• Chuvas desafiam manejo de lavouras no oeste gaúcho

    O El Niño vem afetando os manejos agrícolas na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, especialmente em cultivos de inverno e na preparação das áreas que receberão as lavouras de verão. A avaliação é do engenheiro agrônomo Edison Jacociunas, que destaca os impactos das chuvas recentes, da baixa luminosidade e das fortes rajadas de vento registradas na região.

    A sequência de precipitações tem dificultado os manejos fitossanitários em áreas de canola, trigo e aveia. Além do excesso de umidade, a falta de luminosidade cria condições favoráveis à incidência de patógenos, exigindo maior atenção no acompanhamento das lavouras e na definição do momento adequado para as intervenções.

    Antes das chuvas, tormentas de vento atingiram a região, com rajadas de até 60 quilômetros por hora. O fenômeno provocou injúrias em folhas e inflorescências, além de necroses observadas principalmente nas folhas. A combinação entre danos causados pelo vento, umidade elevada e pouca luz amplia os desafios para a condução dos cultivos de inverno neste período.

    Enquanto isso, as áreas destinadas ao milho e ao arroz já passam por manejos de pré-semeadura. A drenagem é considerada de importância primordial para que o plantio possa ocorrer na primeira janela possível. No milho, a semeadura deverá começar assim que as condições do solo permitirem a entrada nas áreas.

    Para o arroz, existe a possibilidade de antecipar a semeadura para o fim de agosto. O avanço das operações dependerá das condições encontradas no campo, sobretudo da drenagem das áreas após as chuvas. O cenário mantém produtores atentos tanto à proteção das lavouras de inverno quanto à preparação das culturas de verão.

     

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  • Planejamento reduz perdas na colheita do milho

    A colheita do milho passou a exigir dos produtores um planejamento cada vez mais detalhado para preservar a rentabilidade da safra. Em um cenário de janelas climáticas mais curtas e instáveis em diferentes regiões produtoras, decisões como o momento de entrada das máquinas, a umidade dos grãos, a regulagem das colhedoras e os cuidados para prevenir incêndios têm impacto direto sobre os resultados da lavoura.

    De acordo com Diego Braga, consultor de Desenvolvimento de Mercado da Conceito Agrícola, o principal desafio é garantir que todo o potencial produtivo desenvolvido durante o ciclo seja efetivamente convertido em grãos colhidos, armazenados e comercializados com qualidade. Segundo ele, cada decisão operacional influencia o desempenho final da safra. “A colheita do milho deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a representar uma decisão estratégica de gestão. O produtor precisa alinhar o momento de entrada das máquinas, as condições da lavoura, a capacidade operacional e a logística de transporte. Essa integração é determinante para minimizar perdas, preservar o potencial produtivo da área e garantir que o resultado obtido no campo seja efetivamente convertido em produtividade entregue”, afirma.

    O monitoramento da umidade dos grãos é um dos fatores mais importantes para definir o início da colheita. Embora sinais como a formação da “linha preta”, o amarelecimento natural das plantas e a consistência dos grãos indiquem a maturidade fisiológica, a decisão de iniciar a operação depende da umidade da lavoura.

    Segundo Braga, a faixa considerada ideal para equilibrar o rendimento das máquinas e a qualidade do produto varia entre 13% e 15% de umidade. Quando a colheita ocorre com níveis superiores a 18%, aumentam os riscos de danos mecânicos, os custos de secagem e os problemas de qualidade caso haja atrasos no transporte. Já abaixo de 12%, os grãos ficam mais suscetíveis à quebra, geram maior volume de pó e podem reduzir o peso comercial. O consultor recomenda que o produtor utilize medidores de umidade portáteis devidamente calibrados e tome decisões específicas para cada talhão, em vez de considerar apenas a média da propriedade.

