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maio 2026

  • Inicia período recomendado de plantio de trigo no RS

    Com área ainda em definição, a semeadura do trigo iniciou de forma incipiente no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais utilizados no Estado. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (21/5), apesar do início do plantio, o cenário para a próxima safra segue marcado por elevada cautela dos produtores, como reflexo da combinação de custos de produção elevados, maior restrição ao crédito rural, limitações na cobertura securitária e perspectiva de maior risco climático em função da possível atuação de El Niño durante o inverno e a primavera.

    Observa-se tendência de redução da área cultivada com trigo no RS, associada tanto à menor expectativa de rentabilidade quanto à substituição do trigo por outras alternativas de inverno, como canola, plantas de cobertura e sistemas com milho do cedo, seguido de soja safrinha. Também há indicativos de redução no nível tecnológico empregado, como aumento do uso de sementes próprias e menor demanda por sementes fiscalizadas.

    A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na Safra 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção de 3.458.083 toneladas, conforme o IBGE.

    Aveia branca – A semeadura de aveia-branca avançou conforme a liberação das áreas anteriormente ocupadas por culturas de verão. Em algumas regiões, houve antecipação da semeadura em relação ao período preferencial indicado pelo Zarc, buscando adequar o calendário produtivo para possibilitar implantação mais precoce de soja nessas áreas, na próxima safra. A tendência é de manutenção da área cultivada em relação à safra passada, quando o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE. As lavouras já emergidas apresentam bom estabelecimento inicial, população uniforme e satisfatório desenvolvimento vegetativo.

    Canola – A implantação de canola avança dentro da janela preferencial de semeadura. As lavouras implantadas estão em germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. As áreas mais precoces ingressam no estágio de roseta, e é realizada a adubação nitrogenada em cobertura e o manejo de plantas daninhas. Observa-se tendência de expansão da área cultivada no Estado, impulsionada pela busca de alternativas economicamente mais atrativas em relação aos cereais de inverno tradicionais. A área cultivada no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.

    Cevada – A cultura de cevada apresenta perspectiva de redução de área para a próxima safra, mesmo com a manutenção de oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira. A cautela dos produtores está associada à possibilidade de atuação de El Niño durante o inverno e a primavera. A maior frequência de precipitações nesse período eleva o potencial de perdas qualitativas, em especial nas fases de enchimento de grãos, maturação e pré-colheita, comprometendo parâmetros exigidos para malteação, como calibre, sanidade e qualidade industrial do grão. Nas áreas previstas para cultivo, predominam operações de preparo do solo e manejo antecedendo a semeadura. A área cultivada em 2026 está em levantamento. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha.

     

    Culturas de verão

    Soja – A colheita está em finalização, alcançando 98% da área cultivada. A predominância de tempo seco e a redução da umidade dos grãos favoreceram o avanço das operações, proporcionando maior fluidez e reduzindo a incidência de descontos por umidade nas unidades de recebimento e beneficiamento. De forma geral, a safra apresentou elevada variabilidade de rendimento entre regiões e, até mesmo, dentro de um mesmo município, refletindo a influência da distribuição irregular das chuvas, das características edáficas, do posicionamento de cultivares e do nível tecnológico empregado. Em áreas submetidas a déficit hídrico mais intenso entre janeiro e fevereiro, especialmente em solos rasos ou arenosos, ocorreram perdas significativas e formação irregular de plantas.

    As produtividades da soja variam de forma ampla no Estado, desde áreas abaixo de 1.000 kg/ha a lavouras superiores a 4.000 kg/ha, em especial nas cultivadas com variedades de ciclo intermediário e nas áreas irrigadas. Contudo, foram observadas diferenças expressivas de desempenho entre materiais genéticos submetidos ao mesmo manejo, evidenciando a importância da adaptação das cultivares aos ambientes de produção. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.

    Milho – A colheita do milho foi favorecida pela predominância de tempo seco e alcançou 96% da área cultivada. Restam lavouras tardias em maturação fisiológica (3%) e algumas em enchimento de grãos (1%), correspondente a semeaduras realizadas no período final do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Há desaceleração do desenvolvimento fisiológico das lavouras remanescentes em razão da redução das temperaturas e da menor disponibilidade de radiação solar nesta época do ano, o que prolonga o período de enchimento de grãos. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média estadual em 7.424 kg/ha.

