-
out 20 2026 Como melhorar a eficiência e a rentabilidade das fazendas de gado
A adoção de melhoramento genético, inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e ferramentas genômicas pode aumentar a eficiência reprodutiva e a rentabilidade das fazendas comerciais de gado. Segundo informações divulgadas pelo Governo da Argentina, especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e da Câmara Argentina de Biotecnologia Reprodutiva e Inseminação Artificial (CABIA) destacam que essas tecnologias, associadas ao manejo, à nutrição e à saúde do rebanho, contribuem para elevar a prenhez, melhorar o peso dos bezerros à desmama e aumentar a produção por hectare.
A genética tem ganhado espaço na pecuária de corte comercial por contribuir para melhorar indicadores produtivos e acelerar os resultados dos sistemas de cria. Para Federico Hozbor, pesquisador do Grupo de Biotecnologia Reprodutiva do INTA Balcarce, em Buenos Aires, os ganhos dependem da integração entre genética, manejo, nutrição e saúde animal. “As ferramentas para alcançar a eficiência reprodutiva já estão disponíveis”, afirmou Hozbor.
Em um estudo interdisciplinar realizado com Hugo Nigro, também pesquisador do INTA e especialista em manejo de melhoramento genético bovino, foi demonstrado que a aplicação de um programa de inseminação artificial em tempo fixo, acompanhada do controle dos touros 10 dias após a inseminação, permitiu alcançar taxas de prenhez superiores a 80% nos primeiros 27 dias de serviço.
Os pesquisadores ressaltaram que o resultado depende de condições adequadas das matrizes. Para favorecer o sucesso reprodutivo, as vacas devem apresentar balanço energético positivo e condição corporal de pelo menos 2,5, em uma escala de 1 a 5.
A inseminação artificial em tempo fixo permite organizar o calendário reprodutivo e concentrar os nascimentos. Segundo os especialistas do INTA, a técnica também favorece o aumento do peso e da idade de desmama em uma data fixa, facilita a introdução de genética melhorada a custos menores e contribui para um manejo mais racional da nutrição e da saúde do rebanho.
Pablo Veiga, veterinário especializado em reprodução bovina, também destacou a importância do melhoramento genético para a eficiência dos sistemas produtivos. “A genética é um dos pilares da produção pecuária eficiente”, afirmou durante uma apresentação sobre a implementação de programas genéticos e seus impactos na produtividade e na rentabilidade dos rebanhos.
Entre os principais indicadores para avaliar o desempenho de uma fazenda, Veiga apontou o número de bezerros produzidos, o peso individual dos animais e os quilos de bezerro produzidos por hectare.
De acordo com os dados apresentados, melhorias na taxa de marcação dos bezerros podem gerar diferenças econômicas significativas na receita de um sistema de cria. “A IATF permite o uso de touros comprovadamente superiores, antecipa o parto, concentra a estação de nascimento e produz animais mais eficientes”, explicou Veiga.
O mercado de genética bovina apresenta dinâmica estável, com destaque para a inseminação artificial e o crescimento da demanda por sêmen e embriões. Na Argentina, foram comercializadas mais de 8,3 milhões de doses de sêmen bovino, predominantemente de raças de corte. As exportações do setor também registraram aumento.
Mariano Etcheverry, integrante da CABIA, ressaltou a contribuição das biotecnologias reprodutivas para ampliar o acesso à genética melhorada e reduzir problemas relacionados à saúde animal e ao transporte. “As biotecnologias reprodutivas permitem a disseminação de genética melhorada e reduzem os problemas de saúde e transporte”, afirmou.
Segundo Etcheverry, o mercado internacional continua concentrado na América do Norte e na Europa, embora existam oportunidades específicas para a genética bovina argentina.
Outra ferramenta que avança na pecuária de corte é a genômica, utilizada para identificar genes associados a características de interesse econômico.
Segundo Veiga, a tecnologia permite avaliar características como crescimento, facilidade de parto e eficiência de conversão alimentar. Com isso, os produtores podem tomar decisões de seleção mais precisas e alinhadas aos objetivos de cada sistema de produção. “A genômica aprimora a precisão da seleção e permite decisões mais objetivas”, afirmou o especialista.
A seleção genética também pode acelerar os ganhos produtivos quando combinada à concentração dos partos e ao uso de material genético superior. “Quando o parto é concentrado e se utiliza material genético superior, os resultados aparecem rapidamente nos quilogramas produzidos”, destacou Veiga.
