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set 30 2024 Como enfrentar os desafios climáticos e garantir o sucesso da lavoura da soja?
Fatores climáticos são os principais responsáveis pela produtividade e qualidade do cultivo do grão
O sucesso da lavoura da soja depende, em grande parte, das condições climáticas, que influenciam a produtividade e a qualidade dos grãos. Cada fase do desenvolvimento do grão requer condições específicas que podem impactar diretamente os resultados da safra.
José Renato Farias, pesquisador da Embrapa, destaca que os dois fatores mais relevantes são a temperatura e a disponibilidade de chuvas. Ele observa que, atualmente, várias regiões do país enfrentam a seca, o que afeta a umidade do solo e a quantidade de água disponível.
Ele comenta que é fundamental discutir as implicações climáticas para a safra, especialmente com a previsão de um fenômeno La Niña. A combinação de temperaturas elevadas e a falta de chuvas pode trazer desafios inesperados, tornando o planejamento estratégico ainda mais essencial.
Conforme dados da Embrapa Soja, a soja se desenvolve melhor em temperaturas entre 20°C e 30°C, sendo a temperatura ideal em torno de 30°C. Quando o solo cai abaixo de 20°C, a semeadura deve ser evitada, pois isso compromete a germinação e a emergência das plantas. A faixa ideal para o plantio é entre 20°C e 30°C, com 25°C favorecendo uma emergência rápida e uniforme.
Em direção ao sucesso da lavoura
Para assegurar o sucesso da lavoura, Farias recomenda o uso de sementes de alta qualidade, com bom poder germinativo e vigor. ”Sementes saudáveis garantem um melhor estabelecimento da lavoura, aumentando as chances de uma colheita produtiva. Além disso, é importante realizar o plantio em condições adequadas, assegurando umidade no solo e profundidade correta”, explica.
Semeaduras em condições de seca e calor podem comprometer o estabelecimento das lavouras, tornando as sementes vulneráveis a pragas e doenças. A melhor estratégia é aguardar condições climáticas favoráveis para a semeadura. Utilizar sementes de boa qualidade e semear de forma adequada garante um desenvolvimento saudável das plantas, preparadas para enfrentar futuros estresses.
Outra estratégia para mitigar os impactos da seca e calor é escalonar a época de semeadura, sempre dentro da janela especificada pelo Zoneamento Agrícola para Redução de Riscos (Zarc), e/ou utilizar cultivares de ciclos diferentes. Se ocorrer um período de estresse climático, nem toda a área será afetada da mesma maneira.
O escalonamento das datas de semeadura é crucial. Recomenda-se usar diferentes cultivares em áreas distintas, como uma cultivar de 100 dias em um talhão e outra de 110 dias em outro, variando as datas de semeadura. Essa prática pode ser eficaz para reduzir os riscos de deficiências hídricas ou altas temperaturas, garantindo alguma produção mesmo em situações adversas.
Semear a mesma cultivar na mesma data pode expor toda a região a riscos climáticos, resultando em perdas significativas. Em situações de estresse hídrico ou temperaturas excessivas, a saúde das plantas pode ser comprometida. Portanto, implementar esses cuidados simples durante o planejamento e instalação das lavouras pode fazer toda a diferença.
O clima é um dos fatores mais desafiadores na produção agrícola, e sua imprevisibilidade transforma as adversidades climáticas no principal risco para os agricultores. Compreender essas dinâmicas e adotar estratégias adequadas são passos cruciais. Com atenção às condições climáticas e práticas de manejo eficientes, é possível minimizar riscos e maximizar o sucesso da lavoura da soja, garantindo não apenas produtividade, mas também sustentabilidade a longo prazo.Fonte: https://www.canalrural.com.br/ -
set 27 2024 Prazo para produtor declarar ITR termina nesta segunda-feira
Declaração para proprietário ou posseiro do imóvel rural é compulsória
O prazo para os produtores rurais enviarem a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), exercício 2024, termina na segunda-feira (30).
