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jun 09 2025 Consultor orienta sobre a safra 25/26 de soja; clima, armazenagem e atenção à alta dos preços estão no radar
Vlamir Brandalizze aponta que produtividade, clima e logística serão decisivos para o produtor de soja; saiba mais
Junho e julho marcam o mercado climático nos Estados Unidos, período em que as condições do tempo influenciam diretamente as cotações das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago. A instabilidade climática já provocou perdas em lavouras de trigo na China e na Rússia, e agora ameaça a safra norte-americana de milho e soja. Esse cenário global reforça a importância de atenção redobrada dos produtores brasileiros no planejamento da safra 2025/26.Segundo o consultor de agronegócio Vlamir Brandalizze, o momento exige preparo e agilidade. ”O produtor tem que se preparar, porque as chuvas vão entrar na hora certa, entre setembro e outubro. O clima será melhor, especialmente para o produtor gaúcho”, avalia. Com perspectivas climáticas mais favoráveis no Brasil e menor oferta global de grãos, a demanda por farelo de soja e milho deve crescer, aquecendo o mercado.
Comercialização e planejamento
Brandalizze destaca que o produtor deve ‘manter o radar ligado’ nas oportunidades de comercialização durante este período, aproveitando os momentos de alta nos preços. “O mercado está lento, e muita gente fez a safrinha de milho de 2026 já visando a compra antecipada de insumos para a soja. Esse tipo de planejamento é essencial”, aponta.
A projeção para a nova safra é de cerca de 50 milhões de hectares plantados com soja, com potencial de colheita acima de 180 milhões de toneladas. Se confirmada, será a maior safra da história do Brasil. No entanto, tamanha produção exigirá atenção especial à infraestrutura e logística. ”Vamos ter problemas de armazenagem em 2026 se não houver preparo. E isso inclui também o frete, que pode ter disparada de preços. O ideal é ir fechando contratos aos poucos, sem deixar tudo para a última hora.”
Produtividade de soja precisa acompanhar o ritmo
Com margens de lucro por saca cada vez mais apertadas, o aumento da produtividade é indispensável para manter a rentabilidade. ”Os tempos de 40 a 50 sacas por hectare ficaram para trás. Hoje, precisamos mirar entre 80 e 100 sacas, ou até mais, por hectare. Isso só vem com investimento, tecnologia e gestão”, ressalta o consultor.
A dependência de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas, também segue como um ponto de atenção. “Vamos ter recorde de área plantada, o que aumenta a demanda por insumos e pode gerar gargalos logísticos. Quem deixar para comprar na última hora pode enfrentar problemas de entrega e de preço.”
O produtor não pode parar
Em um cenário desafiador e promissor ao mesmo tempo, o recado de Brandalizze é direto: o produtor precisa estar um passo à frente. ”O produtor é aquele que não pode parar. A produtividade é a chave, mas ela depende de preparo, investimento e decisão no tempo certo. Não dá mais para esperar o último momento. A safra começa muito antes do plantio.”
Fonte: https://www.canalrural.com.br/ -
jun 09 2025 BRDE e Agência Francesa de Desenvolvimento celebram parceria de 120 milhões de euros para novos investimentos na região Sul
Operação assinada, em Paris, é a maior já realizada entre as duas instituições e contou com a participação da Seapi
Com foco prioritário em projetos de alto impacto em favor do meio ambiente e do clima, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) celebraram, nesta sexta-feira (6/6), uma operação de 120 milhões de euros, cerca de R$ 770 milhões pela cotação atual, para novos financiamentos nos estados do Sul do país. É o quarto contrato estabelecido entre as duas instituições, o maior em termos de volume de recursos desde o início da parceria. O termo foi assinado durante o Fórum Econômico Brasil-França, que ocorre em Paris reunindo autoridades e líderes empresariais dos dois países para discutir temas como transição energética, inovação, oportunidades de negócios e investimentos.