    Milho silagem – A colheita do milho destinado à silagem está em fase final, alcançando 97% da área cultivada. Restam áreas de segunda safra em maturação. O material obtido apresenta, em alguns casos, menor qualidade bromatológica devido à perda de área foliar e à dessecação precoce das plantas. Em áreas de cultivo tardio, o frio também acelerou o encerramento do ciclo, levando produtores a anteciparem a colheita para preservar o valor nutricional da forragem. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica área de 345.299 hectares, e produtividade média de 37.840 kg/ha. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, a colheita atinge 97% da área cultivada, com produtividade média de 44.100 kg/ha de massa verde.

    Feijão 2ª safra – A cultura de segunda safra apresentou avanço da colheita, favorecida pelas condições de tempo seco, predominantes no período. As lavouras remanescentes se encontram em maturação e enchimento de grãos, mantendo, de modo geral, bom estado fitossanitário e produtividade dentro das estimativas iniciais. A qualidade dos grãos colhidos está satisfatória. A Emater/RS-Ascar projeta área de 11.690 hectares, e produtividade média de 1.401 kg/ha.

    Arroz – A colheita do arroz se encontra tecnicamente concluída no Rio Grande do Sul, favorecida pela sequência de dias secos e pela boa condição de trafegabilidade nas áreas produtoras. Restam apenas áreas pontuais de lavouras tardias em fase final de colheita. De maneira geral, a safra confirmou elevados níveis de produtividade, apesar da redução de rendimento em algumas áreas implantadas fora da janela preferencial, ou impactadas por eventos climáticos ao longo do ciclo. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a área cultivada é de 891.908 hectares. A produtividade está projetada em 8.744 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial

  • Trigo pode ganhar até 423 kg/ha com manejo fisiológico em ano de El Niño

    A implantação da safra de trigo começa em um cenário de maior atenção ao clima, com produtores ajustando o planejamento desde o início do ciclo. A expectativa de um El Niño mais intenso amplia o cuidado com períodos de chuva concentrada, janelas de restrição hídrica e oscilações de temperatura, fatores que interferem diretamente no estabelecimento da cultura e no perfilhamento.

    Para o responsável pelas operações da Elicit Plant Brasil, Felipe Sulzbach, a irregularidade climática reforça a necessidade de preparar a planta antes dos períodos mais críticos. Segundo ele, as lavouras que conseguem manter melhor equilíbrio fisiológico tendem a apresentar desenvolvimento mais uniforme e maior capacidade de sustentar o enchimento de grãos ao longo do ciclo. O executivo observa que o produtor tem adotado uma postura mais preventiva diante das últimas safras. “O cenário climático já entra no planejamento desde o início. O trigo sente bastante a combinação de chuva concentrada, restrição hídrica e variações de temperatura, principalmente nas fases que definem o potencial produtivo”, explica.

    Nas áreas acompanhadas pela empresa, a resposta das lavouras tratadas aparece principalmente em vigor inicial, emergência mais uniforme e maior estabilidade durante o ciclo. Conforme Sulzbach, esse comportamento ganha peso em anos de maior pressão climática, quando a regularidade de desenvolvimento passa a ser decisiva para reduzir perdas. Dados de centros de pesquisa citados pela Elicit Plant Brasil indicam incremento médio de 266 quilos por hectare com o uso de tecnologia frente ao manejo padrão. Em tecnologias em desenvolvimento, com abordagem mais avançada em elicitação fisiológica, os ganhos chegam a 423 quilos por hectare, o equivalente a cerca de sete sacas por hectare e avanço de até 11% no desempenho.

    A elicitação fisiológica busca estimular respostas naturais da planta para enfrentar situações de estresse abiótico, como falta ou excesso de água e variações de temperatura. No trigo, a empresa aponta que o manejo no período entre o alongamento e a fase que antecede a etapa reprodutiva contribui para manter área foliar ativa por mais tempo, melhorar o uso de água e nutrientes e sustentar o enchimento de grãos. Sulzbach ressalta que o ganho produtivo deve ser analisado junto com a estabilidade da lavoura. “Talvez mais importante do que o ganho absoluto seja a previsibilidade. Em um ano com influência de El Niño, a lavoura precisa responder de forma mais regular, porque isso reduz perdas ao longo do ciclo”, afirma.