A declaração do ITR pessoa física ou jurídica, para proprietário ou posseiro do imóvel rural, é obrigatória.
Os procedimentos para a declaração estão na Instrução Normativa nº 2206/2024 da Receita Federal.
“Segundo informações da Receita Federal, o valor do imposto pode ser pago em até quatro cotas iguais, mensais e sucessivas, sendo que nenhuma cota pode ter valor inferior a R$ 50,00. O imposto de valor inferior a R$ 100,00 deve ser pago em cota única”, diz a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em nota.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 27 2024 Entidades repudiam fala de pesquisadora sobre bioinsumos on farm
Mariangela Hungria, da Embrapa, afirmou que produtos formulados dentro da fazenda possuem problemas de contaminação. Abbins e Gass enxergam preconceito na fala
A Associação Brasileira de Bioinsumos (Abbins) e o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (Gaas) divulgaram nota de repúdio na última terça-feira (24) sobre a manifestação da pesquisadora da Embrapa Soja, Mariângela Hungria, a respeito da produção de bioinsumos on farm.
Em reportagem publicada pelo Canal Rural na segunda-feira (23), a especialista citou que há cinco anos são feitas análises dos biológicos que são produzidos dentro da fazenda por produtores e que os resultados são, em geral, insatisfatórios.
“Posso falar que até hoje a gente não encontrou sequer um produto ‘on farm’ que não tivesse um problema, seja de contaminação, de baixa concentração de células etc.”, disse. Na matéria, Mariangela ressalta a necessidade de regulamentação da preparação desses compostos pelos produtores.
Nota de repúdio
Para as entidades, a fala de Mariangela foi preconceituosa, de caráter alarmista e irreal. “A responsabilidade do agricultor com a qualidade de sua produção não é menor do que a responsabilidade do pesquisador com a qualidade do seu laboratório, das suas pesquisas”, diz a nota.
Ainda de acordo com o texto, desde 2009 os agricultores brasileiros têm o direito de produzir bioinsumos para uso próprio amparado pelo decreto nº 6.913.
Assim, para a Abbins e o Gaas, o salto nas exportações do agronegócio brasileiro, que eram de aproximadamente US$ 65 bilhões em 2009 e fecharam 2023 com o valor de US$ 166,78 bilhões, “ocorreu concomitantemente à adoção da prática de produção de bioinsumos para uso próprio nas mais diversificadas lavouras brasileiras”.
A nota continua: “alguns produtores de frutas na Região Nordeste conseguiram manter seus
contratos de exportação para países europeus adotando o sistema de produção de
bioinsumos para uso próprio, que permitiu a redução do uso de agrotóxicos e, consequentemente, a redução do Limite Máximo de Resíduos (LMR) exigido pelos clientes”.As entidades defendem, também, que “manuais e cursos para aprimoramento da prática sejam disponibilizados de Norte a Sul do Brasil. Quanto mais conhecimento e preparação, melhor para todos”.
Bioinsumos on farm pelo mundo
A nota das duas entidades ressalta, ainda, que na Áustria; no Japão; na Inglaterra; no estado do Missouri, Estados Unidos; na Nova Zelândia e no México “os agricultores produzem seus bioinsumos para uso próprio, essa não é uma peculiaridade do Brasil. No México, o governo desenvolveu Manuais de Produção para orientar os agricultores, nos outros países e no Missouri são as indústrias que fornecem o concentrado de microrganismos para o agricultor fermentar seu bioinsumo na propriedade”.
A nota da Abbins e do Gaas finalizada dizendo que nos países e estado supracitado “não tem terrorismo nem empresas gananciosas querendo retirar o direito do agricultor de produzir bioinsumos para uso próprio. Ao contrário, as empresas estão aproveitando esse mercado de fornecimento de insumos para o agricultor que fez a opção por produzir seu próprio bioinsumo”.
