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nov 18 2024 Arroz: Rio Grande do Sul alcança 84% da área semeada para safra 2024/25
Até agora, foram plantados 797.702 hectares dos 948.356 hectares previstos para o estado
O Rio Grande do Sul atingiu 84,11% da área de arroz semeada na safra 2024/2025, segundo levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Até agora, foram plantados 797.702 hectares dos 948.356 hectares previstos para o estado.
A Fronteira Oeste lidera o avanço, com 93,44% da área semeada (263.066 hectares). A Planície Costeira Externa segue de perto, com 91,27% (90.726 ha), enquanto a Planície Costeira Interna registra 86,11% (123.842 ha). Outras regiões como a Campanha (87,42%), a Zona Sul (82,91%) e a Central (53,46%) completam o panorama do progresso no Estado.
De acordo com o coordenador da região Central do Irga, Ênio Coelho, os impactos das enchentes de maio ainda afetam alguns produtores, especialmente no processo de reconstrução de áreas.
“A intenção dada para os técnicos do Irga à época do início de safra poderá não ocorrer por completo, porque muitas áreas ainda precisam ser ajustadas e recuperadas”, afirmou, em nota.
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nov 18 2024 Soja: clima favorece semeadura, e colheita pode ser recorde
Sojicultores estiveram mais afastados das vendas, atentos à valorização do dólar e às projeções indicando crescimento na oferta global
As recentes chuvas intercaladas de sol vêm favorecendo a semeadura da safra 2024/25 de soja, com as atividades estando adiantadas em relação a igual período da temporada anterior.
Vale lembrar que a atual safra iniciou em meio a condições climáticas adversas no Brasil. Segundo pesquisadores do Cepea, essa melhora no cenário – que sustenta as expectativas de produção recorde no Brasil – afastou consumidores das negociações no mercado spot nacional na última semana.
Sojicultores também estiveram mais afastados das vendas, atentos à valorização do dólar e às projeções indicando crescimento na oferta global da soja, ainda conforme pesquisadores do Cepea. No Brasil, a produção é estimada em 166,14 milhões de toneladas pela Conab e em 169 milhões de toneladas pelo USDA, ambos volumes recordes.
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nov 18 2024 Milho: retração compradora limita alta de preços
Exportações em ritmo lento e as quedas dos contratos externos também levaram demandantes a apostar em enfraquecimento nos valores domésticos
O afastamento de alguns compradores limitou as altas de preços do milho na última semana, conforme levantamentos do Cepea.
Segundo o Centro de Pesquisas, a melhora do clima, as exportações em ritmo lento e as quedas dos contratos externos levaram demandantes a apostar em enfraquecimento nos valores domésticos.
Além disso, as estimativas para safra 2024/25 indicam melhora na produção, o que pode aumentar o interesse de vendedores em negociar.
Segundo relatório divulgado pela Conab na última quinta-feira (14), a produção agregada de milho para 2024/25 é estimada em 119,81 milhões de toneladas, o que representaria um incremento de 3,6% em relação ao volume de 2023/24.
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nov 14 2024 Trigo: setor discute alternativas para ampliar escoamento e liquidez no RS
Bolsa Brasileira de Mercadorias defende Pepro e Pep em lugar de AGF para apoiar comercialização e renda do produtor
Na última semana, a Câmara Setorial do Trigo da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul se reuniu com integrantes da cadeia produtiva do estado para discutir apoio à comercialização do trigo da safra 2024/2025.
O encontro ocorreu após a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciar a aquisição de até 200 mil toneladas do grão via Aquisição do Governo Federal (AGF), permitindo que produtores gaúchos vendam o trigo diretamente ao governo federal.
A decisão da Conab, no entanto, gerou reações entre operadores do mercado. O diretor-geral da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), Cesar Henrique Bernardes Costa, manifestou preferência pelos mecanismos Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro). Segundo ele, essas ferramentas são mais vantajosas que o AGF, pois “permitem o escoamento de uma quantidade muito maior do grão, beneficiando um maior número de produtores”.
Costa aponta ainda que o AGF apresenta limitações como a necessidade de armazéns credenciados, custos elevados de estocagem e dificuldades de revenda.
Os representantes do setor solicitaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apoio para implementar o PEP e o Pepro, destacando que, com menos da metade dos recursos destinados ao AGF, seria possível subsidiar cerca de 500 mil toneladas, aumentando a liquidez e assegurando a renda dos produtores no estado.
