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out 13 2026 El Niño: calor pode reduzir produtividade mesmo com chuva na safra 2026/27
O produtor de soja terá de acompanhar não apenas o volume de chuva, mas também as temperaturas e a distribuição das precipitações durante a safra 2026/27. Com o avanço do El Niño, algumas regiões podem enfrentar excesso de umidade, enquanto outras devem ter chuva abaixo da média e calor intenso. Mesmo quando chove, as temperaturas elevadas podem acelerar o ciclo da cultura e comprometer a produtividade.
Em entrevista ao Radar Rural, videocast do Canal Rural, o meteorologista Artur Müller destacou que o calor é um dos principais pontos de atenção para o Brasil Central. Segundo ele, não é necessário que uma região enfrente uma onda de calor para registrar temperaturas acima de 40 °C.
O cenário exige atenção principalmente nas áreas de sequeiro, que dependem das chuvas para o desenvolvimento das lavouras. Além de aumentar a perda de água do solo, as temperaturas elevadas podem prejudicar o desenvolvimento das plantas e favorecer a pressão de pragas.
A combinação entre temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer o desenvolvimento da soja, mesmo em regiões que recebem precipitações ao longo da safra.
De acordo com Müller, o calor aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a água é transferida do solo e das plantas para a atmosfera. Com isso, a umidade disponível pode diminuir mais rapidamente, especialmente quando as chuvas são insuficientes ou mal distribuídas.
“Isso deve acelerar o ciclo do cultivo, diminuir a produtividade. Se não tem uma boa palhada, aumenta a evapotranspiração”, explicou.
O meteorologista também chamou a atenção para as temperaturas durante a noite. Noites mais quentes podem favorecer uma maior pressão de pragas nas lavouras, acrescentando outro fator de preocupação para o produtor.
Por isso, a análise das condições climáticas precisa considerar mais do que o acumulado de chuva. A distribuição das precipitações, a temperatura e a capacidade de retenção de água do solo também influenciam o resultado da safra.
Quais regiões exigem mais atenção?
Os efeitos do El Niño não devem ser iguais em todo o país. Segundo Müller, a tendência é de condições mais secas e quentes em parte do Norte, do Nordeste e do Brasil Central, enquanto áreas do Sul e do Sudeste podem registrar volumes elevados de chuva.
No extremo norte de Minas Gerais, em direção ao Matopiba, a combinação de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas merece atenção. O meteorologista citou projeções de volumes inferiores a 100 milímetros em 30 dias em algumas localidades, condição que pode prejudicar o desenvolvimento da soja.
“Isso é um problema, porque não vai desenvolver bem essa soja”, afirmou.
Em outras áreas do Brasil Central, a situação pode ser menos crítica, com volumes de chuva que ainda permitam o desenvolvimento das lavouras, embora abaixo do ideal. Müller ressaltou, porém, que a situação varia de uma região para outra e que os produtores precisam acompanhar as condições específicas de suas propriedades.
No Norte, a preocupação também envolve os impactos da estiagem sobre os rios. Mesmo com previsão de chuva em áreas de Acre e Rondônia, os volumes podem não ser suficientes para recompor as bacias hidrográficas, o que representa um risco para a logística de escoamento da safra pelo Arco Norte.
Já no Sul, o principal ponto de atenção é o excesso de precipitação. O Rio Grande do Sul tem características de solo que, segundo o meteorologista, podem agravar os efeitos tanto da chuva excessiva quanto de períodos prolongados sem precipitação.
Além do risco de alagamentos, o El Niño pode favorecer temporais com granizo, rajadas intensas de vento e outros fenômenos capazes de provocar danos às lavouras.
Müller ponderou, contudo, que estar em uma área de risco não significa que determinado evento climático necessariamente ocorrerá. A confirmação depende do acompanhamento das previsões de curto prazo.
Excesso de chuva também pode atrasar o plantio
Enquanto algumas regiões precisam de mais precipitação, outras podem enfrentar dificuldades para avançar com a semeadura justamente por causa do excesso de umidade no solo.
Durante a entrevista, o meteorologista citou o Paraná como exemplo de como as condições podem variar dentro de um mesmo estado. Segundo ele, áreas do Centro-Leste paranaense estavam mais adiantadas no plantio, enquanto regiões do Oeste enfrentavam mais dificuldades em razão dos temporais e das chuvas frequentes.
“Conforme o produtor consegue colocar o maquinário em campo e tem umidade, vai avançando”, explicou.
A situação mostra por que os números gerais de plantio precisam ser interpretados com cautela. Mesmo quando o avanço da semeadura está acima do registrado na safra anterior, as condições podem ser bastante diferentes entre municípios e regiões produtoras.
Müller também alertou para a possibilidade de atraso no Paraná diante da previsão de novos volumes elevados de chuva. O excesso de precipitação pode dificultar a entrada das máquinas nas áreas de cultivo e comprometer o ritmo dos trabalhos no campo.
Produtor deve acompanhar previsões e condições da propriedade
Diante de um cenário de maior variabilidade climática, Müller recomendou o uso de ferramentas que permitam acompanhar as condições meteorológicas com mais precisão.
Imagens de satélite e aplicativos ajudam a monitorar a aproximação de tempestades e as mudanças no tempo. O meteorologista também destacou a importância das estações meteorológicas instaladas nas propriedades rurais, que permitem medir a chuva registrada em cada área.