Outro lado
Após a divulgação da nota de repúdio das entidades, a pesquisadora Mariangela Hungria se manifestou em rede social:
“Relatei apenas os resultados de análises feitas em laboratório acreditado pela ISO 17025 e publicados em revista científica analisada por revisores. Não foi uma opinião. Foram resultados científicos. Com base nisso nos esforçamos muito e publicamos um Manual de Análise ricamente ilustrado, quase 200 fotos, para ajudar a verificar a qualidade dos bioinsumos produzidos. A agricultura brasileira merece bioinsumos de boa qualidade”.
A Associação Brasileira das Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), por sua vez, também soltou nota em rede social:
“A Abinbio está do lado da Ciência, dos fatos e dos dados. Apoiamos e respeitamos o trabalho dos pesquisadores brasileiros e da Embrapa, que sempre foi uma força impulsionadora do agronegócio do País. Repudiamos qualquer ataque ou tentativa de descredibilizar pesquisas e resultados comprovados, sejam qual forem os interesses por detrás disso. O Brasil precisa basear sua legislação para os bioinsumos na Ciência, garantindo uma agricultura produtiva, sustentável e segura para todos”.
O Manual de Análise citado pela pesquisadora Mariangela pode ser acessado neste link.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 26 2024 Bioinsumos podem gerar economia de US$ 5,1 bi anuais ao agro brasileiro
Segundo trabalho encabeçado pelo Mapa, uso da tecnologia em culturas como arroz e milho possibilita redução de até 18,5 milhões de toneladas de emissões de CO2 equivalente
A utilização de bioinsumos na agricultura brasileira pode gerar uma economia de até US$ 5,1 bilhões ao país. É o que indica um estudo elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) e o Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos e Fibras.
O estudo estratégico “Bioinsumos como alternativa a fertilizantes químicos em gramíneas: uma análise sobre os aspectos de inovação do setor” mostra como a tecnologia pode ser aplicada em culturas como arroz, milho, trigo, cana-de-açúcar e pastagens, com possibilidade de redução de até 18,5 milhões de toneladas de emissões de CO₂ equivalente.
O trabalho, lançado em conjunto com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) lançaram, nesta terça-feira (24), foi o passo inicial do Projeto Nitro+, que pretende elaborar uma estratégia para a ampliação do uso de tecnologias de inoculantes em gramíneas, aos moldes do que aconteceu com as leguminosas como a soja.
O secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Mapa, Pedro Neto, ressaltou a importância da consolidação dos processos de inovação na agropecuária e o desafio do Mapa de criar formas de “tangibilizar” a inovação, tornando-a acessível e fazendo com que agregue valor ao que é produzido por todos os agricultores no país, independente do seu porte.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 26 2024 La Niña levará chuva para as lavouras, mas traz alerta na colheita
Relatório indica que fenômeno deve ser de fraca intensidade, mas tem potencial de influenciar o ciclo das culturas agrícolas
A primavera começa com um La Niña no horizonte, o que pode significar mais demora para a chegada de chuvas regulares em importantes regiões produtoras do país.
Segundo a meteorologista Desirée Brandt, o fenômeno climático ainda está para se firmar, o que deve se concretizar no decorrer dos próximos meses.
Ela lembra que o último relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) aponta que o La Niña será de fraca intensidade. “Vamos começar a sentir os efeitos desse fenômeno apenas no início de 2025, então temos alguns alertas para o início do próximo ano”.
De acordo com ela, até lá as expectativas são boas. “Só pelo fato de a gente não ter o El Niño, não temos o risco da irregularidade [de chuvas]”, lembra.
A profissional afirma que o setembro deve terminar com instabilidades despertando entre o Sudeste e o Centro-Oeste do país. “A umidade da Amazônia vai começar a se espalhar um pouco mais, fazendo a conexão com os sistemas que avançarem pelo Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil e a gente precisa dessa umidade para que chova no interior do país”.
