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ago 06 2025 Floração da canola impulsiona apicultura migratória no Rio Grande do Sul
22% das lavouras estão em floração
As precipitações em volumes satisfatórios que ocorreram nos últimos períodos no Rio Grande do Sul restabeleceram os níveis de umidade do solo e beneficiaram o desenvolvimento da cultura da canola, cujas lavouras estão 22% em floração, 4% em formação das síliquas e 74% na fase vegetativa, favorecida pela alternância entre chuvas e dias ensolarados. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (31/7), as condições atuais das lavouras de canola exigem maior atenção por parte dos produtores gaúchos quanto ao monitoramento e controle preventivo de patógenos, apesar de que, no geral, não foram constatadas ocorrências relevantes de pragas ou doenças, o que contribui para o desempenho das lavouras.
O avanço das áreas de canola em fase de floração tem estimulado a atividade da apicultura migratória, e apiários têm sido deslocados para as proximidades das lavouras, visando ao aproveitamento das floradas para a produção de mel. As abelhas contribuem para a polinização cruzada das plantas, facilitando a fixação das flores e elevando o número de síliquas por planta e a produtividade final.
Para esta safra de inverno, a Emater projeta o cultivo de 203.206 hectares com canola, e produtividade de 1.737 kg/ha. Na região administrativa da Emater de Ijuí, houve recuperação no desenvolvimento vegetativo das plantas, que estão emitindo folhas vigorosas e maiores, resultando em cobertura eficiente do solo e redução da competição com plantas daninhas. Observa-se emissão simultânea do caule principal e de ramos secundários, o que proporciona uniformidade à lavoura e alto potencial produtivo. Estima-se que 75% das áreas estejam em fase vegetativa; 18% em floração; e 7% em formação e enchimento de síliquas. Embora o manejo inicial das plantas daninhas tenha sofrido atraso em algumas áreas, a posterior aplicação de herbicidas foi eficaz, sem prejuízos ao desenvolvimento da cultura.
Na região de Santa Rosa, 53% dos cultivos de canola estão em fase de desenvolvimento vegetativo, 38% em floração e 9% em enchimento de grãos. As condições ambientais no período permitiram o avanço das práticas de manejo. NadeSoledade,o estado geral da cultura está satisfatório. As ações de manejo incluem monitoramento de pragas e tratamentos preventivos de doenças. Em diversas áreas, vêm sendo aplicados bioinsumos, como Trichoderma spp. e Bacillus subtilis para controle de patógenos, além de Beauveria bassiana no manejo de traça-das-crucíferas, entre outros agentes biológicos.
Trigo –A semeadura está tecnicamente encerrada. Restam apenas áreas pontuais, sem impacto significativo no andamento da safra. Assim, o cronograma de implantação manteve-se dentro da janela recomendada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), assegurando a conformidade técnica e a adequada condução da safra.
As precipitações em volumes significativos, distribuídas em todo o Estado, no final de semana passado (26 e 27/7), foram favoráveis para a cultura do trigo, uma vez que o mês de julho registrava predomínio de tempo seco, com acumulados pluviométricos insuficientes para repor a umidade do solo em profundidade. Em termos de manejo cultural, nos dias que precederam as precipitações, foram efetuadas adubações nitrogenadas em cobertura e controle de plantas daninhas em lavouras mais recentes – já finalizadas nas mais adiantadas. Também foram intensificadas as aplicações de fungicidas para evitar a proliferação de doenças, como manchas foliares. A área cultivada com trigo no Estado nesta safra está projetada pela Emater em 1.198.276 hectares. A estimativa de produtividade está em 2.997 kg/ha.
Aveia-branca –As precipitações contribuíram para a recomposição dos níveis de umidade no perfil e nas camadas mais profundas do solo. Esse aporte hídrico favorece o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da aveia-branca, em termos de expansão foliar, alongamento de colmos e enchimento de grãos, mantendo o potencial produtivo. A ampla janela de semeadura — que se estendeu da segunda quinzena de abril até o início de julho — resultou em lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento e hoje 78% da área estão em fase vegetativa, 16% em florescimento e 6% das lavouras estão em enchimento de grãos. A Emater projeta o plantio de 401.273 hectares, e produtividade de 2.254 kg/ha.
Cevada –As precipitações também contribuíram para a uniformização do desenvolvimento das lavouras de cevada, para a transição entre a fase vegetativa e a reprodutiva, e para o perfilhamento e a emissão de colmos, mantendo o potencial produtivo, o que permitiu a continuidade das práticas de manejo, especialmente a aplicação de fertilizantes, nitrogenados e potássicos, em cobertura.