    Segundo o responsável pelas operações da Elicit Plant Brasil, a construção da produtividade começa antes mesmo da semeadura. “Em um cenário de maior risco climático, não dá mais para trabalhar apenas de forma reativa. O produtor precisa preparar a planta para enfrentar os períodos de estresse e reduzir perdas durante o ciclo”, destaca Sulzbach.

    Além dos ganhos agronômicos, o retorno econômico tem entrado na avaliação do produtor. Com base nos resultados observados pela Elicit Plant Brasil, o uso de BomaFit, tecnologia da empresa, apresenta retorno sobre investimento superior a 3:1, ou seja, mais de R$ 3,00 para cada R$ 1,00 aplicado na tecnologia. Para Sulzbach, esse desempenho está ligado à redução de perdas por estresses abióticos e à maior previsibilidade da lavoura em anos de clima instável.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/noticias/

  • Confira como está o mercado de trigo do Sul

    O mercado de trigo no Sul do país segue sustentado por demanda ativa dos moinhos, oferta restrita de produto de melhor qualidade e impacto do câmbio sobre a competitividade das importações. Segundo informações da TF Agroeconômica, a alta do dólar voltou a elevar a paridade de importação no Rio Grande do Sul, pressionando os preços finais e reforçando a firmeza nas negociações internas.

    No mercado gaúcho, os moinhos continuam em busca de trigo de qualidade, produto que não tem sido encontrado com facilidade. Para lotes considerados bons, os preços podem chegar a R$ 1.500 por tonelada CIF, conforme a necessidade do comprador, com pagamento em 45 dias. Também foi observado aumento da procura por trigo branqueador, com bons volumes negociados. As coberturas de maio estão completas, enquanto junho é estimado em 50% coberto. Para a safra nova, a estimativa de volume negociado segue em 40 mil toneladas, sem novos relatos de vendas futuras. No balcão, o preço ao produtor subiu para R$ 64,00 por saca em Panambi.

    Em Santa Catarina, o mercado permanece como o mais estável da região Sul, recebendo ofertas do próprio estado, do Rio Grande do Sul e do Paraná. O trigo catarinense subiu para o mínimo de R$ 1.350 por tonelada FOB, para retirada e pagamento em 30 dias, com alguns negócios em pagamento semanal. No Paraná, as ofertas recuaram para a faixa de R$ 1.320 a R$ 1.350 por tonelada para trigo pão no Sudoeste. O trigo gaúcho aparece entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB para branqueador.

    No mercado de balcão catarinense, os preços ao produtor tiveram comportamento misto. Houve estabilidade em Canoinhas, Xanxerê, Chapecó e Joaçaba, enquanto Rio do Sul e São Miguel do Oeste registraram alta.

    No Paraná, os preços já se ajustaram a um novo patamar. O mercado segue firme, com ideias de venda entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada FOB e comprador a R$ 1.450 no moinho para junho, diante de poucas ofertas. O trigo branqueador tem referência em torno de R$ 1.450 FOB. Para a safra nova, as últimas referências ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB para setembro. Já o trigo argentino nacionalizado no porto tem ofertas entre US$ 290 e US$ 295, enquanto o trigo gaúcho é indicado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 FOB, mas encontra resistência dos moinhos paranaenses por causa dos custos logísticos e tributários.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Pecuária avança com maior produtividade

    O avanço da pecuária de corte no Brasil nas últimas décadas tem sido acompanhado por ganhos de produtividade que reduziram a necessidade teórica de ocupação de novas áreas para sustentar a produção atual de carne bovina. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, os dados da consultoria indicam que, de 1990 a 2025, o chamado efeito poupa terra na atividade soma 423 milhões de hectares.

    O levantamento mostra a evolução da produção de carne bovina, da área total de pastagens e da área poupada de desmatamento a partir do aumento de tecnologia desde o início dos anos 1990. Ao final de 2025, em um período marcado pela atenção à COP de Belém, os dados gerados pela Athenagro sobre esse efeito passaram a ser mais demandados.

