Dara Luiza Hamann

Dara Luiza Hamann has created 706 entries

  • Ano de La Niña requer cultivar de soja específica para o Sul do país

    Grupo de maturação relativa da cultivar a ser semeada é um dos principais pontos a que o agricultor precisa estar atendo em 24/25

    Os produtores de soja do Sul podem ser considerados os mais resilientes do Brasil? É difícil cravar, já que, independente da região, são muitos os desafios que os agricultores se deparam a cada safra.

    No entanto, não dá para negar que gaúchos, catarinenses e paranaenses têm enfrentado obstáculos cada vez maiores nos últimos anos, como estiagem, excesso de chuva, ciclones e alagamentos.

    Desta vez, após um ano de El Niño que, teoricamente, beneficiaria a região, é a vez do La Niña dar as caras na safra 2024/25. O fenômeno é conhecido por levar precipitações em volumes baixos e irregulares aos estados situados no pé do mapa.

    O consultor de Desenvolvimento de Produto da TMG, Fernando Arnuti, considera que os produtores terão que se atentar a dois pontos fundamentais na hora de instalar a lavoura: a escolha da cultivar de soja mais apropriada e o escalonamento da época de semeadura.

    De acordo com ele, essas duas estratégias devem minimizar o risco de perda de produtividade da principal cultura agrícola do país.

    Ciclo da soja

    O primeiro critério a ser considerado na escolha de uma cultivar de soja é o grupo de maturação relativa (GMR), que representa a duração em dias do ciclo de desenvolvimento da soja.

    Segundo Arnuti, no Sul do Brasil, consultores e agricultores podem escolher conforme as peculiaridades de cada região as cultivares de soja com GMR entre 4,9 e 6,7. “De modo geral, quanto maior for o GMR, maior será a duração do ciclo de desenvolvimento da cultivar”, esclarece.

    O consultor comenta que cultivares com maior GMR são as mais apropriadas para anos de La Niña, pois apresentam maior duração na fase de desenvolvimento vegetativo, o que possibilita reduzir o risco de ocorrência de déficit hídrico durante o enchimento de grãos.

    Escalonamento de semeadura

    O segundo critério a ser considerado pelo agricultor é o escalonamento da época de semeadura. Essa iniciativa tem o objetivo de modificar o ambiente de desenvolvimento da soja durante a estação de cultivo.

    De acordo com Arnuti, “ao escalonar a época de semeadura, o agricultor reduz a probabilidade de condições climáticas adversas nas duas principais fases de desenvolvimento da soja que são a germinação/emergência e floração/enchimento de grãos”.

    Quanto à escolha da melhor cultivar, o consultor afirma que deve ser feita conforme o histórico da área/talhão a ser plantado. “Cada lavoura possui características químicas, físicas e biológicas únicas. Nesse cenário, a escolha da cultivar de soja baseada no relato de outros agricultores nem sempre é uma estratégia lucrativa”.

    Assim, o recomendável é que se escolha cultivares de soja conforme o tipo do solo, o nível da fertilidade, a ocorrência de pragas/doenças e a média de produtividade.
    Fonte: https://www.canalrural.com.br/
  • Pastagens: novo protocolo da Embrapa pode transformar pecuária de corte

    Método identifica lacunas na capacidade de suporte do pasto analisando clima, solo, animais e vegetais envolvidos no sistema

    Embrapa desenvolveu um protocolo que contribui para avaliar as oportunidades de intensificação dos sistemas de pecuária de corte a pasto, um dos principais desafios do setor para reduzir os impactos ambientais negativos. A análise de “yield gap” (lacuna de produtividade) permite estimar a diferença entre a produtividade atual e a potencial das pastagens e identificar oportunidades para atender ao aumento projetado na demanda por produtos agrícolas.

    Também servirá para apoiar a tomada de decisões em pesquisa, políticas públicas, desenvolvimento e investimento.

    O protocolo foi aplicado para estimar o aumento de produtividade de sistemas de produção de bovinos de corte em diferentes cenários de manejo no Brasil Central. Apresentado por pesquisadores da Embrapa na revista internacional Field Crops Research, o método determina as diferenças de produtividade e capacidade de suporte das pastagens.

