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21 de setembro de 2026

  • El Niño exige atenção redobrada no manejo da soja

    A soja brasileira inicia a safra 2026/27 sob um cenário climático que pode exigir decisões mais rápidas e estratégias diferentes entre as regiões produtoras. A previsão de maior intensidade do El Niño entre outubro e dezembro de 2026, com possibilidade de permanência até abril de 2027, coloca chuvas, temperaturas e manejo fitossanitário entre os principais pontos de atenção.

    No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a expectativa de precipitações acima da média entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 aumenta a preocupação com o excesso de umidade. Já no Centro-Oeste e no Norte, períodos de menor precipitação e temperaturas elevadas podem ampliar o risco de estresse hídrico.

    Segundo Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, as diferenças entre as regiões exigem planejamento além da expectativa de chuva. “A escolha de cultivares adaptadas, o preparo do solo, o tratamento de sementes e a disponibilidade de ferramentas na fazenda para o manejo fitossanitário ganham importância diante de uma safra em que as janelas de aplicação podem sofrer alterações em relação ao que vinha sendo adotado”, explica.

    Nas áreas do Sul sujeitas à maior umidade, um dos primeiros desafios está no estabelecimento da lavoura. Solos compactados, com drenagem deficiente ou acúmulo de água podem favorecer doenças radiculares, como a podridão-radicular de fitoftora, e comprometer a emergência das plantas.

    Por isso, o tratamento de sementes e a escolha de materiais adaptados às condições locais devem fazer parte das decisões anteriores à semeadura.

    Em anos mais chuvosos, o monitoramento também precisa considerar períodos prolongados de molhamento foliar e temperaturas amenas, condições que favorecem doenças como a ferrugem-asiática.

    Nesse cenário, o manejo fitossanitário exige atenção ao momento adequado para a aplicação de fungicidas, principalmente diante da possibilidade de redução das janelas de operação provocada pela chuva. “O produtor precisa considerar que, em um cenário de maior umidade, a janela de aplicação pode variar. Se houver uma sequência de dias chuvosos, por exemplo de 5 dias, e o intervalo entre as aplicações estimada é de 12 dias, então pode se estender para 17 dias, comprometendo os tratos fitossanitários. Por isso, ter as tecnologias adequadas e planejar as operações passa a ser uma estratégia eficiente de manejo”, reforça Corsini.

    As condições climáticas previstas também podem influenciar o manejo de plantas daninhas. No Centro-Oeste, períodos de menor umidade reforçam a importância do controle das invasoras desde o início do ciclo, evitando a competição por água e nutrientes enquanto a soja ainda está em desenvolvimento.

    O inverno chuvoso favoreceu a presença de plantas daninhas no início de setembro. Entre as espécies que exigem atenção estão o capim-pé-de-galinha e o caruru, cuja presença tem aumentado em áreas produtoras.

    O manejo de pragas também entra no planejamento. Em condições de menor umidade e temperaturas mais elevadas, a redução da atuação de fungos entomopatogênicos e a aceleração do ciclo de desenvolvimento dos insetos podem favorecer o aumento da pressão de pragas. “No ano passado, em condições climáticas consideradas normais, houve um incremento de 50% a mais no manejo de mosca-branca. Para o atual cenário, os agricultores devem ficar cientes de que não apenas a mosca-branca, mas outras pragas, podem aumentar consideravelmente nesse ciclo, como percevejos e lagartas”, enfatiza Gustavo.

    Diante desse cenário, o monitoramento frequente e a adoção de estratégias de manejo integrado são apontados como fundamentais para identificar a necessidade de controle e evitar o avanço das infestações.

    A safra 2026/27 também exige planejamento da capacidade operacional das propriedades. No Sul, a preparação deve considerar períodos de chuva capazes de dificultar a entrada de máquinas e o cumprimento das aplicações.

    No Centro-Oeste e no Norte, a atenção se concentra na formação da lavoura e na redução dos estresses iniciais que podem comprometer o desenvolvimento das plantas.

    Para Corsini, a adaptação às condições de cada região será importante ao longo do ciclo. “O agricultor brasileiro é resiliente e consegue se planejar de forma eficaz. Mas, diante de um cenário de maior variabilidade climática, é importante que ele tenha as ferramentas corretas disponíveis no momento certo, porque a janela de aplicação pode ser diferente da habitual e a tomada de decisão precisa ser mais rápida”, comenta.

    As diferenças regionais também reforçam a necessidade de acompanhar o mercado durante a safra. Eventuais perdas provocadas por excesso ou falta de chuva podem ser parcialmente compensadas por um cenário de preços mais favorável.