    De acordo com Nogueira, as informações costumam receber críticas de ambientalistas quando são divulgadas. Ele destaca que o raciocínio em torno do efeito poupa terra é teórico e não representa uma medida direta de combate ao desmatamento. A proposta, segundo a análise, é demonstrar com dados que a pecuária brasileira cresceu apoiada em produtividade, e não em expansão de área.

    O cálculo parte da identificação da área que seria necessária para alcançar a produção atual de carne bovina caso a produtividade permanecesse no mesmo nível observado no início dos anos 1990. Nessa comparação, sem os ganhos tecnológicos incorporados ao longo do período, a pecuária brasileira precisaria ocupar 583 milhões de hectares para produzir a mesma quantidade de carne registrada em 2025.

    O gráfico elaborado pela Athenagro indica que a área poupada cresceu de forma consistente ao longo da série histórica, chegando a 397 milhões de hectares em 2024 e a 423 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a produção de carne bovina avançou, enquanto a área efetiva de pastagens se manteve em trajetória mais estável, reforçando a leitura de que o aumento produtivo ocorreu com maior eficiência no uso da terra.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Pesquisa gaúcha avança no controle biológico do carrapato bovino

    O avanço do carrapato bovino tem preocupado produtores rurais e especialistas em sanidade animal no Rio Grande do Sul. O aumento da resistência aos produtos químicos usados no combate ao parasita e as mudanças climáticas têm agravado o problema nas propriedades gaúchas. Diante desse cenário, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) aposta no controle biológico aplicado nas pastagens como alternativa para reduzir a infestação nos rebanhos.

    A médica veterinária e coordenadora de Defesa Sanitária Animal da Emater/RS-Ascar, Thaís Michel, explica que o trabalho de orientação aos produtores ocorre há mais de uma década em parceria com o IPVDF. Segundo ela, o foco da atuação envolve educação sanitária, capacitações técnicas, acompanhamento em propriedades e ações de monitoramento da resistência dos carrapatos aos carrapaticidas.

    De acordo com Thaís, o principal desafio atual é a perda da eficiência dos produtos químicos usados no controle do parasita. “Hoje, praticamente todas as propriedades já apresentam algum grau de resistência aos carrapaticidas. O uso repetido do mesmo princípio ativo e as aplicações fora do período adequado acabam selecionando e potencializando os carrapatos resistentes”, afirma.

    Ela destaca que o ciclo do carrapato favorece a rápida multiplicação da infestação. Cada fêmea pode depositar até três mil ovos no solo. Parte do ciclo ocorre no animal, mas a grande infestação se dá nas pastagens, onde os ovos se desenvolvem até o momento em que as larvas voltam a subir no gado.

    Segundo a veterinária, o clima também influencia no aumento da população do parasita. Os invernos menos rigorosos e os períodos prolongados de calor reduzem o intervalo natural de controle provocado pelas baixas temperaturas. “O frio intenso costumava interromper o ciclo do carrapato durante o inverno. Hoje, com essa instabilidade climática, esse período ficou menor e favorece a sobrevivência do parasita”, explica.

    Outro fator que contribui para a incidência da doença no Estado é o perfil genético dos rebanhos gaúchos. Raças taurinas, predominantes no Sul, apresentam maior suscetibilidade ao carrapato em comparação às raças zebuínas, mais comuns em outras regiões do país. Como estratégia, a orientação técnica inclui o cruzamento genético para aumentar a resistência natural dos animais.

    CONTROLE BIOLÓGICO EM ESTUDO

    Diante da limitação dos métodos tradicionais, o controle biológico passou a ganhar espaço nas pesquisas conduzidas pelo IPVDF. O médico veterinário, pesquisador e diretor do Instituto, José Reck, explica que o método utiliza microrganismos presentes no próprio solo para combater os carrapatos nas áreas de pastagem. “O controle biológico baseia-se no uso de inimigos naturais do parasito. Coletamos microrganismos do solo e identificamos aqueles com capacidade de eliminar os carrapatos, sem causar danos aos bovinos ou às pessoas”, relata.