    “O protocolo permite avaliar a capacidade de suporte das pastagens por meio de dois indicadores: a taxa de lotação máxima e a taxa de lotação crítica,” afirma Patrícia Menezes Santos, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste (SP) e coordenadora do trabalho.

    A taxa de lotação máxima é alcançada quando toda a forragem produzida é colhida com máxima eficiência, enquanto a taxa de lotação crítica representa a maior taxa de lotação constante que não implica falta de alimentos em algum período do ano. Esse protocolo permite simular a produção do pasto, as taxas de lotação animal e estimar o risco climático associado à disponibilidade de alimentos para o gado.

    Segundo Santos, existem lacunas na capacidade de suporte do pasto devido à interação entre clima, solo, componentes vegetais e animais do sistema.

    “O método que desenvolvemos permitiu a identificação dos principais fatores que limitam a produção de forragem e a capacidade de suporte do pasto sob diversas condições ambientais e de nível tecnológico, podendo ser aplicado para apoiar políticas e decisões de investimento,” informa.

    Resultados do protocolo

    O protocolo foi aplicado nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, abrangendo partes dos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Ele combina métodos para definição de zonas climáticas homogêneas, sistematização de dados primários de clima e solo, definição de cenários de produção, simulação de crescimento de plantas forrageiras a longo prazo, estimativa de capacidade de suporte das pastagens e cálculo da produtividade atual a partir de dados censitários.

    Simulações de produção de forragem de longo prazo permitiram analisar o risco climático associado à produção de pastagens nas diferentes condições de clima e solo. Foi possível simular diferentes cenários com níveis variados de adubação nitrogenada e disponibilidade hídrica, identificando tecnologias promissoras para preencher as lacunas de produtividade.

    O potencial de intensificação das pastagens no Brasil central foi estimado com base nos indicadores de taxa de lotação máxima e taxa de lotação crítica. O gap médio na taxa de lotação máxima variou de 5,81 a 5,12 unidade-animal por hectare (UA/ha) no cenário potencial, de 4,18 a 2,9 UA/ha no cenário irrigado e sem restrição de nitrogênio, e de 2,73 a 1,43 UA/ha no cenário de sequeiro e apenas com adubação nitrogenada de manutenção.

    Planejamento e aplicações futuras

    A produção sazonal de forragem impõe desafios aos sistemas de produção a pasto, pois as demandas nutricionais dos animais devem ser atendidas durante todo o ano. “A alta produtividade em uma determinada época não pode ser transferida para alimentar os animais em um período de seca, a menos que se adote algum tipo de prática de conservação de forragem, como fenação e ensilagem,” explica Luís Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP) e autor do artigo. A variação da produtividade das pastagens, influenciada pelo clima e combinada com a demanda alimentar, determina a avaliação da capacidade de suporte do pasto.

    Os resultados indicaram lacunas de produtividade e oportunidades para a intensificação da produção de gado de corte a pasto, ajudando a orientar políticas públicas e o planejamento da atividade. O protocolo permite sinalizar onde os investimentos em recuperação de pastagens degradadas e intensificação da pecuária a pasto seriam mais promissores, além de indicar a necessidade de políticas de financiamento considerarem o acesso a tecnologias complementares para alimentação dos animais no período desfavorável.

    Barioni complementa que a integração lavoura-pecuária é uma alternativa interessante para acompanhar a sazonalidade da oferta de forragem. O método desenvolvido pode ser utilizado pelo produtor rural para melhor planejar a implantação desses sistemas de produção, considerando os períodos de excedente de forragem e épocas de escassez.

    O protocolo também pode orientar o seguro rural associado à produção pecuária em pastagens. O déficit acumulado de forragem foi aplicado, por exemplo, no estudo do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a pecuária de corte aprovado pelo Ministério da Agricultura (Mapa).

