Monthly Archives

junho 2025

  • O protagonismo da soja e a influência no PIB e na economia; pesquisadora do Cepea comenta o cenário

    Entenda como a safra de soja, aliada ao desempenho positivo da pecuária, influenciou diretamente o crescimento econômico do Brasil no início do ano

    A economia brasileira iniciou 2025 com sinal verde: o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,4% na passagem do quarto trimestre de 2024 para o primeiro deste ano. O principal motor desse avanço veio do campo. De acordo com a Agência Gov, o setor registrou alta de 12,2%, impulsionado por uma safra recorde de soja e pelo bom desempenho da produção pecuária. O setor de serviços avançou 0,3%, enquanto a indústria teve leve retração de 0,1%, considerada uma estabilidade.

    Segundo a especialista, o crescimento já era esperado desde que a Conab passou a divulgar projeções otimistas para a safra 24/25. Com clima favorável e ganho de produtividade, a oleaginosa colheu resultados robustos sem aumento proporcional no uso de insumos, o que impacta diretamente o volume medido pelo PIB.

    ”A soja foi decisiva para esse resultado”, afirma Nicole Rennó, professora da Esala/USP e pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). ”É o carro-chefe do PIB agropecuário, e o que acontece com a cultura geralmente se reflete nos números do setor.”

     

    Soja foi protagonista, mas não atuou sozinha

    Embora a soja tenha sido protagonista, a especialista destaca que não foi a única responsável pelo avanço. Outras culturas agrícolas e a pecuária também registraram resultados expressivos, reforçando a expansão da agropecuária no início do ano.

    Volume

    A pesquisadora lembra que o PIB calculado pelo IBGE mede volume de produção, e não preços ou exportações. ”O crescimento foi resultado direto do aumento da produção. Não tem influência de preço ou câmbio nesse indicador”, explica Rennó.

    Ela também chama a atenção para o chamado “efeito base”: como o PIB agropecuário teve queda em 2024 devido a quebras de safra, parte da alta registrada em 2025 reflete uma recuperação. “É um padrão típico da agropecuária brasileira: crescemos com força em anos de clima favorável, e só registramos quedas quando enfrentamos problemas climáticos.”

    Perspectivas para o ano

    Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade no crescimento, embora em ritmo um pouco mais moderado. ”A soja é contabilizada principalmente no primeiro semestre. Essa taxa de crescimento deve se acomodar num patamar um pouco mais baixo, mas o avanço da agropecuária deve continuar em 2025”, conclui Nicole.

     

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Área de soja para a safra 25/26 cresce ‘na teoria’, mas desânimo toma conta do campo; saiba onde

    Custo alto, clima incerto e pouca atratividade travam confiança do produtor para a próxima safra

     

    A área projetada para a safra de soja do estado de Mato Grosso em 2025/26 está estimada em 13,01 milhões de hectares, representando um aumento de 1,67% em relação à safra anterior. A previsão faz parte de dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

    Segundo o instituto, as incertezas quanto aos investimentos para a próxima temporada continuam elevadas. A combinação de taxa de juros ainda alta, custos de produção pressionados e preços pouco atrativos da soja tem sido suficiente para frear o apetite dos produtores por expansão. O cenário econômico tem imposto cautela ao setor, o que dificulta as decisões estratégicas no campo.

    Com esse ambiente adverso, muitos agricultores têm optado por manter ou até reduzir o nível de investimento nas lavouras, o que impacta diretamente as estimativas de produtividade. “Em relação ao rendimento da soja, neste primeiro momento, as projeções permanecem conservadoras, uma vez que diversos fatores que podem impactar a produtividade ainda são incertos, como as condições climáticas, a ocorrência de pragas e doenças, e o nível de investimento dos produtores”, alerta o Imea em seu boletim mais recente.

    A instituição utilizou a média dos últimos três ciclos agrícolas para traçar o cenário atual. O resultado foi uma estimativa de 60,45 sacas por hectare, o que representa uma queda de 8,81% em relação à safra passada.

