• Geadas reduzem oferta de pastagens no RS

    As geadas registradas nas últimas semanas reduziram a capacidade de suporte das pastagens em diversas regiões do Rio Grande do Sul e afetaram principalmente áreas de maior altitude. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, as baixas temperaturas provocaram danos ao campo nativo, diminuíram a rebrota das forrageiras e reduziram a oferta de volumoso, cenário considerado típico para esta época do ano. Em contrapartida, produtores seguem investindo na sobressemeadura e no plantio direto de espécies de inverno, com destaque para azevém e aveia.

    O levantamento aponta que áreas cultivadas com braquiária, tifton, capim capiaçu e kurumi praticamente interromperam o crescimento em razão do frio. As pastagens de verão também apresentaram redução no desenvolvimento, especialmente nas regiões mais elevadas. Conforme a Emater/RS-Ascar, os produtores mantêm estratégias como manejo rotativo, produção de feno e pré-secado, além da implantação de espécies forrageiras de inverno para garantir alimentação ao rebanho.

    Na região administrativa de Bagé, as áreas de aveia apresentam sinais de estresse provocados pelas geadas e pela falta de chuva. Em algumas localidades, a ausência de precipitações por quase três semanas reduziu o crescimento das plantas e provocou amarelecimento das folhas. Em Hulha Negra, lavouras de trevo implantadas em maio registraram população abaixo do esperado devido à escassez hídrica. Já em áreas de várzea, o desenvolvimento dos trevos permanece adequado. Em Caçapava do Sul, áreas cultivadas com aveia e azevém já estão sendo utilizadas para pastejo, com resultados considerados positivos.

    Nas regiões de Caxias do Sul, Passo Fundo e Soledade, as pastagens anuais de inverno apresentam desenvolvimento entre regular e bom, permitindo o início do pastejo em áreas mais avançadas. Em Erechim, as forrageiras de inverno tiveram boa germinação e estabelecimento, embora o crescimento esteja mais lento em algumas localidades devido aos baixos volumes de chuva acumulados.

    Na região de Frederico Westphalen, o desenvolvimento das espécies de inverno segue dentro do esperado, enquanto a semeadura de trigo, aveia e azevém continua em andamento. Em Ijuí, a implantação das pastagens de inverno está em fase final e apresenta bom estabelecimento. Em algumas propriedades, a produção de massa verde já permite o uso das áreas para pastejo.

    Na região de Pelotas, municípios como Pinheiro Machado, Jaguarão e Santana da Boa Vista registram oferta de pastagem nativa variando entre regular e satisfatória. Entretanto, em algumas áreas, as geadas causaram queimaduras que reduziram a qualidade das forrageiras. Em São Lourenço do Sul, foi observado aumento gradual do uso de pastagens cultivadas de inverno em substituição às áreas de verão e aos campos nativos.

    Nas regiões de Porto Alegre e Santa Maria, poucas áreas de forrageiras de inverno estão aptas ao pastejo, já que a maioria ainda se encontra em fase de implantação ou desenvolvimento inicial. Diante da possibilidade de novas chuvas, produtores têm intensificado a sobressemeadura de azevém nos campos nativos para ampliar a oferta de alimento ao rebanho.

    Em Santa Rosa, técnicos observaram a presença de pulgões e de manchas foliares em áreas de aveia. Apesar da redução das chuvas, a emergência do azevém em áreas de ressemeadura natural e de semeadura a lanço é considerada satisfatória. A região já conta com áreas aptas ao pastejo em cultivos de trigo para duplo propósito e em consórcios de aveia e azevém, enquanto os produtores seguem realizando a implantação escalonada das pastagens de inverno.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/

  • Geadas causam danos pontuais em lavouras de milho

    No Rio Grande do Sul, a colheita do milho avançou pouco na última semana e permanece em 96% da área cultivada, repetindo o índice registrado anteriormente. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. Restam principalmente áreas de safrinha e lavouras implantadas nos períodos mais tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que se encontram em fase de maturação.