Safra e preço do trigo
A atual safra brasileira de trigo está estimada em 8,64 milhões de toneladas, representando um aumento de 2,1% em relação à temporada passado. Segundo a Conab, a produção no Paraná sofreu queda devido a condições climáticas adversas, o que, somado a perdas em outras grandes regiões produtoras, como Rússia, Europa, Estados Unidos e Austrália, resultou numa leve recuperação nos preços internos.
No Rio Grande do Sul, as enchentes de maio afetaram a qualidade do trigo, pressionando o preço do grão, que segue abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo.
O preço médio pago ao produtor gaúcho está em torno de R$ 67 por saca de 60 kg, enquanto o preço mínimo é de R$ 78,51. A Conab afirma que acompanha o mercado e que o AGF pode ser aplicado em outros estados produtores que também tenham preços de mercado inferiores ao mínimo, considerando o volume de recursos disponível.
Na safra passada, o governo federal usou leilões do Pepro e Pep para apoiar o escoamento de aproximadamente 479,28 mil toneladas de trigo.
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nov 14 2024 Conab mantém previsão de safra recorde de grãos no Rio Grande do Sul para 2024/2025
Estado deve alcançar produção de 38,35 milhões de toneladas
O Rio Grande do Sul está a caminho de registrar a maior safra de grãos da sua história, com uma previsão de produção de 38,35 milhões de toneladas para a safra 2024/2025, conforme o segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (14). O volume projetado representa um aumento de 3,3% em relação ao ciclo anterior. A área plantada também deverá crescer, com um acréscimo de 0,7%, somando 10,48 milhões de hectares.
De acordo com o presidente da Conab, Edegar Pretto, a expectativa positiva é impulsionada, principalmente, pela recuperação da produtividade do arroz e da soja. “O Rio Grande do Sul ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores produtores de grãos do Brasil, ficando atrás apenas de Mato Grosso e Paraná, e é responsável por 12% da produção nacional de grãos”, afirmou Pretto.
A soja, principal cultura do estado, deverá alcançar 20,34 milhões de toneladas, um aumento de 3,5% em relação ao ciclo anterior. A área destinada ao cultivo de soja também apresentará crescimento, com 6,84 milhões de hectares, 1,1% a mais que na safra 2023/2024. O Rio Grande do Sul se mantém como o terceiro maior produtor de soja do Brasil, atrás de Mato Grosso e Paraná.
O arroz também deve registrar números positivos, com uma produção estimada de 8,25 milhões de toneladas, um aumento de 15,3% em relação ao ciclo passado. A área cultivada com arroz crescerá 9,7%, chegando a 988 mil hectares, com destaque para as regiões da Sul e Fronteira Oeste. A boa rentabilidade da cultura, a queda na rentabilidade da soja, o bom volume de água nas barragens e rios e a possibilidade de preparação antecipada das áreas estão entre os fatores que contribuem para esse cenário.
A produção de feijão também terá um bom desempenho, com previsão de 76 mil toneladas, um aumento de 6% em relação ao ciclo anterior. A área destinada ao cultivo de feijão chega a 49,4 mil hectares, o que representa um crescimento de 1,9%. A semeadura do feijão preto já atingiu 65% da área total prevista, e o cultivo do feijão cores começará em dezembro.
Por outro lado, o milho terá uma produção de 4,3 milhões de toneladas, uma queda de 11,4% em comparação com o ciclo anterior. A área cultivada com milho também será reduzida em 11,7%, totalizando 719,6 mil hectares. A diminuição na área plantada de milho é explicada por fatores como o risco de estiagem, aumento da incidência de cigarrinha nas lavouras e a substituição por culturas mais rentáveis.
O trigo, cuja produção para o ciclo 2023/2024 é estimada em 4,19 milhões de toneladas, também registra queda na área cultivada. A redução de 10,6% na área plantada, que soma 1,34 milhão de hectares, é atribuída à falta de sementes de boa qualidade e à alta vulnerabilidade da cultura a perdas decorrentes de geadas e chuvas.
A produção nacional de grãos também é esperada para atingir 322,53 milhões de toneladas, um aumento de 8,2% em relação ao ciclo anterior, o que representa cerca de 24,6 milhões de toneladas a mais. A área semeada no Brasil deve alcançar 81,4 milhões de hectares, ante 79,9 milhões de hectares no ciclo 2023/2024.