Apesar dos benefícios, a genética não resolve isoladamente os desafios da produção pecuária. Veiga alertou que os resultados dependem de um conjunto de práticas que permitam aos animais expressar seu potencial produtivo. “A genética não faz milagres. É preciso controlar os outros fatores envolvidos na produção”, afirmou.
Entre os cuidados necessários estão a manutenção de planos sanitários, o manejo reprodutivo eficiente e o registro dos indicadores de produção. Essas medidas ajudam a acompanhar os resultados e a orientar as decisões de melhoramento do rebanho. “O touro perfeito não existe, mas existem touros reprodutores que podem melhorar parâmetros específicos alinhados com os objetivos de cada rodeio”, concluiu Veiga.
A combinação entre seleção genética, tecnologias reprodutivas e gestão do rebanho permite direcionar os investimentos para características de maior valor econômico, com potencial para melhorar a produtividade e a rentabilidade das fazendas comerciais.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/
-
out 20 2026 Instituição vê recuperação desigual das margens no agro
A recuperação das margens agrícolas deve continuar lenta e desigual em 2027, diante da oferta abundante de grãos e do encarecimento dos insumos. Segundo o Rabobank, a combinação limita uma melhora ampla da rentabilidade, embora o Brasil mantenha condições operacionais mais favoráveis que outros grandes produtores.
Para a safra brasileira 2026/27, o relatório projeta margens operacionais de 38% na soja e 55% no milho. A soja retorna à média histórica, enquanto o milho permanece acima dela. Esses indicadores, porém, descontam apenas parte das despesas e não representam o lucro líquido, pois excluem custos da terra e de financiamento.
O principal entrave no país está nas finanças das propriedades. Juros elevados, dívidas acumuladas em ciclos anteriores de investimento e restrições de caixa reduzem o benefício das margens operacionais. O estudo aponta taxas regionais de inadimplência em níveis recordes, superiores a 8%.
Ao mesmo tempo, os custos operacionais do milho brasileiro devem subir 11%, puxados principalmente por fertilizantes e inseticidas. Na soja, as despesas ficam ligeiramente acima das registradas na temporada anterior.
No cenário internacional, tensões no Oriente Médio sustentam a pressão sobre os fertilizantes. O El Niño, previsto no relatório para persistir durante boa parte do primeiro semestre de 2027, amplia a incerteza sobre a produção. Com a oferta global ainda elevada, eventuais problemas tendem a provocar altas passageiras dos preços.
Nos Estados Unidos, a margem operacional do milho é estimada em apenas 3% em 2027, com resultado negativo quando considerados todos os custos. Para a soja brasileira, a diferença entre preços de venda e custos operacionais deve permanecer estável em relação à safra anterior.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/
-
out 20 2026 Solo compactado pode reduzir produtividade em até 60%
A compactação do solo limita o crescimento das raízes e reduz a infiltração de água, comprometendo o desenvolvimento das lavouras. Segundo a São José, em determinadas condições, o problema pode provocar perdas de até 60% na produtividade.
A escolha do equipamento depende da profundidade da camada compactada. Na linha da empresa, o escarificador atua de 15 a 30 centímetros, enquanto o descompactador alcança de 30 a 55 centímetros. Trabalhar além do necessário reduz o rendimento operacional e aumenta a demanda de potência.
Nesse cenário, o agrônomo Diogo Antônio Salvador, especialista em produtos da São José, destaca que identificar a localização da restrição ajuda a definir a intervenção. O rompimento dessas barreiras físicas favorece o aprofundamento das raízes e o acesso à água e aos nutrientes, especialmente em períodos de déficit hídrico.
“É comum o produtor perceber que a lavoura não está respondendo como deveria e pensar logo em um descompactador. Mas é preciso olhar a profundidade do problema. Se a camada compactada está entre 15 e 30 centímetros, o escarificador pode ser suficiente. Quando a restrição está mais profunda, entre 30 e 55 centímetros, o descompactador passa a ser a alternativa adequada. O segredo este em identificar onde está o problema e utilizar o equipamento para cada necessidade”, explica o especialista.
Entre as causas estão o tráfego de máquinas, sobretudo em solo muito úmido, e o pisoteio de animais. A operação adequada pode melhorar a aeração e a infiltração de água, mantendo parte da palhada na superfície.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/