    Segundo a Emater/RS-Ascar, uma parcela reduzida dessas áreas ainda está em enchimento de grãos e permanece suscetível aos efeitos das baixas temperaturas registradas em maio. A entidade destaca que as geadas provocaram danos limitados, principalmente em pendões e no ritmo de desenvolvimento das plantas, com maior impacto em áreas de baixada e em cultivos tardios conduzidos com híbridos de ciclo mais longo. Em algumas propriedades, as lavouras mais afetadas foram destinadas à produção de silagem.

    A Emater/RS-Ascar informa que as lavouras em fase final de ciclo seguem apresentando potencial produtivo satisfatório. No entanto, a combinação de elevada umidade relativa do ar nas primeiras horas do dia, ocorrência frequente de cerração e temperaturas amenas favoreceu o avanço de doenças foliares, como cercosporiose e o complexo de enfezamentos.

    Paralelamente à conclusão da safra, os produtores já iniciaram o planejamento do próximo ciclo produtivo. Conforme a Emater/RS-Ascar, estão em andamento ações voltadas à implantação de plantas de cobertura e adubação verde, além da avaliação dos custos de produção, especialmente relacionados aos fertilizantes.

    Na região administrativa de Bagé, a colheita atingiu 90% da área cultivada. Ainda restam cerca de 6 mil hectares por colher, compostos por lavouras em diferentes estágios de maturação. A Emater/RS-Ascar relata que as geadas registradas em maio provocaram impactos pontuais em híbridos tardios que ainda estavam em enchimento de grãos, principalmente em áreas de baixada. Em São Borja, produtores já iniciaram a semeadura de plantas de cobertura para a próxima safra, utilizando misturas de espécies ou apenas nabo forrageiro, opção considerada mais acessível em termos de custo.

    Na região de Ijuí, a colheita está em fase de encerramento. A produtividade média está próxima de 9.200 quilos por hectare, enquanto as lavouras de safrinha avançam para o final da maturação e devem ser colhidas nos próximos dias.

    Em Pelotas, a colheita alcançou 71% dos 39 mil hectares cultivados. Outros 25% das lavouras estão em maturação e 4% seguem em enchimento de grãos. Os produtores relatam aumento nos prejuízos causados por javalis e caturritas, que vêm afetando parte das áreas cultivadas.

    Na região de Santa Rosa, 97% da área já foi colhida. Ainda permanecem 2% das lavouras em maturação e 1% em enchimento de grãos. A Emater/RS-Ascar observa que as áreas remanescentes apresentam desenvolvimento satisfatório, embora as condições climáticas recentes estejam favorecendo a incidência de cercosporiose e do complexo de enfezamentos.

    Em Soledade, a colheita alcançou 85% da área cultivada. Ainda há 7% das lavouras em enchimento de grãos, 5% em maturação fisiológica e 3% maduras. Conforme a Emater/RS-Ascar, o frio não causou prejuízos expressivos no Baixo Vale do Rio Pardo, mas contribuiu para prolongar o ciclo da cultura devido à redução da radiação solar e das temperaturas. Nas áreas mais elevadas da região, porém, foram registrados danos pontuais provocados por geadas, incluindo casos de requeima de pendões.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/

  • Ferrugem e oídio marcam fim da safra gaúcha de soja

    No Rio Grande do Sul, a colheita da soja está em fase de encerramento e já alcança 99% da área cultivada. Os dados constam no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, que aponta que as condições de tempo seco e a boa trafegabilidade das áreas favoreceram o avanço dos trabalhos e a conclusão da colheita na maior parte das regiões produtoras.

    Segundo a entidade, restam apenas áreas de safrinha implantadas após o milho precoce e talhões semeados mais tardiamente, principalmente após o período de estiagem registrado no início do verão. Nessas lavouras, que estão finalizando o ciclo fisiológico, foram observadas perdas pontuais por debulha natural, especialmente em áreas de várzea e com limitações de drenagem.

    A Emater/RS-Ascar destaca que as produtividades seguem bastante heterogêneas em razão das diferenças de época de semeadura, disponibilidade hídrica ao longo do ciclo e potencial produtivo das áreas implantadas mais tarde. Em regiões afetadas por déficits hídricos mais severos, sobretudo em solos rasos e arenosos, as perdas foram mais significativas.