    O Zarc Pecuária visa identificar áreas de menor risco climático e definir as melhores regiões para produção de bovinos em pasto de capim-marandu, no Distrito Federal e em 17 estados. Com isso, é possível verificar a taxa de lotação crítica das pastagens em cada município e os meses com maior risco de falta de alimentos, embasando a oferta de crédito e seguro rural no país.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Soja: Mapa ajusta zoneamento agrícola a calendário de plantio

    O Ministério da Agricultura ajustou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a soja na safra 2024/25 em 16 estados e no Distrito Federal. A revisão das datas, explicou a pasta em nota, foi feita para adequar o Zarc ao calendário de plantio de soja e ao vazio sanitário, estabelecidos pela Secretaria de Defesa Agropecuária. Os ajustes foram publicados em portaria do ministério no Diário Oficial da União (DOU).

    As mudanças no Zarc valem para o cultivo da oleaginosa no Distrito Federal, em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Acre, Pará, Rondônia, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As datas de cultivo já haviam sido estabelecidas em portaria de 15 de maio, com os períodos de vigência específicos de acordo com as condições climáticas e de solo de cada região.

    Em Mato Grosso, principal produtor da oleaginosa, a semeadura deverá ser feita de 7 de setembro deste ano a 7 de janeiro de 2025. No Paraná, o plantio foi regionalizado, indo de 2 de junho a 19 de janeiro de 2025, conforme a região. No Rio Grande do Sul, a semeadura está autorizada de 1º de outubro a 28 de janeiro de 2025. Maranhão, Pará, Piauí, Santa Catarina e São Paulo também terão cronograma de plantio diferenciado por região.

    O zoneamento objetiva reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e orienta o produtor quanto ao período adequado para semeadura da oleaginosa em cada região de acordo com o solo e a variedade da cultura. A política define as áreas e os períodos de semeadura, de acordo com probabilidades de perdas de produtividade de 20%, 30% e 40%. A concessão de crédito rural e a cobertura de seguro rural estão vinculados ao Zarc.

    Já o vazio sanitário, período de no mínimo 90 dias em que as áreas não podem manter plantas de soja em qualquer fase de desenvolvimento na área determinada, é uma medida fitossanitária que integra o programa de controle da ferrugem asiática da soja. O calendário de semeadura é adotado também como medida fitossanitária complementar ao período do vazio sanitário, implementada no Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS).

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Startup lança calculadora de pegada de carbono para pecuária

    Ferramenta gratuita permite simular impacto de manejos e produtividade, visando práticas mais sustentáveis na produção leiteira

    Uma startup de Minas Gerais, a ESG Pec, desenvolveu uma ferramenta gratuita que permite aos pecuaristas calcular a pegada de carbono de suas atividades na produção de leite.
    A ferramenta possibilita simular o impacto das alterações em manejos, produtividade, entre outros recursos, visando práticas mais sustentáveis na pecuária.
    Em entrevista, a cofundadora da ESG Pec e PhD em Ciência Animal Bruna Silper afirmou que a ideia surgiu da necessidade do setor por práticas regenerativas e sustentáveis.

    “Essas práticas não são novas, mas precisam ser retomadas e mais usadas no campo. Enfrentamos desafios de clima, biodiversidade e saúde do solo que impactam todos, incluindo os produtores em sua capacidade de produzir com eficiência e rentabilidade”, disse.

    O projeto busca estabelecer um elo entre consumidores exigentes, indústrias lácteas e produtores que já adotam boas práticas, mas precisam mensurá-las e explorá-las de novas formas.

    Como funciona a calculadora de carbono

    A ferramenta realiza o cálculo da pegada de carbono utilizando a metodologia de Análise de Ciclo de Vida, seguindo diretrizes da Federação Internacional do Leite, entre outras. A calculadora mensura todas as emissões associadas à produção leiteira, incluindo a fermentação entérica dos animais, manejo de dejetos, atividades agrícolas e insumos utilizados, como energia e combustíveis.

    “O cálculo estima as emissões em relação ao volume de leite produzido, gerando um indicador de eficiência produtiva e econômica da propriedade”, disse Silper .

