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mar 31 2025 Agro brasileiro acelera inovação: quase 2 mil agtechs e 451 hubs mapeados
Levantamento da Embrapa e parceiros revela expansão de ambientes e maior presença regional fora do eixo Sudeste
O ecossistema de inovação no agronegócio brasileiro registrou crescimento expressivo entre 2023 e 2024, segundo o Radar Agtech Brasil, lançado nesta quarta-feira (26) durante o Radar Agtech Summit, no Cubo Itaú, em São Paulo.
O levantamento, desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Homo Ludens e a SP Ventures, aponta aumento de 224% no número de incubadoras voltadas ao agro, que passaram de 32 para 107 em um ano.
As aceleradoras de startups também cresceram 90%, passando de 21 para 40, enquanto os hubs de inovação aumentaram 29%, de 82 para 106. Os parques tecnológicos voltados ao setor passaram de 93 para 117, um avanço de 25%. No total, foram mapeadas 451 iniciativas entre hubs, aceleradoras, incubadoras e parques tecnológicos.
Além dos ambientes, o Radar ampliou o escopo em 2024 e trouxe, pela primeira vez, uma análise detalhada sobre os investidores do setor. O número de fundos de venture capital, corporate ventures e iniciativas financeiras voltadas a agtechs e foodtechs cresceu de forma relevante, sinalizando o amadurecimento do setor.
De acordo com a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o documento se consolidou como uma das principais referências em inteligência estratégica para o agro brasileiro. “Com o escopo ampliado, reforçamos o compromisso de produzir conhecimento estratégico e apoiar a inovação em toda a cadeia agroalimentar”, afirmou.
O analista da Embrapa Aurélio Favarin destacou a importância de mapear também os ambientes que dão suporte às startups. “Além das startups, é fundamental entender as condições necessárias para que elas nasçam e se desenvolvam. Os ambientes de inovação e os investidores são cruciais nesse processo”, disse.
Desde sua primeira edição, em 2019, o Radar Agtech Brasil já identificou um crescimento de 75% no número de agtechs, passando de 1.125 para 1.972 startups em 2024. Essas empresas atuam em áreas como gestão de propriedades, automação agrícola, sensoriamento remoto e biotecnologia.
Inovação pelo país
O estudo também revelou a descentralização dos ambientes de inovação pelo país. Apesar da concentração no Sudeste (36,8%), o Sul já representa 31%, seguido pelo Nordeste (17,5%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (5%). São Paulo concentra 43,5% dos ambientes no Sudeste, mas regiões como o Nordeste e Norte vêm ganhando relevância, com crescimento de 3,5% para 5,9% e de 1,5% para 5,0%, respectivamente.
Francisco Jardim, sócio da SP Ventures, destacou o momento de transformação que o setor vive. “As startups agtech da América Latina estão liderando uma revolução, trazendo tecnologias avançadas e novos modelos de negócio para responder aos desafios impostos pela crise climática e insegurança alimentar”, afirmou.
A internacionalização também foi apontada como uma tendência em ascensão. Startups brasileiras têm se conectado a hubs de inovação globais, ampliando seu acesso a novos mercados e tecnologias.
O levantamento identificou ainda o avanço da sustentabilidade e da digitalização. Em 2024, cerca de 41,5% das agtechs atuam no segmento “Dentro da Fazenda”, com foco em automação e gestão rural. Também se destacam soluções com foco em bioinsumos, rastreabilidade e agricultura regenerativa.
Para Luiz Sakuda, sócio da Homo Ludens, o cenário atual exige a criação de redes conectadas e vivas. “A agricultura responde por cerca de 22% do PIB brasileiro. É imprescindível investir em inovação para transformar o setor e garantir sua sustentabilidade”, disse.
O Radar Agtech 2024 reforça que o futuro da inovação no agro passa por colaboração entre startups, instituições de pesquisa, investidores e produtores, para gerar soluções eficazes e ampliar a competitividade do setor agroalimentar brasileiro.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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mar 31 2025 Massas de ar polar a caminho do Brasil: veja quando chega o frio em abril
Mês vai marcar importantes mudanças nos padrões de temperatura e de chuva no Brasil
O mês de abril deve marcar o início efetivo do outono no Brasil, com a chegada das primeiras massas de ar frio de origem polar e uma mudança gradual no padrão de chuvas, segundo previsão da Climatempo.