    Diferenças de relevo, tipo de solo, retenção de água, uniformidade da emergência, híbridos cultivados e condições climáticas locais influenciam o ritmo de secagem dos grãos. Enquanto áreas mais baixas tendem a reter umidade por mais tempo, solos arenosos costumam acelerar o encerramento do ciclo. Diante dessa variabilidade, a recomendação é escalonar a colheita conforme as características de cada área.

    A regulagem das colhedoras também é apontada como fundamental para reduzir perdas. A revisão da plataforma, a inspeção do desgaste de componentes, o ajuste das chapas e a calibração do sistema interno da máquina devem acompanhar as condições da lavoura. A velocidade de operação, segundo o especialista, deve permanecer entre 4 km/h e 6 km/h, já que velocidades maiores comprometem a separação e a limpeza dos grãos, aumentando as perdas junto à palhada. Como as condições mudam ao longo do dia, a equipe deve monitorar constantemente a operação para identificar grãos ou espigas deixados no campo. A meta é manter perdas inferiores a meia saca por hectare.

    Braga ressalta que a logística após a colheita deve ser tratada como parte da operação. Segundo ele, um bom desempenho no campo pode ser comprometido por atrasos no transporte ou no descarregamento da produção. “Não adianta colher bem e deixar a qualidade se perder na caçamba. O caminhão parado, principalmente com milho mais úmido e em dias quentes, pode transformar uma boa operação em desconto na entrega”, alerta.

    O período de colheita também coincide, em muitas regiões produtoras, com condições de baixa umidade relativa do ar, ventos e grande volume de palhada seca, fatores que elevam o risco de incêndios. O acúmulo de resíduos sobre partes aquecidas das máquinas, falhas elétricas, rolamentos superaquecidos, vazamentos de óleo, atrito com pedras e a falta de manutenção estão entre os principais fatores de risco.

    Segundo o consultor, a prevenção deve integrar a rotina das operações. A limpeza das colhedoras a cada troca de turno, a manutenção de extintores em condições adequadas, a disponibilidade de tratores com tanque de água ou caminhões-pipa próximos às áreas de trabalho e a construção de aceiros ao redor dos talhões ajudam a reduzir o risco de propagação do fogo para áreas vizinhas.

    Além dos resultados imediatos, a forma como a colheita é conduzida influencia diretamente o ciclo seguinte. A distribuição uniforme da palhada favorece o Sistema de Plantio Direto, contribui para a conservação da umidade do solo e facilita a implantação da próxima safra de soja. O controle das perdas e a eliminação do milho voluntário também ajudam a reduzir a pressão de pragas, como a cigarrinha, protegendo o potencial produtivo das próximas lavouras.

    “O produtor investe durante meses para construir produtividade. Na colheita, o papel da assistência técnica é ajudar a proteger esse resultado, apoiando decisões mais precisas no campo, desde o monitoramento da umidade dos grãos e a definição do momento ideal de entrada das máquinas até o planejamento por talhão, as boas práticas de operação, a redução de perdas e a prevenção de incêndios, sempre de acordo com a realidade de cada propriedade”, conclui Braga.

     

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  • Armazenamento correto das máquinas evita prejuízos

    O armazenamento correto de máquinas agrícolas durante períodos de inatividade ajuda a preservar componentes, evitar desgastes prematuros e reduzir custos de manutenção. A exposição ao sol, à chuva e à umidade pode acelerar a corrosão, afetar sistemas elétricos e diminuir a durabilidade de peças.

    Antes de guardar o trator, a recomendação é realizar uma limpeza completa, retirando resíduos de terra, palha, fertilizantes e defensivos. Esse cuidado reduz o acúmulo de umidade e o risco de danos em partes metálicas.

    Também é importante manter o equipamento em local coberto, ventilado e protegido das intempéries. A medida contribui para conservar a pintura, os componentes eletrônicos e os elementos de borracha.

