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outubro 2026

  • RS contabiliza mais de 20 mil hectares de plantio antecipado da soja

    A solicitação para antecipação de plantio da soja no Rio Grande do Sul foi feita por 127 propriedades de 35 municípios gaúchos, totalizando 20.462,8 hectares. Em setembro, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) disponibilizou aos produtores um formulário para fazer esse pedido, que autorizou o plantio a partir de 15 de setembro, duas semanas antes do início do calendário regular da cultura no estado.

    O procedimento foi estabelecido pela Seapi em conformidade com a Portaria SDA/Mapa 1.124/2024, de 25 de junho de 2024, mediante excepcionalização ao calendário de semeadura estabelecido no Estado. Para solicitar a antecipação, o produtor teve que apresentar um plano de manejo da ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e considerada uma das principais ameaças fitossanitárias à cultura da soja.

    A possibilidade de antecipação atende a uma demanda dos produtores gaúchos, principalmente da região de Santa Rosa. As dificuldades climáticas registradas nas últimas safras têm prejudicado o estabelecimento inicial das lavouras, causando replantio e impactos no desempenho das áreas cultivadas.

    “Identificamos que há demanda para antecipação da semeadura da soja na faixa oeste, muito em virtude da condição hídrica das lavouras durante a floração. O Departamento de Defesa Vegetal está monitorando as condições de ocorrência da ferrugem asiática nesses municípios e a Emater fará o acompanhamento da produtividade”, contou o diretor do DDV/Seapi, Ricardo Felicetti.

    A Seapi alerta que os plantios realizados de forma antecipada não estão amparados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Dessa forma, eventuais sinistros nessas áreas não terão cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php

  • Inicia emergência da soja no RS

    A semeadura de soja da Safra 2026/2027 no Rio Grande do Sul segue limitada pelas chuvas frequentes, pela elevada umidade do solo e pelo reduzido acesso de máquinas, e se concentra nos locais com autorização para a semeadura antecipada, ou que não estão sujeitos às restrições de financiamentos referentes às normas do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Na maior parte do Estado, quando possível, os produtores priorizaram a dessecação de plantas de cobertura e prepararam as áreas, enquanto aguardam condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar a implantação das lavouras. Essa cautela também está relacionada ao risco de necessidade de ressemeadura após as precipitações intensas, considerando os custos envolvidos no estabelecimento da cultura.

    De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (15/10) pela Emater/RS-Ascar, na região de Santa Rosa estima-se que 6% da área projetada, de 786.234 hectares, tenha sido semeada. As primeiras lavouras implantadas se concentram em áreas anteriormente em pousio e em propriedades sem vinculação a financiamentos sujeitos às normas do Zarc, utilizando recursos próprios. No RS, a Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares e produtividade de 3.183 kg/ha. A produtividade esperada para a região Noroeste é de 3.215 kg/ha.

    Na região de Pelotas, as primeiras lavouras de soja foram implantadas em Herval, Canguçu e Piratini. Grande parte das áreas destinadas à cultura continua ocupada por pastagens, e os produtores vêm retirando gradualmente os animais, realizando a dessecação e a preparação das áreas para a semeadura. A projeção de plantio é de 515.970 hectares e a produtividade estimada em 2.606 kg/ha. Já na região de Soledade, a semeadura da soja avançou em ritmo reduzido. Muitas áreas já estão dessecadas e preparadas para receber as sementes. Conforme o calendário do Zarc, o período de implantação se estende até 28/01/2027. Estima-se o cultivo de 487.640 hectares e produtividade de 3.275 kg/ha.

    Milho – A semeadura de milho alcança 76% da área projetada para esta safra no RS, que é de 896.401 hectares. As chuvas frequentes, a elevada umidade do solo, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm restringido o acesso das máquinas e retardado o desenvolvimento inicial das lavouras na maior parte do Estado. A baixa disponibilidade de radiação solar limitou o crescimento das plantas, e os elevados volumes de precipitação podem favorecer a lixiviação de nutrientes. Além disso, os temporais com granizo e ventos fortes provocaram danos em lavouras estabelecidas, comprometendo o estande no Noroeste do Estado. Contudo, parte das lavouras apresenta recuperação satisfatória após os danos iniciais.

    Milho silagem – A semeadura evoluiu apenas 3% nos últimos dias, alcançando 53% da área prevista para o Estado, que é de 369.389 hectares. As chuvas frequentes, a elevada umidade do solo, a baixa disponibilidade de radiação solar e as temperaturas amenas têm restringido as operações e retardado o desenvolvimento inicial em algumas áreas. Nas lavouras estabelecidas predominam os estágios vegetativos, que correspondem a 99% da área implantada, e menos de 1% iniciou a floração. A Emater/RS-Ascar estima para o milho silagem uma produtividade média de 38.392 kg/ha.