O ato contou com as presenças do diretor-presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, do Secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi/RS), Edivilson Brum, e do diretor-geral da AFD, Rémy Rioux. A nova operação terá como prioridade financiar iniciativas voltadas à agricultura sustentável, geração de energias limpas e renováveis, uso racional e eficiente da água, gestão de resíduos e reciclagem e cidades sustentáveis. “É um momento histórico para o BRDE. Além de fortalecer nossa política de diversificação das fontes de recursos, a nova operação com a AFD reflete confiança mútua e um compromisso que compartilhamos em favor do desenvolvimento sustentável”, comemorou Ranolfo.
Resiliência
O apoio a projetos nas áreas da educação, serviços de saúde, preservação cultural e respostas a desastres naturais é uma das grandes novidades da parceria. “A diversidade do apoio do grupo AFD a projetos em áreas como educação, saúde, preservação cultural e infraestrutura sustentável é uma das especificidades da parceria que nos une ao BRDE. Um ano após as inundações que atingiram o Sul do Brasil, estamos juntos mobilizados, com esta quarta operação, para fortalecer a resiliência dos territórios da região Sul, integrando uma abordagem inovadora em termos de preparação e gestão de desastres naturais”, disse Rémy Rioux.
A celebração da nova operação contou, também, com as presenças do ministro de Comércio Exterior da França, Laurent Saint Martin; do diretor Financeiro do BRDE, João Paulo Kleinübing; do diretor-adjunto da AFD no Brasil, Léo Gaborit; e do titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum. O valor contratado permitirá financiamentos para projetos de diferentes portes como o de empresas, cooperativas, setor público, produtores rurais e micro e pequenos empreendimentos. Pelas condições acertadas entre as duas instituições, as linhas de crédito terão carência de até três anos.
Histórico
A última contratação entre BRDE e AFD, no montante de 100 milhões de euros, ocorreu em outubro de 2022, quando Ranolfo era o governador do Rio Grande do Sul. A primeira cooperação entre as duas instituições ocorreu ainda em 2018, no montante de 50 milhões de euros. Em 2020, BRDE e AFD estabeleceram uma nova parceria, à época de 70 milhões de euros, como parte de um esforço conjunto para estimular a retomada da economia sustentável nos três Estados do Sul. No acumulado, a parceria está somando agora 340 milhões de euros.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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jun 06 2025 Nota eletrônica será obrigatória para produtores rurais com receita bruta superior a R$ 360 mil a partir de julho
Parte dos contribuintes do Rio Grande do Sul deve deixar de usar cupom fiscal em papel
A emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e da Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) passou a ser obrigatória em operações internas para os produtores rurais que, nos anos de 2023 ou de 2024, obtiveram receita bruta com valor superior a R$ 360 mil com a atividade rural. A lista com os números de inscrição estadual dos cerca de 45 mil contribuintes que precisaram se adaptar pode ser conferida na Central de Conteúdo do Portal de Atendimento da Receita Estadual, na aba “produtor rural”.
O grupo de produtores rurais que passou a ser obrigado a emitir nota eletrônica em fevereiro de 2025 tem até 30 de junho para usar a documentação em papel, o chamado “talão do produtor”, modelo 4 da Nota Fiscal. A utilização desta alternativa estava permitida para aqueles talões que já haviam sido impressos. A partir de 1º de julho, o uso será vedado.
A exigência foi estabelecida após aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e publicação no Diário Oficial do Estado (DOE) em 27 de dezembro de 2024. A medida amplia as ações da Secretaria da Fazenda (Sefaz) em busca da conformidade fiscal.
Em 5 de janeiro de 2026, a obrigatoriedade da NF-e e da NFC-e em operações internas se estenderá para todos os produtores rurais do Estado, independentemente do faturamento. O grupo para o qual a exigência ainda não começou a valer pode seguir solicitando o “talão do produtor” nas prefeituras até o final de 2025.
A transição é gradual para que os profissionais que atuam na atividade rural, especialmente os de menor porte, possam se adaptar ao uso das novas ferramentas com segurança. No caso de operações interestaduais, a nota eletrônica já é obrigatória para todos os produtores do Rio Grande do Sul.