A tendência é de que o mês seja de transição, com períodos mais curtos de temperaturas amenas no Centro-Sul do país e redução progressiva das precipitações em várias regiões.
De acordo com os meteorologistas, duas massas de ar polar devem se destacar em abril: uma no fim da primeira quinzena e outra no fim do mês.
A primeira queda de temperatura, entre os dias 5 e 8 de abril, trará um resfriamento leve de algumas áreas. Essa variação será sentida em porções da região Sul e Sudeste, assim como na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
Um pouco antes do fim da primeira quinzena do mês, aí sim deve ocorrer um resfriamento mais acentuado, já com possibilidade de geada nas áreas mais elevadas do Sul.
Além dessa região, a massa de ar frio deve ocasionar queda de temperatura de moderada a forte intensidade em partes de São Paulo e de Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, em Mato Grosso do Sul e no oeste e sul de Mato Grosso.
Já no fim do mês, há previsão da passagem de uma massa de ar frio de origem polar mais forte, ampliando o raio de abrangência. O resfriamento deve ser acentuado especialmente na região Sul, mas também espera-se uma queda forte de temperatura em muitas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste.
Apesar dessas incursões de ar frio, abril ainda deve ser caracterizado por dias quentes, com temperaturas acima da média em grande parte do país. Apenas o Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem terminar o mês com temperaturas ligeiramente abaixo da média histórica.
Chuvas em abril
Em relação às chuvas, abril costuma marcar a redução dos volumes em boa parte do território nacional, o que também é previsto para este ano. A exceção deve ocorrer em partes da região Sul, onde há expectativa de acumulados acima da média, e no extremo norte do país, sob influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que seguirá ativa.
A Climatempo prevê que, na primeira quinzena do mês, os maiores volumes de precipitação ocorrem no Sul e no Norte do Brasil. Estados como Amazonas, Pará e Amapá, além do litoral norte do Nordeste, entre o Maranhão e o Rio Grande do Norte, devem registrar episódios de chuva intensa. Belém (PA) e Manaus (AM) estão entre as cidades com maior volume previsto.
Na costa leste do Nordeste, especialmente em Salvador (BA), as chuvas devem ganhar intensidade, assim como no litoral do Sudeste. A combinação da passagem de frentes frias com a temperatura elevada do Atlântico Sul deve favorecer episódios de chuva forte em áreas como o litoral paulista e fluminense.
O Sul terá vários eventos de chuva forte ao longo do mês. No entanto, os volumes previstos são significativamente menores que os registrados em 2024, quando o Rio Grande do Sul enfrentou episódios de precipitação extrema.
Já na segunda quinzena de abril, espera-se a diminuição mais acentuada das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. Essa redução é uma característica típica do outono, que tende a se intensificar em maio.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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mar 31 2025 Manejo de pastagens: como evitar perdas e garantir rentabilidade na pecuária
Uso racional do pasto, adubação e suplementação são fundamentais para ganhos de peso e saúde animal, orienta técnica agrícola
O manejo eficiente das pastagens é uma das principais estratégias para garantir o bom desempenho do rebanho na pecuária de corte. A prática impacta diretamente o ganho de peso dos animais, a qualidade da forragem e a conservação do solo, fatores essenciais para a rentabilidade da atividade. O tema foi abordado pelo técnico agrícola e gerente de negócios da Casa da Lavoura Acre, Marcos Vinícius Schmitz, no quadro Raio X da Pecuária, do telejornal Mercado & Cia.
Segundo Schmitz, o manejo de pastagens é um conjunto de ações que busca manter a produção de capim por área, conservar o solo e garantir alimentação nutritiva e regular para os animais. “O objetivo é obter do rebanho a maior quantidade de carne e leite possível por hectare, sem comprometer o desenvolvimento da forrageira”, conta.Entre os principais fatores que influenciam o manejo, ele destaca a escolha da espécie forrageira, a adubação do solo, o controle de plantas daninhas e a lotação animal por área.
“A escolha da espécie [de forrageira] deve considerar a adaptação ao clima, a resistência a pragas e a palatabilidade para o rebanho. A correção do solo com calcário e a adubação repõem nutrientes essenciais, garantindo o equilíbrio necessário para o crescimento das plantas”, afirma.
No caso da lotação e pressão de pastejo, o técnico ressalta a importância de ajustes conforme o peso dos animais e o tamanho da área. “Superpastejo pode degradar a vegetação, enquanto o subpastejo leva à perda de forragem”, alerta.