    Arroz – A semeadura de arroz irrigado prossegue em ritmo diferenciado entre as regiões produtoras, sendo mais expressiva na Fronteira Oeste e no Sul. Já na Região Central e Litoral, as chuvas volumosas das últimas semanas restringiram o preparo do solo e a implantação das lavouras. No Estado, aproximadamente um terço da área foi semeada. O excesso hídrico dificultou as operações e provocou alagamentos, danos em taipas e problemas no estabelecimento inicial nos talhões já semeados. Em áreas de várzea próximas a cursos d’água, as inundações elevam a preocupação com a continuidade do plantio e com a manutenção da área cultivada prevista para a safra. A área projetada de cultivo pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) para a Safra 2026/2027 alcança 861.779 hectares, e a produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 kg/ha.

    Feijão 1ª safra – A semeadura de feijão da 1ª safra avançou pouco, condicionada pela elevada umidade do solo e pelas condições de acesso às áreas. Estima-se que aproximados 20% da área prevista, que é de 24.587 hectares, foram semeados. O estabelecimento da cultura ocorre de forma satisfatória, mas há registro de redução das áreas comerciais em algumas regiões. Nas lavouras mais precoces, estão em andamento as operações de adubação em cobertura.

    CULTURAS DE INVERNO
    Trigo – A colheita de trigo avança para 9% da área plantada, de forma irregular e com interrupções em função das chuvas. A dessecação para a uniformização da maturação foi utilizada para antecipar a retirada das lavouras e para a manutenção da qualidade dos grãos, embora a colheita com maior umidade eleve os custos operacionais nas unidades de beneficiamento e secagem. As estimativas regionais de produtividade apresentam variações, mas há indicativo de redução em diversas áreas. Já as lavouras com melhor manejo ou não afetadas por eventos climáticos, ainda mantêm potencial produtivo satisfatório.

    Nas áreas de trigo em fase reprodutiva (50%), o excesso de chuvas, a manutenção da umidade do ar e a baixa disponibilidade de radiação solar têm prejudicado o enchimento de grãos, com reflexos negativos sobre o rendimento e a qualidade do produto. Em lavouras próximas à colheita (40%), são observados descoloração da palha e enrugamento dos grãos, o que aumenta os riscos de redução do peso hectolitro (PH) e de outros parâmetros comerciais. Na região de Santa Rosa, 1% das lavouras de trigo está em floração, 33% em enchimento de grãos, 53% maduras e 13% colhidos. Os temporais com granizo e ventos fortes provocaram acamamento, quebra de espigas e debulha, sobretudo em lavouras maduras ou próximas da colheita. Os produtores seguem muito preocupados com a redução do PH e com os custos de secagem. Nas áreas atingidas, eles acionaram o Proagro e os seguros privados, e seguem as vistorias para a avaliação dos danos.

    Aveia-branca – Os cultivos de aveia-branca estão se aproximando do final do ciclo, e 30% da área está em enchimento de grãos, 48% em maturação e 22% colhidos. O padrão produtivo está variável entre as regiões: há lavouras com resultados satisfatórios, e outras afetadas por eventos climáticos recentes, que provocaram acamamento, debulha das panículas e perdas de produtividade. Em algumas áreas, a baixa qualidade dos grãos tem dificultado a comercialização para a indústria, levando à destinação para a alimentação animal. A estimativa estadual de área cultivada é de 387.697 hectares, e a produtividade média projetada em 2.322 kg/ha.

    Canola – As lavouras estão em maturação e colheita. O encerramento do ciclo em um período de excesso de precipitações e de elevada umidade impactou de forma negativa as operações de colheita, aumentando os riscos de germinação dos grãos ainda nas síliquas e os custos de secagem. Há diferenças expressivas entre lavouras e municípios, relacionadas às condições ambientais, ao nível de investimento e ao manejo adotado. Em algumas áreas severamente atingidas, a produtividade projetada pode não compensar os custos de colheita, enquanto outras mantêm rendimentos próximos das expectativas iniciais. A área cultivada no Estado está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média projetada em 1.619 kg/ha.

    Carinata – A cultura está em enchimento de grãos e maturação. A colheita foi efetuada em aproximadamente 5% das áreas. Os temporais com granizo e ventos fortes provocaram o acamamento e a queda de síliquas, comprometendo componentes de rendimento. As perdas podem ser expressivas nos locais mais atingidos. A área estimada de plantio pela Emater/RS-Ascar é de 12.365 hectares.

    Cevada – A cevada se encontra em enchimento de grãos (40%) e maturação (22%), sob condições de elevada umidade, que aumenta a preocupação com a qualidade industrial. A colheita está em fase inicial e abrange menos de 2% da área. Apesar do satisfatório potencial produtivo e das condições sanitárias, as chuvas frequentes podem comprometer os parâmetros de qualidade exigidos pela indústria cervejeira, especialmente a capacidade germinativa dos grãos. Os resultados finais dependerão da evolução da maturação e das condições meteorológicas até a colheita. A área de cultivo estimada é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha.

    CRIAÇÕES
    BOVINOCULTURA DE CORTE – Nas áreas de integração lavoura-pecuária, a destinação de áreas para o cultivo de soja tem exigido o remanejo de bovinos que ainda não atingiram peso e acabamento adequados para o abate. As parições estão em andamento, com terneiros em bom desenvolvimento e matrizes em condições corporais satisfatórias em algumas regiões. Prosseguem os manejos pré-acasalamento, como vacinação reprodutiva, exames andrológicos e protocolos de inseminação artificial em tempo fixo. O tempo chuvoso tem demandado atenção adicional com os recém-nascidos.