Como fazer a emissão de nota eletrônica
A solução recomendada pela Sefaz para a emissão da NF-e e da NFC-e é o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), que pode ser instalado de forma gratuita no celular e acessado por meio do acesso ao gov.br. É possível, inclusive, gerar um QR Code da nota fiscal off-line, no meio da lavoura, por exemplo. Nesse caso, a nota é autorizada após o restabelecimento da conexão, e há um limite para uso sem internet de 30 notas ou um somatório de R$ 300 mil no valor das notas; ou de 168 horas.
Existem ainda outras ferramentas, como aplicativos próprios ou desenvolvidos por associações e cooperativas. Há também o Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), disponibilizado pela Sefaz, que só pode ser usado no computador.
A NF-e é também chamada de modelo 55 e é utilizada para registrar a venda de mercadorias e a prestação de serviços. Já a NFC-e, ou modelo 65, é específica para o varejo e contempla as vendas diretas ao consumidor final.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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jun 06 2025 Contribuição de bioinsumos para um desenvolvimento sustentável é tema de palestra em Santa Maria
Pesquisadora do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal da Seapi abordou o assunto
“Contribuição dos bioinsumos para os objetivos de desenvolvimento sustentável” foi o tema da palestra ministrada nesta quinta-feira (5/6), Dia Mundial do Meio Ambiente, pela pesquisadora do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor), de Santa Maria, Gerusa Steffen. A atividade aconteceu durante a Semana Acadêmica do Técnico em Meio Ambiente, promovida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que ocorre até esta sexta-feira (6/6). O Ceflor é vinculado ao Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).
Gerusa explicou que, nos últimos anos, a agricultura brasileira e mundial está observando os benefícios do uso de bioinsumos na agricultura, com destaque a sua relevância para a promoção de práticas agrícolas mais sustentáveis e sua relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “O uso de bioinsumos tem se mostrado altamente eficiente frente ao uso de insumos químicos convencionais, contribuindo para a melhoria da produtividade agrícola, a redução de impactos ambientais, a segurança alimentar, a valorização de práticas sustentáveis e a promoção de maior qualidade de vida no campo e nas cidades”, definiu.
“Independentemente da área profissional que atuamos, é fundamental adequarmos nossas ações e recomendações técnicas visando à promoção do desenvolvimento sustentável”, destacou a pesquisadora. Segundo ela, no contexto das atividades agropecuárias, o uso de bioinsumos é uma ferramenta técnica importante, que promove nove dos 17 ODS propostos pela ONU, sendo uma das importantes linhas de pesquisa desenvolvidas pelo DDPA da Seapi.
“Sabendo do potencial do uso de bioinsumos para a promoção de práticas agropecuárias mais sustentáveis para o nosso Estado, nossa instituição empenha-se em divulgar aos agricultores e produtores rurais os benefícios econômicos, sociais e ambientais desta ferramenta que está ao alcance dos agricultores”, afirmou Gerusa. “Os bioinsumos também integram uma das ferramentas preconizadas pelo Plano ABC+RS, um programa dedicado à agricultura de baixa emissão de carbono com o objetivo de promover práticas agrícolas sustentáveis, que possibilitem a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário.”
De acordo com a pesquisadora, os bioinsumos representam uma alternativa eficiente e promissora para conciliar produtividade agrícola, conservação ambiental e qualidade de vida. “A ampliação da adoção dessas ferramentas biotecnológicas depende de políticas públicas de incentivo, da ampliação da pesquisa científica e da integração entre os diversos atores do setor agropecuário”, pontuou Gerusa. “Assim, os bioinsumos não apenas fortalecem a sustentabilidade no campo, mas também contribuem para o cumprimento de metas globais voltadas ao desenvolvimento sustentável.”
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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jun 06 2025 Índice “Chill Index” alerta para risco da chegada do frio em ovinos no RS
Ferramenta adaptada pelo Simagro para o RS conta com sistema de alerta em cores
Nestes dias gelados no Rio Grande do Sul, com registro de baixas temperaturas e até neve em algumas regiões, os cuidados com os animais no campo são fundamentais. Estudos mostram que alguns dos problemas que ocorrem onde a ovinocultura é explorada de modo extensivo, são as altas taxas de mortalidade perinatal dos cordeiros.
