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Conforto e bem-estar animal: traduzindo vacas leiteiras

O bem-estar das vacas leiteiras é um tema cada vez mais relevante dentro do setor agropecuário, refletindo diretamente na produtividade e lucratividade das propriedades. Durante o Podcast RTC, na Expodireto Cotrijal, especialistas e produtores abordaram a importância de entender o comportamento desses animais para garantir a sua saúde e otimizar a produção de leite.

O debate, que contou com a participação do professor Marcelo Cecim, da Universidade Federal de Santa Maria, da médica Veterinária e Coordenadora do Programa de Brucelose e Tuberculose da CCGL, Vanesa Schneider e dos produtores Margarete Strobel e Diogo Vicenzi, destacou a necessidade de uma abordagem mais profunda sobre o comportamento das vacas e o impacto que isso tem nas suas condições físicas e psicológicas.

De acordo com Cecim, o comportamento animal é um reflexo direto de seu bem-estar. “Às vezes percebemos que uma vaca não está bem, mas não damos a devida atenção aos sinais sutis que ela nos envia. A compreensão desses sinais pode fazer toda a diferença no manejo e no cuidado com os animais”, explicou. O professor enfatizou que a tecnologia, como a inteligência artificial aplicada ao monitoramento do comportamento das vacas, tem sido um avanço importante, mas não deve substituir o contato direto dos profissionais com os animais.

O professor explicou que a vaca, para se manter saudável, necessita de um tempo adequado de descanso. Estima-se que ela deva passar entre 12 a 14 horas deitada, um período essencial para o seu bem-estar físico e psicológico. “Se as vacas passam mais tempo em pé ou demonstram desconforto, isso pode ser um indicativo de problemas, seja com o ambiente, a alimentação ou até mesmo com a saúde delas”, afirmou.

Além disso, o debate ressaltou que fatores como a qualidade da cama, a temperatura ambiente e manejos excessivos podem influenciar diretamente na saúde das vacas. O estresse térmico, por exemplo, é um fator importante a ser considerado, já que as vacas sentem calor durante períodos específicos do dia, e a falta de condições adequadas para o descanso pode comprometer sua saúde e sua produção.

Margarete Strobel comentou sobre a experiência de sua propriedade e a importância de respeitar o comportamento natural das vacas. “Para nós, cuidar das vacas é cuidar do nosso patrimônio. O comportamento delas reflete a saúde do rebanho, e investir no bem-estar animal é garantir que a produção de leite seja sustentável e de qualidade”, afirmou.

O episódio também mencionou as “Cinco Liberdades”, princípios que são fundamentais para garantir o bem-estar animal: liberdade de fome e sede, de desconforto, de dor, lesões e doenças, de expressar comportamento natural e de medo e angústia. Essas liberdades devem ser consideradas em todas as etapas do manejo, desde o ambiente até os cuidados diários com os animais.

Vanessa Schneider evidenciou que, para garantir a saúde e o bem-estar das vacas leiteiras, é necessário um olhar atento e um manejo responsável que leve em consideração o comportamento dos animais, respeitando suas necessidades fisiológicas e comportamentais. O investimento no bem-estar animal não só melhora a saúde dos rebanhos, mas também reflete diretamente na qualidade do leite produzido e na sustentabilidade da atividade.

Para Cecim, a utilização de ferramentas como coleiras e pedômetros para monitorar o comportamento das vacas, diagnosticando possíveis problemas antes mesmo de se manifestarem fisicamente, é uma tendência crescente. A inteligência artificial tem se mostrado uma grande aliada nesse processo, porém, é fundamental que as propriedades estejam preparadas para integrá-la adequadamente.

Diogo, ao abordar o uso da tecnologia na propriedade, ressaltou a importância de uma equipe dedicada e de estar no ponto certo de desenvolvimento para utilizar essas ferramentas de maneira eficaz. Embora sua fazenda ainda não esteja totalmente pronta para implementar essas inovações, ele reconhece o valor da tecnologia e acredita que, no futuro, ela será uma aliada valiosa.

“Nosso objetivo é sempre melhorar o ambiente e as condições para as vacas. A tecnologia nos ajuda a entender melhor o que elas estão passando, antes que qualquer sintoma físico apareça. No entanto, é um processo que exige preparação e conhecimento”, comentou Diogo.

A integração de novas tecnologias, como a inteligência artificial e ferramentas de monitoramento, certamente transformará a forma como as fazendas operam. Embora a equipe ainda esteja no processo de adaptação, a ideia de preparar uma nova geração de produtores, como a filha de Diogo, que está se envolvendo ativamente na fazenda, promete um futuro promissor.

O professor Marcelo também destacou a importância do ambiente social das terneiras, enfatizando que, ao proporcionar condições adequadas para elas se desenvolverem, as propriedades podem garantir animais de melhor qualidade no futuro. “O comportamento dos animais é fundamental, e cada pequeno detalhe, como oferecer brinquedos ou permitir que se esfreguem, pode fazer uma enorme diferença no longo prazo”, destacou o professor.

Ao encerrar a conversa, ficou claro que a produção de leite e o cuidado com o bem-estar animal não se limitam apenas a práticas técnicas, mas envolvem uma abordagem holística que inclui o ambiente, a alimentação e até mesmo a interação social. A combinação entre tradição e inovação é o que permitirá aos produtores seguir avançando em direção a um futuro mais sustentável e produtivo.

Fonte: https://rtc.coop.br/