Notícias

  • Fase 1 do acordo comercial entre China e Estados Unidos é assinada 

    A fase um do acordo comercial entre China e Estados Unidos foi oficializada e assinada nesta quarta-feira, 15 de janeiro de 2020. O anúncio, como vinha sendo esperado e especulado pelo mercado, foi morno e sem muitos detalhes. A cerimônia aconteceu na Casa Branca.

    O texto traz especificado compras da nação asiática na ordem de US$ 77,7 bilhões em manufaturados, US$ 32 bilhões em produtos agrícolas, US$ 52,4 bilhões em energia e US$ 37,9 bilhões em serviços nos próximos dois anos, ou seja, até dezembro de 2021.

    O texto detalha ainda que “as partes reconhecem que as compras serão feitas a preços baseados nas condições de mercado e considerações comerciais, particularmente no caso de produtos agrícolas, podem determinar o momento das compras dentro de um determinado ano”.

    Além disso, o acordo prevê ainda que sejam importados pela China ao menos US$ 12,5 bilhões para 2020 sobre o patamar de 2017. E esse montante sobe para US$ 19,5 bilhões para 2021, também tomando como base 2017, que foi o ano antecessor do ano de início da guerra comercial e as compras chinesas foram de US$ 19,6 bilhões.

    Em seu discurso, porém, o presidente Trump afirmou que as compras da China em produtos agrícolas norte-americanos poderia chegar a ateé US$ 50 bilhões, depois de sua equipe ter sugerido algo perto de US$ 20 bilhões.

    “Eu disse ‘vamos elevar a US$ 50 bilhões’. E disse ainda que amo nossos produtores. Deixe que eles me encontrem e digam que conseguiram isso (atender à toda esta demanda da China). Diga a eles que comprem um trator maior e mais um pedaço de terra. Não tenho dúvida de que são capazes de fazer isso”, afirmou Trump durante a cerimônia.

    Na cerimônia, o discurso de abertura foi do presidente americano Donald Trump, que detalhou as relações comerciais entre os dois países, e nomeou os principais nomes que participaram das negociações entre os dois países em todo esse período de conflito de quase dois anos.

    “É um acordo incrível para os EUA, um acordo muito bom para os dois países”, diz o presidente americano. “A China está nos ajudando muito e nós estamos ajudando muito a China também”. Segundo ele, trata-se do maior acordo comercial da história, algo “histórico”.

    E completou dizendo: “Nós nem tínhamos um acordo com a China, e eu não culpo a China. Culpo nossos presidentes anteriores. Estamos aqui promovendo uma mudança no comércio internacional. E para as próximas negociações continuamos focados na harmonia e prosperidade com a China. E isso vai nos guiar para uma paz mais forte no mundo”.

    Ainda segundo o presidente americano, ambas as delegações já deverão retomar as conversas e rodadas de negociação para a fase dois do acordo assim que a primeira for concluída e implementada efetivamente. Tanto a China, quanto os EUA não acreditam que uma terceira fase será necessária. “Isso que estamos fazendo aqui hoje é algo sem precedentes”, disse o presidente americano.

    O texto contempla, portanto, um compromisso da China em compras nos EUA de US$ 200 bilhões, em manufaturados, energia, produtos agrícolas e serviços – nos próximos dois anos. O acordo conta ainda com alguns padrões mais bem definidos para a relação das moedas americana e chinesa.

    Além disso, Trump ainda reforçou a manutenção das tarifas americanas sobre produtos chineses – ao menos até a conclusão da fase dois – como forma de contar com o comprometimento da nação asiática com o cumprimento dos termos do documento assinado nesta quarta-feira.

    Na sequência, o vice premiê Liu He deu início à sua fala com uma carta do presidente chinês Xi Jinping a Trump. Depois, afirmou que a China irá comprar produtos norte-americanos baseada nas condições de mercado. E fala ainda sobre o comprometimento do país em fazer valer cada termo do acordo firmado nesta quarta-feira.

    Acordo EUA-China inclui compra de oleaginosas, carnes, cereais e algodão norte-americanos

    Estadão Conteúdo

    Por Leticia Pakulski

    São Paulo, 15/01/2020 – O texto da fase 1 do acordo comercial entre Estados Unidos e China prevê aumento de compras chinesas de produtos agropecuários norte-americanos de US$ 12,5 bilhões em 2020 e US$ 19,5 bilhões em 2021, totalizando em dois anos US$ 32 bilhões. Conforme o anexo do documento divulgado pelo governo, as novas compras chinesas no país serão distribuídas entre oleaginosas, carnes, cereais, algodão, frutos do mar e outras commodities agrícolas dos EUA. O documento, entretanto, não traz metas de compras por volume ou receita para cada grupo de commodities.