Em rebanhos criados a campo no Rio Grande do Sul, a baixa eficiência reprodutiva tem sido associada com a alta mortalidade perinatal de cordeiros, que variam de 15% a 40% dentro das 72 horas após o nascimento, sendo o complexo inanição-exposição (fome/frio) o responsável pela maioria dessas mortes. Fatores ambientais como aumento do vento, chuvas abundantes e baixas temperaturas podem aumentar os efeitos adversos desse complexo.
Pensando nestas questões e buscando prever ou reduzir a influência negativa do complexo inanição-exposição sobre a sobrevivência dos cordeiros foi desenvolvido um sistema que alerta os produtores sobre a chegada do frio. “Nós desenvolvemos aqui na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em uma parceria entre o Departamento de Desenvolvimento e Pesquisa Agropecuária e o Simagro, uma ferramenta com informações sobre as condições ambientais para nascimento dos cordeiros, chamada “Chill Index”, ou “índice de frio”, explica o médico veterinário do CESIMET/Seapi, de Hulha Negra, Gabriel Fiori. É um índice biometeorológico relacionado à probabilidade de sobrevivência de cordeiros nas primeiras 72 horas de vida e naquelas semanas após a esquila.
“O índice considera fatores como temperatura e vento, que afetam a capacidade do animal de manter a temperatura corporal, e é utilizado para alertar sobre o risco de estresse térmico, que pode levar à morte”, afirma o coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro), meteorologista Flávio Varone.

Indice Chill Index pode ser consultado na página do Simagro para todos os municípios do Rio Grande do Sul Como o índice funciona
Estudos prévios permitiram associar diferentes valores do índice de resfriamento com o risco de mortalidade de cordeiros ao nascer. Com base nestes estudos, os níveis de risco e mortalidade potencial de cordeiros em relação a quatro faixas de coloração (normalidade, leve atenção, atenção e alerta) foram estabelecidas para o índice, indo do verde ao vermelho. O verde indica normalidade, não havendo risco de mortalidade de cordeiros, o amarelo indica leve atenção, o laranja atenção e o vermelho mostra que o risco de mortalidade é crítico, com uma taxa de mortalidade de cordeiros (considerando como parâmetro gêmeos Merino) maior que 73%.
“O Simagro disponibiliza, através de seu modelo numérico, que combina modelos de previsão com algoritmos de inteligência artificial, a previsão para até 7 dias das áreas com potencial de risco em todo Rio Grande do Sul”, diz Varone. A combinação de temperatura do ar, umidade, velocidade do vento e presença de chuva, influencia a perda de calor corporal dos ovinos, especialmente em animais jovens ou com pouca proteção logo após a esquila.
“A ferramenta serve de apoio na tomada de decisão do produtor em agir para contornar as adversidades previstas, utilizando manejos como abrigos, maior frequência de recorridas nos potreiros de parição (duas ou mais vezes por dia), alimentação energética para as matrizes, além de estar preparado para atender e dar suporte a cordeiros hipotérmicos (“encarangados”)”, explica Fiori. Ele afirma que é importante o rebanho chegar a este período com adequada condição nutricional e sanitária.
O Chill Index deve ser usado como um complemento a técnicas já desenvolvidas pelos criadores, possibilitando o aumento dos resultados produtivos da ovinocultura gaúcha.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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jun 05 2025 O protagonismo da soja e a influência no PIB e na economia; pesquisadora do Cepea comenta o cenário
Entenda como a safra de soja, aliada ao desempenho positivo da pecuária, influenciou diretamente o crescimento econômico do Brasil no início do ano
A economia brasileira iniciou 2025 com sinal verde: o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,4% na passagem do quarto trimestre de 2024 para o primeiro deste ano. O principal motor desse avanço veio do campo. De acordo com a Agência Gov, o setor registrou alta de 12,2%, impulsionado por uma safra recorde de soja e pelo bom desempenho da produção pecuária. O setor de serviços avançou 0,3%, enquanto a indústria teve leve retração de 0,1%, considerada uma estabilidade.
