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set 17 2024 Soja, milho e algodão: veja as condições das lavouras norte-americanas
Levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos vê leve piora na situação das três culturas
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou dados sobre as condições das lavouras norte-americanas de soja, milho e algodão com avaliações recolhidas até o último domingo (15).
A começar pela soja, 64% estavam entre boas e excelentes condições, 25% em situação regular e 11% em entre ruins e muito ruins. Na semana anterior, os índices eram de 65%, 25% e 10%, respectivamente.
Sobre as lavouras de algodão, o órgão aponta que 39% estavam entre boas e excelentes condições, 35% em situação regular e 26% entre ruins e muito ruins. Uma semana antes, a situação era a seguinte, respectivamente: 40%, 32% e 28%.
O USDA também divulgou dados sobre as plantações de milho no país: 65% estavam entre boas e excelentes condições, 23% em situação regular e 12% entre ruins e muito ruins. Anteriormente, eram 64%, 24% e 12%, respectivamente.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 17 2024 Bovinos: estudo mostra como pelagem influencia adaptação às mudanças climáticas
A pesquisa reforça a necessidade de integrar práticas sustentáveis, como o ILPF, para melhorar o conforto e a produtividade dos animais
Cientistas brasileiros e estrangeiros pesquisaram a influência das características da pelagem de bovinos no bem-estar animal e na adaptação a temperaturas extremas, por meio de avaliações da termorregulação corporal em diferentes condições ambientais.
Os resultados estão publicados no artigo Adaptive integumentary features of beef cattle raised on afforested or non-shaded tropical pastures na revista Nature Scientific Reports.
O estudo aborda as respostas termorregulatórias e a estrutura dos pelos de touros das raças Nelore e Canchim criados em sistemas sombreados de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e em sistemas com menor disponibilidade de sombreamento natural (NS).
O papel da ciência, diante das mudanças climáticas, é identificar e propor possíveis soluções e formas de reduzir os problemas causados pelo desequilíbrio no clima. O mundo vem sofrendo com eventos climáticos extremos nos últimos anos de maneira mais frequente (ondas de calor, períodos mais longos de secas ou chuvas mais intensas, entre outros), causando danos sem precedentes aos humanos e aos animais.
No Brasil, a ocorrência da última enchente no estado do Rio Grande do Sul é um exemplo dos efeitos alarmantes das mudanças climáticas.
De acordo com o coordenador do trabalho, o pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), as características do pelo influenciam a capacidade do animal em ganhar ou perder calor para o meio. Esses aspectos são relevantes do ponto de vista de adaptação aos desafios climáticos.
Segundo Garcia, os bovinos mantidos em ambientes que promovem conforto térmico expressam melhor seu potencial genético, aprimorando assim o seu desempenho produtivo. Os dados indicam que a temperatura média do ar e a radiação incidente no ILPF foram menores, principalmente no verão, demonstrando o efeito favorável do componente arbóreo nas estações quentes.
A copa das árvores atua como uma barreira física, reduzindo a carga de calor e proporcionando um ambiente mais ameno para os animais. Já a estrutura dos pelos, incluindo o número de fios por unidade de área, influencia a quantidade de calor transmitida da pelagem para o ambiente externo, bem como a radiação absorvida pelo animal.
Os pelos servem de escudo para o animal contra choques mecânicos, além de ser uma proteção importante da pele. A pele e os pelos funcionam como uma barreira física para retenção de calor em casos de frio intenso, mas também auxiliam na perda de calor quando está muito quente.
“Por isso, temos interesse em estudar a pele e seus anexos e, assim, entender como as raças criadas em regiões tropicais usam essas características morfológicas para se adaptar ao ambiente em que vivem. Em um país tropical, como o Brasil, com elevadas temperaturas, umidade relativa do ar alta em boa parte do ano, e significativa intensidade de radiação solar, os animais são postos à prova constantemente, principalmente quando criados a pasto”, observa Garcia.
Características de adaptação definem critérios de seleção genética
Esse cenário exige a adoção de estratégias para melhorar a eficiência dos sistemas de produção por meio de intervenções positivas nos seus componentes bióticos e abióticos.
“Entender como os bovinos se adaptaram ao longo do tempo e identificar aqueles que têm características desejáveis e que possam ser transmitidas geneticamente é fundamental para trabalhar critérios de seleção, visando à construção de gerações futuras de animais mais resilientes”, complementa.
