Daily Archives

5 de outubro de 2026

  • Mapa reúne orientações para os impactos do El Niño

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou nesta sexta-feira (2) uma página oficial com informações e orientações sobre o El Niño e os possíveis impactos do fenômeno na agricultura e na pecuária brasileira. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), reúne ferramentas para prevenção, preparação e mitigação de riscos climáticos.

    Segundo dados divulgados pelo Mapa, a página reúne conteúdos sobre clima, crédito rural, seguro rural, Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), assistência técnica, Plano Safra e Caminho Verde. Também estão disponíveis avisos meteorológicos sobre eventos severos, previsão do tempo para as capitais brasileiras, notas técnicas, o Painel El Niño e informações voltadas à agricultura, incluindo tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    O conteúdo apresenta ainda as ações do Grupo de Trabalho criado pelo Mapa para acompanhar a evolução do fenômeno e propor medidas de prevenção, preparação e mitigação dos possíveis impactos sobre a produção agropecuária. “Recebi o relatório final do Grupo de Trabalho que criamos aqui no Mapa sobre os impactos do El Niño no agro. E a conclusão aponta uma direção muito clara: não vamos esperar para agir. Por isso, atendendo a uma proposta do GT, vamos criar um núcleo permanente de gestão de riscos climáticos no Mapa. Não estamos criando uma estrutura apenas para atravessar o próximo El Niño. Estamos construindo uma capacidade permanente do Estado brasileiro para antecipar cenários e reduzir riscos”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

    O trabalho desenvolvido pelo Mapa integra uma iniciativa coordenada pela Casa Civil, que reúne diferentes ministérios em uma força-tarefa para acompanhar os efeitos do fenômeno, planejar respostas e antecipar medidas destinadas a reduzir seus impactos sobre a população e os setores produtivos. No âmbito do Mapa, segundo dados divulgados pelo ministério, as ações buscam fortalecer a gestão integrada dos riscos climáticos por meio da combinação de prevenção, boas práticas de manejo, assistência técnica e instrumentos de proteção ao produtor. Entre esses mecanismos está o seguro rural, apresentado como uma das ferramentas de proteção disponíveis para a atividade agropecuária.

    Entre os instrumentos apresentados na página está o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), voltado à gestão e transferência de riscos no campo.

    Segundo dados divulgados pelo Mapa, a legislação publicada nesta quarta-feira (30) no Diário Oficial da União estabelece que o seguro rural passe a integrar o conjunto de garantias das operações de crédito rural.

    De acordo com o ministro, a integração entre diferentes instrumentos de política agrícola é importante para ampliar a capacidade de gestão dos riscos climáticos. “Não podemos enfrentar os riscos climáticos do futuro com instrumentos do passado. Zoneamento agrícola, seguro, crédito, pesquisa, inovação e informação climática vão trabalhar juntos. A emergência climática passa, mas a capacidade de prevenir fica”, afirmou André de Paula.

    Com a medida, operações de crédito amparadas por seguro poderão contar com condições favoráveis de juros, prazos e limites, além de prioridade de acesso ao crédito e possibilidade de financiamento do prêmio do seguro.

    A prioridade será obrigatória nos casos de prorrogação e renegociação de operações, conforme as regras estabelecidas pelo Poder Executivo.

    Impactos do El Niño variam entre as regiões

    Segundo dados divulgados pelo Mapa, o El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Tropical. Esse aquecimento provoca alterações na circulação atmosférica e mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país. Os efeitos variam conforme cada região e podem afetar de maneira distinta culturas, pastagens e áreas agrícolas.

    No Sul, uma das principais regiões produtoras de grãos do país, há previsão de excesso de chuvas.

    No Centro-Sul, o cenário indica possibilidade de seca moderada e temperaturas elevadas. No norte do Sudeste, há risco de seca. Já no Nordeste e no Norte, incluindo a Amazônia, aumenta o risco de períodos de estiagem.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Como reconhecer a lagarta enroladeira na soja

    A lagarta enroladeira da soja (Hedylepta indicata) pode causar danos às lavouras quando não é identificada e monitorada com frequência. Entre outubro e março, período crítico da cultura em regiões como BA, GO, MS, MT, PR e RS, reconhecer os primeiros sinais ajuda o produtor a avaliar a necessidade de manejo.

    A lagarta enroladeira das folhas é a fase larval de uma mariposa da família Crambidae. Na soja, Hedylepta indicata se alimenta das folhas e utiliza o próprio limbo foliar como abrigo.

    Para isso, a lagarta enrola partes da folha e as prende com fios de seda. Dentro desse abrigo, é possível encontrar a própria lagarta, teias finas e fezes. O principal dano ocorre por meio de raspagens e consumo do tecido foliar, o que pode reduzir a área disponível para a fotossíntese. A praga costuma ser encontrada com maior frequência nas folhas dos terços médio e superior das plantas.

    O sintoma mais característico é o enrolamento das folhas. Em ataques iniciais, a alteração pode ser discreta, com apenas uma borda lateral dobrada e presa por fios quase transparentes.

    Outro sinal é a presença de raspagens superficiais no limbo foliar. Nas fases jovens, a lagarta pode remover a epiderme e deixar áreas mais claras ou translúcidas, semelhantes a uma janela.