    Nas lavouras de segundo cultivo e safrinha, a menor disponibilidade de água, a redução do fotoperíodo e o menor porte das plantas contribuíram para a diminuição do potencial produtivo. Também foi registrado aumento na incidência de doenças foliares, como oídio e ferrugem-asiática, nas áreas que ainda permanecem em fase final de ciclo.

    Com a colheita praticamente concluída, produtores já direcionam esforços para atividades de manejo pós-safra, incluindo aplicação de corretivos, recuperação de áreas com erosão e classificação de grãos destinados à armazenagem ou ao uso como semente própria.

    Nas regiões administrativas de Caxias do Sul, Erechim, Lajeado, Passo Fundo e Soledade, a colheita já foi finalizada. Na região de Bagé, os trabalhos foram concluídos em municípios como Maçambará, Itacurubi, Barra do Quaraí e Uruguaiana. Em Manoel Viana, 99% dos 58 mil hectares cultivados já foram colhidos, enquanto em São Borja ainda restam áreas de safrinha equivalentes a cerca de 10% dos 105 mil hectares semeados.

    Na Campanha, dos 378 mil hectares cultivados, 93% foram colhidos. Restam aproximadamente 26 mil hectares, compostos principalmente por áreas implantadas em janeiro e talhões replantados após as chuvas intensas registradas no fim de dezembro. Em Dom Pedrito, parte dos produtores optou por adiar a colheita durante períodos de maior nebulosidade para evitar descontos relacionados à umidade dos grãos. De acordo com o levantamento, as lavouras semeadas mais tardiamente apresentaram melhor desempenho produtivo, embora a maioria dos municípios deva encerrar a safra abaixo das projeções iniciais.

    Na região de Frederico Westphalen, a colheita alcança 99% dos 434 mil hectares cultivados. As áreas remanescentes estão em maturação e devem ser colhidas nos próximos dias.

    Em Ijuí, os trabalhos atingem 98% da área cultivada. A produtividade média regional é estimada em 3.024 quilos por hectare. O relatório registra redução do potencial produtivo nas áreas tardias e aumento da incidência de oídio e ferrugem-asiática.

    Na região de Pelotas, 97% das lavouras foram colhidas, com produtividade média estimada em 2.800 quilos por hectare. Os baixos volumes de chuva registrados no período não comprometeram o acesso das máquinas às áreas de produção. Os 3% restantes seguem em fase de maturação.

    Em Santa Maria, a colheita está praticamente encerrada, e a produtividade média regional é estimada em 2.900 quilos por hectare.

    Já em Santa Rosa, 98% da área foi colhida, restando apenas 2% das lavouras em fase madura. O avanço da colheita das áreas de safrinha foi favorecido pela umidade adequada do solo, que permitiu o acesso de máquinas a áreas de baixada. Entretanto, parte dessas lavouras registrou perdas por debulha devido à permanência prolongada das plantas maduras no campo. As produtividades variam entre 900 e 4.200 quilos por hectare, refletindo diferenças de disponibilidade hídrica, época de implantação e adaptação das áreas de segundo cultivo.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/

  • Declaração de Conformidade pode ser emitida diretamente no Produtor Online

    Documento que comprova o cumprimento de obrigações sanitárias dos criadores de animais, a Declaração de Conformidade agora pode ser emitida diretamente no Produtor Online. Anteriormente, o produtor que precisasse do documento tinha que se deslocar a uma inspetoria ou escritório de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

    “A declaração é usada pelos produtores como um atestado de cumprimento de obrigações sanitárias. Eles levam para empresas que solicitam, principalmente na indústria de leite. Bancos também cobram essa declaração para a liberação de crédito rural”, explica o chefe da Divisão de Controle e Informações Sanitárias (DCIS/DDA/Seapi), Richard Alves.

    Para emitir a Declaração de Conformidade, o produtor só precisa acessar o Produtor Online com seu login e senha e escolher a funcionalidade. “O sistema emite na hora, se estiver sanitariamente tudo certo com o rebanho”, conta Richard.