O cientista explica que o estresse térmico é um dos principais fatores envolvidos na redução do desempenho e produtividade animal. Sob condições de desconforto pelo calor, os bovinos tentam dissipá-lo, ativando mecanismos tegumentares (da pele e estruturas anexas a ela), cardiorrespiratórios e endócrinos, essenciais para a adaptabilidade.
Dessa maneira, algumas características morfológicas são cruciais para a adaptação térmica, afetando diretamente os mecanismos de troca de calor entre o animal e o ambiente.
O primeiro aspecto importante é a coloração do pelo. Quanto mais escura, menor é a capacidade de reflexão da luz solar, ou seja, mais radiação é absorvida. A maior parte do rebanho brasileiro é criado a pasto, sujeito a todas as variações e intempéries climáticas. Mas não basta ter o pelo claro, a densidade também é relevante. Quanto maior a cobertura de pelos, mais protegida a pele.
Também há que se observar o comprimento e a espessura dos fios. Pelos mais longos podem dificultar a perda de calor, o que é prejudicial no calor, mas positivo no inverno. Os fios ainda têm uma inclinação e esse ângulo tem influência na altura do pelame, que varia no inverno e no verão. Os pelos mais grossos asseguram maior proteção contra a radiação solar direta, protegendo a pele.
Para chegar ao resultado, o experimento avaliou cerca de 40 mil amostras de pelos de 64 touros adultos, durante 12 meses, aproximadamente, com medições repetidas no inverno e no verão. Foram acompanhados 32 animais da raça Nelore (bos indicus) e 32 touros canchim (5/8 bos taurus × 3/8 bos indicus), distribuídos igualmente entre dois sistemas de pastejo rotativo intensivo.
As raças e as diferentes influências no conforto térmico
A pelagem do canchim, que é uma raça formada a partir de animais zebuínos e animais taurinos da raça charolês, tende a ser menos densa do que a do nelore, resultando em uma menor quantidade de pelos por unidade de área.
Os fios do canchim são geralmente mais finos em comparação com os do nelore. Essa menor espessura permite uma adequada troca de calor com o ambiente, sendo benéfica em climas mais temperados. Sua cor creme em várias tonalidades, até o amarelo claro, ajuda a refletir a radiação solar, reduzindo a absorção de calor.
O comprimento dos pelos da raça é intermediário, proporcionando uma cobertura suficiente para proteção contra insetos e fatores ambientais .
Devido a menor densidade e menor espessura dos fios, a pelagem facilita a dissipação de calor, o que é vantajoso em ambientes onde a temperatura pode variar significativamente. Isso contribui para a capacidade dos animais de se adaptarem a diferentes condições climáticas.
A raça nelore é conhecida por sua excelente adaptação a climas tropicais. A pelagem é densa, com grande número de pelos por unidade de área. Essa densidade oferece uma barreira física significativa contra a radiação solar.
Os fios são grossos, o que proporciona maior proteção contra a radiação direta e reduz a penetração de calor na pele.
A coloração geralmente varia do branco ao cinza claro. A cor clara ajuda a refletir a radiação solar, minimizando a absorção de calor e ajudando a manter a temperatura corporal.
O pelo curto facilita a dissipação de calor e evita o acúmulo de umidade e sujeira, contribuindo para a manutenção da saúde da pele.
As características na pelagem das duas raças são importantes para a termorregulação e desempenho. O canchim, que possui alta capacidade de dissipação de calor, pode se adaptar melhor a variações climáticas. Enquanto isso, o nelore, com uma pelagem que oferece proteção contra a radiação solar, é mais eficiente em manter a temperatura corporal estável em ambientes quentes.
Impacto em bovinos e vinculação ao ODS 13
Os resultados dessa pesquisa destacam a importância de considerar o conforto térmico e as características físicas da pelagem dos bovinos para otimizar o desempenho produtivo em diferentes sistemas de criação.
O estudo reforça a necessidade de integrar práticas agropecuárias sustentáveis para garantir a saúde e o bem-estar dos bovinos. A adoção de sistemas integrados, como a ILPF, pode ser uma estratégia eficaz para melhorar o conforto e a produtividade dos bovinos, beneficiando tanto os produtores, com ganho em produtividade, quanto o meio ambiente.