    Em relação às carnes estão incluídas bovina e suína in natura e congelada. Quanto à carne de frango, o acordo indica que os EUA e a China deverão implementar protocolo de cooperação sobre notificação e procedimentos de controle para doenças de frangos 30 dias após a entrada em vigor do acordo.

    Já entre os cereais, aparecem como possíveis produtos a serem adquiridos trigo, milho, arroz e sorgo. O grupo de outras commodities inclui alfafa, citros, laticínios, suplementos alimentares, bebidas destiladas, grãos de destilaria secos, óleos essenciais, etanol, cenouras frescas, frutas e legumes, ginseng, alimentos para animais de estimação, alimentos processados, nozes e vinho, além de outros itens como aves vivas e óleo de soja.

    O acordo indica ainda que os dois países desejam tornar a agricultura “um forte pilar da relação bilateral”. O documento sinaliza que EUA e China pretendem intensificar a cooperação na agricultura para expandir o mercado de cada país para alimentos e produtos agrícolas e promover o crescimento do comércio desses itens entre as partes.

    Presidente chinês diz a Trump que dá as boas vindas à Fase 1 do acordo comercial

    LOGO REUTERS

    PEQUIM (Reuters) – O presidente chinês, Xi Jinping, disse em carta a seu par norte-americano, Donald Trump, que dá as bolsas vindas à Fase 1 do acordo comercial alcançado com os Estados Unidos e que deseja permanecer em contato próximo com o presidente dos EUA.

    Na carta –lida pelo vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, durante a assinatura do acordo em Washington nesta quarta-feira–, Xi também disse a Trump que o acordo mostra como os dois países podem resolver suas diferenças e encontrar soluções baseadas no diálogo.

    (Por Stella Qiu e Se Young Lee)

    Compras agrícolas mediante “condição de mercado” ampliam dúvidas sobre acordo EUA-China

    CHICAGO (Reuters) – A promessa da China de comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos mediante “condições de mercado”, divulgada nesta quarta-feira durante a cerimônia de assinatura do acordo comercial de Fase 1 entre os países, ampliou as dúvidas de produtores e operadores de commodities, já aguçadas pela manutenção das tarifas sobre exportações norte-americanas.

    O pacto, que visa reduzir as tensões após quase dois anos de guerra comercial, inclui um compromisso da China de comprar ao menos 12,5 bilhões de dólares adicionais em bens agrícolas norte-americanos em 2020, além de pelo menos 19,5 bilhões de dólares adicionais em 2021. Ambos os valores têm como baliza os níveis de 2017, de 24 bilhões de dólares.

    Segundo pessoas familiarizadas com as negociações, a insistência do presidente dos EUA, Donald Trump, em um grande acordo para compras de produtos agrícolas foi um importante ponto de divergência nas conversas. A China desejava ter liberdade para comprar com base nas demandas.

    Nesta quarta-feira, falando ao lado de Trump, o vice-premiê chinês, Liu He, afirmou que as empresas chinesas vão comprar produtos norte-americanos “baseadas em condições de mercado”.

    A declaração pressionou as cotações da soja na bolsa de Chicago, que chegaram a recuar 1% ao longo da sessão.

    “A soja despencou depois disso”, afirmou Terry Reilly, analista sênior de commodities da Futures International. “‘Quando o mercado ditar’ significa que eles podem não retornar (ao mercado dos EUA) por 36 meses. Quem é que sabe? Isso significa ‘quando eles precisarem e o preço for o certo’.”

    Ted Seifried, estrategista-chefe da corretora Zaner Group em Chicago, disse que a falta de números específicos para as compras também foi decepcionante.

    Além disso, o acordo não reduziu as tarifas aplicas às principais exportações agrícolas dos EUA para a China, como soja, sorgo e carne suína –esta, sujeita a uma taxa de 68% mesmo com o aumento da demanda chinesa pela proteína, após a peste suína africana devastar a criação de porcos do país.