Segundo a especialista, o crescimento já era esperado desde que a Conab passou a divulgar projeções otimistas para a safra 24/25. Com clima favorável e ganho de produtividade, a oleaginosa colheu resultados robustos sem aumento proporcional no uso de insumos, o que impacta diretamente o volume medido pelo PIB.
”A soja foi decisiva para esse resultado”, afirma Nicole Rennó, professora da Esala/USP e pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). ”É o carro-chefe do PIB agropecuário, e o que acontece com a cultura geralmente se reflete nos números do setor.”
Soja foi protagonista, mas não atuou sozinha
Embora a soja tenha sido protagonista, a especialista destaca que não foi a única responsável pelo avanço. Outras culturas agrícolas e a pecuária também registraram resultados expressivos, reforçando a expansão da agropecuária no início do ano.
Volume
A pesquisadora lembra que o PIB calculado pelo IBGE mede volume de produção, e não preços ou exportações. ”O crescimento foi resultado direto do aumento da produção. Não tem influência de preço ou câmbio nesse indicador”, explica Rennó.
Ela também chama a atenção para o chamado “efeito base”: como o PIB agropecuário teve queda em 2024 devido a quebras de safra, parte da alta registrada em 2025 reflete uma recuperação. “É um padrão típico da agropecuária brasileira: crescemos com força em anos de clima favorável, e só registramos quedas quando enfrentamos problemas climáticos.”
Perspectivas para o ano
Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade no crescimento, embora em ritmo um pouco mais moderado. ”A soja é contabilizada principalmente no primeiro semestre. Essa taxa de crescimento deve se acomodar num patamar um pouco mais baixo, mas o avanço da agropecuária deve continuar em 2025”, conclui Nicole.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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jun 04 2025 Área de soja para a safra 25/26 cresce ‘na teoria’, mas desânimo toma conta do campo; saiba onde
Custo alto, clima incerto e pouca atratividade travam confiança do produtor para a próxima safra
A área projetada para a safra de soja do estado de Mato Grosso em 2025/26 está estimada em 13,01 milhões de hectares, representando um aumento de 1,67% em relação à safra anterior. A previsão faz parte de dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Segundo o instituto, as incertezas quanto aos investimentos para a próxima temporada continuam elevadas. A combinação de taxa de juros ainda alta, custos de produção pressionados e preços pouco atrativos da soja tem sido suficiente para frear o apetite dos produtores por expansão. O cenário econômico tem imposto cautela ao setor, o que dificulta as decisões estratégicas no campo.
Com esse ambiente adverso, muitos agricultores têm optado por manter ou até reduzir o nível de investimento nas lavouras, o que impacta diretamente as estimativas de produtividade. “Em relação ao rendimento da soja, neste primeiro momento, as projeções permanecem conservadoras, uma vez que diversos fatores que podem impactar a produtividade ainda são incertos, como as condições climáticas, a ocorrência de pragas e doenças, e o nível de investimento dos produtores”, alerta o Imea em seu boletim mais recente.
A instituição utilizou a média dos últimos três ciclos agrícolas para traçar o cenário atual. O resultado foi uma estimativa de 60,45 sacas por hectare, o que representa uma queda de 8,81% em relação à safra passada.
Quanto à produção total, a projeção é de 47,18 milhões de toneladas para a safra 2025/26, marcando uma retração de 7,29% em comparação ao ciclo anterior. Mesmo com uma área cultivada ligeiramente maior, a perspectiva é de uma safra menor em volume, reforçando a percepção de que o otimismo no setor está longe de um consenso.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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jun 04 2025 Fungos são capazes de eliminar mofo-branco das lavouras de soja, feijão e algodão
Pesquisa brasileira identifica fungos capazes de combater uma das principais doenças dos cultivos, conhecida, também, por sobreviver por longos períodos no solo.
Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros revelou uma solução promissora contra uma das principais doenças que afetam diferentes tipos de cultivo, como soja, feijão e algodão: o mofo-branco. Fungos do gênero Trichoderma foram capazes de eliminar totalmente o patógeno Sclerotinia sclerotiorum em testes de laboratório, o que abre caminho para um controle biológico mais eficaz e sustentável nas lavouras.