Os esforços dos pesquisadores para a mitigação e adaptação, envolvendo tecnologias, intervenções e melhores práticas de manejo que equilibrem prioridades ambientais, sociais, econômicas, estão vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), principalmente a meta 13, de ação contra a mudança global do clima. O trabalho determina novos caminhos para responder aos impactos da crise climática a que o planeta está submetido.
Além de Alexandre Rossetto Garcia, participaram do trabalho os cientistas da Embrapa Manuel Jacintho, Waldomiro Barioni Junior e Gabriela Novais Azevedo (bolsista na época da pesquisa); da Universidade Federal do Pará (UFPA), Andréa Barreto; da Universidade Federal Fluminense (UFF), Felipe Brandão; e da Universidade de São Paulo (USP), Narian Romanello. As instituições de ensino estrangeiras foram representadas por Alfredo Manuel Pereira (Universidade de Évora, Portugal) e Leonardo Nanni Costa (Universidade de Bolonha, Itália).
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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set 17 2024 Inteligência artificial identifica aparecimento de doenças em sementes de milho e soja
Diretor de Agronomia da Syngenta Seeds mostra como a tecnologia pode reduzir prejuízos causados por doenças e pragas
Produtores de soja e milho no Brasil têm enfrentado um cenário desafiador com a queda nos preços das commodities e problemas climáticos cada vez mais frequentes. A união desses fatores traz prejuízos e acaba por tirar homens e mulheres do campo.
Para minimizar o impacto no bolso de quem planta e colhe, empresas buscam combinar tecnologias de monitoramento via satélite e inteligência artificial, como a criação de sementes mais tolerantes a doenças, pragas e variações climáticas
Neste sentido, o diretor de Agronomia da Syngenta Seeds, Fabrício Passini, considera que existem três pilares-chave.
“O primeiro deles é um termo que usamos e se chama pangenômica, ou seja, os dados de informação genética de nossos produtos […]”. Neste mesmo ponto, temos a edição gênica. Todas as empresas estão olhando com calma para este ponto e vendo que é possível corrigir defeitos [das sementes], eliminando possíveis doenças”.
De acordo com Passini, o segundo pilar que vem transformando o mercado são as técnicas de melhoramento preditivo.
“A inteligência artificial nos ajudando a conseguir selecionar novos produtos, novos genes. São as simulações de funis de produto que buscamos, por exemplo, aparece um novo enfezamento ou uma nova edição, com a inteligência artificial conseguimos olhar para esses pipelines, para o nosso funil de desenvolvimento e saber o que é possível desenvolver para superar o novo problema”.
Por fim, o diretor conta que o terceiro ponto é voltado aos posicionamentos assertivos ou à predição por meio de algoritmos.
“Consigo ter um olhar com calma, predizer o nosso produto lá na frente com a interação do genótipo, ou seja, do produto com o ambiente que ele está, se está mudando ou não com as técnicas de manejo. Assim, conseguimos saber como as doenças podem afetar as culturas para, então, desenvolver novos produtos baseados nessas descobertas”.
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set 12 2024 Governo federal prorroga prazo para produtores do RS pedirem descontos em dívidas
Foi dado mais tempo para que os produtores reúnam a documentação necessária e enviem os pedidos às instituições financeiras
O governo federal estendeu para 30 de setembro o prazo para que os produtores rurais do Rio Grande do Sul solicitem descontos nas dívidas de crédito rural.
O prazo original terminava na terça-feira (10). A prorrogação oferece mais tempo para que os produtores, afetados pelas fortes chuvas deste ano, reúnam a documentação necessária e enviem os pedidos às instituições financeiras responsáveis pelos créditos.
Os bancos terão até 3 de outubro para encaminhar as solicitações aos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), responsáveis por validar as perdas.
Os produtores serão informados sobre a validação até 24 de outubro e terão até 30 de outubro para renegociar ou liquidar as dívidas.
Para perdas superiores a 60%, as solicitações serão analisadas pela Comissão Especial de Análise de Operações de Crédito Rural do Rio Grande do Sul, que deverá publicar os resultados até 20 de novembro. A liquidação ou renegociação nesses casos deve ocorrer até 27 de novembro.