    Quanto à produção total, a projeção é de 47,18 milhões de toneladas para a safra 2025/26, marcando uma retração de 7,29% em comparação ao ciclo anterior. Mesmo com uma área cultivada ligeiramente maior, a perspectiva é de uma safra menor em volume, reforçando a percepção de que o otimismo no setor está longe de um consenso.

     

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Fungos são capazes de eliminar mofo-branco das lavouras de soja, feijão e algodão

    Pesquisa brasileira identifica fungos capazes de combater uma das principais doenças dos cultivos, conhecida, também, por sobreviver por longos períodos no solo.

     

    Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros revelou uma solução promissora contra uma das principais doenças que afetam diferentes tipos de cultivo, como soja, feijão e algodão: o mofo-branco. Fungos do gênero Trichoderma foram capazes de eliminar totalmente o patógeno Sclerotinia sclerotiorum em testes de laboratório, o que abre caminho para um controle biológico mais eficaz e sustentável nas lavouras.

    A doença é um desafio constante, principalmente na soja, por sua capacidade de sobreviver no solo por longos períodos. Tradicionalmente, o combate envolve o uso intensivo de fungicidas químicos, com alto custo e impacto ambiental. A pesquisa, liderada por Laísy Bertanha (Unesp), com orientação de Wagner Bettiol (Embrapa), identificou duas espécies promissoras: Trichoderma yunnanense e Trichoderma dorotheae. A primeira atingiu 97,5% de eficácia na inibição dos escleródios, estruturas de resistência do fungo.

    O controle biológico surge como alternativa ao modelo químico, especialmente quando combinado a boas práticas agrícolas. A rotação de culturas com gramíneas, o uso de sementes sadias e a adição de matéria orgânica ao solo ajudam a reduzir a presença do patógeno e fortalecer os microrganismos benéficos. Além disso, os fungos antagonistas interferem na produção de substâncias que tornam o mofo-branco mais agressivo, reduzindo o risco de infecções severas.

    Na cultura da soja, os impactos do mofo-branco exigem manejo preventivo. A introdução de bioinsumos pode representar a redução de custos e resíduos, além de ganhos em produtividade a longo prazo. A pesquisa mostra que isolar os microrganismos no próprio ambiente onde serão aplicados aumenta sua eficiência no campo.

    Fungos e bioinsumos

    O Brasil ocupa hoje a liderança mundial no mercado de bioinsumos agrícolas, um setor que cresce, em média, 14% ao ano no mundo. Por aqui, o avanço é ainda mais acelerado: entre 2021 e 2022, o crescimento foi de 67%, segundo dados da Embrapa. Estima-se que o país responda por cerca de 20% do consumo global desses produtos. Essa posição de destaque se deve à combinação entre clima tropical, ampla área agrícola e crescente demanda por soluções sustentáveis. A trajetória brasileira mostra que é possível unir produtividade à inovação com baixo impacto ambiental.

    Para manter essa liderança, o Brasil precisa ampliar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e capacitação, especialmente para levar os bioinsumos também aos pequenos e médios produtores. Segundo o pesquisador Wagner Bettiol, é urgente desenvolver novos biofungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja e da ferrugem do cafeeiro, além de bioherbicidas. Globalmente, grandes potências agrícolas como Estados Unidos, Europa e China também aceleram o uso de produtos biológicos. O movimento é impulsionado pela urgência climática e pela demanda por alimentos mais limpos. Além de reduzir resíduos químicos, os bioinsumos preservam a biodiversidade, diminuem as emissões de gases de efeito estufa e fortalecem economias locais com tecnologias adaptadas à agricultura familiar.

     

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Projeto piloto em Hulha Negra testa diferentes formas de rastreabilidade bovina

    A rastreabilidade individual bovina é uma das principais frentes de modernização da defesa agropecuária no Estado do Rio Grande do Sul. Coordenada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a iniciativa busca garantir maior controle sanitário, transparência na cadeia produtiva e ampliação de mercados internacionais. A identificação eletrônica de cada animal permite o acompanhamento preciso de sua origem, movimentações e destino, fortalecendo a credibilidade do sistema produtivo gaúcho.

