-
out 26 2026 El Niño forte marca a safra 2026/2027 e impõe desafio de gestão nas regiões Noroeste, Planalto e Central do RS
Levantamento da Rede Técnica Cooperativa (RTC) aponta chuvas acima da média, menor radiação solar e janelas operacionais mais curtas no verão, exigindo planejamento antecipado dos produtores.
O avanço de um El Niño de forte intensidade, com probabilidade superior a 80% até fevereiro de 2027, redesenha o cenário climático para as regiões Noroeste, Planalto e Central do Rio Grande do Sul. O alerta foi detalhado em um estudo técnico conduzido pelo pesquisador de ciência de dados e clima da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Gabriel Hintz, que analisou o comportamento histórico das variáveis meteorológicas e o impacto nas lavouras de verão.
O diagnóstico aponta que o próximo ciclo produtivo indica volumes expressivos de precipitação, especialmente entre a primavera e o mês de fevereiro, o que afasta o risco hídrico para as lavouras de sequeiro. Em contrapartida, o excesso de nebulosidade reduzirá a radiação solar e encurtará o tempo útil de máquinas no campo.
“O cenário é esse e é para isso que precisamos nos preparar e nos planejar dentro das propriedades”, destaca o pesquisador Gabriel Hintz. Segundo ele, o produtor precisará fazer o aproveitamento cirúrgico das oportunidades: “Tendo janela operacional e condição de semeadura, a orientação é aproveitar ao máximo, pois as janelas serão bastante apertadas.”
Radiografia regional e operacional
- Chuvas e eventos extremos: O monitoramento indica que a primavera concentra os maiores acumulados, com mais de 70% de probabilidade de eventos extremos de precipitação (superiores a 100 mm em três dias). O risco de veranicos existe, mas historicamente reduz para cerca de 15% a 20% em anos de El Niño forte, com eventuais ocorrências concentradas nos meses de dezembro e janeiro.
- Janelas de plantio mais curtas: O excesso de umidade afeta diretamente a logística de campo. Nas regiões analisadas, o número de dias aptos para operações de plantio e pulverização em outubro e novembro — que em anos de La Niña supera 20 dias — cai para menos de 15 dias sob o impacto do El Niño forte. A colheita também exigirá alta capacidade operacional, embora sofra restrições um pouco menores.
- Atenção ao solo: Com o volume elevado de chuvas, a conservação do solo e a manutenção da matéria orgânica tornam-se prioridades estratégicas, tanto para evitar perdas por erosão na primavera quanto para planejar as coberturas de outono (março a maio).
Comportamento das culturas
O levantamento histórico da RTC pontua distinções nos resultados produtivos esperados para o verão:
- Soja: Apresenta boa resiliência e histórico de produtividade acima da média (com ganhos projetados entre 10% e 20%, dependendo da microrregião), amparada pela garantia hídrica, desde que o manejo fitossanitário controle a pressão de doenças fúngicas decorrentes da umidade.
- Milho: Garante desenvolvimento satisfatório pelo suprimento de água, mas tem o potencial produtivo freado pelo menor brilho solar e pela maior incidência de doenças nas fases críticas.
- Trigo: Encerra o ciclo enfrentando o cenário mais desafiador, com penalizações na produtividade decorrentes das chuvas volumosas na fase final de maturação e colheita.
A força da pesquisa a favor do campo
Mais do que monitorar o clima, a Rede Técnica Cooperativa (RTC) transforma dados e ciência em estratégia para a tomada de decisão do produtor. Por meio do trabalho contínuo de seus pesquisadores, a RTC antecipa cenários, orienta manejos e entrega inteligência no campo para que o agricultor gaúcho proteja seu investimento e alcance o máximo potencial produtivo em todas as etapas do cultivo.
Fonte://grupoccgl.com.br/