Segundo Desirée, ao longo de outubro, a umidade vai avançar gradualmente para importantes áreas produtoras do país. “Não vejo nenhuma quebra nessa evolução, só vejo evoluir tanto o volume de chuva quanto a abrangência dessa chuva nestas áreas que foram tão afetadas pelo fenômeno El Niño na última safra”.
La Niña traz um alerta
Para o início de safra, as expectativas são positivas. A meteorologista destaca que a chuva pode não vir de uma hora para outra, mas, a partir de outubro, ganham volume.
Contudo, há uma importante ressalva: “Com o La Niña, existe um risco que não podemos deixar de mencionar, que é o de invernada, o que pode atrapalhar no momento de colheita da safra, na logística, ou seja, atenção ao início de 2025, especialmente para o centro do país
De acordo com Desirée, o próximo La Niña deve ser de baixa intensidade e, também, durabilidade. “O fenômeno se consolida especialmente no último trimestre de 2024 e pode durar até o final do primeiro trimestre de 2025, depois, aos pouquinhos, começa a perder intensidade”.
Uma das dificuldades para a formação do La Niña é que as águas de grande parte do planeta estão muito aquecidas, inibindo o fenômeno, fato que está diretamente ligado às mudanças climáticas.
“Não dá para comparar o La Niña de agora com o de anos atrás. Temos outro cenário de forma global, visto que os oceanos de uma forma geral estão mais quentes do que o normal, o que acaba interferindo na evolução dos fenômenos climáticos”, considera a meteorologista.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 25 2024 Soja: produtores se preparam para início do plantio em Júlio de Castilhos (RS)
Na região, produtores realizam a dessecação das áreas para a semeadura do grão
O zoneamento agrícola permite o início do plantio da soja em Júlio de Castilhos, na região central do Rio Grande do Sul, a partir de 10 de outubro. Algumas propriedades já começam a semeadura nos primeiros dias da janela, embora o período mais intenso de plantio esteja previsto para iniciar a partir de 20 de outubro.
Atualmente, os primeiros produtores estão realizando a dessecação das áreas para preparar o solo para a nova cultura. Essa prática é fundamental para garantir um bom desenvolvimento do grão.
Área de plantio
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área destinada ao plantio da soja no município deve somar 104,2 mil hectares, dos quais apenas 1,8 mil hectares serão irrigados.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 24 2024 Milho: semeadura da safra verão começa a ganhar ritmo
Até o dia 15 de setembro, a semeadura da safra 2024/25 de milho alcançou 12% da área nacional, contra 9,7% na semana anterior e 15% ante 2023
A semeadura da safra verão começa a ganhar ritmo nas principais regiões produtoras do país, mesmo diante das adversidades climáticas registradas nas últimas semanas.
Até o dia 15 de setembro, a semeadura da safra 2024/25 de milho alcançou 12% da área nacional, contra 9,7% na semana anterior e 15% no mesmo período de 2023, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Os trabalhos de campo se concentram nos três estados da região Sul. Quanto aos preços do milho, levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que, com a demanda externa desaquecida, parte dos vendedores está mais flexível.
Assim, enquanto os valores apresentam quedas em regiões consumidoras, seguem firmes em outras praças acompanhadas pelo centro.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 24 2024 Aliadas do produtor: startups voltadas ao agronegócio crescem no Brasil
Dados apresentados no programa Soja Brasil revelam o crescimento de 15% no número de startups voltadas ao agronegócio no país
Atualmente, a tecnologia tem se mostrado uma aliada dos produtores que buscam resultados eficientes e sustentáveis no campo. O programa Soja Brasil acompanhou de perto o crescimento de startups voltadas ao agronegócio no Brasil. Entre 2022 e 2023, o número de startups voltadas para o agronegócio no país cresceu em 15%.Hoje, o Brasil conta com quase 2.000 startups que oferecem serviços variados para o agronegócio. Conforme a pesquisa Radar Agtech Brasil 2023, a maior concentração está nas regiões Sudeste e Sul. Destaca-se a cidade de São Paulo, que abriga 43,2% do total nacional e mais startups do que as seis próximas cidades do ranking.