    Segundo Eder Pinheiro, coordenador de Marketing de Produto Trator da Massey Ferguson, a calibragem correta dos pneus evita deformações durante longos períodos de parada. A inspeção do óleo do motor, do fluido hidráulico e do líquido de arrefecimento também permite antecipar necessidades de manutenção. “A remoção de resíduos de terra, palha, fertilizantes e defensivos evita o acúmulo de umidade e reduz o risco de corrosão em partes metálicas”, detalha.

    O especialista orienta ainda ligar o trator a cada 15 dias por cerca de 20 minutos, para favorecer a circulação do lubrificante. Inspeções periódicas em busca de vazamentos, corrosão ou presença de animais completam os cuidados e ajudam a garantir maior disponibilidade operacional na próxima safra. “Pequenos cuidados podem gerar ganhos significativos ao produtor. Além de contribuir para a disponibilidade operacional da máquina, eles ajudam a reduzir custos de manutenção e preservam o valor do equipamento ao longo dos anos”, destaca Pinheiro.

     

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  • Do broto ao alimento na mesa global: O orgulho de ser agricultor

    O Dia do Agricultor, celebrado nesta terça-feira, 28 de julho, ganha um significado ainda mais especial em 2026 para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). Em seu 86º ano de atuação, a entidade reafirma o compromisso histórico com a defesa dos produtores rurais paulistas e brasileiros, reconhecendo o agricultor como protagonista da segurança alimentar nacional e mundial. Ao longo de mais de oito décadas, tem sido uma voz permanente em favor de políticas públicas, crédito, inovação, sustentabilidade e valorização de quem produz no campo.

    Instituído oficialmente em 1960, o Dia do Agricultor homenageia uma profissão que ajudou a moldar a história do Brasil. Se no passado o trabalho rural dependia quase exclusivamente da força física e da experiência transmitida entre gerações, hoje o agricultor brasileiro alia tradição, conhecimento científico, tecnologia e gestão para alcançar níveis de produtividade que colocam o país entre as maiores potências agropecuárias do planeta.

    Essa transformação foi construída com muito investimento, pesquisa e dedicação. O produtor rural brasileiro soube enfrentar desafios climáticos, recuperar áreas produtivas, incorporar práticas sustentáveis, ampliar o uso da agricultura de precisão e adotar soluções digitais que elevaram a eficiência das propriedades. Esse avanço consolidou o agro como um dos pilares da economia nacional, responsável por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por exportações que superam US$ 169 bilhões ao ano.

    O resultado desse trabalho ultrapassa as fronteiras nacionais. O Brasil lidera a produção e a exportação de importantes culturas, como soja, café, açúcar, milho e suco de laranja, abastecendo mercados em mais de 150 países e contribuindo para a alimentação de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Esse protagonismo internacional é fruto da competência dos agricultores, que transformaram o campo brasileiro em referência de produtividade, sustentabilidade e inovação.

    “Ao longo de seus 86 anos de história, a Faesp acompanhou e participou dessa evolução, atuando de forma decisiva na representação institucional do setor, na defesa dos interesses dos produtores rurais e na construção de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da agropecuária”, afirma Tirso Meirelles, presidente do sistema Faesp/Senar. Segundo ele, a entidade tem sido protagonista em debates sobre crédito rural, infraestrutura, segurança jurídica, sustentabilidade, qualificação profissional, inovação tecnológica e abertura de mercados, sempre com o objetivo de fortalecer quem produz alimentos, fibras e energia.

    Neste 28 de julho, a homenagem da Federação vai além da celebração de uma profissão. É o reconhecimento ao trabalho de milhões de agricultores que enfrentam diariamente os desafios do campo para garantir alimento na mesa das famílias brasileiras e de consumidores ao redor do mundo. “Celebrar o agricultor é reconhecer que o futuro do Brasil passa, necessariamente, pela força, pela dedicação e pela capacidade de inovação daqueles que fazem da terra um patrimônio de prosperidade para toda a sociedade”, diz Meirelles, que complementa: “seguiremos na defesa intransigente do produtor rural, cobrando dos agentes públicos o reconhecimento do papel central do campo. O país precisa de um Plano Brasil de longo alcance — para 30 ou 50 anos —, combinando medidas de curto, médio e longo prazo. Só com essa visão estratégica garantiremos as condições para que o nosso produtor siga sendo o motor da economia, da inclusão social, da sustentabilidade e da segurança alimentar.”

