de radiação solar, vem favorecendo a recuperação das pastagens. A redução do excesso de umidade no solo e a melhora das condições meteorológicas têm estimulado o crescimento do campo nativo, e houve retomada da rebrota e da recuperação da área foliar.

    Cultivadas

    Na região de Erechim, as áreas de aveia e azevém destinadas à produção de feno e silagem encontram-se em desenvolvimento vegetativo. A ausência de períodos prolongados de tempo seco tem dificultado a produção de feno e comprometido a qualidade do material já enfardado. Diante dessas condições, muitos produtores têm optado pela produção de pré-secado, acondicionado em bolas. Na região de Frederico Westphalen, já foram iniciadas, em algumas propriedades, a implantação de forrageiras de verão, como capim-sudão para pastejo e milho destinado à produção de silagem.

    Na região de Ijuí, as forrageiras anuais de inverno se encontram em estágio de formação de grãos e vêm sendo roçadas para a implantação das forrageiras de verão. A redução da umidade do solo, associada à maior presença de sol, possibilitou a realização de cortes para a produção de forragens conservadas, como silagem de aveia e trigo, pré-secado e feno. A semeadura das forrageiras anuais de verão foi intensificada durante o período, com destaque para o capim-sudão.

    Nas regiões de Santa Rosa e Soledade, as áreas mais precoces de aveia avançaram para as fases de alongamento e floração, sendo gradativamente dessecadas para a implantação do milho. Também foram realizadas adubações de cobertura com ureia e esterco, que contribuíram para o aumento da produção de forragem. Por causa da proximidade da primavera, as pastagens perenes de verão apresentam retomada gradual do crescimento.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php

  • Produtividade vira alerta para a próxima safra de soja

    A safra brasileira de soja 2026/27 tende a depender mais da produtividade do que da expansão da área plantada. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, projeções de seis consultorias indicam área média próxima de 49,14 milhões de hectares, avanço de apenas 0,6% sobre 2025/26.

    Mantida a produtividade média de 3.712 quilos por hectare registrada na temporada anterior, a produção chegaria a cerca de 182,7 milhões de toneladas, abaixo dos 186 milhões estimados pelo USDA. Nas simulações apresentadas pelo consultor, uma redução para 3.652 quilos por hectare levaria a colheita a 179,75 milhões de toneladas. Com rendimento de 3.592 quilos, o volume cairia para 176,81 milhões, enquanto um cenário de 3.352 quilos resultaria em aproximadamente 165 milhões de toneladas.

    “Mas existe uma mensagem clara: uma queda brusca da produtividade brasileira retiraria milhões de toneladas do balanço mundial e criaria um ambiente de estoques mais apertados e maior sensibilidade dos preços a qualquer novo problema de oferta. Em um cenário próximo de 23% de estoque/consumo, o mercado passaria a operar com muito menos margem para erros climáticos”, comenta.

    Além do clima, a análise chama atenção para crédito mais restrito e custos elevados de insumos, fatores que podem limitar investimentos em fertilizantes, correção de solo, calcário e tecnologia. Como o Brasil representa cerca de 42% da produção mundial projetada pelo USDA, perdas mais fortes de produtividade também poderiam reduzir a relação entre estoques e consumo global, aumentando a sensibilidade dos preços a novos problemas de oferta.

    “Com a área praticamente estabilizada, clima, crédito, fertilidade do solo, calcário, fertilizantes e tecnologia podem definir não apenas o tamanho da safra brasileira, mas o equilíbrio mundial da soja”, conclui.

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/