    “Estou otimista e muito agradecido, mas nós realmente precisamos que as tarifas sejam removidas para que nossos produtores obtenham o máximo benefício”, afirmou David Herring, presidente do Conselho Nacional de Produtores de Carne Suína dos EUA.

    Operadores chineses também expressaram dúvidas.

    “Meu sentimento é de que a China não está conseguindo nada com isso (o acordo)”, disse um operador agrícola com base no país asiático. “Só está gastando um pouco de dinheiro para ter um pouco de paz em troca.”

    Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
    Fonte: Notícias Agrícolas
  • Estiagem leva Júlio de Castilhos a elaborar decreto

    O município somou-se as mais de 40 cidades do estado do Rio Grande do Sul que decretaram situação de emergência por causa da falta de chuva. O documento foi assinado pelo Prefeito João Vestena no final da tarde de ontem, dia 14.

    Já o prefeito de Tupanciretã, Carlos Augusto Brum de Souza, assinou na manhã desta quarta-feira.


    A iniciativa das prefeituras visa a facilitar o recebimento de recursos e, assim, amenizar os problemas dos agricultores, ajudando também na renegociação de dívidas.

    CONHEÇA O COTRIFÁCIL, O MERCADO ONLINE DA COTRIJUC. CLIQUE AQUI!


    A estiagem afetou a agricultura e também a pecuária dos municípios.

    Fonte informações: Prefeituras de Júlio de Castilhos e Tupanciretã

    ATUALIZAÇÃO!

    O Prefeito João Vestena assinou o Decreto nº 6.829 que decreta situação de emergência em virtude da estiagem prolongada. Além de Júlio de Castilhos, outros 14 municípios também decretaram a situação de emergência.

    Este Decreto tem validade local, e foi encaminhado nesta terça-feira(14) à Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul para que a mesma venha até o município fazer a vistoria em relação aos dados apresentados e aprove ou não a situação de emergência. Após o deferimento por parte do estado, a análise segue para o governo federal. Segundo um dos responsáveis pela Defesa Civil de Júlio de Castilhos, Luis Roberto Dutra, ‘ existe toda uma documentação e registros inclusive fotográficos que são solicitados pelo Estado a fim de subsidiar o pedido feito através do decreto ‘, informa.

    A EMATER, após reunião do Conselho Agropecuário, calcula as perdas estimadas em 28% (soja), 75% (milho) e 30% (leite). Em valores reais, os prejuízos ultrapassam os 100 milhões de reais.

    O Prefeito João Vestena concedeu entrevista à RBS TV Santa Maria nesta quarta-feira, onde destacou que ‘a assinatura do decreto foi imprescindível a fim de que os produtores tenham instrumentos legais e subsídios para amenizar as perdas. Toda a economia da cidade perde com os prejuízos, desde o comércio de maquinários, insumos e também o próprio comércio em geral, que tem movimentação intensa devido às safras. Assinamos o decreto e estamos monitorando a situação junto às autoridades competentes‘ conclui.

    Acesse AQUI o decreto.

    ASCOM/PREFEITURA

  • Seca agrava escassez do milho

    A estiagem que atinge o sul do Brasil afeta a produção e a produtividade das lavouras de milho e de soja. Para Santa Catarina, maior importador de milho do País, a seca pode agravar o abastecimento das cadeias de aves e suínos.

    Levantamento preliminar da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) aponta que a metade sul do território barriga-verde – considerando a BR-282 como linha divisória – foi a mais afetada.

    O vice-presidente Enori Barbieri acionou os Sindicatos Rurais filiados à FAESC para obter um quadro atualizado da situação. Uma faixa territorial do lado catarinense do Vale do Rio Uruguai, desde Itapiranga até os campos de Lages, está comprometida. O milho retido na propriedade para nutrição do gado leiteiro (milho-silagem) teve redução de 40%, o que certamente impactará a produção de lácteos.

    Grande produtora de grãos, a região do meio oeste foi muito prejudicada. Em Campos Novos, 18% dos 55.000 hectares de soja, 15% dos 12.000 hectares de milho e 12% dos 5.000 hectares de feijão foram perdidos. O município já contabiliza R$ 45 milhões em prejuízos econômicos. No oeste e extremo oeste as perdas situam-se em 30%

    Já havia uma previsão de insuficiência de milho em decorrência de fatores naturais (seca em outros Estados, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada) e econômicos (aumento das exportações do grão em face da situação cambial favorável). Agora, com a extensão da estiagem, agrava-se o quadro de abastecimento.