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  • Produção de carne avança com menos pastagens

    A pecuária bovina brasileira passou por uma transformação profunda nas últimas décadas, com forte expansão da produção e redução da área ocupada por pastagens. Segundo a Athenagro, entre 1990 e 2025 a produção de carne bovina aumentou 3,36 vezes, enquanto a área de pastagens ficou 17,2% menor.

    Antonio Cabreira, presidente do Grupo Cabrera, associa esse avanço ao processo de liberação dos preços da carne iniciado em 1990. Até então, os valores eram tabelados pelo governo. A mudança ocorreu de forma gradual, primeiro com a carne de primeira e depois com a carne de segunda, até que a formação dos preços passasse a ser definida pelo mercado livre.

    O contexto anterior era de forte dependência externa. Em 1989, o Brasil ocupava a posição de quinto maior importador de carne do mundo. Naquele período, o país também precisou lidar com 100 mil toneladas de carne compradas pelo governo e que chegaram contaminadas em decorrência do acidente nuclear de Chernobyl.

    Ao longo dos 35 anos seguintes, a produção saiu de 3,67 milhões de toneladas, em 1990, para 12,35 milhões de toneladas em 2025. No mesmo intervalo, a área destinada às pastagens recuou de 193 milhões para 159,75 milhões de hectares.

    Na avaliação de Cabreira, os números mostram a importância da liberdade econômica para o desenvolvimento do setor. O crescimento da oferta, combinado à redução da área utilizada, indica que a pecuária ampliou sua capacidade produtiva sem depender de expansão territorial. O resultado também evidencia uma mudança estrutural na atividade, que passou a produzir mais carne em uma superfície menor, consolidando ganhos de produtividade ao longo do período.

     

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  • O milho tem um ponto fraco bem conhecido dos agrônomos: o florescimento

    É nessa fase que a lavoura mais sofre com a falta de chuva — e o preço pode ser alto. Segundo estudos da Embrapa, um veranico mal cronometrado no pendoamento é suficiente para reduzir o número de grãos por espiga e derrubar a produtividade em mais da metade. O alerta vale principalmente para lavouras de sequeiro em regiões de chuva irregular, mas também pede atenção redobrada de quem irriga.

    Explicando de forma simples: é no florescimento que o milho troca de fase. As flores masculinas soltam o pólen no pendão, enquanto as espigas abrem os “cabelos” — os estilos-estigmas — para recebê-lo. Esse casamento dura pouco, de uma a duas semanas, mas é justamente aí que a planta bebe mais água do ciclo inteiro, com folhas cheias e transpirando no talo. Falta água nesse momento, e o número final de grãos, que está sendo decidido ali, sai prejudicado — segundo mostram dados técnicos compilados pela Embrapa.

    E o que a planta faz quando a água aperta? Ela se fecha, literalmente. Os estômatos se fecham para não perder mais água, só que isso também trava a entrada de CO₂ e a fotossíntese desacelera. O problema é que esse estresse não afeta pendão e espiga do mesmo jeito: de acordo com a Embrapa, os “cabelos” da espiga sofrem mais que o pendão, o que atrasa o encontro dos dois e atrapalha a polinização. Os estigmas podem demorar para sair, secar antes da hora ou simplesmente não pegar bem o pólen. Resultado: a planta aborta flores, óvulos e até grãos que já tinham começado a se formar. No campo, isso vira espiga rala, mal granada ou, nos casos mais graves, espiga vazia.