Frutíferas
Morango – Na região administrativa da Emater de Caxias do Sul, a maturação dos frutos se acelerou, em razão da insolação e das temperaturas moderadas, aumentando levemente a produção em relação ao período anterior. As lavouras implantadas neste ano se desenvolvem bem e emitem novas flores. Foram realizados plantios. A sanidade geral das lavouras está adequada. Apesar do cenário ter melhorado nos últimos dias, a quantidade colhida pelos produtores ainda está insuficiente para atender de forma plena os mercados habituais.
Na última semana, houve um considerável pico nas vendas e no preço do morango, especialmente de maior calibre, devido à popularidade do chamado “morango do amor”, um morango coberto por brigadeiro branco envolto em uma calda de caramelo. O preço do quilo chegou a R$ 50 e segue em patamares elevados, em virtude da baixa produção e da elevada demanda local, pois é uma época de grande movimentação turística na Região das Hortênsias e na Serra. Assim, os agricultores estão adquirindo frutos de outros estados, o que eleva ainda mais os valores de venda: in natura direto aos consumidores, o quilo varia entre R$ 30,00 e R$ 40,00/kg; e congelado, de R$ 15 a R$ 20/kg. Já na Ceasa, os preços recebidos pelos agricultores ficaram entre R$ 25 e R$ 30/kg.
Na região de Pelotas, a cultura do morango vem sendo prejudicada por baixas temperaturas, pouca insolação e alta umidade relativa do ar, o que limita o desenvolvimento, a floração e o tamanho dos frutos, além de favorecer doenças. A produção e os frutos estão menores, o que mantém os preços elevados: a R$ 30/kg em Turuçu e Morro Redondo; entre R$ 30 e R$ 40 em Rio Grande; e entre R$ 35 e R$ 45 em Pelotas e Capão do Leão. Já na região de Soledade, a restrição de radiação solar, principalmente na Região do Baixo Vale do Rio Pardo, tem atrasado a formação e a maturação de frutos, bem como afetado o sabor. A oferta e a demanda do produto estão em equilíbrio. O preço varia de R$ 20 a 25/kg.
Pastagens e criações
Nos campos nativos, houve redução da oferta de volumosos e perda de qualidade, em razão do excesso de fibra e do baixo valor nutricional. Já nas áreas de campo nativo melhorado, o desenvolvimento está adequado, possibilitando o pastejo dos animais. As pastagens de verão estão praticamente indisponíveis. Nas pastagens cultivadas, a oferta ficou limitada pelo atraso na semeadura e por fatores climáticos. Contudo, as espécies de inverno se recuperam de forma gradual, favorecidas pela elevação da temperatura e pela maior luminosidade e disponibilidade de umidade no solo, proporcionando melhor qualidade e aproveitamento para o pastejo.
Bovinocultura de corte – Houve grande variação na condição corporal dos rebanhos. Nos animais mantidos somente em campos nativos, ocorreu redução de peso. Já os animais criados em pastagens cultivadas, restevas ou sistemas de ILP tiveram melhor desempenho. O uso de sal proteinado e de pastagens diferidas contribuiu para manter o escore corporal em algumas propriedades. Foram realizados diagnósticos de gestação, com descarte de vacas vazias. O período de parições resultou em terneiros com bom peso ao nascer. A sanidade segue, em geral, adequada, com prioridade de alimentação para reprodutores e matrizes gestantes.
Bovinocultura de leite – A produção de leite apresentou estabilidade na maior parte das regiões. Em algumas áreas beneficiadas pela oferta de forragens de qualidade e pelas melhores condições climáticas, houve incremento. Nas criações a pasto, foi oferecida suplementação com concentrados energéticos, como silagem e feno. O estado corporal e sanitário dos rebanhos está satisfatório. As condições climáticas favoreceram o conforto térmico e o bem-estar dos animais, reduzindo problemas de casco e facilitando a ordenha.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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ago 06 2025 Nutrição de bovinos deve combinar suplementação injetável e oral, diz médico-veterinário
Para especialista, atenção à quantidade de aminoácidos nos produtos administrados aos animais de corte e leite é indispensável
A nutrição nas fases de cria e recria é decisiva para o desempenho produtivo na bovinocultura de corte e leite ao longo de toda a vida do animal.
O médico-veterinário e gerente de serviços bovinos da Ceva Saúde Animal, Marcos Malacco, chama atenção para o papel do intestino, que figura como órgão mais importante à imunidade por ser o responsável pelo primeiro contato do gado com partículas estranhas da ração, como bactérias.