    Após a seleção em laboratório, os fungos e bactérias são multiplicados em larga escala e aplicados nas pastagens em formulação líquida. A proposta é atingir justamente a fase do ciclo em que o carrapato permanece no ambiente, antes de retornar ao animal.

    José Reck afirma que a principal diferença em relação ao controle químico está no comportamento evolutivo dos organismos envolvidos. Enquanto os produtos químicos permanecem iguais ao longo do tempo, os microrganismos usados no controle biológico também evoluem, acompanhando as mudanças dos carrapatos. “Quando usamos drogas químicas repetidamente, acabamos selecionando os indivíduos resistentes. Já no controle biológico, microrganismos e carrapatos evoluem juntos”, explica.

    Os primeiros resultados obtidos em propriedades acompanhadas pelo IPVDF são considerados promissores. Segundo o pesquisador, áreas tratadas já apresentam redução na quantidade de carrapatos, embora os dados ainda estejam em fase de análise científica.

    A expectativa é que a tecnologia possa chegar aos produtores rurais nos próximos anos, por meio de empresas do setor de bioinsumos. “O papel do Instituto é validar a tecnologia. Depois disso, cabe ao setor privado produzir e levar essa solução até o campo”, afirma Reck.

    Enquanto a pesquisa avança, a Emater/RS-Ascar reforça junto aos produtores a importância do manejo preventivo, do uso correto dos produtos e da redução de produtos químicos no combate ao carrapato bovino. Para Thaís Michel, a nova tecnologia representa uma possibilidade concreta de mudança no enfrentamento de um problema que se intensifica a cada ano no Estado.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php

  • Genética bovina avança no início do ano

    O mercado de genética bovina iniciou 2026 com avanço no Brasil, sustentado pela maior comercialização de sêmen, pelo crescimento das exportações e pela ampliação do uso da inseminação artificial. No primeiro trimestre, mais de 5 milhões de doses foram movimentadas no mercado brasileiro, alta de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Index ASBIA, elaborado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial em parceria com o Cepea.

    O principal impulso veio da pecuária de corte. Nas vendas para cliente final, foram comercializadas 3.093.482 doses com essa aptidão, crescimento de 26,1% ante o primeiro trimestre de 2025. As exportações também avançaram de forma expressiva, com 83.590 doses embarcadas, aumento de 99,2% na comparação anual.

    Na aptidão leiteira, o mercado interno registrou 1.526.970 doses vendidas para cliente final, alta de 5,9% e maior volume já observado para o período na série histórica. Somadas as vendas diretas para corte e leite, a comercialização chegou a 4.620.452 doses, avanço de 18,7%. Considerando exportações e operações por prestação de serviço, o total de saída atingiu 5.074.895 doses.

    A entrada de doses no mercado também cresceu. Entre produção nacional e importações, foram 6.376.974 novas doses, aumento de 9,44%. As importações somaram 1.729.086 doses, alta de 54,7%, enquanto a produção nacional chegou a 4.647.888 doses, leve recuo de 1,3%. O relatório também mostra expansão da inseminação artificial, presente em 3.721 municípios, equivalentes a 66,8% das cidades brasileiras. As informações foram divulgadas recentemente.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Produção de trigo deve cair no Brasil e no mundo

    A produção de trigo deve recuar na safra 2026/27, tanto no Brasil quanto no mercado internacional. Segundo dados divulgados pelo USDA, a colheita global pode cair 2,9% frente à temporada anterior, enquanto, no Brasil, a Conab revisou a estimativa para 6,38 milhões de toneladas, em meio à redução de área e produtividade.

    De acordo com levantamento do USDA, a produção mundial de trigo na safra 2026/27 deve registrar queda de 2,9% em relação ao ciclo 2025/26. O movimento ocorre em um cenário de consumo praticamente estável, estimado em 823,23 milhões de toneladas, retração de 0,04% frente à temporada anterior.

    Ainda conforme os dados divulgados pelo Departamento, os estoques finais globais devem recuar 1,5%. Com isso, a relação estoque/consumo deve ficar em 33,4%, indicador acompanhado pelo mercado por sinalizar o nível de disponibilidade do cereal diante da demanda.