    Barbieri assinala que é crucial encontrar novas fontes de abastecimento interno, observando que o preço da commodittie registra elevação consistente no mercado brasileiro.

    O presidente da FAESC José Zeferino Pedrozo – que também é vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – avalia que a saída será ampliar as importações de milho da Argentina e do Paraguai. Além disso, deve prosperar a chamada Rota do Milho que ligará o oeste catarinense com a região produtora do Paraguai. Esse país-membro do Mercosul situa-se muito próximo do grande oeste de Santa Catarina,  produz 5,5 milhões de toneladas, mas pode chegar a 15 milhões com o estímulo das importações brasileiras.

    Em resumo: a Faesc prevê que deve faltar milho ainda neste primeiro semestre. “O cenário é preocupante porque, da demanda total, 96% destinam-se à nutrição animal, principalmente dos plantéis de aves e suínos”, expõe o dirigente.

    O mercado interno ficará dependente da segunda safra (a “safrinha”), a ser colhida em julho, que responde por 70% da produção total de milho. A safra dependerá totalmente do clima e, se as chuvas não forem suficientes, o quadro de oferta e demanda ficará extremamente desequilibrado. A agroindústria espera que a segunda safra de milho garanta o abastecimento no segundo semestre, regularizando o cenário de oferta.

  • Agricultura do futuro é a holandesa, diz FEM

    O Fórum Econômico Mundial (FEM) afirmou que a Holanda é um exemplo em agricultura eficiente e sustentável, sendo o segundo maior exportador agrícola do mundo. Deste modo o país, apesar de pequeno, se torna um exemplo da agricultura do futuro.

    Os holandeses exportam, anualmente, cerca de 101 bilhões de euros em itens do agronegócio, o que dá aproximadamente US$ 111 bilhões, sendo que US$ 10 bilhões são em materiais e tecnologia. Já no Brasil a exportação do agronegócio ficou em US$ 100 bilhões em 2018.

    “A Holanda está bem cheia. Nossa terra é bastante cara e a mão-de-obra também, por isso precisamos ser mais eficientes do que os outros para competir. E essa competição impulsiona inovação e tecnologia”, comentou Ad van Adrichem, gerente geral da fazenda de tomates Duijvestijn.

    A fazenda usa a energia geotermal é utilizada para aquecer as estufas e as plantas da fazenda crescem em um sistema hidropônico que usa menos água. “Nossas estufas cobrem uma área de 14 hectares e produzimos cerca de 100 milhões de tomates por ano”, diz o gerente.

    “Às vezes, soluções sustentáveis custam um pouco mais a curto prazo, mas a longo prazo elas devem ser mais eficazes e é isso que estamos vendo”, afirmou Ad van Adrichem, gerente geral da fazenda Duijvestijn.

    O recente Relatório de Recursos Mundiais, elaborado pelo próprio Fórum, adverte que, se o atual nível de eficiência de produção continuar, alimentar o planeta em 2050 exigiria “limpar a maior parte das florestas remanescentes do mundo, eliminar milhares de espécies e liberar emissões de gases de efeito estufa suficientes para exceder as metas de temperatura consagradas no Acordo de Paris”.

  • RS terá rápida frente fria nesta semana

    Nos últimos sete dias, choveu por volta de 100mm na Região Central, 35mm na Fronteira Oeste e na Planície Costeira Interna, porém, menos de 10mm na Zona Sul, Campanha e Planície Costeira Externa. Os índices de umidade do solo estão abaixo de 40% neste momento na maior parte das áreas. No entanto, a irrigação ainda não foi afetada nas áreas que recebem água do Rio Jacuí.

    Semana com tempo aberto e quente no Rio Grande do Sul, o que permite maior evapotranspiração. Uma rápida frente fria passa pelo Estado entre quarta-feira (15) e quinta-feira (16), mas mesmo com chuva forte os acumulados não revertem o déficit hídrico da maior parte do RS. Atenção apenas ao granizo previsto neste sistema. Na próxima semana há chuvas muito isoladas e intercaladas com períodos mais prolongados de tempo seco e quente.

    Na Fronteira Oeste semana com tempo firme e seco na maior parte dos dias. Entre quarta-feira (15) e quinta-feira (16), uma rápida frente fria passa pelo Estado, trazendo rajadas de vento e trovoadas. Há alto potencial para queda de granizo na passagem do sistema. Os acumulados são modestos e ficam na casa dos 20mm. Nos demais dias da semana, o tempo fica mais firme e com bastante calor em toda essa região orizícola.

