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Instituição vê recuperação desigual das margens no agro

A recuperação das margens agrícolas deve continuar lenta e desigual em 2027, diante da oferta abundante de grãos e do encarecimento dos insumos. Segundo o Rabobank, a combinação limita uma melhora ampla da rentabilidade, embora o Brasil mantenha condições operacionais mais favoráveis que outros grandes produtores.

Para a safra brasileira 2026/27, o relatório projeta margens operacionais de 38% na soja e 55% no milho. A soja retorna à média histórica, enquanto o milho permanece acima dela. Esses indicadores, porém, descontam apenas parte das despesas e não representam o lucro líquido, pois excluem custos da terra e de financiamento.

O principal entrave no país está nas finanças das propriedades. Juros elevados, dívidas acumuladas em ciclos anteriores de investimento e restrições de caixa reduzem o benefício das margens operacionais. O estudo aponta taxas regionais de inadimplência em níveis recordes, superiores a 8%.

Ao mesmo tempo, os custos operacionais do milho brasileiro devem subir 11%, puxados principalmente por fertilizantes e inseticidas. Na soja, as despesas ficam ligeiramente acima das registradas na temporada anterior.

No cenário internacional, tensões no Oriente Médio sustentam a pressão sobre os fertilizantes. O El Niño, previsto no relatório para persistir durante boa parte do primeiro semestre de 2027, amplia a incerteza sobre a produção. Com a oferta global ainda elevada, eventuais problemas tendem a provocar altas passageiras dos preços.

Nos Estados Unidos, a margem operacional do milho é estimada em apenas 3% em 2027, com resultado negativo quando considerados todos os custos. Para a soja brasileira, a diferença entre preços de venda e custos operacionais deve permanecer estável em relação à safra anterior.

 

Fonte: https://www.agrolink.com.br/