A doença é um desafio constante, principalmente na soja, por sua capacidade de sobreviver no solo por longos períodos. Tradicionalmente, o combate envolve o uso intensivo de fungicidas químicos, com alto custo e impacto ambiental. A pesquisa, liderada por Laísy Bertanha (Unesp), com orientação de Wagner Bettiol (Embrapa), identificou duas espécies promissoras: Trichoderma yunnanense e Trichoderma dorotheae. A primeira atingiu 97,5% de eficácia na inibição dos escleródios, estruturas de resistência do fungo.
O controle biológico surge como alternativa ao modelo químico, especialmente quando combinado a boas práticas agrícolas. A rotação de culturas com gramíneas, o uso de sementes sadias e a adição de matéria orgânica ao solo ajudam a reduzir a presença do patógeno e fortalecer os microrganismos benéficos. Além disso, os fungos antagonistas interferem na produção de substâncias que tornam o mofo-branco mais agressivo, reduzindo o risco de infecções severas.
Na cultura da soja, os impactos do mofo-branco exigem manejo preventivo. A introdução de bioinsumos pode representar a redução de custos e resíduos, além de ganhos em produtividade a longo prazo. A pesquisa mostra que isolar os microrganismos no próprio ambiente onde serão aplicados aumenta sua eficiência no campo.
Fungos e bioinsumos
O Brasil ocupa hoje a liderança mundial no mercado de bioinsumos agrícolas, um setor que cresce, em média, 14% ao ano no mundo. Por aqui, o avanço é ainda mais acelerado: entre 2021 e 2022, o crescimento foi de 67%, segundo dados da Embrapa. Estima-se que o país responda por cerca de 20% do consumo global desses produtos. Essa posição de destaque se deve à combinação entre clima tropical, ampla área agrícola e crescente demanda por soluções sustentáveis. A trajetória brasileira mostra que é possível unir produtividade à inovação com baixo impacto ambiental.
Para manter essa liderança, o Brasil precisa ampliar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e capacitação, especialmente para levar os bioinsumos também aos pequenos e médios produtores. Segundo o pesquisador Wagner Bettiol, é urgente desenvolver novos biofungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja e da ferrugem do cafeeiro, além de bioherbicidas. Globalmente, grandes potências agrícolas como Estados Unidos, Europa e China também aceleram o uso de produtos biológicos. O movimento é impulsionado pela urgência climática e pela demanda por alimentos mais limpos. Além de reduzir resíduos químicos, os bioinsumos preservam a biodiversidade, diminuem as emissões de gases de efeito estufa e fortalecem economias locais com tecnologias adaptadas à agricultura familiar.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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jun 03 2025 Projeto piloto em Hulha Negra testa diferentes formas de rastreabilidade bovina
A rastreabilidade individual bovina é uma das principais frentes de modernização da defesa agropecuária no Estado do Rio Grande do Sul. Coordenada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a iniciativa busca garantir maior controle sanitário, transparência na cadeia produtiva e ampliação de mercados internacionais. A identificação eletrônica de cada animal permite o acompanhamento preciso de sua origem, movimentações e destino, fortalecendo a credibilidade do sistema produtivo gaúcho.
O projeto-piloto em andamento no Centro Estadual de Pesquisa e Diagnóstico em Sistema de Produção e Meteorologia Aplicada (CESIMET), localizado em Hulha Negra, tem papel fundamental nesse processo. A unidade serve como campo experimental para testes de identificação eletrônica, desde o uso de michochips até a identificação biométrica nasal, integração de dados em tempo real e validação dos fluxos de informação entre produtores e o sistema oficial.
O secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, afirma que “como já estamos trabalhando com projeto piloto de identificação individual de bovinos no estado, já estamos trabalhando na modernização do nosso Sistema de Defesa Agropecuária (SDA) e estamos em constante construção e conversa com o setor produtivo, nós podemos fazer com que o Rio Grande do Sul seja um dos estados pioneiros na implementação da rastreabilidade bovina no país”.