Operações cobertas por seguro rural, como o Proagro, estão excluídas do benefício. As instituições financeiras têm até 3 de outubro para comunicar aos produtores os pedidos negados.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/ -
set 11 2024 Consultoria divulga estimativas da safra 2024/25 de soja
Previsões têm influência das queimadas que atingiram o país
A consultoria de agronegócio AgResource Brasil, filial da AgResource Company, divulgou suas estimativas para a safra da soja 2024/25. De acordo com Raphael Mandarino, diretor da AgResource Brasil, as previsões da consultoria são inferiores às do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), principalmente devido às queimadas devastadoras que atingiram o país recentemente.
O fenômeno climático La Niña na região sul do Brasil pode agravar ainda mais a produtividade. “Esses fatores nos levaram a ajustar nossas estimativas, prevendo um incremento na área plantada em algumas regiões, enquanto outros locais sofreram perda de potencial nutricional”, explica Mandarino.
Produção e produtividade da soja
Para a produção da soja da safra 2024/25, a AgResource Brasil estima 164,05 milhões de toneladas (MMT), o que representa uma redução de 2,93% em relação à estimativa do USDA, que é de 169 MMT. Comparado à previsão do USDA para agosto do ano passado, a estimativa da AgResource para a safra 2023/24 é 7,2% superior, totalizando 153 MMT.
Considerando uma área estimada de 46,8 milhões de hectares e a produção em 164,05 MMT, a estimativa de produtividade da AgResource para a próxima safra de soja é de 3,5 toneladas por hectare (T/Ha), número 1,91% abaixo da estimativa do USDA para 2024/25, mas 4,92% maior do que o estimado pelo USDA em 2023/24.
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set 11 2024 Arroz: balança comercial volta a ser positiva em agosto
Apesar da queda nas exportações em agosto/24, o volume de arroz embarcado foi o segundo maior do ano, voltando a superar as importações.
Após três meses consecutivos de saldo negativo, a balança comercial do arroz voltou a ser positiva em agosto, com um superávit de 29,03 mil toneladas.No acumulado de 12 meses, porém, o déficit é de 185,4 mil toneladas, o maior desde out/21. De acordo com dados da Secex, compilados e analisados pelo Cepea, apesar da queda nas exportações em agosto/24, o volume embarcado foi o segundo maior do ano, voltando a superar as importações.Os preços de exportação e importação, por sua vez, subiram, mas o custo de importação (em R$/saca) atingiu a máxima nominal de toda série Secex.O custo FOB (Free on Board) na origem do produto foi de US$ 478,36/t em agosto/24, ou de R$ 132,98/saca de 50 kg. Se deflacionado pelo IGP-DI, trata-se da média mais alta desde ago/15, quando atingiu R$ 134,03/sc de 50 kg.Fonte: https://www.canalrural.com.br/ -
set 11 2024 Milho: exportações podem chegar a cerca de 6,5 milhões de t em setembro
Em setembro do ano passado, o Brasil embarcou 9,425 milhões de t de milho; já em agosto os embarques do cereal somaram 6,429 milhões de t
Dados divulgados nesta semana pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projetam que o Brasil deverá exportar 6,469 milhões de toneladas de milho em setembro.Em setembro do ano passado, o Brasil embarcou 9,425 milhões de toneladas de milho. Em agosto, os embarques do cereal somaram 6,429 milhões de toneladas. No acumulado de 2024, os embarques de milho atingem 23,531 milhões de toneladas.De acordo com a Anec, na semana entre 1 e 7 de setembro, foram registrados embarques do cereal de 1,322 milhão de toneladas. Entre 8 e 14 de setembro, os embarques estão projetados em 2,007 milhões de toneladas de milho.
Preços do milho seguem em alta, diz Cepea
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que os preços do milho seguem em alta no mercado doméstico. De acordo com pesquisadores do centro, essa valorização está relacionada ao aumento da demanda internacional e às preocupações com o clima nas principais regiões produtoras da safra de verão no Brasil.
Vendedores, atentos às recentes altas tanto no mercado externo quanto interno, estão limitando o volume ofertado, o que colabora para a sustentação dos preços.
A procura internacional pelo milho brasileiro tem crescido, impulsionada pela maior paridade de exportação, aponta o levantamento. Além disso, compradores internos estão retomando negociações, buscando recompor estoques e/ou se antecipar a possíveis novas valorizações nos próximos dias.