    BOVINOCULTURA DE LEITE – O manejo dos bovinos leiteiros foi dificultado pelas chuvas frequentes e pela elevada umidade, que aumentam a formação de barro nas áreas de circulação e de alimentação e afetam a manutenção das camas secas nos sistemas confinados, exigindo cuidados adicionais com a sanidade dos animais. Em algumas propriedades, a falta de energia elétrica comprometeu a ordenha e a conservação do leite, elevando os custos operacionais. Os vendavais do período geraram demandas por crédito para a reconstrução de estruturas danificadas. Apesar das dificuldades, as temperaturas mais amenas favoreceram o bem-estar animal, e as parições seguiram nos rebanhos leiteiros.

    OVINOCULTURA – Os nascimentos têm evoluído de forma satisfatória. Há elevado percentual de parições concluídas, além de cordeiros em desenvolvimento adequado e matrizes com condição corporal satisfatória em diversas localidades. A oferta de pastagens tem favorecido a alimentação dos rebanhos, apesar de a elevada umidade decorrente das chuvas frequentes ter afetado o manejo e aumentado a necessidade de cuidados sanitários, especialmente com os cascos e a higiene das instalações. Está em andamento a seleção de matrizes e de borregas para reposição, desmame e manejo sanitário. Porém, a umidade tem provocado atrasos pontuais na esquila e na assinalação.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php

  • Gadolando alerta para alta de custos do leite com excesso de chuvas no RS

    Entidade cita dificuldades na formação de pastagens, no preparo das lavouras e no plantio de milho para silagem em meio à queda no preço de referência do leite.

    A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) afirmou nesta quarta-feira (14) que o excesso de chuvas no Estado pode elevar os custos de produção de leite nos próximos meses. Segundo a entidade, as condições climáticas dificultam a formação de pastagens e a produção de alimentos para o rebanho em um momento de recuo no preço de referência da matéria-prima.

    Em nota, a Gadolando manifestou preocupação com a possibilidade de novas quedas no preço do leite ao produtor. O presidente da entidade, Marcos Tang, disse que havia expectativa de maior estabilidade até o fim do ano e afirmou esperar que não ocorra uma queda substancial.

    De acordo com Tang, as chuvas excessivas prejudicam o preparo das lavouras, dificultam a entrada de máquinas no campo e atrasam o plantio do milho usado na produção de silagem. As condições também afetam a produção de feno, o que, segundo a entidade, compromete o planejamento alimentar dos animais.
    Fonte: http://canalrural.com.br/
  • Fertirrigação exige cuidado para dar resultado

    A fertirrigação aplica fertilizantes solúveis pela água de irrigação. No gotejamento, a solução chega à região das raízes ativas em doses menores e frequentes. O parcelamento permite ajustar a nutrição às fases da cultura, ao solo e ao clima, reduzindo o risco de deficiência e de perdas.

    O manejo correto pode melhorar a uniformidade das plantas e a qualidade comercial da produção, além de reduzir operações mecanizadas e desperdícios. O retorno tende a ser mais expressivo em culturas de maior valor agregado ou quando os fertilizantes têm peso relevante nos custos.

    A implantação exige análises do solo e da água, avaliação de vazão, pressão e uniformidade do sistema, além de fertilizantes solúveis e compatíveis. Também é necessário definir doses por fase de desenvolvimento e acompanhar a resposta da lavoura. Esses cuidados ajudam a evitar entupimentos, salinidade e distribuição inadequada de nutrientes.

    “Entretanto, a tecnologia exige planejamento. Não existe boa fertirrigação sem sistema uniforme, qualidade da água conhecida, fertilizantes compatíveis e acompanhamento técnico. Quando bem conduzida, a fertirrigação deixa de ser apenas uma opção de manejo e passa a ser uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência e a rentabilidade da propriedade”, conclui.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • El Niño: calor pode reduzir produtividade mesmo com chuva na safra 2026/27

    O produtor de soja terá de acompanhar não apenas o volume de chuva, mas também as temperaturas e a distribuição das precipitações durante a safra 2026/27. Com o avanço do El Niño, algumas regiões podem enfrentar excesso de umidade, enquanto outras devem ter chuva abaixo da média e calor intenso. Mesmo quando chove, as temperaturas elevadas podem acelerar o ciclo da cultura e comprometer a produtividade.

    Em entrevista ao Radar Rural, videocast do Canal Rural, o meteorologista Artur Müller destacou que o calor é um dos principais pontos de atenção para o Brasil Central. Segundo ele, não é necessário que uma região enfrente uma onda de calor para registrar temperaturas acima de 40 °C.

    O cenário exige atenção principalmente nas áreas de sequeiro, que dependem das chuvas para o desenvolvimento das lavouras. Além de aumentar a perda de água do solo, as temperaturas elevadas podem prejudicar o desenvolvimento das plantas e favorecer a pressão de pragas.

