Projeções da Agrymet indicam geada tardia e risco de chuvas abaixo da média no RS
A Rede Técnica Cooperativa (RTC) divulgou nesta quinta-feira, 21, mais uma edição do Climacast, quadro de projeções climáticas em parceria com a Agrymet. A CEO e cofundadora da Agrymet, Barbara Sentelhas, traz um panorama detalhado da previsão do tempo e das projeções climáticas para os próximos meses nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul.
Segundo Barbara, os próximos dias ainda serão de estabilidade no estado, mas uma frente fria avança a partir de 24 de agosto, trazendo chuvas generalizadas. Os volumes devem variar entre 40 e 60 mm, principalmente na faixa central e sul do estado, com menor intensidade no extremo oeste e extremo sul.
Antes da frente fria, no dia 22, os gaúchos enfrentarão temperaturas elevadas, com máximas acima de 34°C em algumas áreas, devido à massa de ar quente vinda do norte da Argentina e Paraguai. “É aquele calorão característico que antecede a entrada de uma massa de ar polar”, destacou Barbara.
Frio intenso e geada tardia
Com a virada do tempo, a expectativa é de queda brusca nas temperaturas. Na madrugada do dia 23 para 24 de agosto, os termômetros devem registrar mínimas próximas a 2°C no sul do estado, favorecendo a formação de geada.
O frio se intensifica na madrugada do dia 25, quando há risco de geada em praticamente todo o território gaúcho, com temperaturas próximas de 0°C. Segundo Barbara, trata-se de uma geada tardia, que exige atenção especial do setor produtivo.
Apesar das oscilações de chuva ao longo do inverno, o armazenamento de água no solo continua em níveis satisfatórios, próximos a 100% em grande parte do estado. Para os próximos 30 dias, a projeção é de manutenção dessa condição, com redução mais significativa apenas no noroeste e norte gaúcho, onde o armazenamento pode cair para a faixa de 40% a 60%.
No cenário global, o monitoramento do El Niño–Oscilação Sul ainda indica neutralidade, com anomalias negativas no Pacífico Equatorial. O modelo do NOAA aponta possibilidade de início de uma La Niña fraca entre outubro e dezembro, enquanto o modelo europeu (ECMWF) mantém maior tendência de neutralidade.
Embora não haja confirmação de uma La Niña, Barbara alerta que o resfriamento do oceano pode impactar o regime de chuvas no Sul do Brasil: “O Rio Grande do Sul é muito sensível a essas oscilações oceânicas. Mesmo sem uma La Niña consolidada, o resfriamento do Pacífico pode trazer chuvas abaixo da média durante a primavera e o verão”, explicou.
Os dois principais modelos climáticos analisados (NOAA e ECMWF) convergem para um cenário de chuvas abaixo da média no RS, com destaque para a faixa centro-norte do estado. As anomalias podem variar de -50 a -100 mm no acumulado trimestral.
Além disso, a tendência é de temperaturas ligeiramente acima da média, entre 0,5°C e 1°C acima do normal, indicando uma primavera mais seca e quente.
Barbara reforçou a importância de acompanhar tanto as projeções climáticas quanto a previsão do tempo para o planejamento agrícola: “As projeções nos dão tendências, mas é a previsão do tempo que orienta as decisões do dia a dia. Por isso, seguimos com esse monitoramento constante pelo Climacast e pelo aplicativo SmartCoop”.
Fonte: https://rtc.coop.br/