    A emissão da Declaração de Conformidade pode ser barrada no Produtor Online, se a propriedade for foco de doença em processo de saneamento. “Nesses casos, a orientação é que o produtor vá para a inspetoria, que poderá fazer a emissão do documento, caso a vacinação ainda estiver no prazo”, complementa o chefe da DCIS.

    Fonte:https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial

  • Safra de trigo deve encolher no RS

    A semeadura do trigo começou no Rio Grande do Sul acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para os principais materiais cultivados no Estado. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, o cenário da safra 2026 aponta para uma redução significativa da área plantada em comparação ao ciclo anterior.

    As condições de tempo seco favoreceram os trabalhos de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. Em parte das regiões produtoras, porém, a baixa umidade do solo dificultou o estabelecimento das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares para garantir melhores condições de germinação e emergência.

    Segundo a Emater/RS-Ascar, a perspectiva de redução da área cultivada está associada aos elevados custos de produção, à baixa atratividade econômica do cereal e ao aumento da percepção de risco produtivo diante da atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

    Mesmo diante desse cenário, parte dos produtores tem antecipado a semeadura em áreas sem vínculo com financiamentos ou seguro rural. A estratégia busca posicionar as fases de florescimento e enchimento de grãos antes do período de maior intensidade das chuvas de primavera.

    Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

    Na região administrativa da Emater/RS-Ascar, na Fronteira Oeste, a semeadura avança lentamente, mesmo com a colheita da soja praticamente encerrada. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos adquiridos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações devido à baixa umidade do solo.

    Em São Borja, aumentaram os relatos de desistência do cultivo do trigo. Conforme o boletim, a combinação entre previsão de El Niño intenso, custos elevados e maior rigor na classificação qualitativa dos grãos vem ampliando a migração para culturas alternativas, como canola, carinata, linhaça e painço.

    Na Campanha, os produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparar o solo, já que a implantação das lavouras costuma ocorrer a partir do fim de junho.

    Na região de Caxias do Sul, a semeadura ainda não começou. Na Serra, o plantio normalmente ocorre entre a segunda quinzena de junho e o início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração dos trabalhos acontece ao longo de julho. A expectativa é de retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

    Na regional de Frederico Westphalen, a estimativa inicial aponta redução próxima de 20% em relação à safra passada.

    Em Ijuí, a semeadura já alcança cerca de 7% da área projetada. As sementes estão em fase de embebição, ainda sem emergência observada. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e pelas condições operacionais do solo. Também continuam os trabalhos de dessecação para manejo de plantas espontâneas.

    O boletim destaca ainda que empresas do setor de energia vêm estimulando o cultivo voltado à produção de etanol, em substituição ao trigo destinado à indústria alimentícia. A baixa procura por sementes fiscalizadas e crédito de custeio também tem ampliado o uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

    Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge 6% da área prevista e está concentrada em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de um inverno com menor intensidade de geadas também favorece a antecipação do plantio. A estimativa preliminar indica retração próxima de 30% da área cultivada em relação a 2025.

    Já na região de Soledade, a previsão é de redução superior a 30% da área cultivada. Até o momento, cerca de 7% da área projetada já foi semeada.

     

    Fonte:https://www.agrolink.com.br/

  • Drones ampliam eficiência nas lavouras

    O uso de Drones agrícolas avança no campo brasileiro e consolida uma nova etapa de eficiência nas aplicações. A tecnologia vem ganhando espaço em diferentes culturas, com ganhos operacionais, redução de perdas e maior precisão em áreas onde máquinas terrestres encontram limitações.

    Com maior capacidade de carga, velocidade e sistemas de atomização mais modernos, os equipamentos já são utilizados em lavouras anuais, sistemas perenes e áreas de difícil acesso. Segundo Alexandre Gazoni, engenheiro agrônomo e diretor comercial da Sell Agro, os drones evoluíram e hoje atendem desde soja, milho e algodão até café, oliveira e noz-pecã.

    Entre os principais benefícios está a possibilidade de operar em terrenos alagados, encostas e locais onde o tráfego de máquinas pode atrasar o manejo. Nessas situações, a rapidez da aplicação ajuda a reduzir riscos de perdas causadas por pragas e doenças. Na soja, a substituição de máquinas terrestres por drones ou aeronaves também pode evitar o amassamento de plantas, especialmente em fases críticas da lavoura.

