Daily Archives

23 de julho de 2026

  • O milho tem um ponto fraco bem conhecido dos agrônomos: o florescimento. É nessa fase que a lavoura mais sofre com a falta de chuva — e o preço pode ser alto. Segundo estudos da Embrapa, um veranico mal cronometrado no pendoamento é suficiente para reduzir o número de grãos por espiga e derrubar a produtividade em mais da metade. O alerta vale principalmente para lavouras de sequeiro em regiões de chuva irregular, mas também pede atenção redobrada de quem irriga.

    Explicando de forma simples: é no florescimento que o milho troca de fase. As flores masculinas soltam o pólen no pendão, enquanto as espigas abrem os “cabelos” — os estilos-estigmas — para recebê-lo. Esse casamento dura pouco, de uma a duas semanas, mas é justamente aí que a planta bebe mais água do ciclo inteiro, com folhas cheias e transpirando no talo. Falta água nesse momento, e o número final de grãos, que está sendo decidido ali, sai prejudicado — segundo mostram dados técnicos compilados pela Embrapa.

    E o que a planta faz quando a água aperta? Ela se fecha, literalmente. Os estômatos se fecham para não perder mais água, só que isso também trava a entrada de CO₂ e a fotossíntese desacelera. O problema é que esse estresse não afeta pendão e espiga do mesmo jeito: de acordo com a Embrapa, os “cabelos” da espiga sofrem mais que o pendão, o que atrasa o encontro dos dois e atrapalha a polinização. Os estigmas podem demorar para sair, secar antes da hora ou simplesmente não pegar bem o pólen. Resultado: a planta aborta flores, óvulos e até grãos que já tinham começado a se formar. No campo, isso vira espiga rala, mal granada ou, nos casos mais graves, espiga vazia.

    O tamanho do estrago depende de alguns fatores: quando exatamente bateu o veranico, quanto tempo durou, o quanto esquentou e quantas plantas estão disputando a mesma água por metro quadrado. A janela mais perigosa vai de uma a duas semanas antes do pendoamento até cerca de duas semanas depois — e é nesse intervalo que a quebra pode passar de 50% em situações mais severas, na comparação com uma lavoura bem irrigada. Solo raso, compactado ou pobre em matéria orgânica só piora a conta, mesmo quando o déficit não é tão grave.

    Por isso, quem espera o florescimento chegar para agir já está atrasado. A decisão precisa vir antes: olhar o histórico de veranicos da área, entender a capacidade do solo de segurar água, acompanhar a previsão climática da safra e saber quanto a irrigação disponível dá conta de cobrir. A escolha do híbrido é uma das cartas mais importantes desse jogo — priorizando materiais tolerantes ao estresse hídrico e com boa sincronia entre o florescimento macho e fêmea. A população de plantas também entra na conta: lavoura muito adensada em área com pouca água só aumenta a briga por esse recurso.

    Plantio direto e palhada bem mantida seguram a umidade, reduzem a evaporação e melhoram a infiltração — além de ir aumentando a matéria orgânica com o tempo. Corrigir acidez e alumínio, e adubar direito com fósforo, potássio, enxofre e micronutrientes, dá à planta uma raiz mais profunda para ir buscar água onde ela ainda existe. E o controle de daninhas cedo, ainda em pós-emergência inicial, evita que a lavoura divida a água disponível com quem não devia estar ali.

    Quando o florescimento já bateu na porta, sobra pouco espaço de manobra, mas ainda dá para agir. Em área irrigada, a regra é simples: primeiro a água vai para quem está em pré-florescimento, florescimento ou começando a encher grão — da fase VT até R2 — mesmo que isso signifique deixar para depois a irrigação plena de talhões ainda no vegetativo. Junto disso, cresce a importância de monitorar o solo de perto, com tensiômetro ou sonda de capacitância, e ficar de olho na planta: folha murcha ao meio-dia ou enrolada é sinal de que a hora de agir é agora.

    Nem tudo que parece ajudar, ajuda nesse momento. Algumas práticas comuns podem sair pela culatra durante o florescimento: aplicação foliar que corre risco de fitotoxicidade, operação mecânica que machuca raiz superficial, adubação de cobertura tardia que estimula crescimento vegetativo justamente quando a planta já está sob pressão. Se sobrou daninha para controlar nessa fase, a decisão precisa pesar o estádio da cultura e o risco de dano, sempre dentro do que manda rótulo, bula e receituário agronômico.