Operação de startups
A pesquisa indica que, pela primeira vez, em 2023, o número de startups operando “dentro da fazenda” superou aquelas atuando “depois da fazenda”. Essa mudança pode ser atribuída à complexidade e à dificuldade que muitas startups enfrentam para se estabelecer no setor. Entre as categorias em destaque, estão as startups focadas em análise laboratorial, que requerem talentos e recursos específicos que nem sempre estão disponíveis.
Um exemplo de inovação é uma startup que desenvolveu uma plataforma capaz de desburocratizar o financiamento agrícola. Essa plataforma utiliza imagens de satélite e inteligência artificial para analisar as safras e o histórico de cada produtor, facilitando o acesso ao crédito e aprimorando a gestão agrícola.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 23 2024 Pesquisadores criam filme biodegradável que economiza fertilizante
Nanofibras de celulose foram adicionadas ao material para gerar mais resistência; objetivo é utilizá-lo em diversas culturas
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram, em parceria com um produtor de antúrios (planta de vaso ou flor de corte) de Holambra, no interior de São Paulo, um filme à base de algas e nanocelulose que substitui, com vantagens, o material importado usado pelo agricultor como recipiente para reproduzir a planta.
Isso porque o filme criado pelos brasileiros é capaz de liberar fertilizante lentamente no substrato. Com adaptações, poderá ser utilizado na reprodução de diversas culturas, além do ornamental antúrio.
“No caso do antúrio, nosso parceiro usa um recipiente fabricado por uma empresa estrangeira para reproduzir o tecido vegetal em laboratório. Essa empresa produz um papel e uma máquina. Outros empreendedores compram o papel e a máquina e fornecem esses vasinhos que, segundo ele, são muito caros”, explica Claudinei Fonseca Souza, do Grupo de Pesquisa em Engenharia de Água, Solo e Meio Ambiente da UFSCar, à Agência Fapesp.
Diferencial em relação ao importado
Em busca de um diferencial em relação ao produto importado, a equipe da UFSCar teve a ideia de usar a carragena (substância extraída de algas vermelhas) e o alginato (obtido de algas marinhas marrons) como meio para armazenar um fertilizante, o MAP (fosfato monoamônico, composto químico de fórmula NH₄H₂PO₄), amplamente empregado em diversas culturas.
“O desafio na utilização de polímeros como a carragena e o alginato está na obtenção de materiais com resistência, já que eles tendem a se dissolver rapidamente em contato com a água. Por isso, adicionamos nanofibras de celulose ao material, em diferentes concentrações, na expectativa de melhorar suas propriedades mecânicas, físicas, químicas e térmicas”, conta o pesquisador.
Assim, a equipe obteve um filme com o qual moldou vasinhos (de 4 centímetros de altura por 3,5 cm de diâmetro) que podem substituir aqueles tradicionalmente usados na reprodução da planta.
“Esse filme tem de manter a estrutura da planta, mas não pode oferecer resistência ao sistema radicular. Ou seja, tem de ser resistente, mas não muito. Por isso, fizemos o teste agregando de 1% até 5% de nanocelulose ao material. Obtivemos o melhor resultado com 4%. Nossa intenção agora é patentear o material e partir para testes com outras culturas”, adianta Souza.
Ele ressalta que a raiz tem dupla importância para a planta: primeiro, de suporte, e segundo na absorção de água e nutrientes.
“Ao conceber o material, não podemos esquecer de nenhuma delas. A partir desse filme com 4% de nanocelulose, passamos para o teste em campo, que ainda não foi publicado. Usamos uma técnica que consegue dar uma ideia do material liberado a partir da condutividade elétrica do solo. Fizemos também um teste de degradação. A cada 30 dias íamos até Holambra, coletávamos as plantas e fazíamos uma avaliação. E observamos que o material desaparece após 90 dias.”