    A expansão do uso, porém, aumenta a necessidade de atenção técnica. Os adjuvantes ganham importância por ajudarem a preservar as gotas, reduzir evaporação e deriva e melhorar a absorção dos ativos pelas plantas. Em condições de calor, vento e radiação, esses produtos contribuem para manter a calda viável por mais tempo e elevar a eficiência da pulverização.

    Apesar do avanço, ainda há desafios. A regulagem do tamanho de gotas, a velocidade de operação, a escolha correta de adjuvantes e o manejo climático são fatores decisivos para aproximar a qualidade das aplicações com drones dos sistemas motorizados tradicionais. A expectativa é de crescimento acelerado da tecnologia, com novas soluções voltadas à ultrabaixa vazão e à estabilização das misturas.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Expectativa de aumento expressivo da área impulsiona final da semeadura da canola no RS

    A semeadura da canola segue sendo realizada em todas as regiões produtoras do Rio Grande do Sul. Favorecida pelas condições de tempo seco e pela adequada trafegabilidade nas lavouras, a operação se aproxima da conclusão em algumas áreas, embora a persistência de baixa umidade no solo tenha desacelerado o ritmo da implantação e condicionado a emergência das plantas. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (28/5), as lavouras de canola já estabelecidas se encontram em desenvolvimento vegetativo inicial. A tendência é de grande expansão de área de cultivo, impulsionada por alternativas economicamente mais atrativas e pela diversificação dos sistemas de produção de inverno.

    A área a ser cultivada com canola no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na Fronteira Oeste, as maiores extensões de cultivo projetadas estão em Maçambará e São Borja, com previsão de 12.268 e 10.000 hectares respectivamente. Em razão da insuficiente umidade do solo após longa sequência de dias sem precipitação, parte das áreas ainda será implantada fora da melhor janela de semeadura, que foi encerrada no último dia 20. Na Campanha, há previsão de cultivo apenas em Lavras do Sul.

    Na região de Santa Rosa, grande parte das áreas destinadas à oleaginosa foi semeada e apresenta emergência razoável. Contudo, a irregular distribuição das precipitações nas últimas semanas resultou em emergência desuniforme, em especial em áreas com menor retenção de umidade. Essa condição tende a provocar desuniformidade no desenvolvimento e na maturação das plantas, com potencial impacto negativo sobre a qualidade dos grãos e aumento das perdas durante a colheita mecanizada. Na região de Soledade, a semeadura da canola se encontra em fase final de execução. A área projetada para cultivo é de aproximados 9.000 hectares.

    Trigo – A semeadura do trigo está em fase inicial, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais utilizados no Estado. As condições de tempo seco favoreceram as operações de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, em parte das regiões produtoras, a baixa umidade do solo limitou o estabelecimento das primeiras áreas semeadas, o que condicionou os produtores a aguardarem precipitações mais regulares para assegurar condições adequadas de germinação e emergência.

    O cenário do trigo para a safra 2026 sinaliza redução expressiva da área cultivada, em relação ao ciclo anterior, devido à combinação de fatores, como elevados custos de produção, baixa atratividade econômica do cereal e aumento da percepção de risco produtivo, associado à atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera. Contudo, a semeadura é antecipada em parte de áreas não vinculadas a financiamentos ou cobertura securitária, como estratégia para posicionar as fases de florescimento e de enchimento de grãos antes da intensificação das precipitações primaveris. A estimativa de área a ser cultivada com trigo na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.

    Aveia-branca – A semeadura avançou nas principais regiões produtoras, favorecida pelas condições adequadas de solo e pelo predomínio de tempo seco. As primeiras lavouras implantadas apresentam estabelecimento, estande de plantas e desenvolvimento vegetativo satisfatórios, além de baixa incidência de pragas e doenças. Entretanto, observa-se maior cautela dos produtores quanto ao nível de investimento tecnológico empregado na cultura, em razão da elevação dos custos de fertilizantes e demais insumos. A cultura apresenta tendência de manutenção ou pequena elevação da área cultivada no Estado em relação à safra anterior.