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set 10 2024 Análise de grãos: novas perspectivas para a produção de milho e sorgo no Brasil
A inovação reduz custos de produção e abre novas perspectivas para o controle de qualidade de grãos e a segurança alimentar
Uma pesquisa está revolucionando a forma de avaliar a qualidade de grãos, como o milho e o sorgo. Cientistas da Embrapa e da Spectral Solutions conseguiram aliar a técnica analítica de Espectroscopia do Infravermelho Próximo (NIR, sigla em inglês) em um equipamento portátil, ao modelo matemático de calibração multivariada para identificar e quantificar diferentes componentes em amostras de grãos.
Esse novo método é capaz de determinar a composição química de alimentos essenciais à saúde humana e animal com rapidez, precisão, baixo custo e sem destruir o material avaliado.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo (MG) e líder desse projeto, Maria Lúcia Simeone, a NIR (Near-Infrared Spectroscopy) é reconhecida hoje como uma ferramenta poderosa para análises quantitativas e qualitativas de parâmetros químicos e físicos. “Ao interagir com a matéria, gera um espectro característico, semelhante a uma impressão digital molecular. Este espectro contém informações detalhadas sobre a composição química da amostra”, explica.
Por outro lado, é classificada como uma técnica secundária, pois depende de um modelo matemático que correlacione os dados espectrais com resultados obtidos por métodos analíticos convencionais (métodos de referência). “É aí que entra a calibração multivariada, que permite tratar os dados obtidos pela luz NIR”, acrescenta Simeone.
Nessa nova prática, os pesquisadores utilizaram um equipamento portátil de espectroscopia NIR para analisar um grande número de amostras de milho e sorgo. Os espectros das amostras moídas foram, então, submetidos a uma análise estatística complexa, conhecida como quimiometria.
Essa análise relaciona as características espectrais das amostras com os valores de referência obtidos por métodos analíticos convencionais. “Os modelos produzidos foram incorporados no Spectral Software para permitir que a avaliação de novas amostras possa ser acompanhada diretamente na tela de um notebook ou celular”, conta a pesquisadora.
Segundo ela, essa nova abordagem com o NIR portátil traz muitos benefícios. Um deles é a rapidez. “A análise por espectroscopia NIR é muito mais rápida do que os métodos tradicionais, permitindo uma avaliação em tempo real da qualidade dos grãos”, destaca Simeone.
A otimização dos processos produtivos também é uma vantagem. A técnica pode ser
utilizada para monitorar a qualidade das matérias-primas, otimizar os processos de produção e garantir a consistência dos produtos finais. A automatização das análises e a redução do tempo contribuem para a diminuição dos custos de produção e para o aumento da rastreabilidade, uma vez que pode ser utilizada para rastrear a origem e a qualidade dos grãos ao longo de toda a cadeia produtiva, aumentando a confiança do consumidor”, destaca a pesquisadora.Pós-colheita e qualidade dos grãos armazenados
Alguns gargalos observados nas operações após a colheita dos grãos também pode ser minimizados com a aplicação da espectroscopia NIR portátil e da calibração multivariada nas cadeias de grãos, proteína animal e biocombustíveis, que recebem e processam estes produtos.
“A redução do tempo de análise, mantendo a precisão, é uma grande vantagem, especialmente nas épocas de pico de safra, quando a operação de colheita é rápida e a entrega dos grãos nas indústrias e unidades armazenadoras tem que acompanhar a mesma dinâmica para não reduzir a fluidez e gerar filas, com consequente prejuízo à qualidade dos grãos”, evidencia o pesquisador da Embrapa Marco Aurélio Guerra Pimentel.
Ainda nas etapas de pós-colheita a técnica pode contribuir para reduzir perdas e manter a qualidade dos grãos armazenados.
“Além dos resultados relativos à composição química dos grãos, a nova prática pode identificar a presença de insetos, que tem sua fase larval interna, dentro dos grãos, o que dificulta a identificação visual e demanda uma análise demorada para identificar a infestação. Com a espectroscopia NIR portátil e a calibração multivariada temos condições de identificar lotes infestados de forma rápida e com precisão”, ressalta Pimentel.
Outro detalhe enfatizado pelo pesquisador é que o monitoramento da qualidade dos grãos durante a armazenagem também é muito importante para atender aos padrões de qualidade demandados pelas indústrias e consumidores internos e externos.