    Benefícios para os produtores

    Com o diagnóstico em mãos, os produtores podem atuar para reduzir emissões e aumentar a eficiência e rentabilidade de suas fazendas.

    “Esse indicador está associado à eficiência produtiva e econômica da propriedade, permitindo que o produtor trabalhe na redução de emissões e na melhoria da rentabilidade”, disse Bruna Silper.

    A ferramenta também pode abrir oportunidades para remuneração baseada em indicadores de sustentabilidade e facilitar o acesso a financiamentos.

    Acesso à ferramenta

    Os produtores interessados podem acessar a ferramenta por meio de um cadastro online no site www.despertarregenerativo.com.br . “A comunidade ‘Despertar Regenerativo’ permite a troca de informações entre produtores, técnicos e consultores, visando uma transformação positiva na pecuária brasileira”, informou a representante da startup.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Real fraco motiva China a acelerar as compras de soja do Brasil

    Cargas brasileiras podem ampliar o excesso de oferta do grão no gigante asiático e, assim, reduzir a participação de mercado dos EUA

    A China intensificou as compras de soja do Brasil, aproveitando a desvalorização do real. Nas duas primeiras semanas de julho, foram encomendados 75 embarques, que representam 4,5 milhões de toneladas do grão. A informação parte de reportagem da Bloomberg.

    As cargas devem ser entregues principalmente em agosto, mas também há programação de remessas para 2025.

    Aliás, nos primeiros cinco meses deste ano, as compras da oleaginosa pelo gigante asiático cresceram 23%. Enquanto isso, as dos Estados Unidos diminuíram quase pela metade.

    De acordo com analistas, a estratégia chinesa visa mitigar os riscos de uma possível guerra comercial, caso Donald Trump volte ao poder, sentimento cada vez mais forte no mercado e acentuado após o candidato republicano sofrer um atentado no último sábado (13).

    Estratégia chinesa com a soja

    Os volumes de exportação não estão fora do normal para esta época do ano, mas a rapidez com que os negócios estão sendo feitos denota que a China busca, realmente, tirar vantagem da desvalorização da moeda brasileira, que enfraqueceu em mais de 10% de janeiro até agora.

    Enquanto isso, o anúncio de primeira compra da soja dos Estados Unidos – que deve começar a ser colhida em setembro – foi feito pelos asiáticos vários meses depois do usual e em volume inferior ao esperado pelo mercado. Com isso, os contratos em Chicago são negociados nos menores valores desde 2020.

    Analistas dizem que as cargas brasileiras podem ampliar o excesso de oferta na China e, consequentemente, reduzir a participação de mercado dos Estados Unidos justamente no período de pico dos embarques norte-americanos.

    De acordo com as fontes ouvidas pela matéria da Bloomberg, as esmagadoras de soja chinesas tendem a desacelerar as compras a partir do quarto trimestre por conta dos estoques altos e pela baixa demanda por ração animal no período, visto que o rebanho suíno do país reduziu devido à baixa no consumo de carne e baixa lucratividade dos produtores.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Brasil intensifica sustentabilidade na pecuária com inovações da Embrapa

    O Brasil, autossuficiente na produção de carne bovina e líder mundial em exportação desde 2004, está intensificando a sustentabilidade na pecuária através da Embrapa Pecuária Sudeste.

    Localizada entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, a unidade de pesquisa de 2.538 hectares foca em práticas sustentáveis e automação na produção de carne e leite. Parcerias com a iniciativa privada permitem a testagem de novas tecnologias, como brincos de identificação e ordenha robotizada.

    Além disso, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) está promovendo um crescimento sustentável, com uma adoção anual de quase 1 milhão de hectares em sistemas integrados, visando atingir 30 milhões de hectares até 2030. A Embrapa também está na vanguarda da abordagem de “Saúde Única”, conectando saúde humana, ambiental e animal.

    O governo destaca a importância de políticas públicas eficientes para a implementação de testes rápidos e precisos, essencial para uma produção sustentável e certificável. A tecnologia e o melhoramento genético são componentes essenciais para a melhoria contínua da pecuária no Brasil.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/