    Nutrição, manejo de pragas e de daninhas também entram nessa equação — não dá para separar. Planta bem nutrida, especialmente em potássio, regula melhor a abertura dos estômatos e aguenta mais o tranco, mas correção de última hora no florescimento tem efeito curto se o manejo não foi pensado desde o início do ciclo. Praga desfolhadora, percevejo e doença de folha sem controle tiram área foliar saudável da planta bem na hora em que ela mais precisa dela para segurar o estresse.

    Qualquer intervenção na lavoura durante o florescimento — irrigar, aplicar insumo, passar máquina — exige cuidado redobrado: uso de EPI é obrigatório, e a umidade do solo precisa estar dentro do limite para não compactar. E a decisão de irrigar, segundo o material técnico consultado, deve sempre passar pelo balanço hídrico e pelo monitoramento de solo e planta, sem desperdício de água nem prejuízo ambiental.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/

  • Leite gaúcho sai do vermelho, mas setor pede mais equilíbrio na cadeia produtiva

    Produtores de leite do Rio Grande do Sul comemoram a volta da margem positiva na atividade após um longo ciclo de preços apertados. Segundo informações divulgadas pela Gadolando, os valores hoje pagos aos produtores, entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por litro, já cobrem com folga o custo de produção, estimado entre R$ 2,20 e R$ 2,30 — ainda assim, o setor considera a remuneração insuficiente para garantir investimentos e estabilidade a médio prazo.

    “Agora está tendo uma pequena margem, enquanto nós viemos muito tempo sem margem”, resume o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, ao comentar a mudança de cenário na pecuária leiteira gaúcha.

    A retomada tem respaldo nos números oficiais: o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projetou R$ 2,4281 por litro como valor de referência para junho. Esse índice baliza as tratativas comerciais entre produtores e laticínios, mas não é fixo — cada propriedade recebe um valor diferente, a depender da qualidade do leite entregue, do volume produzido e das bonificações oferecidas pela indústria compradora.

    Apesar dos sinais positivos, Tang pondera que o setor ainda opera longe do ideal. Na conta da Gadolando, um preço de referência próximo a R$ 2,80 por litro seria o patamar necessário para dar fôlego real à atividade, sem que isso pressionasse excessivamente o preço final ao consumidor.

    Um dos pontos mais sensíveis levantados pela entidade é a ausência do varejo nas discussões que definem os rumos do setor. Hoje, segundo Tang, o debate sobre preços fica restrito a produtores e indústria, deixando de fora um elo que também lucra com a comercialização do leite. “No Conseleite, a indústria e o produtor conseguem sentar juntos e debater, mas sentimos falta de discutir também com o varejo para amenizar os efeitos das crises, para todo mundo poder trabalhar junto e manter a cadeia”, diz o dirigente. Para a Gadolando, ampliar essa mesa de negociação é o caminho mais eficaz para proteger o produtor nos períodos de crise, sem abrir mão dos ganhos quando o mercado está aquecido.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Atualização corrige dados do Zarc para a cultura do milho no Rio Grande do Sul

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que foram atualizados os dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho 1ª safra no Rio Grande do Sul.

    Após a publicação das portarias referentes ao zoneamento, foram recebidas manifestações do setor produtivo sobre o calendário de semeadura em municípios da região noroeste do estado. As demandas foram encaminhadas para reavaliação pelo grupo de trabalho responsável pelo Zarc do milho.

    Na revisão, a equipe técnica da Embrapa identificou um equívoco na programação de pós-processamento dos dados relativos ao mês de agosto, referente aos decêndios críticos para ocorrência de geada. Na configuração utilizada, foram considerados como críticos os decêndios da semeadura, quando o correto era considerar os decêndios da fase de pós-emergência da cultura. Como consequência, o risco de geada em alguns municípios foi superestimado, impactando as janelas indicadas para semeadura.

    Os dados foram corrigidos e já estão disponíveis no Painel de Indicação de Riscos.

    Com a atualização, os resultados passaram a refletir a metodologia adotada para o zoneamento da cultura, mantendo diferenças em relação à safra anterior em razão das alterações metodológicas incorporadas nesta versão.

    Entre as mudanças implementadas no Zarc para a cultura do milho estão a atualização da base de dados meteorológicos, com utilização da série histórica de 1992 a 2022 e ampliação do número de estações meteorológicas consideradas, além da adoção do modelo de classificação de solos em seis níveis de água disponível (AD). A classificação considera a proporção de areia, silte e argila no solo, substituindo o modelo anterior, que utilizava três classes de solo (arenoso, médio e argiloso).

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/