Com essas informações, o produtor consegue avaliar melhor a umidade disponível no solo e, no caso de áreas irrigadas, ajustar a necessidade de água das lavouras.
Müller ressaltou ainda que as ferramentas disponíveis no mercado nem sempre oferecem informações específicas para cada propriedade. Por isso, o acompanhamento especializado pode ajudar na interpretação dos dados e no planejamento das atividades.
A previsão de curto prazo é especialmente importante para decisões operacionais, como definir o melhor momento para entrar com máquinas no campo ou realizar atividades durante períodos de temperaturas elevadas.
El Niño forte não significa desastre em todas as regiões
Outro ponto destacado durante o Radar Rural foi a necessidade de diferenciar a intensidade do fenômeno de seus efeitos em cada localidade.
Embora o El Niño altere a circulação atmosférica e favoreça determinados padrões de chuva e temperatura, isso não significa que todas as regiões enfrentarão os mesmos impactos ou que um evento extremo necessariamente ocorrerá.
Müller lembrou que os efeitos do fenômeno podem ser temporariamente mascarados por sistemas meteorológicos de curta duração, que atuam durante alguns dias ou semanas.
O meteorologista também criticou a disseminação de informações sem respaldo científico nas redes sociais, especialmente quando previsões são apresentadas de forma alarmista.
Para ele, o produtor precisa acompanhar dados e projeções atualizados, considerando que as condições climáticas podem mudar ao longo da safra.
A recomendação é observar as previsões para a própria região e combiná-las com as condições verificadas na fazenda. Em uma safra marcada por riscos distintos entre as áreas produtoras, entender quando e quanto chove, além de acompanhar as temperaturas, pode fazer diferença no planejamento das atividades e no resultado da lavoura.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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out 13 2026 Soja: cinco cuidados essenciais após o plantio para proteger a lavoura
A soja exige atenção desde as primeiras semanas após a semeadura para alcançar o desempenho esperado e preservar o potencial produtivo. Com o início do plantio da safra 2026/2027 em algumas regiões do Brasil, o monitoramento do estande, das plantas daninhas, dos insetos, da disponibilidade de água e das doenças ajuda os produtores a identificar problemas e orientar o manejo no momento adequado.
O Brasil produziu 180,4 milhões de toneladas de soja na safra 2025/2026, crescimento de 5,2% em relação ao ciclo anterior, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu levantamento mais recente.
O acompanhamento da lavoura deve começar logo após a semeadura. Segundo Rafael Toscano, gerente comercial de sementes da ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL especializada em soluções sustentáveis e gestão integrada para grandes agricultores do Cerrado, o trabalho do produtor vai além da implantação da cultura. “O trabalho do produtor não começa com a semeadura. É preciso acompanhar de perto o desenvolvimento da cultura para identificar eventuais desafios fitossanitários rapidamente e tomar decisões antes que eles comprometam o estande e a produtividade”, destaca Toscano.
Um dos primeiros pontos de atenção é a formação do estande de plantas. Falhas na emergência, desuniformidade e problemas localizados podem indicar compactação do solo, deficiência hídrica, ataque de pragas ou outras condições que precisam ser investigadas. “O acompanhamento das áreas nas primeiras semanas ajuda o produtor a entender como a lavoura está respondendo e se o desenvolvimento está ocorrendo de maneira uniforme”, explica o especialista.
O controle de plantas daninhas é outro cuidado importante nas primeiras fases da soja. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a competição por água, luz e nutrientes pode comprometer o desenvolvimento da cultura, especialmente entre 10 e 50 dias após a emergência. Nesse período, o monitoramento ajuda a identificar a presença de plantas invasoras e a orientar as medidas de manejo, reduzindo a competição pelos recursos necessários ao crescimento da soja.
A presença de insetos também exige acompanhamento desde o início do ciclo. A Embrapa recomenda o Manejo Integrado de Pragas (MIP), estratégia que considera diferentes fatores antes da definição das medidas de controle. Entre os aspectos avaliados estão a identificação da espécie, a população de insetos, o estágio de desenvolvimento da cultura e a presença de inimigos naturais. A análise conjunta dessas informações permite orientar as decisões de manejo de acordo com as condições observadas na lavoura.
A umidade do solo precisa ser acompanhada ao longo de todo o ciclo produtivo. Mesmo lavouras com bom estabelecimento podem ter o desempenho comprometido quando enfrentam períodos de déficit hídrico.Observar as condições do solo, o desenvolvimento das plantas e a previsão do tempo ajuda o produtor a interpretar o que ocorre no campo e a organizar as operações de manejo.
O monitoramento fitossanitário deve continuar mesmo quando as plantas apresentam bom desenvolvimento. A identificação dos primeiros sintomas de doenças permite investigar suas causas e avaliar a necessidade de intervenção. A ferrugem-asiática é um exemplo de doença que exige atenção. Segundo Rafael Toscano, o monitoramento é uma das ferramentas utilizadas para orientar o manejo e evitar que a doença avance sem controle. A observação frequente das lavouras, portanto, contribui para identificar problemas precocemente e embasar decisões ao longo do ciclo da soja.
Fonte:https://www.agrolink.com.br/