Estratégias por fase de produção
Schmitz também pontua que o tipo de manejo varia conforme a fase da produção pecuária: cria, recria ou engorda.
Nas fazendas de cria, os pastos são maiores e os lotes permanecem de uma a duas semanas em cada área, com alternância entre três ou quatro piquetes. Já na fase de recria, o manejo é mais intensivo, com pastos rotacionados e suplementação proteica e energética.
“Algumas propriedades utilizam a recria intensiva a pasto (RIP), com suplementação de 1% a 2% do peso vivo por dia, o que acelera o ganho de peso”, diz.
Na fase de engorda, o manejo pode ser feito com pastagem rotacionada ou convencional, com suplementação adequada para otimizar o desempenho dos animais.
Tecnologias no campo
O uso de tecnologias digitais e de monitoramento também tem contribuído para tornar o manejo mais eficiente e sustentável. Entre as soluções adotadas estão monitoramento via satélite, drones, balanças eletrônicas, softwares de gestão e pulverização automatizada.
Além disso, Schmitz destaca a importância dos sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Esses modelos promovem rotação de culturas, diversificação da produção e melhoria da qualidade do pasto. “Essas estratégias contribuem para o bem-estar animal e para a sustentabilidade das fazendas”, afirma.
Apesar dos avanços tecnológicos, o gerente reforça a importância do treinamento contínuo das equipes no campo. “As tecnologias não substituem a capacitação da mão de obra. É preciso investir em conhecimento para aplicar as ferramentas corretamente e obter os melhores resultados”, finaliza.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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mar 26 2025 USDA amplia estimativa da safra de soja do Brasil para 169,5 mi de toneladas
O volume de soja é 4,5 milhões de toneladas maior do que a projeção anterior feita pelo USDA no fim de dezembro do ano passado
O Brasil deve produzir um volume recorde de 169,5 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, segundo estimativa do escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília. O valor é 4,5 milhões de toneladas maior do que a projeção anterior, do fim de dezembro. A previsão de produtividade subiu de 3,51 para 3,58 toneladas por hectare.Para as exportações, o USDA em Brasília elevou sua estimativa de 105 milhões para 108,3 milhões de toneladas.O USDA em Brasília projetou um aumento no processamento de soja em 2024/25, de 56 milhões para 56,55 milhões de toneladas. A projeção de produção de farelo de soja em 2024/25 foi ampliada de 43,1 milhões para 43,545 milhões de toneladas. Quanto ao óleo de soja, a produção foi revisada de 12 milhões para 11,31 milhões de toneladas.
Para 2025/26, o USDA estimou uma produção de soja de 173 milhões de toneladas, com a área plantada aumentando de 47,3 milhões para 48,2 milhões de hectares. O aumento esperado da área, de cerca de 2%, é inferior à média de cinco anos, de 6%, observou o escritório.
“Isso é resultado direto da safra 2024/25, marcada por altos custos de produção e preços estáveis após o aumento pós-Covid, resultando em margens reduzidas”, disse o USDA.
O rendimento deve ser de 3,59 toneladas por hectare, disse o USDA. Já as exportações foram projetadas em 112 milhões de toneladas.
O USDA em Brasília projetou o esmagamento em 2025/26 em 57 milhões de toneladas. A produção de farelo foi estimada em 43,89 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja foi projetada em 11,4 milhões de toneladas.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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mar 24 2025 Com oferta limitada, preço do leite ao produtor volta a subir
Cepea divulgou o Boletim do Leite do mês de março; confira os dados obtidos pelo Centro de Pesquisa da USP
Depois de registrar quedas ao longo do último trimestre de 2024, o preço do leite ao produtor voltou a subir neste começo de 2025. Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a cotação do leite captado em janeiro foi de R$ 2,6492/litro (“Média Brasil”), altas de 2,5% em relação ao mês anterior e de 18,7% frente a janeiro/24, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro).
Aumento da demanda e de custo eleva preços do leite UHT e da muçarela
Pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) aponta que, em fevereiro, o preço médio do leite UHT subiu 1,93% e o da muçarela, 0,33%, em relação ao mês anterior, passando para R$ 4,35/litro e R$ 33,20/kg, respectivamente.