    Calor pode acelerar o ciclo da soja

    A combinação entre temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer o desenvolvimento da soja, mesmo em regiões que recebem precipitações ao longo da safra.

    De acordo com Müller, o calor aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a água é transferida do solo e das plantas para a atmosfera. Com isso, a umidade disponível pode diminuir mais rapidamente, especialmente quando as chuvas são insuficientes ou mal distribuídas.

    “Isso deve acelerar o ciclo do cultivo, diminuir a produtividade. Se não tem uma boa palhada, aumenta a evapotranspiração”, explicou.

    O meteorologista também chamou a atenção para as temperaturas durante a noite. Noites mais quentes podem favorecer uma maior pressão de pragas nas lavouras, acrescentando outro fator de preocupação para o produtor.

    Por isso, a análise das condições climáticas precisa considerar mais do que o acumulado de chuva. A distribuição das precipitações, a temperatura e a capacidade de retenção de água do solo também influenciam o resultado da safra.

    Quais regiões exigem mais atenção?

    Os efeitos do El Niño não devem ser iguais em todo o país. Segundo Müller, a tendência é de condições mais secas e quentes em parte do Norte, do Nordeste e do Brasil Central, enquanto áreas do Sul e do Sudeste podem registrar volumes elevados de chuva.

    No extremo norte de Minas Gerais, em direção ao Matopiba, a combinação de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas merece atenção. O meteorologista citou projeções de volumes inferiores a 100 milímetros em 30 dias em algumas localidades, condição que pode prejudicar o desenvolvimento da soja.

    “Isso é um problema, porque não vai desenvolver bem essa soja”, afirmou.

    Em outras áreas do Brasil Central, a situação pode ser menos crítica, com volumes de chuva que ainda permitam o desenvolvimento das lavouras, embora abaixo do ideal. Müller ressaltou, porém, que a situação varia de uma região para outra e que os produtores precisam acompanhar as condições específicas de suas propriedades.

    No Norte, a preocupação também envolve os impactos da estiagem sobre os rios. Mesmo com previsão de chuva em áreas de Acre e Rondônia, os volumes podem não ser suficientes para recompor as bacias hidrográficas, o que representa um risco para a logística de escoamento da safra pelo Arco Norte.

    Já no Sul, o principal ponto de atenção é o excesso de precipitação. O Rio Grande do Sul tem características de solo que, segundo o meteorologista, podem agravar os efeitos tanto da chuva excessiva quanto de períodos prolongados sem precipitação.

    Além do risco de alagamentos, o El Niño pode favorecer temporais com granizo, rajadas intensas de vento e outros fenômenos capazes de provocar danos às lavouras.

    Müller ponderou, contudo, que estar em uma área de risco não significa que determinado evento climático necessariamente ocorrerá. A confirmação depende do acompanhamento das previsões de curto prazo.

    Excesso de chuva também pode atrasar o plantio

    Enquanto algumas regiões precisam de mais precipitação, outras podem enfrentar dificuldades para avançar com a semeadura justamente por causa do excesso de umidade no solo.

    Durante a entrevista, o meteorologista citou o Paraná como exemplo de como as condições podem variar dentro de um mesmo estado. Segundo ele, áreas do Centro-Leste paranaense estavam mais adiantadas no plantio, enquanto regiões do Oeste enfrentavam mais dificuldades em razão dos temporais e das chuvas frequentes.

    “Conforme o produtor consegue colocar o maquinário em campo e tem umidade, vai avançando”, explicou.

    A situação mostra por que os números gerais de plantio precisam ser interpretados com cautela. Mesmo quando o avanço da semeadura está acima do registrado na safra anterior, as condições podem ser bastante diferentes entre municípios e regiões produtoras.

    Müller também alertou para a possibilidade de atraso no Paraná diante da previsão de novos volumes elevados de chuva. O excesso de precipitação pode dificultar a entrada das máquinas nas áreas de cultivo e comprometer o ritmo dos trabalhos no campo.

    Produtor deve acompanhar previsões e condições da propriedade

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, Müller recomendou o uso de ferramentas que permitam acompanhar as condições meteorológicas com mais precisão.

    Imagens de satélite e aplicativos ajudam a monitorar a aproximação de tempestades e as mudanças no tempo. O meteorologista também destacou a importância das estações meteorológicas instaladas nas propriedades rurais, que permitem medir a chuva registrada em cada área.

    Com essas informações, o produtor consegue avaliar melhor a umidade disponível no solo e, no caso de áreas irrigadas, ajustar a necessidade de água das lavouras.

    Müller ressaltou ainda que as ferramentas disponíveis no mercado nem sempre oferecem informações específicas para cada propriedade. Por isso, o acompanhamento especializado pode ajudar na interpretação dos dados e no planejamento das atividades.

    A previsão de curto prazo é especialmente importante para decisões operacionais, como definir o melhor momento para entrar com máquinas no campo ou realizar atividades durante períodos de temperaturas elevadas.