    O tamanho do estrago depende de alguns fatores: quando exatamente bateu o veranico, quanto tempo durou, o quanto esquentou e quantas plantas estão disputando a mesma água por metro quadrado. A janela mais perigosa vai de uma a duas semanas antes do pendoamento até cerca de duas semanas depois — e é nesse intervalo que a quebra pode passar de 50% em situações mais severas, na comparação com uma lavoura bem irrigada. Solo raso, compactado ou pobre em matéria orgânica só piora a conta, mesmo quando o déficit não é tão grave.

    Por isso, quem espera o florescimento chegar para agir já está atrasado. A decisão precisa vir antes: olhar o histórico de veranicos da área, entender a capacidade do solo de segurar água, acompanhar a previsão climática da safra e saber quanto a irrigação disponível dá conta de cobrir. A escolha do híbrido é uma das cartas mais importantes desse jogo — priorizando materiais tolerantes ao estresse hídrico e com boa sincronia entre o florescimento macho e fêmea. A população de plantas também entra na conta: lavoura muito adensada em área com pouca água só aumenta a briga por esse recurso.

    Plantio direto e palhada bem mantida seguram a umidade, reduzem a evaporação e melhoram a infiltração — além de ir aumentando a matéria orgânica com o tempo. Corrigir acidez e alumínio, e adubar direito com fósforo, potássio, enxofre e micronutrientes, dá à planta uma raiz mais profunda para ir buscar água onde ela ainda existe. E o controle de daninhas cedo, ainda em pós-emergência inicial, evita que a lavoura divida a água disponível com quem não devia estar ali.

    Quando o florescimento já bateu na porta, sobra pouco espaço de manobra, mas ainda dá para agir. Em área irrigada, a regra é simples: primeiro a água vai para quem está em pré-florescimento, florescimento ou começando a encher grão — da fase VT até R2 — mesmo que isso signifique deixar para depois a irrigação plena de talhões ainda no vegetativo. Junto disso, cresce a importância de monitorar o solo de perto, com tensiômetro ou sonda de capacitância, e ficar de olho na planta: folha murcha ao meio-dia ou enrolada é sinal de que a hora de agir é agora.

    Nem tudo que parece ajudar, ajuda nesse momento. Algumas práticas comuns podem sair pela culatra durante o florescimento: aplicação foliar que corre risco de fitotoxicidade, operação mecânica que machuca raiz superficial, adubação de cobertura tardia que estimula crescimento vegetativo justamente quando a planta já está sob pressão. Se sobrou daninha para controlar nessa fase, a decisão precisa pesar o estádio da cultura e o risco de dano, sempre dentro do que manda rótulo, bula e receituário agronômico.

    Nutrição, manejo de pragas e de daninhas também entram nessa equação — não dá para separar. Planta bem nutrida, especialmente em potássio, regula melhor a abertura dos estômatos e aguenta mais o tranco, mas correção de última hora no florescimento tem efeito curto se o manejo não foi pensado desde o início do ciclo. Praga desfolhadora, percevejo e doença de folha sem controle tiram área foliar saudável da planta bem na hora em que ela mais precisa dela para segurar o estresse.

    Qualquer intervenção na lavoura durante o florescimento — irrigar, aplicar insumo, passar máquina — exige cuidado redobrado: uso de EPI é obrigatório, e a umidade do solo precisa estar dentro do limite para não compactar. E a decisão de irrigar, segundo o material técnico consultado, deve sempre passar pelo balanço hídrico e pelo monitoramento de solo e planta, sem desperdício de água nem prejuízo ambiental.

     

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  • Leite gaúcho sai do vermelho, mas setor pede mais equilíbrio na cadeia produtiva

    Produtores de leite do Rio Grande do Sul comemoram a volta da margem positiva na atividade após um longo ciclo de preços apertados. Segundo informações divulgadas pela Gadolando, os valores hoje pagos aos produtores, entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por litro, já cobrem com folga o custo de produção, estimado entre R$ 2,20 e R$ 2,30 — ainda assim, o setor considera a remuneração insuficiente para garantir investimentos e estabilidade a médio prazo.