De acordo com agentes consultados pelo Cepea, o impulso veio sobretudo do fortalecimento da demanda durante a primeira quinzena do mês. Além disso, o aumento nos custos, dada a elevação nos preços do leite cru, reforçou o movimento de alta destes derivados.
Importações de leite têm ligeiro aumento; exportações voltam a recuar
Em fevereiro, as exportações brasileiras de lácteos cresceram expressivos 26,92% em relação ao mês anterior, mas caíram 63,89% frente ao mesmo período do ano passado (fevereiro/24). As importações, por sua vez, subiram 3,76% no comparativo mensal e 16,7% no anual. Com isso, o déficit da balança comercial (em volume) avançou 3,2% de janeiro/25 para fevereiro/25, a 210,1 milhões de litros em equivalente leite, gerando saldo negativo de US$ 92,6 milhões.
Custos seguem em alta pelo sexto mês consecutivo
Os custos de produção da pecuária leiteira mantiveram-se em alta em fevereiro. Cálculos do Cepea mostram que o Custo Operacional Efetivo (COE) teve avanço de 0,49% em relação a janeiro/25, considerando-se a “média Brasil” (BA, GO, MG, SC, SP, PR e RS). Apesar da aparente estabilidade nos preços da ração, o encarecimento de outros insumos reforçou o movimento de alta.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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mar 24 2025 Colheita do arroz atinge 39,63% da área semeada no Estado
A colheita do arroz no Rio Grande do Sul continua a avançar, atingindo 39,63% da área semeada no Estado. De acordo com os dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), foram colhidos 385.469,88 hectares.
A Fronteira Oeste segue liderando a colheita, com 60,2% da área semeada já colhida, seguida pela Planície Costeira Externa com 46,68%, Planície Costeira Interna com 40,59%, Campanha com 29,69%, Região Central com 24,97% e Zona Sul com 18,7%.
Segundo Luiz Fernando Siqueira, gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural, a Fronteira Oeste foi a primeira a iniciar a semeadura e atingir 50% da área semeada no Estado, consequentemente sendo a primeira a iniciar o processo de colheita. “A colheita está avançando dentro da normalidade, dentro da nossa expectativa”, avalia Siqueira
Os dados sobre a colheita do arroz são coletados e divulgados semanalmente pelo Irga, por meio da plataforma Safra, que oferece informações precisas e detalhadas sobre o andamento da semeadura e da colheita. A plataforma é alimentada pelos 37 escritórios do Irga distribuídos em todas as regiões arrozeiras do Estado.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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mar 24 2025 Desafios e oportunidades da irrigação
Em um cenário de desafios hídricos cada vez mais acentuados, a irrigação se consolida como uma ferramenta cada vez mais essencial para a agricultura, permitindo que os produtores rurais mitiguem os efeitos da estiagem e aumentem a produtividade de suas culturas. O que no passado era visto por muitos como uma solução técnica isolada, passou a ser compreendido de forma mais ampla, levando em conta não apenas a infraestrutura e a tecnologia, mas também o seu impacto ambiental. Esse tema foi debatido recentemente no podcast RTC, transmitido ao vivo direto da Expodireto Cotrijal, com a participação de especialistas e produtores do setor agrícola.
Dr. Éder Mota, coordenador de difusão da CCGL, destacou a importância da irrigação para elevar os níveis de produtividade nas propriedades, permitindo que os produtores mantenham a produção mesmo em períodos de seca severa. A irrigação é fundamental para garantir a segurança alimentar e estabilidade na produção de forragens destinadas à alimentação animal, além de possibilitar a preservação da atividade agrícola, especialmente em regiões mais secas. Quando bem aplicada, ela pode transformar a realidade de uma propriedade, como ressaltou Paula Hoffmeister, assessora ambiental da Farsul, que destacou a importância da irrigação na mudança de dinâmica das propriedades rurais, como nas atividades leiteiras.
Desafios e regulação ambiental
Porém, a implementação de sistemas de irrigação envolve não apenas aspectos técnicos e econômicos, mas também um complexo cenário de regulamentações ambientais. A legislação ambiental que regula o licenciamento de atividades de irrigação, como a construção de açudes e barragens, por exemplo, passou por uma atualização recente.