    Em algumas regiões, a expectativa de ampliação da área cultivada com aveia-branca está vinculada à demanda para alimentação animal e a sistemas de integração lavoura-pecuária, os quais mantêm parte das áreas com potencial uso alternativo para a cobertura de solo em caso de condições climáticas desfavoráveis. A estimativa de área cultivada para 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE.

    Cevada – A cultura apresenta perspectiva de redução significativa de área cultivada no Estado para a Safra 2026, estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. Essa retração decorre do aumento da percepção de risco climático de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, mesmo com a manutenção de oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira. A área cultivada em 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha. As áreas já implantadas apresentam estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativo adequados.

    Culturas de Verão

    Soja – A colheita da soja se encontra em fase final no Estado, alcançando 99% da área cultivada. A predominância de tempo seco e de boa trafegabilidade favoreceram o avanço das operações e a conclusão da colheita na maior parte das regiões produtoras. Restam áreas de safrinha, implantadas após o milho precoce, e talhões tardios, implantados após o período de escassez hídrica no início do verão, que estão encerrando o ciclo fisiológico. Nessas áreas observam-se perdas pontuais por debulha natural em função do atraso da colheita das lavouras já maduras.

    A produtividade segue bastante heterogênea devido à época de semeadura, ao regime hídrico ao longo do ciclo e ao potencial das lavouras implantadas tardiamente. Em áreas submetidas a déficit hídrico mais intenso, especialmente em solos rasos ou arenosos, ocorreram perdas significativas. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.

    Milho – A colheita apresentou avanço pouco significativo, permanecendo, em média, em 96% da área cultivada, variando no mesmo ponto percentual registrado na semana anterior. Restam lavouras de safrinha e cultivos implantados nos períodos tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que estão em maturação (4%). Algumas dessas áreas, sem expressão estatística, ainda estão em enchimento de grãos, suscetíveis aos efeitos das baixas temperaturas, registradas em maio. De maneira geral, as geadas provocaram danos limitados em pendões e desaceleração do ciclo, especialmente em áreas de baixada e em cultivos tardios com híbridos de ciclo mais longo. Algumas áreas mais afetadas foram direcionadas à ensilagem.

    Os produtores iniciaram o planejamento da próxima safra de milho, incluindo a implantação de plantas de cobertura e de adubação verde, além de realizarem a avaliação dos custos de produção, especialmente com fertilizantes. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média estadual em 7.424 kg/ha.

    Milho silagem – A colheita está praticamente concluída no RS, alcançando 98% da área cultivada. As condições de tempo seco e frio favoreceram o corte e as operações de ensilagem, acelerando a realização dos trabalhos, mas provocando danos variáveis por geada, especialmente em cultivos mais tardios. Entretanto, os impactos sobre o volume e a qualidade da forragem foram pequenos, apesar das perdas localizadas e da redução do potencial produtivo em determinadas áreas. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica área de 345.299 hectares, e produtividade média de 37.840 kg/ha.

    Feijão 2ª safra – A colheita alcançou 57% da área cultivada no Estado. As lavouras em maturação representam 37% e em enchimento de grãos 6%. O predomínio de temperaturas baixas e a ocorrência de geadas influenciaram o desenvolvimento final da cultura, sobretudo nos cultivos tardios. Os danos observados foram mais intensos em áreas de baixada e em lavouras ainda em enchimento de grãos, embora grande parte das áreas já estivesse em estágios mais avançados, o que reduziu os impactos sobre a formação das vagens e dos grãos. O frio também contribuiu para diminuir o ritmo de desenvolvimento das plantas e acelerar a maturação fisiológica em parte das áreas atingidas. A Emater/RS-Ascar projeta área de 11.690 hectares, e produtividade média de 1.401 kg/ha.