    Dessa forma, além do monitoramento das lavouras e das condições climáticas, o acompanhamento das cotações e o planejamento comercial passam a integrar as decisões do produtor ao longo da safra 2026/27.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Começa colheita do trigo nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul

    As condições ambientais foram favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de trigo na maior parte do Rio Grande do Sul. Há, contudo, diferenças de desenvolvimento entre as regiões, em função da época de implantação e das condições meteorológicas ao longo do ciclo. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (17/9), as áreas de trigo implantadas de forma precoce, no oeste do Estado, avançam para as fases de enchimento de grãos (44%) e maturação (5%), e inicia-se a colheita. Nas lavouras de implantação mais tardia, predominam os estágios de desenvolvimento vegetativo (12%) e de espigamento e floração (39%).

    Em relação ao quadro fitossanitário, há incidência de oídio, de manchas foliares, de ferrugens e de giberela. Destaca-se a necessidade de maior atenção às lavouras em floração e às áreas submetidas a condições meteorológicas propícias ao desenvolvimento de doenças. Para a Safra 2026, a área projetada com trigo no Estado é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 kg/ha.

    Na região de Santa Rosa, 4% das lavouras de trigo estão em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração, 61% em enchimento de grãos e 7% em maturação. As lavouras apresentam bom número de espiguetas por espiga e ausência de falhas de fecundação, mantendo o potencial produtivo favorável. Na região de Caxias do Sul, a elevada nebulosidade e a baixa luminosidade, associadas às temperaturas reduzidas, retardaram o desenvolvimento das plantas. As lavouras de trigo estão no final do perfilhamento e início da elongação do colmo, mantendo, apesar das intempéries, expectativa de rendimento considerada satisfatória. Já na região de Santa Maria, em Tupanciretã, município de maior extensão regional do cultivo, 20% das lavouras estão em elongação, 60% em floração e 20% em enchimento de grãos. Nas áreas mais adiantadas, o frio intenso e as geadas mantêm a necessidade de acompanhamento durante a floração, mas a quantificação de eventuais perdas ainda não foi realizada.

    Aveia-branca

    Houve avanço do ciclo nos cultivos de aveia-branca. Do total da área, estimada para o Estado em de 387.697 hectares, 11% estão em desenvolvimento vegetativo, 49% em enchimento de grãos, 27% em floração, 11% em maturação e 2% colhidos. De modo geral, as condições das lavouras estão satisfatórias, com bom desenvolvimento e condições sanitárias favoráveis, embora persista a incidência pontual de doenças foliares, especialmente ferrugens. A produtividade média estadual está projetada em 2.322 kg/ha.

    Canola

    A cultura da canola avança para as fases finais do ciclo. Predominam lavouras em floração e enchimento de grãos (88%), e aumentam as áreas em maturação (9%). A colheita ainda se limita a pequenas extensões de implantação precoce (1%). As condições de maior luminosidade, de temperaturas favoráveis e de menor umidade relativa do ar, observadas em parte do período, contribuíram para o avanço fenológico, para o desempenho das plantas e, nas áreas em floração, para maior atividade de polinizadores. A ocorrência de geada em lavouras em formação pode ter comprometido de forma parcial o enchimento das síliquas, mas ainda sem quantificação definitiva das perdas. A área cultivada de canola no Rio Grande do Sul está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.

    Carinata

    A cultura apresenta desenvolvimento e estande satisfatórios, apesar das diferenças entre as regiões, em função da época de implantação e das condições meteorológicas ao longo do ciclo. As lavouras em desenvolvimento vegetativo totalizam 3%; em floração são 32%; em enchimento de grãos, 62%; e em maturação, 3%. Na região de Frederico Westphalen, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório. Estão 70% em enchimento de grãos e 30% em maturação. A expectativa atual de produtividade está próxima de 1.100 kg/ha. Já na região de Ijuí, 15% da área de canola está em floração, 80% em granação e 5% em maturação.

    Cevada

    As janelas de tempo firme favoreceram a evolução da cultura e a continuidade das operações de manejo. Nas regiões de maior concentração de cultivo, apesar das chuvas volumosas, não foram relatados impactos relevantes nas lavouras. Cerca de 50% da área cultivada está em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 20% em enchimento de grãos. De forma pontual, algumas lavouras iniciaram o processo de maturação. A área de cultivo estimada é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha.

    Culturas de verão

    Milho

    O plantio de milho no Rio Grande do Sul chega a 60% da área e está praticamente finalizado na região Noroeste. A ocorrência de geada causou danos em lavouras implantadas mais cedo e nos locais mais propícios para ocorrência de geadas. Os produtores realizaram as aplicações de herbicidas e de inseticidas; estes para o controle de cigarrinha, cuja incidência aumentou. A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta o plantio de 896.401 hectares de milho, produtividade projetada de 7.711 kg/ha e produção aproximada de 6,91 milhões de toneladas.