    Nas regiões da Campanha, Central, Planície Costeira Interna, Planície Costeira Externa e Zona Sul semana com tempo firme e seco na maior parte dos dias. Entre quarta-feira e quinta-feira, uma rápida frente fria passa pelo Estado, trazendo rajadas de vento e trovoadas. Há baixo potencial para queda de granizo na passagem do sistema. Os acumulados são modestos e ficam na casa dos 15mm. Nos demais dias da semana, o tempo fica mais firme e com temperaturas em elevação.

  • Cobertura de solo pode ajudar a amenizar estiagem

    Redução na quantidade de chuvas e temperaturas extremas resultaram em estiagem no Rio Grande do Sul indicando perdas na safra de verão 2019/2020. Muitos produtores estão investindo em estratégias de manejo de solo que podem amenizar os impactos do déficit hídrico nos cultivos de grãos de verão.

    Segundo levantamento inicial realizado na primeira semana de janeiro pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), com base em informações coletadas junto a 22 cooperativas associadas a rede, as perdas no milho estão estimadas em 33% e na soja em 13%.

    A falta de chuvas afetou mais o milho em função do estágio das lavouras que atravessavam o desenvolvimento vegetativo e a floração. No momento, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS (09/01/20), 75% da soja está em desenvolvimento vegetativo e outros 22% das lavouras estão em plena floração.

    Estiagem ou seca?

    De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Genei Antonio Dalmago, estamos atravessando um período de estiagem no Rio Grande do Sul, quando as lavouras reduzem o potencial produtivo por falta de água. “Se o quadro de falta de água se mantiver, podemos evoluir para uma condição de seca mais intensa, com risco de perda total da lavoura”, informa Genei.

    Os dados meteorológicos coletados junto as estações do INMET confirmam a estiagem em diversos municípios do Estado. Além da distribuição irregular das chuvas nos meses de novembro e dezembro, houve diversos registros de temperaturas extremas, com valores até 1ºC acima da média histórica, com máximas passando dos 40ºC em vários municípios gaúchos.

    A estação meteorológica da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, registrou poucas e esparsas chuvas no período de 10/11/19 a 09/01/20 (veja no gráfico). Em novembro, as precipitações somaram 115 milímetros (mm) e estiveram concentradas na primeira semana do mês, seguida de 20 dias sem chuva. O mês também registrou temperaturas do ar mais altas, com mínimas em torno dos 15ºC e máximas acima dos 30ºC. Em dezembro, foram 25 dias sem chuvas, com pancadas isoladas que resultaram em 47,6 mm no mês, o que representa apenas 27% da média histórica. No final de dezembro, as temperaturas passaram dos 36ºC, com umidade relativa do ar abaixo de 60% e insolação 30% superior à média. Até o dia 9 de janeiro, a umidade relativa do ar estava -8% abaixo do normal.

    O cenário foi um pouco diferente na região noroeste do RS, onde o volume de chuvas pode ser considerado satisfatório, com 332 mm acumulados entre novembro e dezembro na estação de São Luiz Gonzaga. O problema na região foram as altas temperaturas do ar, com máximas próximas a 40ºC na maioria dos dias. As mínimas também superaram os 18ºC.

    Em teoria, uma planta consome entre 5 a 7 mm de água por dia, valor que  pode variar em função do ambiente, como calor/frio, radiação solar disponível, capacidade de armazenamento de água no solo, e outros. Avaliando a quantidade  de chuva em Passo Fundo, 47 mm em todo o mês de dezembro supriria as necessidades da planta por apenas uma semana. “Esta é a maior estiagem nos últimos dez anos. Ainda mais expressiva do que o verão de 2013, última estiagem registrada no RS, quando choveu 66,4 mm em dezembro”, conta o analista do laboratório de meteorologia da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato.

    Estresse térmico

    De acordo com o pesquisador Genei Antonio Dalmago, muitas plantas estão apresentando estagnação no crescimento em função do estresse térmico que veio associado ao estresse hídrico. “Mesmo nos casos em que existe disponibilidade hídrica, as plantas estão enfrentando altas temperaturas do ar, mesmo à noite, quando não sofrem diretamente com a radiação solar mas aumentam a respiração, o que se traduz em perda de reservas que iriam para os grãos. Quando a planta está sob constante estresse térmico, ela para de crescer e, em determinadas situações, interrompe o processo de fotossíntese”.