    Arroz – A colheita do arroz irrigado está tecnicamente concluída no Estado. Faltam apenas áreas pontuais de implantação tardia e em pequenas propriedades com limitações operacionais. De maneira geral, os resultados consolidados da safra indicam desempenho produtivo satisfatório, com produtividades finais superiores às estimativas iniciais em diversas regiões produtoras. Em contrapartida, o cenário de comercialização permanece desfavorável, marcado por cotações inferiores às observadas no ciclo anterior e abaixo da média histórica de preços. A área cultivada, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), é de 891.908 hectares, e a produtividade projetada pela Emater/RS-Ascar é de 8.744 kg/ha.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial

  • A que preço o produtor vai vender a soja em 2026?

    Após um período prolongado de preços pressionados, a comercialização da soja tende a ser influenciada não apenas pelas cotações atuais, mas também pela memória recente do produtor. Segundo análise da Veeries, esse comportamento pode voltar a ganhar peso em 2026, em um cenário que lembra, em parte, o observado em 2020.

    Naquele ano, muitos produtores venderam soja a R$ 85 por saca, enquanto os preços chegaram a R$ 150 ao longo do ano. A maior parte não conseguiu capturar a valorização posterior. Mais do que um episódio pontual, o movimento revelou um padrão de decisão comum em momentos de recuperação depois de ciclos longos de preços baixos.

    Depois de conviver com valores deprimidos por um período extenso, o produtor tende a enxergar qualquer melhora como uma boa oportunidade de venda. A lembrança das cotações menores passa a pesar mais do que a possibilidade de um cenário mais favorável adiante. Esse fator comportamental ajuda a explicar por que parte da produção pode ser negociada antes de uma eventual alta mais consistente.

    O início de 2026 apresenta um pano de fundo semelhante. Após quatro anos de preços pressionados, é natural que o produtor queira travar vendas quando encontra níveis considerados razoáveis. O risco, segundo a leitura da consultoria, é que essa decisão ocorra antes de o mercado mostrar com mais clareza sua direção.

    A principal diferença está na variável climática dos Estados Unidos, que ainda permanece em aberto. A safra norte-americana começa a ser definida justamente no período em que soja e milho costumam ganhar tendência mais clara. Por isso, o paralelo com 2020 não deve ser entendido como previsão de preços, mas como uma análise sobre comportamento de venda.

    A questão central para 2026 é em que ponto o produtor considerará o preço suficiente para negociar. Em ciclos longos de baixa, esse ponto costuma ser redefinido para baixo, aumentando a chance de vendas antecipadas em momentos de recuperação inicial.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Agronegócio no Rio Grande do Sul movimenta US$ 3,2 bilhões em exportações no primeiro trimestre de 2026

    O agronegócio no Rio Grande do Sul exportou US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, valor que representou 72% das exportações totais do Estado e se consolidou como o quarto maior da série histórica para o período em termos nominais, liderando a geração de empregos formais no período. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve retração de 3,8%, equivalente a US$ 127,2 milhões em termos absolutos. O resultado foi influenciado principalmente pela redução das exportações do complexo soja, de fumo e seus produtos e de produtos florestais.

    Os números estão publicados no Boletim Indicadores do Agronegócio do RS, coordenado pelo pesquisador Sérgio Leusin Júnior e divulgado pelo governo do Estado, por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

    Recordes no setor de carnes

    Apesar da retração no resultado consolidado do trimestre, alguns segmentos do agronegócio gaúcho registraram desempenho recorde e ajudaram a atenuar a queda nas exportações. O setor de carnes apresentou o melhor resultado entre os principais segmentos exportadores, somando US$ 743,1 milhões, alta de 22,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e novo recorde para um primeiro trimestre.

    O avanço foi puxado principalmente pela carne suína, que cresceu 49,6%, impulsionada pelo aumento da quantidade embarcada, e pela carne bovina, com alta de 44,8%, favorecida pela valorização dos preços no mercado internacional. Também registraram crescimento as exportações de animais vivos, que avançaram 147,4% e atingiram recorde para o período, com embarques de cerca de 84 mil cabeças de bovinos, principalmente para a Turquia, além das máquinas e implementos agrícolas, que tiveram alta de 24,2%.