    O projeto-piloto em andamento no Centro Estadual de Pesquisa e Diagnóstico em Sistema de Produção e Meteorologia Aplicada (CESIMET), localizado em Hulha Negra, tem papel fundamental nesse processo. A unidade serve como campo experimental para testes de identificação eletrônica, desde o uso de michochips até a identificação biométrica nasal, integração de dados em tempo real e validação dos fluxos de informação entre produtores e o sistema oficial.

    O secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, afirma que “como já estamos trabalhando com projeto piloto de identificação individual de bovinos no estado, já estamos trabalhando na modernização do nosso Sistema de Defesa Agropecuária (SDA) e estamos em constante construção e conversa com o setor produtivo, nós podemos fazer com que o Rio Grande do Sul seja um dos estados pioneiros na implementação da rastreabilidade bovina no país”.

    “A presença de técnicos capacitados, somada à estrutura de pesquisa já existente no centro e equipe dedicada da Procergs, proporciona um ambiente ideal para a consolidação da rastreabilidade como política pública robusta, segura e funcional”, destaca o diretor adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Francisco Lopes.

    Segundo Francisco, a ideia é colocar à prova o sistema de rastreabilidade que já existe e também testar os novos desenvolvimentos que estão sendo feitos, para se ter uma prévia de como o sistema está se comportando na prática. O piloto no CESIMET iniciou em outubro do ano passado e não tem prazo para terminar. “Na verdade, este piloto deve se expandir para mais propriedades do Estado, provavelmente a próxima será no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), em Eldorado do Sul. E devemos também realizar um piloto expandido com propriedades privadas ainda esse ano”, afirma o diretor adjunto.

    O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos foi lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em dezembro de 2024. O cronograma prevê que a partir de 2027 o rebanho deverá começar a ser identificado. O prazo final é 2032.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial

  • Produtores do RS rejeitam proposta do governo e protestos se espalham por 60 municípios

    Resolução do Conselho Monetário Nacional não agradou o setor. Agricultores pedem solução a longo prazo

    Quatro secas, uma enchente histórica e R$ 150 bilhões em prejuízos nos últimos anos. Esse é o passivo enfrentado por produtores rurais do Rio Grande do Sul. Resultado: débitos rurais impagáveis.

    Na tentativa de resolver o problema, a Resolução 5.220 do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicada nessa quinta-feira (29), prorroga por três anos as dívidas de custeio. Para as parcelas de investimento com vencimento neste ano, o prazo será estendido por um ano.

    Os produtores com dívidas contraídas no Pronaf e no Pronamp poderão renegociar os débitos de até R$ 90 mil. Além disso, a instituição financeira só pode renegociar até 8% do saldo das parcelas de custeio com vencimento em 2025, contratadas com recursos equalizados pelo tesouro nacional.

    Solução não agradou produtores

    A proposta do governo federal não agradou os agricultores do estado. Prova disso é a continuidade dos protestos que bloqueiam rodovias importantes e que se seguiram nesta sexta-feira, um dia após a publicação do CMN. A estimativa é que as mobilizações estão espalhadas em mais de 60 municípios gaúchos.

    Os agricultores que fazem parte do movimento pedem uma solução a longo prazo, como a securitização de R$ 60 bilhões para pagamento em 20 anos. O projeto do senador Luís Carlos Heinze já foi aprovado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado e aguarda apreciação da Comissão de Assuntos Econômicos.

    “Prometeram quatro anos [de prorrogação de dívidas], ofereceram três anos, tem problemas com o Pronamp, com o Pronaf, com o limite de 8% para os demais. Será um problema para o Sicredi, por exemplo, que não vai ter condição de contemplar todos os agricultores. Os outros bancos da mesma forma. Não saiu na resolução a questão específica dos bancos de fábrica, que muita gente tem problema. Então tem muito a consertar”, diz o senador Luiz Carlos Heinze.

    Segundo ele, o grupo técnico da bancada do Congresso que analisa o tema, composto por bancos e entidades, como Fetag e Farsul, está trabalhando para corrigir as distorções que apontam na resolução.

    Esta semana também foi entregue ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, uma proposta do deputado Alceu Moreira que não depende de orçamento do governo federal, mas sim dos fundos.