    Cenários

    O último relatório do INMET (23 de dez/2019), indica um cenário de neutralidade climática no Sul do Brasil, ou seja, sem a ocorrência de fenômenos como El Nino (chuvas intensas) ou La Nina (falta de chuvas). Porém, o prognóstico para o RS (jan e mar/2020) indica redução do transporte de umidade da Amazônia para o Sul, implicando na redução de chuvas e temperaturas acima da média histórica.

    De acordo com as previsões, a redução das chuvas tende a ser maior em fevereiro, mês importante para a fase de enchimento de grãos na soja. Contudo, as chuvas ocorridas nos últimos dias (com 76 mm em Passo Fundo nos dias 10 e 11 de janeiro), com boa distribuição no Estado do RS, podem amenizar os efeitos da estiagem.

    Como amenizar os efeitos da estiagem

    A Embrapa Trigo preconiza algumas ações de manejo que podem reduzir perdas por estiagens na produção de grãos. A adoção de práticas de conservação do solo é solução mitigadora reconhecida pelos produtores do RS.

    Estiagens de curta duração têm sido uma das causas de frustração agrícola na safra de verão, especialmente em situações de compactação de solo. De acordo com o Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, a degradação de solo pode ser percebida, normalmente, na camada de 5 cm a 20 cm de profundidade. “A camada superficial, até 5 cm, geralmente apresenta elevada fertilidade, favorável ao desenvolvimento das plantas. Já na camada subsuperficial, de 5 cm a 20 cm, o solo se encontra frequentemente compactado”, explica ele e complementa “a degradação física do solo não permite o aprofundamento das raízes e, com poucos dias sem chuva (5 a 10 dias), o cenário é de estiagem nas lavouras porque as plantas não conseguem absorver água suficiente num solo compactado”.

    Em 2014, um experimento avaliou a produtividade da soja em lavoura comercial em Sarandi, RS, depois da ocorrência de 30 dias sem chuva, seguida de uma precipitação de 7 mm, sequenciada por 45 dias sem chuva e por duas semanas com picos de temperatura superior a 40°C, antecedendo a colheita. A produtividade da soja sob forte estresse hídrico foi de 3.458 kg por hectare (ha), três vezes maior que a média da região. A taxa de infiltração de água no solo foi de 92 mm/h na área em que foram combinadas práticas mecânicas e de diversificação de culturas enquanto em área sem as práticas, a taxa de infiltração foi de 13 mm/h. Além de cobertura permanente no solo, a propriedade de 149 hectares conta com terraços, instalados há mais de 17 anos.

    Nesta safra, os efeitos da palhada para amenizar a estiagem na soja foram sentidos pelo produtor Evandro Martins, que implantou 80 ha de soja e 25 ha de milho em Passo Fundo, RS. Além da descompactação do solo e investimentos em corretivo e fertilizantes, o produtor trabalha com o processo colher-semear, isto é, a colheita de verão é seguida pela semeadura de gramíneas que cobrem o período de vazio outonal até a implantação da lavoura de inverno. O investimento no solo, prática constante na propriedade há 20 anos, mostrou resultados importantes nesta safra: “Semeamos a soja sobre 8 toneladas de matéria seca de aveia. Esta soja não sofre tanto com a estiagem, mantendo a umidade e a atividade biológica do solo. Estimo uma quebra de 25 a 30%, enquanto os outros produtores da região falam em perdas de 70%. No milho, nossa quebra deverá ficar em 30%”, conta Martins.

    O centeio no inverno cobre grande parte da propriedade da família Cereta, em Sobradinho, RS. “Além de reduzir a temperatura do solo com a palhada, as raízes fortes do centeio também ajudam na descompactação do solo, mostrando uma soja mais vigorosa do que nas áreas que foram cobertas por aveia ou azevém”, avalia a engenheira agrônoma Juliana Cereta. Segundo ela, a região central não sofre muito com a estiagem até agora, registrando chuva frequente em pequenos volumes quase toda a semana. “Vamos sentir os impactos do clima, mas com uma quebra menor do que as demais regiões do Estado”, afirma, apostando num rendimento de grãos na soja pouco abaixo dos 75 sacos/ha colhidos na safra passada.