    El Niño forte não significa desastre em todas as regiões

    Outro ponto destacado durante o Radar Rural foi a necessidade de diferenciar a intensidade do fenômeno de seus efeitos em cada localidade.

    Embora o El Niño altere a circulação atmosférica e favoreça determinados padrões de chuva e temperatura, isso não significa que todas as regiões enfrentarão os mesmos impactos ou que um evento extremo necessariamente ocorrerá.

    Müller lembrou que os efeitos do fenômeno podem ser temporariamente mascarados por sistemas meteorológicos de curta duração, que atuam durante alguns dias ou semanas.

    O meteorologista também criticou a disseminação de informações sem respaldo científico nas redes sociais, especialmente quando previsões são apresentadas de forma alarmista.

    Para ele, o produtor precisa acompanhar dados e projeções atualizados, considerando que as condições climáticas podem mudar ao longo da safra.

    A recomendação é observar as previsões para a própria região e combiná-las com as condições verificadas na fazenda. Em uma safra marcada por riscos distintos entre as áreas produtoras, entender quando e quanto chove, além de acompanhar as temperaturas, pode fazer diferença no planejamento das atividades e no resultado da lavoura.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Soja: cinco cuidados essenciais após o plantio para proteger a lavoura

    A soja exige atenção desde as primeiras semanas após a semeadura para alcançar o desempenho esperado e preservar o potencial produtivo. Com o início do plantio da safra 2026/2027 em algumas regiões do Brasil, o monitoramento do estande, das plantas daninhas, dos insetos, da disponibilidade de água e das doenças ajuda os produtores a identificar problemas e orientar o manejo no momento adequado.

    O Brasil produziu 180,4 milhões de toneladas de soja na safra 2025/2026, crescimento de 5,2% em relação ao ciclo anterior, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu levantamento mais recente.

    O acompanhamento da lavoura deve começar logo após a semeadura. Segundo Rafael Toscano, gerente comercial de sementes da ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL especializada em soluções sustentáveis e gestão integrada para grandes agricultores do Cerrado, o trabalho do produtor vai além da implantação da cultura. “O trabalho do produtor não começa com a semeadura. É preciso acompanhar de perto o desenvolvimento da cultura para identificar eventuais desafios fitossanitários rapidamente e tomar decisões antes que eles comprometam o estande e a produtividade”, destaca Toscano.

    Um dos primeiros pontos de atenção é a formação do estande de plantas. Falhas na emergência, desuniformidade e problemas localizados podem indicar compactação do solo, deficiência hídrica, ataque de pragas ou outras condições que precisam ser investigadas. “O acompanhamento das áreas nas primeiras semanas ajuda o produtor a entender como a lavoura está respondendo e se o desenvolvimento está ocorrendo de maneira uniforme”, explica o especialista.

    O controle de plantas daninhas é outro cuidado importante nas primeiras fases da soja. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a competição por água, luz e nutrientes pode comprometer o desenvolvimento da cultura, especialmente entre 10 e 50 dias após a emergência. Nesse período, o monitoramento ajuda a identificar a presença de plantas invasoras e a orientar as medidas de manejo, reduzindo a competição pelos recursos necessários ao crescimento da soja.

    A presença de insetos também exige acompanhamento desde o início do ciclo. A Embrapa recomenda o Manejo Integrado de Pragas (MIP), estratégia que considera diferentes fatores antes da definição das medidas de controle. Entre os aspectos avaliados estão a identificação da espécie, a população de insetos, o estágio de desenvolvimento da cultura e a presença de inimigos naturais. A análise conjunta dessas informações permite orientar as decisões de manejo de acordo com as condições observadas na lavoura.

    A umidade do solo precisa ser acompanhada ao longo de todo o ciclo produtivo. Mesmo lavouras com bom estabelecimento podem ter o desempenho comprometido quando enfrentam períodos de déficit hídrico.Observar as condições do solo, o desenvolvimento das plantas e a previsão do tempo ajuda o produtor a interpretar o que ocorre no campo e a organizar as operações de manejo.

    O monitoramento fitossanitário deve continuar mesmo quando as plantas apresentam bom desenvolvimento. A identificação dos primeiros sintomas de doenças permite investigar suas causas e avaliar a necessidade de intervenção. A ferrugem-asiática é um exemplo de doença que exige atenção. Segundo Rafael Toscano, o monitoramento é uma das ferramentas utilizadas para orientar o manejo e evitar que a doença avance sem controle. A observação frequente das lavouras, portanto, contribui para identificar problemas precocemente e embasar decisões ao longo do ciclo da soja.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/

  • Dose correta é decisiva no controle de plantas daninhas

    A dose utilizada na aplicação de herbicidas tem papel direto na eficiência do controle de plantas daninhas e no manejo da resistência. Segundo o Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), o uso de uma dose diferente da recomendada em bula pode comprometer o resultado da aplicação e ampliar riscos ao longo do manejo.

    Quando a quantidade aplicada fica abaixo da indicação do produto, a eficiência do controle pode ser reduzida, favorecendo a sobrevivência de plantas daninhas. Esses indivíduos sobreviventes podem contribuir, ao longo das gerações, para mudanças na composição da população e para a seleção de plantas resistentes.