    A combinação entre menor produção e estoques mais ajustados tende a manter o setor atento ao comportamento da oferta internacional, especialmente em países dependentes de importações ou com menor margem de recomposição interna.

    No Brasil, o cenário também aponta para redução da oferta. Segundo a Conab, a produção brasileira de trigo em 2026 foi revisada para 6,38 milhões de toneladas, volume 18,9% inferior ao registrado na safra de 2025.

    A queda reflete, principalmente, a menor área cultivada no Paraná e no Rio Grande do Sul, dois dos principais estados produtores do cereal no País. De acordo com a companhia, a área nacional deve somar 2,14 milhões de hectares, baixa de 12,5% na comparação com a temporada passada. Além da redução de área, a produtividade média também deve cair. Conforme a Conab, o rendimento nacional está estimado em 2.985 kg por hectare, retração de 7,3% no comparativo anual.

    No campo, o plantio já começou em parte das regiões produtoras. Até 8 de maio, 17,5% da área destinada ao trigo no Brasil havia sido semeada, segundo a Conab. No Paraná, dados da Seab/Deral apontam avanço mais acelerado. O órgão estadual informou que 35% da área prevista já havia sido implantada, com 100% das lavouras classificadas em boas condições.

    No Rio Grande do Sul, os produtores seguem preparando as áreas. No entanto, o material aponta tendência de redução da área cultivada diante do aumento dos custos de produção, das restrições de crédito e das limitações no seguro agrícola.

    A perspectiva de menor produção de trigo no Brasil e no exterior reforça a necessidade de planejamento ao longo da cadeia. Para produtores, a redução de área e produtividade evidencia um ambiente mais pressionado por custos e risco climático. Para moinhos e compradores, estoques globais menores podem ampliar a atenção sobre disponibilidade e estratégias de compra.

    O comportamento da safra nos próximos meses será decisivo para indicar se a retração projetada se confirma e qual será o impacto sobre abastecimento, importações e formação de preços no mercado brasileiro.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

     

  • Produtor colhe mais, mas pode ganhar menos

    O agronegócio brasileiro mantém alta capacidade produtiva, mas a rentabilidade depende de leitura ampla dos mercados. Segundo Ricardo leite, especialista em agronegócios, a safra de grãos 2025/26 está estimada pela Conab em cerca de 358 milhões de toneladas, com destaque para soja, milho, arroz, trigo, sorgo, feijão e algodão.

    O volume reforça a força do país no campo, mas não garante margem. O cenário das commodities exige atenção a clima, câmbio, custos, estoques, exportações, demanda global e fundos nas bolsas.

    Na soja, o Brasil segue central no comércio global, mas preços são sensíveis à relação entre China e Estados Unidos. Mudanças nas compras chinesas, prêmios de exportação ou competitividade entre origens podem alterar o mercado. No milho, a segunda safra é decisiva para abastecimento interno, exportações e etanol, enquanto plantio norte-americano e oferta sul-americana influenciam Chicago.

    No algodão, o país ganha protagonismo internacional, embora siga exposto ao consumo global e à demanda asiática. No café, safra brasileira, colheita, estoques e exportações seguem determinantes. No trigo, clima nos Estados Unidos, oferta global, custos e concorrência do importado pesam sobre o plantio. No arroz, a safra nacional pressiona preços, com câmbio e mercado externo calibrando o movimento

    O produtor decide cada vez mais pela margem. Isso exige gestão de custos, planejamento comercial, proteção de preços, crédito, caixa e armazenagem. A produtividade segue como vantagem, mas a rentabilidade dependerá da qualidade da decisão.

    “Em um ambiente de safras relevantes e mercados voláteis, a informação deixou de ser apenas acompanhamento. Passou a ser instrumento de gestão. A produtividade continuará sendo uma vantagem competitiva do agro brasileiro. Mas a rentabilidade dependerá, cada vez mais, da qualidade da decisão”, conclui.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Dólar e demanda global sustentam preços da soja no Brasil

    A soja ganhou sustentação no mercado interno na semana passada, impulsionada pela valorização do dólar e pela expectativa de maior participação do Brasil no abastecimento global, segundo dados divulgados pelo Cepea. O movimento ocorre em meio a projeções de safra mundial recorde e demanda firme por farelo e óleo de soja.