    Em São Gabriel, RS, onde a área de soja triplicou nos últimos 10 anos, a semeadura estava suspensa por falta de umidade no solo que persiste desde o mês de novembro. Contudo, as lavouras que foram semeadas estão suportando bem a estiagem, mesmo em solos mal drenados e pouco profundos. Com a soja entrando no período reprodutivo, a estimativa é manter o nível de perdas em 15%. Para o engenheiro agrônomo do escritório municipal da Emater/RS, Renato Barreto, a prática de cobrir o solo com aveia no inverno pode ter ajudado a amenizar os efeitos do clima adverso. “Muitos produtores utilizam o inverno para a engorda do gado, rapando a lavoura e deixando pouca cobertura para o verão. Iniciamos um trabalho de conscientização que mostra os resultados agora, num momento difícil para a soja”, explica Barreto.

  • RTC finaliza segunda rodada de avaliação de experimentos que testam a seletividade de herbicidas

    A CCGL, através do projeto da Rede Técnica de Pesquisa (RTC), realiza na safra 2019/2020 experimentos em conjunto com as cooperativas associadas. Dentre eles, um experimento busca avaliar a seletividade de herbicidas pré-emergentes à soja. Nesta quinta-feira (09/01), foi finalizada a segunda rodada de avaliações nas áreas experimentais das cooperativas Cotrijal e Cotripal. Além destas, o experimento também está em condução nas cooperativas Cotricampo, Coopermil e Cotrijuc.

       Conforme o pesquisador da CCGL e coordenador do experimento Mario Bianchi, cada rodada de avaliação consiste em identificar os possíveis danos à soja após a aplicação dos herbicidas. Os herbicidas pré-emergentes são produtos que visam controlar as plantas daninhas sem causar danos significativos à cultura, e seu uso auxilia na manutenção do potencial produtivo da lavoura – explica Mário.

       Segundo o gerente de pesquisa e tecnologia da CCGL Geomar Corassa, a condução de pesquisa colaborativa é importante para a geração de dados robustos e que posteriormente servirão de base para decisões assertivas. Informações de qualidade fazem toda a diferença quando se fala em aumento da rentabilidade – completa Geomar.

      Para o responsável técnico da área experimental da Cotrijal Valmir Dapont, a informação gerada pelo experimento é importante, pois resultará em mais produtividade e rentabilidade para os produtores. O gerente técnico agronômico da Cotripal Denio Oerlecke entende que as pesquisas desenvolvidas pela RTC são iniciativas fundamentais para a evolução da agricultura.

      A próxima rodada de avaliações se dará na maturação da cultura com a colheita e posterior análise da produtividade de grãos, com isso será possível relacionar os sintomas de toxicidade causados (ou não) às plantas de soja com a produtividade final – finaliza Mário. Os resultados dos experimentos gerados pela RTC serão repassados às cooperativas ainda no primeiro semestre deste ano.

  • Medidas de emergência e levantamento de perdas da estiagem

    O presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, informou as medidas de emergência que a Instituição está tomando para amenizar as consequências da estiagem no Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito na tarde de quinta-feira (09/01), na Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), durante reunião de prefeitos, deputados federais e estaduais, o presidente da Famurs, Dudu Freire, o secretário em exercício da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Luiz Fernando Rodriguez Júnior, bem como demais representantes da Secretaria da Defesa Civil, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Secretaria de Articulação e Apoio aos Municípios e entidades agrícolas do RS.

    Segundo Sandri, a Instituição organizou uma rede com 12 técnicos responsáveis, um em cada Regional, para receber as informações dos seus municípios diariamente e enviá-las para serem compiladas pela Gerência de Planejamento (GPL), no Escritório Central, em Porto Alegre. A Emater/RS-Ascar também está participando dos Grupos de Trabalho da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e Defesa Civil e realizando ações conjuntas com os municípios e entidades.

    “Queremos orientar e dar agilidade às ações para remediar a situação, como auxílio na elaboração dos laudos necessários para encaminhamento do seguro pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Para isso, a Emater deverá realocar técnicos para municípios que tenham um volume maior de solicitantes”, afirma Sandri. Desde o primeiro dia de novembro do ano passado, com o começo da estiagem, até hoje (10/01), tem-se o registro de 976 solicitações de Proagro, sendo 410 apenas no milho e o restante para as perdas na fruticultura e olericultura.