Paula compartilhou detalhes sobre a nova resolução de licenciamento ambiental de irrigação, que, após um intenso processo de discussão, trouxe avanços significativos. Um dos principais pontos dessa atualização foi a simplificação do licenciamento para os equipamentos de irrigação, como pivôs e carreteis, que anteriormente exigiam licenciamento individualizado. Agora, o foco do licenciamento está no reservatório de água utilizado para irrigação, como açudes e barragens, e não mais nos equipamentos.
Além disso, a legislação isenta de licenciamento os açudes com área inferior a 5 hectares, o que representa uma simplificação importante para muitos pequenos produtores. A autorização para a supressão de vegetação nativa, entretanto, continua a ser necessária em casos específicos, especialmente quando se realiza a intervenção em áreas de preservação permanente (APP). Para captação direta em cursos d’água também há flexibilização não necessitando de licença ambiental, apenas se for fazer supressão vegetal.
A Visão do produtor: Potenciais e oportunidades
Leonardo Loureiro, produtor rural de Soledade e cooperado da Cotrijal, enfatizou que, apesar das vantagens da irrigação, muitos ainda têm receio de se envolver com as questões ambientais devido à complexidade do processo de licenciamento. O medo de enfrentar burocracia e custos com órgãos ambientais faz com que alguns produtores hesitem em implementar sistemas de irrigação.
Michel Kraemer, engenheiro agrônomo especialista em irrigação da CCGL, destacou que o principal desafio hoje é justamente esse: o desconhecimento e o medo do produtor em lidar com a legislação ambiental. Porém, com a flexibilização das normas, como a dispensa de licenciamento para equipamentos e a desburocratização de processos, ele acredita que muitos mais produtores poderão ser incentivados a adotar a irrigação e, assim, aumentar a produção agrícola, especialmente nas regiões com maior potencial de recursos hídricos.
Entre os benefícios apontados, a irrigação tem se mostrado indispensável para a manutenção da produção, principalmente no setor leiteiro. Seu Valdir Jacoby, produtor de leite de Selbach, associado da Cotrisoja, exemplificou como a irrigação foi crucial para garantir a segurança na produção de pastagem e, consequentemente, na alimentação do rebanho. Ele destacou a importância da água como o “nutriente principal” para a agricultura, que, ao ser corretamente gerida, assegura uma alta produtividade e mais estável.
Para o setor produtivo, a irrigação representa uma resposta eficiente ao problema do déficit hídrico, especialmente em anos de estiagem severa. Seu Dair Pfeifer, de Condor, associado à Cotripal, mencionou que a instalação de pivôs em sua propriedade foi resultado de uma análise cuidadosa sobre o impacto das secas nos últimos anos. A irrigação, em sua avaliação, foi um investimento necessário para garantir maior produção e qualidade da silagem, essencial para a alimentação do rebanho durante períodos críticos. Ele explicou que, ao conseguir garantir uma irrigação adequada, o custo extra com a ração foi reduzido, resultando na viabilidade econômica do investimento.
Leonardo Loureiro explicou que desde 2017, sua família tem investido na irrigação, focando na ampliação da área irrigada, com destaque para a melhoria na produção de pastagem e a qualidade do leite. A irrigação permitiu não apenas o aumento da produção, mas também um manejo mais eficiente da propriedade, refletindo diretamente na rentabilidade e na sustentabilidade do negócio.
Outro aspecto importante, discutido no podcast, é a relação entre a irrigação e a fertilidade do solo. Ao adicionar água ao solo, as raízes das plantas têm melhores condições de se desenvolver, mas é preciso garantir que o solo tenha boa estrutura física, química e biológica. Como mencionaram os especialistas, a água pode ajudar na disponibilização dos nutrientes, mas, para isso, o solo precisa ser bem preparado. O uso de palha e a manutenção da matéria orgânica, por exemplo, ajudam a preservar a umidade e protegem o solo contra as altas temperaturas, características típicas do clima brasileiro.
Além disso, a escolha das cultivares certas é crucial. Como mencionou o produtor Dair Pfeifer, nem todas as variedades de milho ou soja respondem da mesma maneira ao sistema de irrigação. Isso exige mais conhecimento e adaptação às condições locais, considerando a interação entre água, solo e clima. O foco está, portanto, em criar um ambiente favorável para o crescimento das culturas, levando em consideração a combinação entre os insumos tradicionais e a irrigação.