“O uso do equipamento portátil traz a flexibilidade aos operadores para avaliar em tempo real a qualidade do produto que estão comprando, vendendo ou que está sendo destinado ao processamento, garantindo os níveis de qualidade e nutricionais para alimentação humana e animal”, diz Pimentel.
34ª edição do Congresso Nacional de Milho e Sorgo
Essa pesquisa será apresentada durante a 34ª edição do Congresso Nacional de Milho e Sorgo. O evento acontece de 9 a 12 de setembro, no Centro de Convenções Arnaud Rodrigues, em Palmas, capital do Tocantins. A promoção e a realização do evento são da Associação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS) e a organização cabe à Embrapa.
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set 09 2024 Farelo de mamona na alimentação bovina? Testes da Embrapa são novidade mundial
Coproduto da mamona também terá seu uso avaliado quanto ao potencial de redução da emissão de metano pelos ruminantes
Estudo inédito conduzido pela Embrapa está testando o uso do farelo de mamona destoxificado como substituto ao farelo de soja em dieta para bovinos de corte, assim como seu potencial para redução de emissão de metano.
A pesquisa é realizada em Bagé, na Embrapa Pecuária Sul, em parceria com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e busca avaliar o consumo, a digestibilidade e a segurança do uso do coproduto na dieta dos animais.
Isso porque a mamona apresenta originalmente em sua composição a ricina, um componente tóxico. No entanto, a partir da destoxificação realizada na indústria, o farelo de mamona tem grande potencial de nutrição de ruminantes, principalmente por conter teor de proteína bruta de até 45%, cerca de 10% a mais do que o farelo de soja, e por ser mais barato.
Testes com a mamona foram positivos
Testes prévios com pequenos ruminantes já demonstraram a inexistência de efeito nocivo do farelo de mamona destoxificado na alimentação destes animais, considerados poligástricos.
Animais monogástricos, como aves, peixes e suínos, não têm tolerância ao farelo de mamona, e não podem consumir o coproduto.
Conforme a zootecnista responsável pelos estudos em sua tese de doutorado, Bruna Machado, o farelo de mamona está sendo testado para ser introduzido de forma segura no mercado pecuário brasileiro.
“Esperamos chegar às condições adequadas e seguras para uso do farelo de mamona nas dietas dos ruminantes, tendo como finalidade a suplementação dos animais a campo e também em ambiente de confinamento”, destacou.
De acordo com pesquisador da Embrapa Algodão que trabalha com mamona há cerca de 20 anos, Liv Severino, há um avanço significativo nos testes conduzidos com bovinos de corte, com grande expectativa da indústria da mamona do mundo todo.
“A Índia é a grande produtora e a China a segunda [maior] produtora no mundo, e nenhum desses países consegue utilizar o farelo de mamona na alimentação animal. Então realmente esse passo que estamos dando é uma novidade mundial”, destaca o pesquisador.
Metodologia empregada
A tese de doutorado tem como título “Uso seguro do farelo de mamona como alimento para animais ruminantes e para a redução das emissões de metano entérico”.
O projeto conta com a colaboração do Laboratório de Pastos e Suplementos da UFSM. Ao todo, 20 fêmeas da raça Brangus de um ano de idade, divididas em quatro grupos de cinco, têm acesso à alimentação disponível em um determinado tratamento. A orientação da pesquisa é realizada, na Embrapa, pela pesquisadora Cristina Genro, e, na UFSM, pela professora Luciana Pötter.
Os animais recebem dieta base para todos os tratamentos, composta de 1% de concentrado e 2% de pré-secado de aveia, com oferta à vontade.
Os tratamentos são de diferentes níveis de inclusão de mamona destoxificada em substituição ao farelo de soja. Os níveis de substituição são de 10, 20 e 30%, além do tratamento controle, sem adição do farelo de mamona.
“Cada animal tem acesso somente a um dos quatro cochos da baia com seu respectivo tratamento de nível de inclusão de mamona. Isso só é possível pois cada animal tem uma identificação por meio de um chip de identificação implantado na orelha, possibilitando ter acesso ao cocho, que libera a entrada somente do animal previamente cadastrado”, explica Bruna.
Nova dieta e redução da emissão de metano
Um dos potenciais do farelo de mamona testado no estudo é a redução da produção e emissão do metano entérico pelos bovinos de corte. Este é um dos fatores que vêm sendo avaliados, além da nutrição dos ruminantes, com o objetivo de tornar a pecuária cada vez mais competitiva e sustentável.