“A presença de técnicos capacitados, somada à estrutura de pesquisa já existente no centro e equipe dedicada da Procergs, proporciona um ambiente ideal para a consolidação da rastreabilidade como política pública robusta, segura e funcional”, destaca o diretor adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Francisco Lopes.
Segundo Francisco, a ideia é colocar à prova o sistema de rastreabilidade que já existe e também testar os novos desenvolvimentos que estão sendo feitos, para se ter uma prévia de como o sistema está se comportando na prática. O piloto no CESIMET iniciou em outubro do ano passado e não tem prazo para terminar. “Na verdade, este piloto deve se expandir para mais propriedades do Estado, provavelmente a próxima será no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), em Eldorado do Sul. E devemos também realizar um piloto expandido com propriedades privadas ainda esse ano”, afirma o diretor adjunto.
O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos foi lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em dezembro de 2024. O cronograma prevê que a partir de 2027 o rebanho deverá começar a ser identificado. O prazo final é 2032.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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jun 02 2025 Produtores do RS rejeitam proposta do governo e protestos se espalham por 60 municípios
Resolução do Conselho Monetário Nacional não agradou o setor. Agricultores pedem solução a longo prazo
Quatro secas, uma enchente histórica e R$ 150 bilhões em prejuízos nos últimos anos. Esse é o passivo enfrentado por produtores rurais do Rio Grande do Sul. Resultado: débitos rurais impagáveis.
Na tentativa de resolver o problema, a Resolução 5.220 do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicada nessa quinta-feira (29), prorroga por três anos as dívidas de custeio. Para as parcelas de investimento com vencimento neste ano, o prazo será estendido por um ano.
Os produtores com dívidas contraídas no Pronaf e no Pronamp poderão renegociar os débitos de até R$ 90 mil. Além disso, a instituição financeira só pode renegociar até 8% do saldo das parcelas de custeio com vencimento em 2025, contratadas com recursos equalizados pelo tesouro nacional.
Solução não agradou produtores
A proposta do governo federal não agradou os agricultores do estado. Prova disso é a continuidade dos protestos que bloqueiam rodovias importantes e que se seguiram nesta sexta-feira, um dia após a publicação do CMN. A estimativa é que as mobilizações estão espalhadas em mais de 60 municípios gaúchos.
Os agricultores que fazem parte do movimento pedem uma solução a longo prazo, como a securitização de R$ 60 bilhões para pagamento em 20 anos. O projeto do senador Luís Carlos Heinze já foi aprovado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado e aguarda apreciação da Comissão de Assuntos Econômicos.
“Prometeram quatro anos [de prorrogação de dívidas], ofereceram três anos, tem problemas com o Pronamp, com o Pronaf, com o limite de 8% para os demais. Será um problema para o Sicredi, por exemplo, que não vai ter condição de contemplar todos os agricultores. Os outros bancos da mesma forma. Não saiu na resolução a questão específica dos bancos de fábrica, que muita gente tem problema. Então tem muito a consertar”, diz o senador Luiz Carlos Heinze.
Segundo ele, o grupo técnico da bancada do Congresso que analisa o tema, composto por bancos e entidades, como Fetag e Farsul, está trabalhando para corrigir as distorções que apontam na resolução.
Esta semana também foi entregue ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, uma proposta do deputado Alceu Moreira que não depende de orçamento do governo federal, mas sim dos fundos.
“Os modelos anteriores de pegar dinheiro do Orçamento [não servem mais], nós não temos folga orçamentária. A securitização precisa, na verdade, transformar a dívida do produtor, dívida líquida, contraída e certa com o credor e tamanho da dívida correta. Quando este modelo estiver pronto, se pega e se compra essa dívida com o Fundo e coloca esse título, uma CPR, um papel que representa esse compromisso para o produtor pagar em 15, 20 anos. Ao comprar essa dívida, se reabilita o produtor, ele fica sem débito nenhum e vai ter o compromisso de pagar a safra seguinte e 1/15 da safra que passou. […] o que estou dizendo não precisa de um centavo do Orçamento, os Fundos financiam por si só”, diz Moreira.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/