Umidade do solo influencia oferta de forragem
As pastagens gaúchas seguem apresentando condições distintas entre as regiões do Rio Grande do Sul, refletindo principalmente as diferenças na disponibilidade de umidade do solo. Enquanto algumas áreas registram avanço das forrageiras de inverno e início do pastejo, outras ainda enfrentam dificuldades no estabelecimento e desenvolvimento das plantas. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (11) pela Emater/RS-Ascar.
Segundo a Emater/RS-Ascar, os campos nativos apresentam crescimento reduzido em grande parte do Estado devido às baixas temperaturas e à menor disponibilidade hídrica. Ainda assim, em algumas localidades, a oferta de forragem permanece suficiente para atender os rebanhos.
Na região administrativa de Bagé, o desenvolvimento das pastagens teve pouca evolução em comparação ao período anterior. A combinação entre baixa radiação solar, temperaturas reduzidas e limitações hídricas restringiu o crescimento de aveia, azevém e trevos. Nas áreas semeadas mais tarde, foram observadas falhas de estabelecimento e atraso no desenvolvimento, o que limita a utilização das áreas ou exige redução da lotação animal. As chuvas registradas em alguns municípios contribuíram para melhorar pontualmente as condições das pastagens e devem favorecer a retomada das adubações de cobertura.
Em Caxias do Sul, as pastagens anuais de inverno, especialmente aveia, azevém e trigo, apresentam desenvolvimento adequado e boa oferta de forragem para o pastejo. Nos sistemas de integração lavoura-pecuária, a disponibilidade de alimento é considerada elevada. Mesmo com limitações relacionadas à adubação nitrogenada, as áreas seguem evoluindo e ajudam a reduzir os efeitos do vazio forrageiro de outono.
Na região de Ijuí, as forrageiras de inverno apresentam bom estabelecimento, coloração uniforme e desenvolvimento satisfatório. As áreas implantadas entre o final de março e o início de abril ampliam gradualmente a oferta de trigo e aveia para pastejo. A Emater/RS-Ascar destaca, entretanto, que a baixa luminosidade tem reduzido a taxa de crescimento das plantas e a produção de matéria seca. O plantio segue dentro do cronograma das propriedades, favorecido pelo tempo firme registrado ao longo da semana.
Já na região de Passo Fundo, a combinação de umidade adequada, luminosidade e temperaturas amenas favoreceu o desenvolvimento das pastagens anuais de inverno, especialmente aveia e azevém. A oferta de forragem aumentou e os produtores retomaram as adubações de cobertura, principalmente com o uso de ureia e cama de aviário. Também avançam os trabalhos de dessecação das áreas destinadas ao cultivo de trigo para silagem.
Na região de Pelotas, o cenário varia entre os municípios. Em Pedro Osório, a escassez de chuvas reduziu o crescimento das pastagens e afetou a disponibilidade de alimento para os rebanhos. A implantação das áreas de inverno está praticamente paralisada em muitas propriedades devido à falta de umidade suficiente para garantir a germinação e o estabelecimento inicial das forrageiras. Os produtores aguardam a ocorrência de precipitações mais expressivas para retomar os trabalhos. Em São Lourenço do Sul, por outro lado, as áreas cultivadas com aveia e azevém já iniciaram o pastejo e apresentam boa produção de forragem.
Na região de Porto Alegre, a situação permanece heterogênea. Em algumas localidades, o frio e a falta de chuvas reduziram o crescimento do campo nativo e das pastagens de inverno, especialmente em áreas com solos arenosos. Em outras, as precipitações registradas mantiveram níveis adequados de umidade no solo, favorecendo tanto a implantação quanto o desenvolvimento das forrageiras.
As regiões de Santa Maria e Soledade registraram bom desenvolvimento das pastagens de inverno, impulsionado pelas condições meteorológicas e pela disponibilidade adequada de umidade. O pastejo já foi iniciado em diversas áreas de aveia, garantindo oferta de forragem em quantidade e qualidade para os rebanhos e reduzindo os impactos do vazio forrageiro outonal.
Na região de Santa Rosa, as pastagens de inverno apresentam vigor vegetativo e disponibilidade de alimento considerados satisfatórios. Conforme a Emater/RS-Ascar, as condições favorecem a alimentação dos rebanhos, embora os custos de manutenção permaneçam elevados devido aos preços dos fertilizantes nitrogenados utilizados na adubação de cobertura. O campo nativo, apesar de não registrar aumento significativo na produção de forragem, mantém condições adequadas em razão da menor incidência de chuvas, que reduz os danos causados pelo pisoteio dos animais nas áreas de pastejo.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/