    Outro efeito associado ao uso inadequado da dose é o maior risco de escapes. Plantas que permanecem vivas após a aplicação podem completar o ciclo e produzir sementes, aumentando a possibilidade de novas infestações nas safras seguintes. A repetição desse manejo também pode elevar a pressão de seleção, especialmente quando o mesmo tipo de herbicida é utilizado de forma inadequada e recorrente.

    O aumento da dose acima do recomendado, porém, não significa necessariamente maior controle. De acordo com a orientação apresentada, elevar a quantidade aplicada não substitui fatores como a execução correta da aplicação, o uso do herbicida no estádio adequado da planta daninha e a adoção de estratégias voltadas ao manejo da resistência.

    A recomendação é utilizar sempre a dose indicada em bula e seguir as orientações de aplicação de cada produto. O manejo também deve incluir a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, medida que ajuda a reduzir a pressão de seleção e a preservar a eficiência das ferramentas disponíveis para o controle de plantas daninhas.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Manejo antecipado de plantas daninhas é decisivo para proteger o potencial produtivo da soja

    Com uma área cultivada de 48,6 milhões de hectares, de acordo com dados da Conab, e expectativa de mais uma safra entre as maiores da história, a soja brasileira inicia mais um ciclo em um cenário de crescente complexidade no manejo de plantas daninhas. A expansão de espécies resistentes, a variabilidade climática entre as regiões produtoras e o aumento da adoção de herbicidas pré-emergentes tornam essencial um planejamento antecipado para preservar o potencial produtivo das lavouras.

    Embora as condições climáticas variem entre as regiões do País, especialistas alertam que o sucesso do manejo começa antes mesmo da semeadura. A dessecação eficiente da área, associada à escolha correta dos herbicidas e ao uso de mecanismos de ação complementares, reduz a pressão de seleção por resistência e favorece um estabelecimento uniforme da cultura.

    Segundo Deborah Baruzo, gerente de Portfólio de Herbicidas da ADAMA Brasil, o momento que antecede o plantio é determinante para o desempenho da soja durante toda a safra. “O manejo de plantas daninhas deixou de ser uma decisão pontual e passou a fazer parte de uma estratégia de longo prazo. Controlar corretamente as plantas ainda na pré-semeadura reduz a competição inicial, protege o potencial produtivo da cultura e contribui para preservar a eficiência dos herbicidas disponíveis”.

    Resistência exige programas de manejo mais robustos

    Nos últimos anos, espécies como capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, buva e caruru têm aumentado sua importância econômica em diversas regiões produtoras. A ocorrência de populações resistentes a diferentes mecanismos de ação reforça a necessidade de programas de manejo que combinem aplicações em dessecação, herbicidas residuais e monitoramento constante da área.

    “O produtor precisa olhar para o manejo como um programa completo, e não apenas para uma aplicação isolada. A combinação de diferentes mecanismos de ação é uma das principais ferramentas para prolongar a vida útil das tecnologias disponíveis e garantir maior segurança durante toda a safra”, destaca Deborah.

    Dessecação eficiente é a base para uma lavoura competitiva

    Durante a dessecação, eliminar completamente as plantas daninhas presentes na área é fundamental para evitar que a soja inicie seu desenvolvimento competindo por água, luz e nutrientes.

    Nesse contexto, Araddo®, da ADAMA, reúne características importantes para essa etapa do manejo. O herbicida apresenta amplo espectro de controle sobre gramíneas e folhas largas, incluindo espécies de difícil manejo como capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, buva e caruru. Além disso, seu intervalo reduzido entre a aplicação e a semeadura oferece flexibilidade operacional sem comprometer a segurança da cultura.

    Herbicidas pré-emergentes ganham espaço nas propriedades

    A adoção de herbicidas pré-emergentes vem crescendo de forma consistente nas últimas safras, impulsionada pela necessidade de reduzir novos fluxos de emergência das plantas daninhas e proteger a cultura nas fases iniciais de desenvolvimento.

    Para essa etapa, Apresa®, da ADAMA, combina ingredientes ativos complementares e formulação inovadora para proporcionar controle residual sobre importantes gramíneas e folhas largas, contribuindo para manter a lavoura limpa por mais tempo e reduzir a pressão sobre as aplicações em pós-emergência.

    De acordo com Deborah, essa estratégia traz benefícios que vão além do controle inicial. “Quando iniciamos a safra com uma área limpa e protegida por um herbicida residual eficiente, aumentamos a previsibilidade do manejo e reduzimos a necessidade de intervenções emergenciais ao longo do ciclo, reforça.

    Manejo integrado deve acompanhar toda a safra

    Mesmo após a emergência da soja, o monitoramento da lavoura continua sendo indispensável. A identificação precoce de novos fluxos de infestação permite intervenções mais assertivas e evita que plantas daninhas completem seu ciclo, produzindo sementes e aumentando o banco de sementes do solo.