    Com o avanço do ataque, também podem surgir perfurações e áreas maiores de consumo. Ao abrir cuidadosamente uma folha enrolada, o produtor pode encontrar a lagarta protegida no interior, além de teia e grânulos escuros de fezes.

    O hábito de enrolar as folhas é uma das principais características que ajudam a diferenciar Hedylepta indicata de outras lagartas desfolhadoras.

    Espécies como Anticarsia gemmatalis, conhecida como lagarta-da-soja, e Chrysodeixis includens, a falsa-medideira, geralmente permanecem mais expostas sobre as folhas. Já a lagarta enroladeira tende a permanecer escondida dentro do abrigo formado pela própria folha e pelos fios de seda.

    O comportamento também pode ajudar na identificação. Ao abrir a folha enrolada ou movimentar a planta, a lagarta enroladeira tende a permanecer no abrigo ou se esconder entre as dobras. Outras lagartas podem se soltar, cair ou se movimentar rapidamente pela superfície das folhas.

    O ciclo de Hedylepta indicata começa com a postura de ovos sobre folhas ou hastes. Essa fase é considerada difícil de observar durante as inspeções de rotina. Após a eclosão, a lagarta jovem faz pequenas raspagens no tecido foliar, muitas vezes na face inferior da folha.

    À medida que cresce, aumenta o consumo e passa a enrolar as folhas com fios de seda, formando um abrigo onde se alimenta e se protege. A fase de pupa ocorre geralmente dentro da folha enrolada ou em restos vegetais com teia. Na fase adulta, a mariposa realiza a dispersão e a postura dos ovos. Para o monitoramento no campo, as fases mais importantes são as lagartas jovens e médias, além dos sintomas observados nas folhas.

    Entre outubro e março, as inspeções devem ser intensificadas, principalmente durante as fases vegetativa e inicial do período reprodutivo da soja. Em condições de clima quente e com histórico da praga na área ou na região, a recomendação apresentada no conteúdo é realizar vistorias semanais durante a fase vegetativa. Quando forem identificados sintomas característicos, como folhas enroladas com teia, o intervalo entre as amostragens pode ser reduzido.

    Para obter uma amostragem representativa, o produtor pode percorrer o talhão em zigue-zague ou em formato de “W”. Em cada ponto, devem ser avaliadas plantas em busca de folhas enroladas, bordas dobradas, folhas torcidas e presença de teia.

    A inspeção do terço médio e superior das plantas ajuda a localizar os abrigos. Folhas com aparência diferente do restante da lavoura devem ser examinadas com cuidado. A folha enrolada deve ser aberta lentamente para verificar a presença de lagarta, teia e fezes.

    Também é importante registrar o número de lagartas encontradas em relação ao total de plantas avaliadas. O acompanhamento pode ser feito em caderno de campo ou aplicativo, com informações como data, estádio da soja, número de plantas inspecionadas, quantidade de plantas com sintomas e número de lagartas encontradas.

    O período entre outubro e março, marcado por condições mais quentes e úmidas, pode favorecer o desenvolvimento da praga e da cultura. O histórico de ocorrência na área ou em propriedades próximas também deve ser considerado, assim como a presença de plantas hospedeiras alternativas nas bordas dos talhões ou em áreas adjacentes.

    Outro fator é o uso de inseticidas não seletivos, que pode reduzir populações de inimigos naturais e facilitar o aumento da praga. A ausência de monitoramento sistemático também dificulta a identificação da lagarta enquanto ela permanece protegida no interior das folhas.

    A identificação antecipada permite avaliar a densidade de lagartas e a evolução dos danos antes que a população atinja níveis que possam comprometer a área foliar. Entre os fatores que devem ser considerados estão o percentual de plantas com folhas enroladas, a densidade de lagartas, o estádio de desenvolvimento da cultura e a presença de inimigos naturais.

    As condições climáticas atuais e previstas também devem fazer parte da avaliação, pois podem favorecer ou limitar o avanço das lagartas. A definição do momento de intervenção e a escolha da estratégia de controle devem seguir recomendações técnicas regionais, além de rótulo, bula, receituário agronômico e orientação de profissional habilitado.

    Na prática, o produtor deve observar se existem folhas enroladas ou dobradas, principalmente nos terços médio e superior das plantas. Ao abrir as folhas, é importante procurar lagartas, teias finas e fezes no interior do abrigo. Raspagens, áreas translúcidas e pequenas perfurações também ajudam a identificar a presença da praga. O registro da quantidade de plantas afetadas e de lagartas encontradas permite acompanhar a evolução do problema entre uma vistoria e outra. A presença de inimigos naturais também deve ser observada antes da tomada de decisão sobre o manejo.

    A identificação da lagarta enroladeira é uma etapa do manejo fitossanitário, mas não substitui a avaliação técnica para definir quando e como agir. A escolha de produtos e estratégias de controle deve respeitar rótulo, bula, receituário agronômico e orientação de engenheiro ou engenheira agrônoma. O uso de equipamentos de proteção individual, o cumprimento das normas ambientais e o respeito à legislação vigente também fazem parte das boas práticas agrícolas.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/