    “Agora está tendo uma pequena margem, enquanto nós viemos muito tempo sem margem”, resume o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, ao comentar a mudança de cenário na pecuária leiteira gaúcha.

    A retomada tem respaldo nos números oficiais: o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projetou R$ 2,4281 por litro como valor de referência para junho. Esse índice baliza as tratativas comerciais entre produtores e laticínios, mas não é fixo — cada propriedade recebe um valor diferente, a depender da qualidade do leite entregue, do volume produzido e das bonificações oferecidas pela indústria compradora.

    Apesar dos sinais positivos, Tang pondera que o setor ainda opera longe do ideal. Na conta da Gadolando, um preço de referência próximo a R$ 2,80 por litro seria o patamar necessário para dar fôlego real à atividade, sem que isso pressionasse excessivamente o preço final ao consumidor.

    Um dos pontos mais sensíveis levantados pela entidade é a ausência do varejo nas discussões que definem os rumos do setor. Hoje, segundo Tang, o debate sobre preços fica restrito a produtores e indústria, deixando de fora um elo que também lucra com a comercialização do leite. “No Conseleite, a indústria e o produtor conseguem sentar juntos e debater, mas sentimos falta de discutir também com o varejo para amenizar os efeitos das crises, para todo mundo poder trabalhar junto e manter a cadeia”, diz o dirigente. Para a Gadolando, ampliar essa mesa de negociação é o caminho mais eficaz para proteger o produtor nos períodos de crise, sem abrir mão dos ganhos quando o mercado está aquecido.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Atualização corrige dados do Zarc para a cultura do milho no Rio Grande do Sul

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que foram atualizados os dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho 1ª safra no Rio Grande do Sul.

    Após a publicação das portarias referentes ao zoneamento, foram recebidas manifestações do setor produtivo sobre o calendário de semeadura em municípios da região noroeste do estado. As demandas foram encaminhadas para reavaliação pelo grupo de trabalho responsável pelo Zarc do milho.

    Na revisão, a equipe técnica da Embrapa identificou um equívoco na programação de pós-processamento dos dados relativos ao mês de agosto, referente aos decêndios críticos para ocorrência de geada. Na configuração utilizada, foram considerados como críticos os decêndios da semeadura, quando o correto era considerar os decêndios da fase de pós-emergência da cultura. Como consequência, o risco de geada em alguns municípios foi superestimado, impactando as janelas indicadas para semeadura.

    Os dados foram corrigidos e já estão disponíveis no Painel de Indicação de Riscos.

    Com a atualização, os resultados passaram a refletir a metodologia adotada para o zoneamento da cultura, mantendo diferenças em relação à safra anterior em razão das alterações metodológicas incorporadas nesta versão.

    Entre as mudanças implementadas no Zarc para a cultura do milho estão a atualização da base de dados meteorológicos, com utilização da série histórica de 1992 a 2022 e ampliação do número de estações meteorológicas consideradas, além da adoção do modelo de classificação de solos em seis níveis de água disponível (AD). A classificação considera a proporção de areia, silte e argila no solo, substituindo o modelo anterior, que utilizava três classes de solo (arenoso, médio e argiloso).

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Colheita do milho de segunda safra chega a 49,8% no Brasil, diz Conab

    A colheita do milho de segunda safra 2025/26 no Brasil atingiu 49,8% da área até o último sábado (18), informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em boletim semanal de progresso de safra divulgado nesta terça-feira (21). O avanço foi de 10,9 pontos porcentuais em relação à semana anterior. Na comparação anual, os trabalhos seguem 6,6 pontos porcentuais atrás do registrado no mesmo período da safra passada.

    Segundo a Conab, no mesmo período do ciclo anterior a colheita do milho de segunda safra alcançava 55,5% da área. Em relação à média dos últimos cinco anos, de 56,7%, o ritmo também está atrasado.