    Além do uso racional dos herbicidas, práticas como a rotação de culturas, utilização de cobertura vegetal, manutenção da palhada e alternância de mecanismos de ação são fundamentais para reduzir a evolução da resistência e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

    “Cada safra representa uma oportunidade de reduzir a pressão das plantas daninhas para os próximos anos. O manejo integrado é o caminho para preservar produtividade, rentabilidade e longevidade das tecnologias disponíveis”, conclui Deborah.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Ferrugem-da-soja: atraso no fungicida pode aumentar perdas e custos

    A ferrugem-da-soja exige atenção ao momento da primeira aplicação de fungicida, principalmente na transição do período vegetativo para o reprodutivo. A decisão deve considerar estádio da lavoura, clima, presença de esporos, histórico da área e risco de avanço da doença.

    A ferrugem-da-soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças foliares de maior impacto na cultura. O principal dano ocorre pela desfolha precoce, que reduz o enchimento dos grãos e pode comprometer a produtividade.

    De forma geral, a proteção fungicida deve ser preventiva e próxima ao fechamento das entrelinhas e à formação do dossel, normalmente entre V7 e R1/R2, desde que exista risco real de ocorrência da doença.

    Esse risco aumenta quando há clima úmido e ameno, histórico de ferrugem na região, detecção de esporos e ausência de vazio sanitário. Em situações de menor risco, sem detecção de esporos e com condições climáticas desfavoráveis ao fungo, o início pode ser ajustado. Ainda assim, o produtor precisa evitar atrasos além do começo do florescimento, principalmente em regiões de maior pressão.

    Após o depósito do esporo na folha, condições de molhamento foliar contínuo e temperaturas amenas, aproximadamente entre 18 °C e 26 °C, favorecem a infecção. O período entre a infecção e o aparecimento de pústulas visíveis pode variar de sete a 14 dias, conforme as condições ambientais.

    Isso explica a importância do manejo preventivo. Quando os sintomas estão facilmente visíveis em uma área extensa, o fungo já avançou e o controle tende a ser mais difícil. A primeira aplicação busca proteger o dossel foliar ainda saudável antes que a cultura fique amplamente exposta ao inóculo.

    A ferrugem causa maior impacto quando atinge a planta a partir do florescimento e durante o enchimento de grãos. Por isso, a proteção deve estar estruturada na transição entre o final do período vegetativo e o início da fase reprodutiva. Na prática, a avaliação costuma se concentrar entre V5 e V7, quando a planta já apresenta dossel formado, e R1 e R2, correspondentes ao início do florescimento.

    Em áreas de maior risco, a primeira aplicação pode ser posicionada próxima a R1, quando as entrelinhas estão se fechando. O objetivo é ampliar a proteção do terço médio e superior das plantas. Em regiões ou safras de menor pressão, o início pode ser ajustado conforme o monitoramento da lavoura e as condições de risco.

    Períodos prolongados de molhamento foliar, orvalho intenso, nevoeiros e chuvas frequentes favorecem a ferrugem-da-soja. Temperaturas amenas, especialmente entre 18 °C e 26 °C, também criam condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo. Entre outubro e abril, período que engloba o plantio e parte do ciclo da soja nas principais regiões produtoras, essas condições podem ocorrer de diferentes formas.

    No Centro-Oeste, por exemplo, o início das chuvas de primavera e a continuidade das precipitações no verão podem criar condições de risco, especialmente quando há noites úmidas. No Sul, temperaturas mais amenas no verão e períodos frequentes de chuva podem favorecer longos períodos de molhamento foliar.

    Na Bahia, o risco está relacionado principalmente à distribuição das chuvas e às condições específicas de cada microclima. Quando o padrão climático apresenta chuvas frequentes e alta umidade, a proteção pode precisar ser antecipada mesmo sem a presença de sintomas visíveis na área.

    O monitoramento regional é outro elemento importante para definir a primeira aplicação. Boletins, armadilhas de esporos, consórcios e redes de monitoramento podem indicar a presença de esporos viáveis, focos confirmados em lavouras próximas e o avanço da doença a partir de áreas semeadas mais cedo. Quando há detecção de esporos na região e a soja se aproxima de V6-V7 ou R1, o risco aumenta. A atenção deve ser ainda maior em áreas com histórico de alta pressão e quando a previsão aponta condições favoráveis à infecção.

    Lavouras com ocorrência precoce da doença em safras anteriores apresentam maior atenção para o início da proteção. O mesmo vale para áreas com semeadura adensada, cultivares de ciclo longo, presença de plantas voluntárias na entressafra ou falhas no cumprimento do vazio sanitário. As áreas semeadas no início da época podem formar o dossel rapidamente e ficar expostas mais cedo ao inóculo. Já a soja semeada mais tarde pode enfrentar uma situação diferente: quando a lavoura entra em estádios críticos, a quantidade de inóculo na região pode estar maior. Por isso, o produtor precisa acompanhar a evolução da doença e não postergar a proteção.