    Retrações

    O resultado geral do trimestre foi influenciado, principalmente, pela redução nas exportações do complexo soja (-27,2%), de fumo e seus produtos (-25,8%) e de produtos florestais (-19,9%). No caso da soja, a retração esteve concentrada na soja em grão, refletindo a menor disponibilidade do produto após a quebra de safra provocada pela estiagem em 2025, embora derivados como óleo e farelo tenham registrado crescimento no período.

    No fumo, a queda decorreu da combinação entre menor quantidade embarcada, preços internacionais menos favoráveis e retração das compras por parte da China. Já nos produtos florestais, a redução se concentrou em celulose e madeiras, especialmente nas vendas para os Estados Unidos.

    Novos mercados

    No comércio exterior, o agronegócio gaúcho também ampliou a presença em novos mercados, o que contribuiu para reduzir parte das perdas em destinos tradicionais. As exportações para o Egito cresceram 174,6%, impulsionadas principalmente pelo milho, enquanto as vendas para as Filipinas avançaram 158,2%, puxadas pela carne suína.

    Também houve expansão para a União Europeia (+18,2%). No sentido oposto, China e Vietnã registraram retração nas compras, influenciadas principalmente pela menor demanda por soja em grão, fumo, trigo e farelo de soja.

    Emprego e perspectivas

    No mercado de trabalho, o agronegócio respondeu por 49,3% dos novos empregos formais gerados no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre de 2026. O setor registrou saldo positivo de 23.123 postos com carteira assinada, resultado de 96.327 admissões e 73.204 desligamentos.

    O segmento agroindustrial liderou a criação de vagas, com 15.137 novos empregos, seguido pelas atividades agropecuárias, com 8.687 postos. Na indústria de abate e fabricação de carnes, o estoque de empregos formais chegou a 72.461 vínculos ativos em março, recorde histórico para o setor.

    Para os próximos meses, a expectativa é de recuperação das exportações do complexo soja com a entrada da safra de 2026, cuja produção está estimada em 18,3 milhões de toneladas, volume 34,6% superior ao da temporada passada.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial

     

  • El Niño amplia riscos para o agro global

    Eventos intensos de El Niño marcaram o clima global em diferentes períodos da história moderna e deixaram impactos relevantes para a agropecuária, a energia e o mercado de commodities. As informações são de Luís Eduardo Paiva Garcia, diretor executivo na Norteagri.

    Entre os episódios mais fortes estão os de 1877 e 1878, 1982 e 1983, 1997 e 1998, além de 2015 e 2016. Segundo o levantamento, quem tem hoje mais de 44 anos vivenciou três dos quatro maiores eventos de El Niño da história moderna, um indicativo da frequência com que esses fenômenos recentes passaram a integrar a realidade climática e econômica global.

    O evento de 1877 e 1878 teve pico no Niño 3.4 estimado entre 2,7°C e 3,0°C. O período foi associado a secas e fome severa na Índia, na China e no Nordeste do Brasil, com estimativas de 30 milhões a 50 milhões de mortes globais. Por sua intensidade e alcance, é considerado o El Niño mais devastador da história moderna.

    Já o ciclo de 1982 e 1983 registrou pico de cerca de 2,1°C. O fenômeno provocou enchentes no Peru e no Equador, secas na Austrália e na Indonésia, além de grandes prejuízos agrícolas e pesqueiros. Foi também o primeiro “super El Niño” monitorado por satélites.

    Em 1997 e 1998, o pico ficou próximo de 2,4°C. O episódio foi marcado por eventos climáticos extremos em praticamente todos os continentes, com fortes enchentes nas Américas e secas na Ásia e na Oceania. O período é tratado como referência moderna de intensidade.

    O El Niño de 2015 e 2016 teve pico estimado em 2,6°C. Seus efeitos incluíram secas agrícolas, quebras de safra em diferentes regiões, ondas de calor recordes e impactos em commodities agrícolas, além de forte influência sobre temperaturas globais recordes.

    De forma recorrente, esses eventos costumam ampliar a volatilidade na produção de alimentos, energia e commodities em geral, com secas severas em partes da Ásia, Oceania e Brasil, chuvas extremas nas Américas e redução da produtividade agrícola em diversas regiões.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/