    A valorização do dólar estimulou as negociações e ajudou a sustentar os preços da oleaginosa no mercado doméstico na semana passada, de acordo com levantamento do Cepea. O cenário internacional também contribuiu para manter as cotações firmes. Conforme o material divulgado pelo Cepea, as expectativas de forte demanda global por farelo e óleo de soja seguem dando suporte aos preços externos, mesmo diante da pressão sobre os embarques dos Estados Unidos.

    Relatório divulgado pelo USDA, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, no último dia 12, aponta que a produção mundial de soja deve atingir novo recorde na safra 2026/27. Segundo os dados do USDA, a colheita global deve passar de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas. O avanço reforça a perspectiva de maior oferta mundial, mas não elimina o suporte vindo da demanda por derivados da oleaginosa.

    Brasil amplia protagonismo no abastecimento global

    O Brasil deve seguir como principal produtor mundial de soja. De acordo com o relatório do USDA, a participação brasileira está estimada em 42,1% da produção global na safra 2026/27. A projeção indica aumento da colheita nacional de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 186 milhões de toneladas em 2026/27. O crescimento reforça o peso do país na formação da oferta internacional e nas negociações globais da commodity.

    No mercado doméstico, a Conab também projeta crescimento da produção brasileira de soja. De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento, a safra atual, 2025/26, deve alcançar 180,13 milhões de toneladas. O volume é 0,5% superior ao projetado em abril e 5% maior que o registrado na temporada anterior, segundo dados divulgados pela Conab.

    Com o dólar valorizado, demanda global firme e o Brasil ampliando sua presença no abastecimento mundial, o mercado da soja segue atento ao ritmo das negociações internas e aos sinais vindos do exterior. Apesar da expectativa de oferta recorde, a força do consumo global de farelo e óleo de soja mantém sustentação às cotações internacionais, enquanto o desempenho brasileiro ganha ainda mais relevância para produtores, exportadores e indústrias.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Produtor deve agir cedo contra deficiência de zinco no milho

    A deficiência de Zinco no milho pode aparecer ainda no crescimento vegetativo e comprometer altura de plantas, área foliar e formação de espigas. Entre agosto e maio, período de cultivo intenso em estados como BA, GO, MG, MS, MT, PI, PR e RS, o diagnóstico rápido no campo ganha importância para reduzir perdas e orientar ações corretivas.

    Zinco é decisivo no arranque do milho

    O milho é uma cultura altamente exigente em zinco, micronutriente associado à síntese de hormônios de crescimento, formação de enzimas e manutenção das membranas celulares. De acordo com informações técnicas divulgadas em publicações da Embrapa, universidades e literatura científica sobre nutrição mineral, a falta de zinco em solos tropicais intemperizados pode limitar a resposta da lavoura às adubações com nitrogênio, fósforo e potássio.

    O risco aumenta em áreas de produção intensiva, com cultivares de alto potencial produtivo, solos arenosos, baixo teor de matéria orgânica, pH mais elevado ou histórico de doses altas de fósforo.

    Sintomas aparecem cedo no vegetativo

    A deficiência de zinco no milho costuma se manifestar entre os estádios iniciais e o fim do crescimento vegetativo, fase em que a planta forma folhas, alonga o colmo e define parte do potencial reprodutivo. Os primeiros sinais incluem plantas menores, internódios curtos, folhas estreitas, curtas e mais eretas. Um dos sintomas mais característicos é a clorose em faixas longitudinais entre as nervuras, enquanto as nervuras permanecem verdes.

    Em casos mais severos, as áreas amareladas podem evoluir para manchas esbranquiçadas e necrose. Também é comum observar desuniformidade no estande, com plantas atrasadas em relação às demais.

    O material técnico alerta que esses sintomas podem ser confundidos com desequilíbrios de nitrogênio, ferro, manganês ou fitotoxidez de herbicidas. Por isso, o diagnóstico visual não deve ser usado isoladamente.

    Solo, clima e manejo aumentam o risco

    Segundo informações técnicas reunidas no material original, a deficiência de zinco tende a ser mais frequente em solos com baixo teor natural do nutriente, especialmente os arenosos ou muito intemperizados. O pH mais elevado também reduz a disponibilidade de zinco, principalmente em áreas com calagem recente ou próximas ao limite superior recomendado para o milho.