    No Centro-Oeste, incluindo Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o início das chuvas e o plantio antecipado podem contribuir para a formação das primeiras fontes de inóculo da safra. Nessas áreas, a primeira aplicação exige atenção especial na passagem para a fase reprodutiva. Em anos de chuvas irregulares no início do ciclo, o avanço fenológico e os boletins de monitoramento ajudam a evitar tanto aplicações precoces quanto atrasos.

    Na Bahia, a pressão está fortemente relacionada à distribuição das chuvas e ao microclima. Em períodos de verão chuvoso e noites úmidas, a doença pode avançar em condições semelhantes às observadas em outras regiões quentes e úmidas.

    No Paraná e no Rio Grande do Sul, períodos prolongados de molhamento foliar e temperaturas mais amenas podem elevar a pressão. Quando a soja entra em R1-R2 sob condições favoráveis, o atraso da primeira aplicação pode permitir avanço mais rápido da doença. Por isso, não existe uma data única para todas as regiões. A decisão deve combinar estádio da cultura, clima e presença de inóculo.

    O acompanhamento dos boletins oficiais e das redes de alerta deve fazer parte da rotina. O produtor precisa verificar se existem esporos detectados, focos próximos ou avanço da doença a partir de áreas semeadas anteriormente. O clima local também deve ser observado. Sequências de dias chuvosos, orvalho intenso, nevoeiros e temperaturas amenas aumentam a atenção para o risco de infecção.

    Outro ponto é registrar a fenologia de cada talhão. Quando a soja se aproxima de V6-V7 e há esporos associados a condições climáticas favoráveis, o produtor deve planejar a proteção para a transição para R1. O histórico da propriedade também ajuda. Áreas com registros de ferrugem precoce exigem uma postura mais conservadora diante de condições favoráveis ao patógeno.

    A ferrugem-da-soja apresenta avanço rápido. Esperar a presença de pústulas em nível elevado para iniciar o controle pode aumentar o custo e reduzir a eficiência do manejo. O atraso também pode resultar em maior necessidade de aplicações corretivas, menor eficiência de determinados fungicidas e maior pressão de seleção para resistência.

    Por outro lado, começar muito cedo sem risco fitossanitário também traz problemas. O produtor pode elevar os custos, aumentar a pressão de seleção para resistência e ter dificuldade para manter intervalos adequados até o final do ciclo. A decisão, portanto, precisa equilibrar proteção e risco.

    A primeira aplicação é apenas uma etapa do programa de manejo da ferrugem-da-soja. O cumprimento do vazio sanitário reduz a oferta de inóculo inicial na região. A escolha de cultivares, a rotação de mecanismos de ação e o uso de misturas devem integrar a estratégia de controle.

    A qualidade da pulverização também é importante. Volume de calda, ponta de pulverização, velocidade e cobertura precisam ser adequados para atingir o dossel conforme a recomendação técnica. O programa deve considerar ainda o número máximo de aplicações, os intervalos e os produtos a serem utilizados em cada fase. O gatilho para o início, porém, deve ser o risco consolidado de ferrugem.

    A definição das datas e dos produtos deve ser feita com acompanhamento de engenheiro ou engenheira agrônoma familiarizado com as condições locais. Dosagens e misturas precisam seguir a bula e o receituário agronômico. O controle também não deve ser baseado apenas em um calendário fixo, sem considerar clima e presença de inóculo.

    O manejo químico deve respeitar as regras de registro dos produtos, além das orientações para uso de equipamentos de proteção individual, armazenamento, transporte e descarte de embalagens. A combinação entre monitoramento, fenologia, condições climáticas, presença de esporos e histórico da área permite posicionar melhor a primeira aplicação.

    Para o produtor, o principal ponto é não esperar que a doença esteja estabelecida para agir, mas também evitar aplicações antecipadas sem risco real. O objetivo é proteger o dossel no momento em que a lavoura começa a entrar na fase de maior impacto da ferrugem.

     

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  • Colheita avança, mas qualidade do trigo preocupa mercado

    A menor disponibilidade de trigo tipo 1 começa a influenciar os preços no mercado brasileiro à medida que a colheita avança. Segundo o Cepea, o excesso de umidade ao longo do ciclo reduziu a qualidade do cereal e aumentou a oferta de trigos dos tipos 2 e 3, com PH mais baixo.

    Com menos produto dentro dos padrões de qualidade demandados pelo mercado, vendedores que ainda possuem bons volumes de trigo de melhor qualidade vêm elevando os preços de suas ofertas, de acordo com pesquisadores do Cepea.

    O cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1 ocorre mesmo com o avanço da colheita nacional. Dados divulgados pela Conab mostram que, até 25 de setembro, 28,9% da área cultivada com trigo no Brasil havia sido colhida.

    Os resultados observados até o momento indicam, portanto, uma diferença entre o avanço da oferta física e a disponibilidade de cereal com maior padrão de qualidade. Enquanto a colheita se aproxima de um terço da área cultivada, o mercado encontra maior presença de trigo dos tipos 2 e 3 e menor volume de trigo tipo 1.

    Segundo o Cepea, essa restrição de produto dentro dos padrões procurados pelos compradores tem permitido que vendedores com cereal de melhor qualidade aumentem os valores pedidos nas negociações.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/