    Arroz

    Na região de Bagé, há intenção de plantio de 361.027 hectares de arroz. Houve excelente evolução na semeadura das lavouras, ainda concentrada nos municípios da Fronteira Oeste, com histórico de implantação da cultura desde o início de setembro. Em Maçambará, 15% dos 16.900 hectares previstos foram semeados. A alta capacidade de máquinas e implementos utilizados pelos produtores permitem avanço diário significativo do plantio. As temperaturas baixas devem provocar algum atraso no estabelecimento das lavouras. Ainda assim, a sequência de dias de tempo seco foi propícia para os cultivos. As barragens cheias e a boa reação na cotação do produto motivam os produtores, que estavam pessimistas em relação à primavera pela ocorrência de El Niño, à falta de crédito e aos insumos com cotações elevadas.

    Feijão 1ª safra

    Na região de Ijuí, a semeadura evoluiu para 40% da área projetada, que é de 883 hectares para o Rio Grande do Sul. O desenvolvimento das plantas ocorreu de forma lenta devido ao tempo frio. Na região de Pelotas, segue o plantio das primeiras lavouras em locais protegidos e sem riscos de geadas. Na região de Soledade, no baixo Vale do Rio Pardo, a semeadura do feijão 1ª safra está em fase final. Nas regiões Centro-Serra e Alto da Serra do Botucaraí, as áreas estão preparadas para o plantio.

    Criações

    Bovinocultura de leite

    O excesso de umidade e a formação de barro ainda dificultam o acesso às pastagens e o manejo, além de aumentarem os riscos de mastite e de problemas de casco em determinadas regiões. Já a redução do encharcamento em algumas áreas tem favorecido a movimentação dos animais e o acesso às forrageiras.

    Na região de Bagé, as vacas alimentadas em campo nativo apresentam recuperação da condição corporal. Esse cenário marca o retorno dos produtores sazonais à atividade e o aumento da produção dos que efetuam a entrega de leite durante todo o ano, mas não realizam investimentos significativos em pastagens de inverno ou na suplementação com fenos e silagens.

    O observa-se pequena redução na produção de leite nos sistemas de produção a pasto na região de Ijuí. Nos sistemas confinados, a produtividade não apresentou alterações. Nos sistemas estabulados, persiste a dificuldade para reduzir a umidade da cama dos animais, embora o conforto térmico esteja satisfatório.

    Em algumas propriedades da região de Santa Rosa, o excesso de umidade das semanas anteriores ocasionou danos pontuais por pisoteio e dificultou o manejo, mas não comprometeu a alimentação dos animais. Os produtores seguem realizando suplementação alimentar com silagem e concentrados, especialmente para vacas em pico de lactação.

    Piscicultura

    Na região de Erechim, a geada e o frio do início do período reduziram o apetite e a atividade dos peixes. A chuva volumosa na sexta-feira (11/9), a qual atingiu até 150 mm, aumentou a turbidez da água nos viveiros e elevou o risco de redução do oxigênio dissolvido, de inversão térmica, de transbordamento e de fuga dos peixes em viveiros com pouca margem de segurança. Apesar da turbidez nos viveiros após a chuva forte, os açudes apresentam ótima disponibilidade de água.

    Pesca artesanal

    Na região de Santa Rosa, novamente os pescadores de Porto Vera Cruz e de outras localidades que praticam a pesca no Rio Uruguai foram prejudicados pela elevação do nível do rio. Segundo representantes da categoria, a maioria retirou os materiais e petrechos de pesca da água e monitora as embarcações nas margens para evitar perdas ainda maiores.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php

  • Demanda nutricional da soja muda ao longo do ciclo

    A demanda por nutrientes da soja varia ao longo do ciclo e acompanha as mudanças no desenvolvimento da planta, desde a formação da biomassa até o enchimento dos grãos. Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Ceccherini, a absorção e o acúmulo de nutrientes se modificam conforme a cultura avança pelas fases vegetativa e reprodutiva.

    Durante o período vegetativo, a formação intensa de folhas, raízes e biomassa provoca aumento progressivo da necessidade nutricional. Com a chegada da floração e da formação das vagens, essa exigência se intensifica, acompanhando uma etapa importante para a definição do potencial produtivo da cultura.

    No enchimento dos grãos, nutrientes como potássio, nitrogênio, fósforo, magnésio e enxofre têm papel importante na manutenção dos processos fisiológicos e na formação dos grãos. Já durante a maturação, ocorre uma redistribuição dos nutrientes presentes na planta, com a translocação de alguns elementos das folhas para os órgãos reprodutivos.

    Esse comportamento mostra que o manejo nutricional da soja não depende apenas da quantidade de nutrientes fornecida. O momento da disponibilização também precisa estar relacionado ao estágio de desenvolvimento e às necessidades apresentadas pela cultura em cada fase.

    O conhecimento da curva de demanda nutricional permite aproximar a adubação do ciclo fenológico da soja. A relação entre disponibilidade de nutrientes e desenvolvimento da planta contribui para aumentar a eficiência do manejo e favorecer o aproveitamento do potencial produtivo da lavoura. “O conhecimento da curva de demanda nutricional permite relacionar a adubação ao estádio de desenvolvimento da cultura, buscando maior eficiência no uso dos nutrientes e melhor aproveitamento do potencial produtivo”, conclui.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/