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24 de março de 2025

  • Com oferta limitada, preço do leite ao produtor volta a subir

    Cepea divulgou o Boletim do Leite do mês de março; confira os dados obtidos pelo Centro de Pesquisa da USP

    Depois de registrar quedas ao longo do último trimestre de 2024, o preço do leite ao produtor voltou a subir neste começo de 2025. Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a cotação do leite captado em janeiro foi de R$ 2,6492/litro (“Média Brasil”), altas de 2,5% em relação ao mês anterior e de 18,7% frente a janeiro/24, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro).

    Aumento da demanda e de custo eleva preços do leite UHT e da muçarela

    Pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) aponta que, em fevereiro, o preço médio do leite UHT subiu 1,93% e o da muçarela, 0,33%, em relação ao mês anterior, passando para R$ 4,35/litro e R$ 33,20/kg, respectivamente.

    De acordo com agentes consultados pelo Cepea, o impulso veio sobretudo do fortalecimento da demanda durante a primeira quinzena do mês. Além disso, o aumento nos custos, dada a elevação nos preços do leite cru, reforçou o movimento de alta destes derivados.

    Importações de leite têm ligeiro aumento; exportações voltam a recuar

    Em fevereiro, as exportações brasileiras de lácteos cresceram expressivos 26,92% em relação ao mês anterior, mas caíram 63,89% frente ao mesmo período do ano passado (fevereiro/24). As importações, por sua vez, subiram 3,76% no comparativo mensal e 16,7% no anual. Com isso, o déficit da balança comercial (em volume) avançou 3,2% de janeiro/25 para fevereiro/25, a 210,1 milhões de litros em equivalente leite, gerando saldo negativo de US$ 92,6 milhões.

    Custos seguem em alta pelo sexto mês consecutivo

    Os custos de produção da pecuária leiteira mantiveram-se em alta em fevereiro. Cálculos do Cepea mostram que o Custo Operacional Efetivo (COE) teve avanço de 0,49% em relação a janeiro/25, considerando-se a “média Brasil” (BA, GO, MG, SC, SP, PR e RS). Apesar da aparente estabilidade nos preços da ração, o encarecimento de outros insumos reforçou o movimento de alta.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Colheita do arroz atinge 39,63% da área semeada no Estado

    A colheita do arroz no Rio Grande do Sul continua a avançar, atingindo 39,63% da área semeada no Estado. De acordo com os dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), foram colhidos 385.469,88 hectares.

    A Fronteira Oeste segue liderando a colheita, com 60,2% da área semeada já colhida, seguida pela Planície Costeira Externa com 46,68%, Planície Costeira Interna com 40,59%, Campanha com 29,69%, Região Central com 24,97% e Zona Sul com 18,7%.

    Segundo Luiz Fernando Siqueira, gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural, a Fronteira Oeste foi a primeira a iniciar a semeadura e atingir 50% da área semeada no Estado, consequentemente sendo a primeira a iniciar o processo de colheita. “A colheita está avançando dentro da normalidade, dentro da nossa expectativa”, avalia Siqueira

    Os dados sobre a colheita do arroz são coletados e divulgados semanalmente pelo Irga, por meio da plataforma Safra, que oferece informações precisas e detalhadas sobre o andamento da semeadura e da colheita. A plataforma é alimentada pelos 37 escritórios do Irga distribuídos em todas as regiões arrozeiras do Estado.

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial

  • Desafios e oportunidades da irrigação

    Em um cenário de desafios hídricos cada vez mais acentuados, a irrigação se consolida como uma ferramenta cada vez mais essencial para a agricultura, permitindo que os produtores rurais mitiguem os efeitos da estiagem e aumentem a produtividade de suas culturas. O que no passado era visto por muitos como uma solução técnica isolada, passou a ser compreendido de forma mais ampla, levando em conta não apenas a infraestrutura e a tecnologia, mas também o seu impacto ambiental. Esse tema foi debatido recentemente no podcast RTC, transmitido ao vivo direto da Expodireto Cotrijal, com a participação de especialistas e produtores do setor agrícola.

    Dr. Éder Mota, coordenador de difusão da CCGL, destacou a importância da irrigação para elevar os níveis de produtividade nas propriedades, permitindo que os produtores mantenham a produção mesmo em períodos de seca severa. A irrigação é fundamental para garantir a segurança alimentar e estabilidade na produção de forragens destinadas à alimentação animal, além de possibilitar a preservação da atividade agrícola, especialmente em regiões mais secas. Quando bem aplicada, ela pode transformar a realidade de uma propriedade, como ressaltou Paula Hoffmeister, assessora ambiental da Farsul, que destacou a importância da irrigação na mudança de dinâmica das propriedades rurais, como nas atividades leiteiras.

    Desafios e regulação ambiental

    Porém, a implementação de sistemas de irrigação envolve não apenas aspectos técnicos e econômicos, mas também um complexo cenário de regulamentações ambientais. A legislação ambiental que regula o licenciamento de atividades de irrigação, como a construção de açudes e barragens, por exemplo, passou por uma atualização recente.