    Diante das ações da Emater/RS-Ascar, a Instituição foi citada, mais de uma vez, em cada pronunciamento realizado no evento por diferentes autoridades e lideranças, “demonstrando assim a relevância e credibilidade de nosso trabalho”, conclui Sandri.

    Na ocasião também foi divulgada a estimativa preliminar de perdas na agropecuária em função do calor excessivo e falta de chuvas no Estado. O levantamento inicial aponta as maiores perdas no milho, sendo 30% nas regiões de Pelotas, Porto Alegre e Caxias do Sul; 32% na região de Ijuí; 26% na de Lajeado; 25% nas regiões de Soledade e Santa Maria e 20% na de Bagé. O milho silagem também apresenta perdas significativas, 65% na região de Caxias do Sul; 40% na de Soledade; 30% na de Porto Alegre e 27% na de Lajeado.

    Outra cultura de verão bastante afetada é a do feijão, com perdas de 30% nas regiões de Porto Alegre e Soledade e de 20% na região de Caxias do Sul. Já a soja apresentou menores perdas em relação aos outros grãos da safra de verão, 20% na região de Soledade; 16% na de Lajeado e 10% nas regiões de Porto alegre e Frederico Westphalen.

    O diretor técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, destacou a dificuldade de mensurar as perdas, “porque a estiagem é desuniforme e ainda está em curso, os dados mudam rapidamente. O caráter regionalizado e fases de cada cultura também influencia na consequência da estiagem e no porcentual de perdas?. disse.

  • Como a agricultura pode fazer parte da solução climática?

    De acordo com a Universidade da Califórnia (UC), nos Estados Unidos, existem algumas formas de a agricultura deixar de ser o vilão do imaginário de algumas pessoas para passar a ser a forma mais importante de preservar o meio ambiente e mitigar as mudanças climáticas. Nesse cenário, Benjamin Houlton, diretor do Instituto John Muir de Meio Ambiente, afirmou que o cultivo de carbono é a chave para ajudar a resolver as mudanças climáticas.

    “A agricultura pode ser apenas a indústria mais importante do planeta para criar emissões negativas de carbono sob a política econômica atual. Agricultores e pecuaristas podem capturar carbono e armazená-lo no solo. Eles podem criar emissões negativas, o que significa que a quantidade de gases de efeito estufa que são lançados no ar pelo setor é menor do que a quantidade que eles estão retirando do ar”, completa.

    Segundo a UC, a agricultura de carbono também faz produtos utilizáveis que beneficiam a economia, a comunidade, o ecossistema e as pessoas. Por exemplo, enterrar rochas pulverizadas em terras agrícolas aumenta o rendimento das culturas enquanto armazena carbono na terra por longos períodos de tempo.

    “Muitas dessas práticas são indígenas, portanto, mesmo as rochas pulverizadas são usadas pelos agricultores desde o século XVII para restaurar o solo porque fornecem nutrientes”, disse Houlton.

    Ele disse que planeja desenvolver ainda mais o projeto da fazenda de carbono por meio do One Climate e aproveitar os pontos fortes da pesquisa interdisciplinar da UC Davis e a proximidade dos principais líderes de política climática de Sacramento em parceria com a indústria.

  • Levantamento apresenta perdas preliminares com a estiagem

    As perdas na cultura da soja com os impactos da estiagem no Rio Grande do Sul, até este momento, é estimada em 13%, enquanto no milho o valor é de 33%. É o que apresenta os números pesquisados pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), no dia 7 de janeiro, após levantamento junto aos departamentos técnicos das cooperativas agropecuárias gaúchas. Os dados foram divulgados pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

    No milho, a redução pode ser de cerca de 1,879 milhões de toneladas, enquanto na soja este valor chega a aproximadamente 2,490 milhões de toneladas. Com isso, caso a situação se confirme, o volume de produção de soja, até o momento, pode ter queda de 19,154 milhões de toneladas para 16,664 milhões de toneladas enquanto no milho a redução pode ser de 5,696 milhões de toneladas para 3,816 milhões de toneladas. Os números consideram a primeira previsão de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outra estimativa, segundo a FecoAgro/RS, é que também terá impacto significativo na redução de produção de leite.

    A FecoAgro/RS destaca, em especial neste primeiro levantamento, a presença de um desvio padrão considerável dadas as diferenças de precipitações, épocas de semeadura e ciclos das cultivares nas diferentes regiões, que geram impactos diferenciados nas áreas atingidas.