De acordo com Souza, a liberação dos nutrientes acontece por diferença de potencial entre o material enriquecido com fertilizante e o substrato da planta, que não contém a substância.
“Estamos testando numa condição real, no campo, fazendo igualzinho o agricultor. Com amparo, portanto, da agronomia. Há técnicas pelas quais se consegue monitorar a liberação do material quase em tempo real.”
O trabalho, publicado na revista Cellulose, teve apoio da Fapesp por meio de Auxílio à Pesquisa Regular concedido à professora Roselena Faez, segunda autora do artigo.
Vantagens do filme
Em laboratório, os cientistas fizeram placas de 10×20 centímetros do material em uma impressora 3D de filamentos ABS (resina termoplástica derivada do petróleo, obtida a partir da combinação de três monômeros: acrilonitrila, butadieno e estireno). Depois, enrolaram o filme em um gabarito de aço redondo e colaram para formar os vasinhos.
“Nessas placas, conseguimos fazer umas ranhuras que facilitam a saída das raízes. E a própria raiz, depois que vai crescendo, faz uma espécie de reforço do material”, diz Souza.
Para ele, é perfeitamente possível produzir o filme em grande escala, pois o Brasil tem facilidade de acesso a algas e é o maior produtor de celulose do mundo.
“Só que, para chegar em escala, precisamos desenvolver essa parte final, analisar os resultados do trabalho de campo e patentear o material. Estamos procurando matérias-primas que existam em abundância e tenham preço bom, porque não adianta nada desenvolver um filme excelente e muito caro, que não chega ao agricultor.”
Souza ressalta que o filme à base de algas e nanocelulose tem diversas vantagens:
- Promove a economia de fertilizante, pois há menos perda por lixiviação (a alga segura os compostos, que não são levados pela chuva ou irrigação);
- Pode evitar a utilização de plástico, pois o filme também se presta a substituir as esferas de microplástico usadas pela agricultura em larga escala para liberação de fertilizantes.
“Utiliza-se a mesma técnica de inserção de fertilizante nas esferinhas de plástico, só que nosso material é biodegradável. Depois de 90 dias, ele praticamente desaparece.”
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 19 2024 Rio Grande do Sul: sinal verde para a semeadura da soja em breve!
A partir do dia 1º de outubro, os produtores podem iniciar a semeadura da soja na região
O estado do Rio Grande do Sul se prepara para o fim do vazio sanitário, programado para o dia 30 de setembro. A partir do dia 1º de outubro, os produtores podem iniciar a semeadura da soja na região. O Soja Brasil conversou com o presidente da Aprosoja-RS, Irineu Orth, que compartilhou as expectativas e projeções para a safra.
De acordo com o presidente, na região do Pampa e no norte do estado, o prazo de plantio é um pouco mais flexível, permitindo que os agricultores se adaptem às condições climáticas específicas de cada local. Essa flexibilidade é crucial, já que as variações climáticas podem influenciar diretamente o sucesso da safra.
Segundo o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, o estado ocupa a quarta posição no ranking de produção de soja em grãos no Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, Paraná e Goiás.
Chuvas à vista?
Atualmente, as chuvas ainda não deram as caras no sul do estado, mas isso não desanima os produtores. A expectativa é alta, já que muitos estão prontos para colocar a mão na terra e dar início a uma nova safra, com alta expectativa por um bom começo.
No entanto, a ausência de chuvas representa um desafio. Em várias regiões, a qualidade da colheita pode ficar comprometida, especialmente onde a umidade é fundamental para o desenvolvimento saudável da soja e do algodão. Por isso, a preocupação com as condições climáticas é constante, e os produtores devem estar de olho nas previsões.
O presidente explica que as chuvas costumam chegar em outubro e a expectativa para esta safra é promissora. O que resta, agora, é torcer para que o clima colabore e que os esforços dos produtores se transformam em colheitas de sucesso.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/