    Outro ponto de atenção está nas altas doses de fósforo aplicadas no sulco. Em sistemas com histórico de adubação fosfatada intensa, a disponibilidade de zinco pode cair se não houver suplementação adequada. Entre agosto e maio, fatores climáticos também pesam. Baixa temperatura do solo no início do ciclo, excesso de chuva em solos arenosos e veranicos no vegetativo podem reduzir a absorção do nutriente pelas raízes.

    Diagnóstico deve combinar campo e análise

    O diagnóstico rápido começa pela inspeção visual da lavoura. A recomendação é caminhar por diferentes pontos do talhão, observar se os sintomas aparecem em faixas, reboleiras ou áreas inteiras e relacionar o problema ao histórico de solo e adubação. A análise de solo é a principal ferramenta preventiva. Os resultados devem ser interpretados conforme extratores e faixas de suficiência adotados por instituições de pesquisa, como Embrapa e universidades.

    Quando possível, a análise foliar ajuda a confirmar a suspeita durante o vegetativo. A coleta deve seguir o protocolo indicado pelo laboratório, considerando tipo de folha, número de plantas e acondicionamento das amostras. Em situações de dúvida, testes em pequenas faixas com aplicação localizada de zinco podem auxiliar a tomada de decisão, mas não substituem análise técnica e acompanhamento agronômico.

    Falta de zinco reduz eficiência da lavoura

    A deficiência moderada de zinco durante o vegetativo pode gerar impactos que nem sempre são revertidos com correções tardias. Entre os efeitos apontados estão menor área foliar, redução da fotossíntese, espigas menores, menos fileiras de grãos, maior variabilidade de plantas e risco de acamamento.

    Também há perda de eficiência no uso de outros nutrientes. Plantas com deficiência de zinco tendem a aproveitar pior o nitrogênio e o fósforo aplicados, o que reduz o retorno do investimento em fertilidade.

    Em áreas com deficiência intensa, as perdas de produtividade podem ser expressivas, sobretudo em sistemas de alto investimento.

    Correção exige estratégia preventiva e ação rápida

    O manejo deve começar antes da semeadura, com avaliação do risco por análise de solo, histórico da área, textura, calagem, adubações anteriores e exigência da cultivar. Quando os teores de zinco são baixos, a correção via solo é considerada a estratégia mais duradoura. As alternativas incluem fertilizantes fosfatados com zinco, fontes específicas aplicadas na linha ou em área total e ajuste de doses conforme textura e expectativa de rendimento.

    Como o zinco tem baixa mobilidade no solo, aplicações próximas às raízes jovens tendem a ser mais eficientes.

    O tratamento de sementes com zinco pode favorecer emergência e vigor inicial, principalmente em solos frios ou com baixa disponibilidade do nutriente. No entanto, ele não substitui a adubação de solo em áreas com deficiência estrutural.

    Quando a deficiência já está visível no vegetativo, aplicações foliares podem ajudar a minimizar perdas. A eficiência é maior quando a intervenção ocorre nos estádios iniciais, antes do fechamento da entrelinha.

    As aplicações devem seguir rótulo, bula e receituário agronômico, respeitando concentração e volume de calda para evitar fitotoxidez.

    Manejo integrado reduz recorrência

    A correção da deficiência de zinco no milho não deve ser tratada de forma isolada. O equilíbrio depende de manejo da calagem, aumento da matéria orgânica, rotação de culturas, cobertura do solo e ajuste da adubação fosfatada.

    A escolha de cultivares adaptadas a ambientes com maior risco de deficiência de micronutrientes também pode contribuir para reduzir problemas em ciclos futuros.

    O monitoramento deve ser intensificado até 6 a 8 folhas definitivas, principalmente em áreas com histórico de deficiência, solos arenosos, baixa matéria orgânica ou altas doses de fósforo. A recomendação final é registrar sintomas, intervenções e respostas da lavoura. Esses dados ajudam o produtor e a assistência técnica a refinar o plano de fertilidade nas próximas safras.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/