“Uma das principais fontes que contribui para a emissão desse gás é o processo de fermentação entérica em ruminantes, sendo o metano um gás muito relevante para o objetivo de reduzir o aquecimento global. Como o Brasil apresenta um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, um dos caminhos para que o país cumpra os compromissos assumidos internacionalmente de reduzir a emissão de metano é através do manejo e formulação de dietas mais eficientes”, destaca Machado.
Além de usar a nutrição animal como ferramenta de diminuição das emissões de metano, a pecuária pode contribuir de forma significativa para o sequestro de carbono, a partir de práticas como o manejo correto das pastagens.
Destoxificação da mamona
A mamona é cultivada com o objetivo de extração do óleo da semente. O farelo sobra como resíduo, e até então era usado apenas como fertilizante orgânico, devido a sua toxicidade relacionada à presença da ricina em sua composição.
A proteína tóxica é capaz de inativar os ribossomos, prejudicando a síntese proteica e causando morte celular. No entanto, é possível alcançar de forma eficiente a destoxificação do farelo de mamona na indústria de extração de óleo, possibilitando o seu uso para alimentação de animais ruminantes.
Sendo submetido ao processo adequado, o insumo pode ser usado como substituto do farelo de soja na dieta de ruminantes, aproveitando o seu alto teor de proteína bruta e o custo mais baixo.
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set 09 2024 Setor agrícola é fundamental para mitigar mudanças climáticas, afirma cientista da Nasa
Pesquisador frisou a importância de iniciar a adaptação antes que os eventos climáticos extremos se tornem mais frequentes
O setor agrícola desempenha um papel estratégico nas ações de mitigação das mudanças climáticas, segundo Alex Ruane, cientista da Nasa e co-diretor do Grupo de Impactos Climáticos da agência. Ruane foi o principal palestrante da 7ª Conferência Fapesp 2024, realizada em São Paulo, que discutiu “Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar“. Ele alertou que as tendências atuais são incompatíveis com um mundo sustentável e equitativo e destacou a vulnerabilidade dos sistemas alimentares aos riscos climáticos crescentes.
Ruane, que também é cientista associado do Centro de Pesquisa de Sistemas Climáticos da Universidade Columbia, em Nova York, apresentou dados preocupantes. Entre 2011 e 2020, as temperaturas globais foram, em média, 1,1°C mais altas do que entre 1850 e 1900. Segundo ele, se as tendências atuais continuarem, o planeta pode ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global na próxima década, tornando o combate à crise climática significativamente mais difícil. “O aumento de eventos extremos de calor e chuvas intensas será inevitável”, alertou.
Adaptação e mitigação são cruciais
Ruane enfatizou que é essencial que o setor agrícola se adapte às mudanças climáticas e contribua para mitigar as emissões de gases de efeito estufa. “Os modelos agrícolas podem nos ajudar a habilitar e implementar ações de adaptação e mitigação que sejam viáveis, equitativas e justas“, disse o cientista. Ele mencionou o projeto Agricultural Model Intercomparison and Improvement Project (AgMIP), que coordena e busca melhorar os modelos agrícolas para avaliar o impacto das mudanças climáticas e outras forças sobre a segurança alimentar.
O pesquisador sublinhou a importância de iniciar o processo de adaptação antes que os eventos climáticos extremos se tornem mais frequentes. Ele também destacou que as soluções devem ser justas e equitativas, garantindo apoio às populações mais vulneráveis, que são as mais afetadas pelas mudanças climáticas.
Brasil é destaque, mas enfrenta desafios internos
Durante a conferência, Marcio de Castro Silva Filho, diretor científico da Fapesp, destacou que, embora o Brasil seja o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, 20% da população do estado de São Paulo enfrenta algum nível de insegurança alimentar, com 3% sofrendo de insegurança grave. Ele anunciou que a Fapesp está desenvolvendo um novo programa focado em segurança alimentar para trabalhar em sinergia com outras iniciativas.
A conferência, moderada por Jurandir Zullo Junior, do Cepagri-Unicamp, e que contou com a presença de Carlos Alfredo Joly, membro da coordenação do Ciclo de Conferências Fapesp 2024, destacou a importância da colaboração entre governos, setor privado, sociedade civil e comunidade científica para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela insegurança alimentar.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/