    “Os modelos anteriores de pegar dinheiro do Orçamento [não servem mais], nós não temos folga orçamentária. A securitização precisa, na verdade, transformar a dívida do produtor, dívida líquida, contraída e certa com o credor e tamanho da dívida correta. Quando este modelo estiver pronto, se pega e se compra essa dívida com o Fundo e coloca esse título, uma CPR, um papel que representa esse compromisso para o produtor pagar em 15, 20 anos. Ao comprar essa dívida, se reabilita o produtor, ele fica sem débito nenhum e vai ter o compromisso de pagar a safra seguinte e 1/15 da safra que passou. […] o que estou dizendo não precisa de um centavo do Orçamento, os Fundos financiam por si só”, diz Moreira.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Pesquisa foca em dietas para bovinos a fim de reduzir emissões de gases na pecuária

    Estudos testam alternativas alimentares para diminuir a liberação de gases de efeito estufa e promover uma pecuária mais sustentável

    bovinocultura está no centro dos debates sobre mudanças climáticas devido à emissão de metano entérico, um gás com alto potencial de aquecimento global. Segundo o governo de Minas Gerais, em 2023, a pecuária brasileira registrou o quarto aumento nas emissões, com alta de 2,2%, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), plataforma que calcula as emissões de gases causadores do efeito estufa no Brasil.

    Para enfrentar esse desafio, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem desenvolvido pesquisas que buscam reduzir essas emissões por meio da manipulação da dieta de bovinos e da implementação de sistemas integrados de produção, alinhadas às metas do Plano Estadual de Ação Climática (Plac) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Uma das frentes de pesquisa liderada pela Epamig foca na manipulação da dieta de bovinos, com o intuito de interferir diretamente no processo digestivo para reduzir a liberação de metano. Os experimentos utilizam leguminosas como o amendoim forrageiro, que possui compostos capazes de inibir bactérias metanogênicas responsáveis pela produção de metano no rúmen, sem afetar a produtividade. Os testes já indicam redução de até 30% nas emissões. Para mensurar os resultados, os pesquisadores utilizam a técnica do hexafluoreto de enxofre (SF6).

    O projeto está sendo aplicado em ambiente real de produção, o que permite observar os efeitos práticos das dietas adaptadas. Além de contribuir para um modelo de produção mais equilibrado, a iniciativa busca mudar a percepção negativa da pecuária quanto à sua relação com o clima, ao mesmo tempo em que gera dados úteis para outros produtores interessados na transição para sistemas mais sustentáveis.

    Segundo o governo mineiro, outro foco da Epamig são os sistemas integrados de produção, como o modelo Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina lavoura, pecuária e floresta para otimizar recursos e aumentar a sustentabilidade. Em Patos de Minas, a mistura de milho, forrageiras e eucalipto ajuda a sequestrar carbono, capturando dióxido de carbono da atmosfera e melhorando a saúde do solo, convertendo áreas emissoras em captadoras de carbono. Os estudos são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e fazem parte do esforço do governo para reduzir em 36% as emissões até 2030.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Selic no fim de 2025 continua em 14,75%, diz Focus; 2026 segue em 12,50%

    Projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 16ª semana seguida

    A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 continuou em 14,75% pela quarta semana consecutiva. Os juros estão nesse nível desde 7 de maio, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa em 0,5 ponto percentual.

    Considerando apenas as 40 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para o fim de 2025 também se manteve em 14,75%.

    Na ata da reunião de maio, o Copom afirmou que a taxa básica de juros está em nível “significativamente contracionista” e “já tem contribuído e seguirá contribuindo para a moderação de crescimento”. “Dadas as defasagens inerentes aos mecanismos de política monetária, espera-se que tais efeitos se aprofundem nos próximos trimestres”, afirmou o Comitê.

    Uma semana antes, no comunicado da sua decisão, o colegiado já havia tornado o seu balanço de riscos para a inflação simétrico e abandonado o forward guidance, deixando as possibilidades em aberto para a sua próxima reunião, nos dias 17 e 18 de junho.

    “Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação”, afirmou.

    A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela 18ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 40 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária também se manteve em 12,50%.

    A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 16ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 23ª semana consecutiva.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/