“Na parede do intestino, que chamamos de epitélio, existe uma série de células diferenciadas exatamente para receber e processar esses agentes externos e, então, levá-los ao sistema imune para ter o desenvolvimento da imunidade geral. Isso seria o que a gente chama de imunidade adaptativa.”
Por conta dessa importância, Malacco reforça que tais células do aparelho digestivo precisam estar muito bem preparadas nutricionalmente para conferir uma resposta à agressão dos patógenos.
Nutrição oral e injetável
Segundo ele, o pecuarista precisa estar sempre atento à qualidade da matéria-prima que está sendo usada tanto na nutrição oral, ou seja, a do cocho, quanto pela parenteral, a injetável.
“Então a dieta ou esses suplementos nutricionais devem ter uma formulação bastante equilibrada, com o número de aminoácidos essenciais necessários, que são dez, e são produzidos no organismo. Além disso, temos outros dez que a gente chama de não essenciais que são produzidos no nosso organismo a partir de outros aminoácidos ou outras substâncias”, detalha.
Assim, o médico-veterinário considera que o equilíbrio na formulação e a qualidade dos princípios ativos que estão sendo usados na ração ou no suplemento injetável são essenciais. “Também é importante adquiri-los em locais idôneos, conhecidos e consagrados na produção desses nutrientes.
Custo-benefício
A respeito do custo-benefício da nutrição animal, Malacco acredita que um bom indicador é a taxa de sobrevivência dos bezerros.
“Podemos começar, por exemplo, com a nutrição injetável, a que tenha a formulação mais completa possível, contendo o maior número de aminoácóidos, pelo menos todos os dez essenciais. Isso vai começar a dar aquele choque, digamos assim, no organismo do bezerro. Então, a partir daí, complementamos com a nutrição via cocho”, ensina.
Em complemento a isso, o especialista da Ceva Saúde Animal lembra que a vaca também precisa estar saudável em metabólicos e nutricionais para poder transmitir um leite de alta qualidade e em quantidade suficiente para os bezerros.
Por fim, Malacco reforça que alguns períodos da vida do animal são ideais para a suplementação injetável, como a da primeira vacinação, entre os 60 e 120 dias de vida.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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ago 05 2025 Soja não-transgênica aposta em sustentabilidade e conquista de novos mercados com nova diretoria
O Instituto Soja Livre (ISL) empossou sua nova diretoria nesta sexta-feira (01/08), em Cuiabá, com a missão de expandir a presença da soja não-transgênica brasileira no mercado global. Com um novo time à frente da instituição, a aposta é em uma comunicação estratégica que destaque a sustentabilidade, a produção de baixo carbono e a qualidade do grão brasileiro, visando, principalmente, os exigentes mercados da Europa e da Ásia.
A soja não-transgênica, que hoje representa cerca de 2% da produção nacional, é vista como um nicho de alto valor agregado e com grande potencial de crescimento. A nova diretoria do ISL, liderada pelo presidente Luiz Fiorese, pretende unir a cadeia produtiva — de produtores rurais a indústrias e compradores internacionais — para fortalecer a produção e a comercialização. A meta é reforçar a mensagem de que a soja brasileira convencional é sinônimo de preservação e sustentabilidade.
“Estou assumindo esse desafio com muita alegria e honra, pois estou no projeto há 16 anos e acredito no Soja Livre”, afirmou Luiz Fiorese. “Queremos deixar claro que produzimos com sustentabilidade e preservação, que é uma agricultura de baixo carbono. A expectativa é muito boa, pois o produtor de soja não-transgênica é um especialista muito dedicado.”
A busca por contratos de longo prazo para dar segurança aos produtores rurais é uma das prioridades da nova gestão. Elton Hamer, presidente da Aprosmat e diretor administrativo do ISL, reforça a importância desse ponto. “O que precisamos trabalhar fortemente são os contratos de longo prazo para dar segurança aos produtores rurais. A Aprosmat vê o ISL como uma segurança, assim como a Embrapa, pois é importante não termos o produto vinculado apenas a empresas estrangeiras”, destacou Hamer. Ele ainda ressaltou a parceria com empresas como Caramuru, CJ Selecta e Amaggi, que já possuem mercado na Europa.
A valorização da soja convencional vai além do aspecto financeiro. Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, salientou que a escolha por essa cultura também está ligada ao manejo da lavoura. “Temos um mercado mundial que preza pela soja convencional e o Instituto Soja Livre foi feito para fomentar essa produção e é composto por produtores que optam por essa cultura. E não estão somente buscando renda, mas também manejo de ervas daninhas e doenças de solo, por exemplo”, disse Costa Beber.