Por fim, o episódio trouxe à tona um ponto crucial: a irrigação não deve ser vista apenas como uma forma de aumentar a produção, mas como parte de um ecossistema agrícola que precisa ser equilibrado. Os produtores têm o desafio de pensar não apenas em como usar a água, mas também em como fazer a gestão do solo e das culturas para que o sistema seja sustentável a longo prazo. A irrigação pode ser um grande aliado, mas, como qualquer ferramenta, precisa ser utilizada com sabedoria, conhecimento e responsabilidade.
Fonte: https://rtc.coop.br/
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mar 20 2025 Copom eleva juros básicos da economia para 14,25% ao ano
Preço dos alimentos e incertezas globais influenciaram decisão
A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar mais uma vez os juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas externas, principalmente pela política comercial do país, suscitam dúvidas sobre a postura do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Em relação ao Brasil, o texto informa que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento.
Segundo o Copom, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.
“O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes.”, destacou o comunicado.Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.
“Para além da próxima reunião [a partir de junho], o comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação”, ressaltou.Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.
Essa foi a quinta alta seguida da Selic. A taxa está no maior nível desde outubro de 2016, quando também estava em 14,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.
Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e duas de 1 ponto percentual.
Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou em 1,48%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e o preço de alguns alimentos contribuíram para o índice.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta do ano passado. Pelo novo sistema de meta contínua em vigor a partir deste mês, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2025, a inflação desde abril de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em abril, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.
No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de março.
As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,66%, mais de 1 ponto acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 5,6%.
O comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 5,1% em 2025 (acima do teto da meta) e 3,9% no acumulado em 12 meses no fim do terceiro trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.
O Banco Central aumentou as estimativas de inflação. Na reunião anterior, de janeiro, o Copom previa IPCA de 5,2% em 2025 e de 4% em 12 meses no fim do terceiro trimestre de 2026.
Crédito mais caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico.
No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 2,1% a projeção de crescimento para a economia em 2025.
O mercado projeta crescimento um pouco menor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,99% do PIB em 2025.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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mar 20 2025 Conforto e bem-estar animal: traduzindo vacas leiteiras
O bem-estar das vacas leiteiras é um tema cada vez mais relevante dentro do setor agropecuário, refletindo diretamente na produtividade e lucratividade das propriedades. Durante o Podcast RTC, na Expodireto Cotrijal, especialistas e produtores abordaram a importância de entender o comportamento desses animais para garantir a sua saúde e otimizar a produção de leite.
O debate, que contou com a participação do professor Marcelo Cecim, da Universidade Federal de Santa Maria, da médica Veterinária e Coordenadora do Programa de Brucelose e Tuberculose da CCGL, Vanesa Schneider e dos produtores Margarete Strobel e Diogo Vicenzi, destacou a necessidade de uma abordagem mais profunda sobre o comportamento das vacas e o impacto que isso tem nas suas condições físicas e psicológicas.
De acordo com Cecim, o comportamento animal é um reflexo direto de seu bem-estar. “Às vezes percebemos que uma vaca não está bem, mas não damos a devida atenção aos sinais sutis que ela nos envia. A compreensão desses sinais pode fazer toda a diferença no manejo e no cuidado com os animais”, explicou. O professor enfatizou que a tecnologia, como a inteligência artificial aplicada ao monitoramento do comportamento das vacas, tem sido um avanço importante, mas não deve substituir o contato direto dos profissionais com os animais.
O professor explicou que a vaca, para se manter saudável, necessita de um tempo adequado de descanso. Estima-se que ela deva passar entre 12 a 14 horas deitada, um período essencial para o seu bem-estar físico e psicológico. “Se as vacas passam mais tempo em pé ou demonstram desconforto, isso pode ser um indicativo de problemas, seja com o ambiente, a alimentação ou até mesmo com a saúde delas”, afirmou.
Além disso, o debate ressaltou que fatores como a qualidade da cama, a temperatura ambiente e manejos excessivos podem influenciar diretamente na saúde das vacas. O estresse térmico, por exemplo, é um fator importante a ser considerado, já que as vacas sentem calor durante períodos específicos do dia, e a falta de condições adequadas para o descanso pode comprometer sua saúde e sua produção.
Margarete Strobel comentou sobre a experiência de sua propriedade e a importância de respeitar o comportamento natural das vacas. “Para nós, cuidar das vacas é cuidar do nosso patrimônio. O comportamento delas reflete a saúde do rebanho, e investir no bem-estar animal é garantir que a produção de leite seja sustentável e de qualidade”, afirmou.