    Paula compartilhou detalhes sobre a nova resolução de licenciamento ambiental de irrigação, que, após um intenso processo de discussão, trouxe avanços significativos. Um dos principais pontos dessa atualização foi a simplificação do licenciamento para os equipamentos de irrigação, como pivôs e carreteis, que anteriormente exigiam licenciamento individualizado. Agora, o foco do licenciamento está no reservatório de água utilizado para irrigação, como açudes e barragens, e não mais nos equipamentos.

    Além disso, a legislação isenta de licenciamento os açudes com área inferior a 5 hectares, o que representa uma simplificação importante para muitos pequenos produtores. A autorização para a supressão de vegetação nativa, entretanto, continua a ser necessária em casos específicos, especialmente quando se realiza a intervenção em áreas de preservação permanente (APP). Para captação direta em cursos d’água também há flexibilização não necessitando de licença ambiental, apenas se for fazer supressão vegetal.

    A Visão do produtor: Potenciais e oportunidades

    Leonardo Loureiro, produtor rural de Soledade e cooperado da Cotrijal, enfatizou que, apesar das vantagens da irrigação, muitos ainda têm receio de se envolver com as questões ambientais devido à complexidade do processo de licenciamento. O medo de enfrentar burocracia e custos com órgãos ambientais faz com que alguns produtores hesitem em implementar sistemas de irrigação.

    Michel Kraemer, engenheiro agrônomo especialista em irrigação da CCGL, destacou que o principal desafio hoje é justamente esse: o desconhecimento e o medo do produtor em lidar com a legislação ambiental. Porém, com a flexibilização das normas, como a dispensa de licenciamento para equipamentos e a desburocratização de processos, ele acredita que muitos mais produtores poderão ser incentivados a adotar a irrigação e, assim, aumentar a produção agrícola, especialmente nas regiões com maior potencial de recursos hídricos.

    Entre os benefícios apontados, a irrigação tem se mostrado indispensável para a manutenção da produção, principalmente no setor leiteiro. Seu Valdir Jacoby, produtor de leite de Selbach, associado da Cotrisoja, exemplificou como a irrigação foi crucial para garantir a segurança na produção de pastagem e, consequentemente, na alimentação do rebanho. Ele destacou a importância da água como o “nutriente principal” para a agricultura, que, ao ser corretamente gerida, assegura uma alta produtividade e mais estável.

    Para o setor produtivo, a irrigação representa uma resposta eficiente ao problema do déficit hídrico, especialmente em anos de estiagem severa. Seu Dair Pfeifer, de Condor, associado à Cotripal, mencionou que a instalação de pivôs em sua propriedade foi resultado de uma análise cuidadosa sobre o impacto das secas nos últimos anos. A irrigação, em sua avaliação, foi um investimento necessário para garantir maior produção e qualidade da silagem, essencial para a alimentação do rebanho durante períodos críticos. Ele explicou que, ao conseguir garantir uma irrigação adequada, o custo extra com a ração foi reduzido, resultando na viabilidade econômica do investimento.

    Leonardo Loureiro explicou que desde 2017, sua família tem investido na irrigação, focando na ampliação da área irrigada, com destaque para a melhoria na produção de pastagem e a qualidade do leite. A irrigação permitiu não apenas o aumento da produção, mas também um manejo mais eficiente da propriedade, refletindo diretamente na rentabilidade e na sustentabilidade do negócio.

    Outro aspecto importante, discutido no podcast, é a relação entre a irrigação e a fertilidade do solo. Ao adicionar água ao solo, as raízes das plantas têm melhores condições de se desenvolver, mas é preciso garantir que o solo tenha boa estrutura física, química e biológica. Como mencionaram os especialistas, a água pode ajudar na disponibilização dos nutrientes, mas, para isso, o solo precisa ser bem preparado. O uso de palha e a manutenção da matéria orgânica, por exemplo, ajudam a preservar a umidade e protegem o solo contra as altas temperaturas, características típicas do clima brasileiro.

    Além disso, a escolha das cultivares certas é crucial. Como mencionou o produtor Dair Pfeifer, nem todas as variedades de milho ou soja respondem da mesma maneira ao sistema de irrigação. Isso exige mais conhecimento e adaptação às condições locais, considerando a interação entre água, solo e clima. O foco está, portanto, em criar um ambiente favorável para o crescimento das culturas, levando em consideração a combinação entre os insumos tradicionais e a irrigação.

    Por fim, o episódio trouxe à tona um ponto crucial: a irrigação não deve ser vista apenas como uma forma de aumentar a produção, mas como parte de um ecossistema agrícola que precisa ser equilibrado. Os produtores têm o desafio de pensar não apenas em como usar a água, mas também em como fazer a gestão do solo e das culturas para que o sistema seja sustentável a longo prazo. A irrigação pode ser um grande aliado, mas, como qualquer ferramenta, precisa ser utilizada com sabedoria, conhecimento e responsabilidade.

    Fonte: https://rtc.coop.br/