Para Guilherme Thomazi, diretor de Relações Internacionais do ISL, a chave para o sucesso está na comunicação e na certificação, que garantem a credibilidade do produto. “O mercado da soja não transgênica no mundo está na Europa e, de uns anos para cá, vemos uma procura muito grande do mercado asiático. Nos últimos 15 anos que atuo no ramo de certificação, vejo que estes países não conhecem o Brasil, então, temos que reforçar muito a comunicação lá fora”, afirmou Thomazi.
Ele enfatizou a necessidade de “mostrar a ‘cara’ do Brasil” para os compradores, destacando a qualidade superior da soja brasileira, que, segundo ele, possui 3% a mais de proteína, um fator crucial para a indústria de rações e para a conversão de proteína vegetal em carne. Thomazi acredita que, com parcerias estratégicas e a certificação adequada, o ISL conseguirá posicionar a soja não-transgênica como uma alternativa de alto valor agregado e alinhada com as demandas por sustentabilidade dos mercados internacionais.
Com a nova diretoria, o Instituto Soja Livre se consolida como um importante elo entre a produção nacional e as oportunidades no exterior, mostrando que a agricultura brasileira tem potencial para liderar não apenas em volume, mas também em qualidade e sustentabilidade.
A nova diretoria do Instituto Soja Livre é composta por Luiz Fiorese (presidente), Evandro Gianezini (vice-presidente), Elton Hamer (diretor administrativo), Dr. Sebastião Pedro (diretor técnico), Marcelo Calzerani (diretor financeiro) e Guilherme Thomazi (diretor de relações internacionais). O Conselho Fiscal é formado por César Borges, Diogo Balistieri, Rodrigo Brogin, Odilon Lemos, Francisco Soares e Marcos Borges.
Fonte: https://www.noticiasagricolas.com.br/
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ago 05 2025 Plantio de soja no Brasil deve avançar 2% e nova safra pode bater recorde, dizem analistas
A área plantada com soja no Brasil em 2025/26 deverá crescer 2,0% em relação à temporada passada, permitindo que o maior produtor e exportador da oleaginosa tenha um novo recorde produtivo, apesar de margens não tão boas para os agricultores, afirmaram consultorias nesta segunda-feira.
A Céleres estimou em 48,6 milhões de hectares a área plantada para o novo ciclo, com plantio a partir de setembro. Mas a semeadura cresceria menos de 1 milhão de hectares, um avanço considerado mais “comedido” diante de margens positivas, “mas pressionadas”. Desafios para um crescimento mais robusto das importações da China também foram citados pela consultoria.
“Com preços esperados mais limitados para março/26, o produtor deve agir com prudência na gestão de comercialização e de novos investimentos no curto prazo”, disse o analista Gabriel Santos, em relatório nesta segunda-feira com as primeiras projeções publicadas pela Céleres.
Com esse aumento na área e um avanço de 0,5% nas produtividades esperadas, o Brasil poderia produzir 177,2 milhões de toneladas de soja, apagando o recorde do ciclo anterior, de 172,8 milhões de toneladas.
A Céleres destacou que com a estimativa de margem operacional de cerca de 12 sacas por hectare em Mato Grosso — levemente abaixo da média histórica –, o principal Estado produtor brasileiro ainda deve ser “protagonista” no avanço de área de soja no Brasil com alta de 250 mil hectares em relação a safra passada.
Os Estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) devem ampliar o plantio em 250 mil hectares, e Mato Grosso do Sul e Goiás em 100 mil hectares, cada, segundo a Céleres.
Santos citou que do lado da demanda “há desafios claros para um crescimento mais robusto das importações chinesas no curto prazo, o que já é evidenciado nessa temporada”.
Mas ele destacou que a expectativa de aumento de excedente no país, real desvalorizado e as incertezas na política externa dos EUA — segundo maior produtor de soja — sustentam crescimento nas exportações da oleaginosa no ciclo 25/26, que deverão atingir 110 milhões de toneladas, versus 106 milhões no ciclo anterior.
AUMENTO NA SOJA E NO MILHO VERÃO?
Para a StoneX, corretora e consultoria especializada em commodities, a área plantada com soja aumentará também 2% em relação ao ciclo passado, permitindo uma produção de 178,2 milhões de toneladas, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira.
A StoneX indicou também um avanço da produtividade influenciado por uma esperada recuperação da safra do Rio Grande do Sul, que vem sendo afetada por problemas climáticos nos últimos anos.
Na semana passada, a consultoria Datagro apontou uma visão ainda mais positiva em termos absolutos, estimando a produção brasileira da oleaginosa em 182,9 milhões de toneladas em 2025/26, aumento de 5% ante a máxima histórica vista na colheita deste ano.