O episódio também mencionou as “Cinco Liberdades”, princípios que são fundamentais para garantir o bem-estar animal: liberdade de fome e sede, de desconforto, de dor, lesões e doenças, de expressar comportamento natural e de medo e angústia. Essas liberdades devem ser consideradas em todas as etapas do manejo, desde o ambiente até os cuidados diários com os animais.
Vanessa Schneider evidenciou que, para garantir a saúde e o bem-estar das vacas leiteiras, é necessário um olhar atento e um manejo responsável que leve em consideração o comportamento dos animais, respeitando suas necessidades fisiológicas e comportamentais. O investimento no bem-estar animal não só melhora a saúde dos rebanhos, mas também reflete diretamente na qualidade do leite produzido e na sustentabilidade da atividade.
Para Cecim, a utilização de ferramentas como coleiras e pedômetros para monitorar o comportamento das vacas, diagnosticando possíveis problemas antes mesmo de se manifestarem fisicamente, é uma tendência crescente. A inteligência artificial tem se mostrado uma grande aliada nesse processo, porém, é fundamental que as propriedades estejam preparadas para integrá-la adequadamente.
Diogo, ao abordar o uso da tecnologia na propriedade, ressaltou a importância de uma equipe dedicada e de estar no ponto certo de desenvolvimento para utilizar essas ferramentas de maneira eficaz. Embora sua fazenda ainda não esteja totalmente pronta para implementar essas inovações, ele reconhece o valor da tecnologia e acredita que, no futuro, ela será uma aliada valiosa.
“Nosso objetivo é sempre melhorar o ambiente e as condições para as vacas. A tecnologia nos ajuda a entender melhor o que elas estão passando, antes que qualquer sintoma físico apareça. No entanto, é um processo que exige preparação e conhecimento”, comentou Diogo.
A integração de novas tecnologias, como a inteligência artificial e ferramentas de monitoramento, certamente transformará a forma como as fazendas operam. Embora a equipe ainda esteja no processo de adaptação, a ideia de preparar uma nova geração de produtores, como a filha de Diogo, que está se envolvendo ativamente na fazenda, promete um futuro promissor.
O professor Marcelo também destacou a importância do ambiente social das terneiras, enfatizando que, ao proporcionar condições adequadas para elas se desenvolverem, as propriedades podem garantir animais de melhor qualidade no futuro. “O comportamento dos animais é fundamental, e cada pequeno detalhe, como oferecer brinquedos ou permitir que se esfreguem, pode fazer uma enorme diferença no longo prazo”, destacou o professor.
Ao encerrar a conversa, ficou claro que a produção de leite e o cuidado com o bem-estar animal não se limitam apenas a práticas técnicas, mas envolvem uma abordagem holística que inclui o ambiente, a alimentação e até mesmo a interação social. A combinação entre tradição e inovação é o que permitirá aos produtores seguir avançando em direção a um futuro mais sustentável e produtivo.
Fonte: https://rtc.coop.br/
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mar 11 2025 Rápido aquecimento do Pacífico prenuncia a chegada do El Niño
Também chamado de El Niño Costeiro, evento pode causar problemas em regiões importantes do agronegócio nacional
Na semana passada, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um boletim mostrando que as águas do Oceano Pacífico Equatorial, na costa do Peru, tiveram um rápido aquecimento – a amplitude térmica ficou 1,5° C acima do normal. Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, isso significa que a região já enfrenta o fenômeno El Niño Costeiro, um prenúncio da chegada do El Niño.
O meteorologista explicou que se o evento climático persistir, no Brasil, o rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial pode provocar seca no norte do Pará e Roraima e causar chuvas fortes no litoral do Equador e Peru a partir dos meses de abril e maio.
Arthur também informou que se o aquecimento das águas prosseguir, o El Niño estará efetivamente em vigor até o fim deste ano.
Ele relembrou que o fenômeno pode ocasionar problemas em áreas importantes do agronegócio brasileiro, com excesso de chuvas na região Sul do Brasil e a falta da mesma, principalmente, em estados que compõem o Matopiba (Centro- Oeste e Nordeste e Norte do país) e temperaturas acima da média no período.
O El Niño afeta a circulação atmosférica global, alterando o clima, não apenas na América do Sul, mas em várias regiões do planeta, podendo durar até dois anos ou mais.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/