    Entre os principais Estados produtores, Mato Grosso lidera o avanço da colheita, com 79,8% da área já colhida. Em Goiás, os trabalhos atingem 28%. No Mato Grosso do Sul, o índice está em 17%, enquanto o Paraná registra 16%.

    No milho verão 2025/26, a colheita chegou a 97,9% da área até o sábado (18), avanço de 0,8 ponto porcentual na semana. O desempenho também permanece abaixo do observado em igual período da safra passada, quando 98,4% da área havia sido colhida, e da média dos últimos cinco anos, de 98,3%. Maranhão tinha 85% da área colhida, Piauí 94% e Bahia 99%.

    A colheita do algodão 2025/26 alcançou 12,8% da área, com avanço semanal de 4,7 pontos porcentuais. O percentual fica abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior, com diferença de 3,9 pontos porcentuais, e também da média de cinco anos, de 14,2%. Mato Grosso havia colhido 8,7% da área, Goiás 27% e Bahia 21%.

    No trigo 2026, a colheita chegou a 1,3% da área, avanço de 0,2 ponto porcentual em uma semana. Em relação ao mesmo momento da safra passada, quando o índice era de 2,4%, há atraso de 1,1 ponto porcentual. Na comparação com a média dos últimos cinco anos, de 2,5%, o ritmo também está abaixo. Minas Gerais tinha 5% da área colhida e Goiás, 40%.

    Já a semeadura do trigo 2026 alcançou 97,4% da área prevista, avanço de 2,7 pontos porcentuais na semana. O índice supera o de igual período da safra passada, de 96,9%, e a média de cinco anos, de 95,5%. Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul já concluíram o plantio. No Rio Grande do Sul, a semeadura estava em 97%; no Paraná, em 99%; e em Santa Catarina, em 77,4%.

    Os dados da Conab mostram avanço semanal nos trabalhos de campo para milho, algodão e trigo, com a colheita do milho de segunda safra próxima da metade da área no país e a semeadura do trigo perto da conclusão.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Como o fenômeno ENOS impacta a produtividade agrícola no Rio Grande do Sul

    As variações climáticas interanuais extremas, associadas a processos de acoplamento oceano-atmosfera, exercem uma influência direta sobre o desempenho das culturas agrícolas no Rio Grande do Sul. Entre esses eventos, o fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) se destaca por alterar padrões de precipitação, temperatura e disponibilidade de radiação solar no estado. Com o objetivo de qualificar o planejamento dos sistemas de produção, pesquisadores da Rede Técnica Cooperativa (RTC) realizaram um estudo para mapear a responsividade das culturas de trigo, milho e soja às fases do ENOS, abrangendo as condições de La Niña, Neutra e El Niño.

    O trabalho, intitulado “Responsividade regional da produtividade de trigo, milho e soja ao fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) no estado do Rio Grande do Sul”, destaca que os efeitos desse fenômeno climático variam não apenas em magnitude, mas também em sinal e forma, dependendo da cultura e da região geográfica analisada. Os resultados técnicos apontam que as culturas reagem de formas distintas: de forma geral, o trigo é penalizado pelo El Niño e beneficiado pela La Niña, enquanto o milho e a soja apresentam um padrão de resposta oposto, com variações de sensibilidade que diferem ainda conforme a região do estado.

    A identificação espacial desses grupos de responsividade, classificados em níveis de baixa, média e alta sensibilidade, é uma ferramenta fundamental para que produtores rurais e técnicos possam ajustar estratégias de manejo, a escolha de cultivares e o planejamento do seguro agrícola, alinhando as decisões ao perfil climático de cada localidade.

    Para ler o estudo completo, acesse a plataforma digital Smartcoop em app.smart.coop.br. Se você ainda não faz parte da comunidade Smartcoop, entre em contato com sua cooperativa e aproveite todas as funcionalidades oferecidas pela plataforma.

     

    Fonte: https://rtc.coop.br/