Segundo a StoneX, as exportações brasileiras poderiam atingir 112 milhões de toneladas, também um patamar recorde, em momento em que a China, maior importadora, lida com disputas comerciais com os Estados Unidos.
“As questões geopolíticas e tarifárias podem beneficiar a soja brasileira, especialmente pelas possibilidades de atritos entre EUA e China”, afirmou a especialista de Inteligência de Mercado, Ana Luiza Lodi, em nota.
A StoneX também considera que o Mato Grosso deverá concentrar o crescimento em termos absolutos, adicionando cerca de 400 mil hectares, para 13 milhões de hectares no total.
E também avalia que o milho primeira safra no Brasil deverá ter crescimento de área, também de 2%, principalmente na região Sul, com destaque para os Estados do Paraná e Rio Grande do Sul.
“Embora milho verão e soja sejam culturas concorrentes na ocupação do solo, o Brasil dispõe de uma base territorial ampla e dinâmica, com possibilidade de expansão sobre áreas de pastagem, especialmente degradadas”, disse à Reuters, após ser consultada.
Já a Céleres considera que a área de milho na safra primeira safra brasileira deve apresentar “leve redução” (100 mil hectares, -2,4%) em 25/26, diante da perda de competitividade com as culturas concorrentes, especialmente a soja na região Sul.
A Céleres projeta um potencial ligeiro avanço anual da colheita total de milho em 2025/26, cuja maior parcela advém normalmente da segunda safra. A produção totalizaria mais de 148 milhões de toneladas.
Fonte: https://www.noticiasagricolas.com.br/
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ago 01 2025 Armazenagem, o elo frágil de uma potência agrícola
Os sucessivos recordes de safra, que consolidaram o Brasil como uma potência agrícola e impulsionaram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), escondem um problema crônico: a falta de armazéns para guardar todos os grãos produzidos. O descompasso entre produção e estocagem vem piorando ano a ano, colocando em risco o desenvolvimento sustentável da produção agrícola e a segurança alimentar e pressionando a inflação dos alimentos.
A capacidade estática atual de armazenagem atingiu 203,1 milhões de toneladas, o que cobre apenas cerca de 60% da produção total de grãos esperada para 2024/25. O déficit é estimado entre 100 e 124 milhões de toneladas.
Com a falta de espaço para estocagem, milhares de produtores são obrigados a escoar a sua produção logo após a colheita, perdendo a oportunidade de esperar melhores condições de mercado. Essa antecipação reduz as margens de lucro, aumenta os custos logísticos com transporte e eleva o risco de perdas por armazenagem inadequada, que pode comprometer a qualidade dos grãos.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o ideal é que a capacidade de armazenagem corresponda a 1,2 vez a produção anual, uma meta ainda distante da realidade brasileira.
Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) revelam a disparidade entre produção e estocagem: entre 2010 e 2025, a produção de grãos no país cresceu a uma média de 5,27% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 2,80% ao ano.
Ou seja, faltam investimentos em infraestrutura e soluções como armazéns, silos e silo bolsas, para acompanhar o ritmo das safras recordes. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima que seriam necessários investimentos da ordem de R$ 15 bilhões por ano para construir armazéns capazes de suporte esse crescimento.
Outro ponto crítico é a baixa capacidade de armazenagem dentro das fazendas produtoras (on-farm), que daria mais autonomia ao produtor na hora de comercializar a sua produção. No Brasil, apenas 15% da capacidade de armazenagem está dentro das fazendas, enquanto nos Estados Unidos, esse índice chega a 53,4%, de acordo com a CNA.
Um dos entraves apontados para a crise no armazenamento, além do crescimento acelerado da produção agrícola, é a escassez de linhas de crédito para investimento em silos e outras estruturas. A avaliação entre os especialistas é de que os recursos públicos disponíveis são insuficientes para atender a demanda do setor.
Um sistema de armazenagem de grãos bem estruturado e eficiente é crucial para qualquer país garantir o abastecimento alimentar e aumentar a competividade do agronegócio. Soluções de armazenagens são fundamentais para a formação de estoques estratégicos, permitindo regular a oferta e os preços em momentos de instabilidade climática ou econômica.
A expansão da capacidade de estocagem, alinhada ao ritmo de crescimento da produção, é, portanto, um desafio relevante que envolve diferentes agentes e exige planejamento de longo prazo. Garantir infraestrutura adequada para o armazenamento é um passo necessário para manter a competitividade do agronegócio e assegurar o aproveitamento pleno das safras colhidas.
Fonte: https://www.noticiasagricolas.com.br/