A expectativa de crescimento na produção de grãos no Rio Grande do Sul reflete o desempenho positivo do setor agrícola, que tem se beneficiado de boas condições climáticas e boas práticas de manejo agrícola.
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nov 11 2024 Mercado global de bioinsumos pode atingir US$ 45 bilhões até 2032, segundo estudo
Nesse ritmo, em oito anos, o mercado global dos insumos biológicos tende a triplicar
O mercado global de bioinsumos agrícolas deve alcançar cerca de US$ 45 bilhões até 2032, se manter a taxa de crescimento anual entre 13% e 14%. Nesse ritmo, em oito anos, o mercado global dos insumos biológicos tende a triplicar, projeta estudo realizado pela CropLife Brasil – associação que representa a indústria de defensivos químicos, bioinsumos, biotecnologia e mudas e sementes – e pelo Observatório de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Em 2023, o valor do mercado global de bioinsumos somou entre US$ 13 bilhões e 15 bilhões, incluindo os segmentos de controle biológico, inoculantes, bioestimulantes e solubilizadores.
O setor de controle biológico é destaque no segmento, respondendo por 57% do mercado atual. “A tendência é que esses produtos continuem liderando a participação de mercado nos próximos anos”, prevê a pesquisa. A CropLife avalia que o crescimento do mercado de bioinsumos nos últimos 10 anos se deve, sobretudo, ao avanço acelerado do mercado nos últimos quatro anos e à adoção por parte dos produtores rurais como ferramenta para o manejo integrado de pragas.
Apesar do rápido crescimento do uso e do mercado de bioinsumos no Brasil, aspectos econômicos, regulatórios e jurídicos desafiam o avanço acelerado destes insumos no País, revela a pesquisa. De acordo com o estudo, entre os principais entraves para a expansão dos bioinsumos hoje no País estão a falta de capacitação para aplicação e a ausência de uma legislação específica para essa gama de produtos.
Na avaliação da CropLife e da FGV, o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento no Brasil tem mostrado resultados promissores. “Entretanto, o Brasil ainda se encontra atrás de líderes como os EUA, China e Coreia do Sul no número de patentes e inovações biotecnológicas no setor. Incentivar políticas públicas e parcerias estratégicas pode ser um caminho para fechar essa lacuna”, observam as entidades.
O estudo pondera que, apesar do avanço dos bioinsumos no mercado brasileiro, há desafios regulatórios em curso, dado que as legislações vigentes atuais são elaboradas para produtos químicos, sintéticos e minerais. Os bioinsumos estão enquadrados em legislações destinadas a produtos químicos, sintéticos ou minerais, como a Lei de Agrotóxicos e a Lei de Fertilizantes, sendo suas regulamentações adaptadas por meio de normas infralegais. Atualmente, um mesmo ingrediente ativo biológico pode ser enquadrado nessas atuais legislações distintas, sem um trâmite claro e unificado para registro e regras de comercialização. “Essas legislações possuem processos de registro e regras de comercialização, tributação, fabricação, transporte, armazenamento e uso completamente distintos. Esse cenário gera insegurança jurídica tanto para as indústrias quanto para os usuários de produtos biológicos, dificultando inclusive o estabelecimento de linhas de crédito específicas para o setor”, argumentam as entidades.
Para a CropLife e para a FGV, há questões regulatórias que requerem maior aprofundamento, como o Programa Nacional de Bioinsumos, as iniciativas legislativas em andamento no Congresso Nacional, a conexão com propriedade industrial e a conexão com o acesso ao patrimônio genético nacional.
Entre estes pontos, o setor aguarda um marco legal específico para os bioinsumos, com projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado, o PL 658/2021 e o PL 3668/2021, que visam regulamentar especificamente a produção, uso, registro e comercialização de bioinsumos no País. “A falta de um trâmite claro e unificado para o registro e a comercialização gera incertezas, sendo necessária a criação de regulamentações específicas, especialmente no que diz respeito à padronização dos processos industriais e à harmonização tributária. Assim há necessidade de normas específica para bioinsumos sanando essas incertezas e possível sobreposição”, defendem a CropLife e a FGV.
O estudo aponta que ambos os projetos de lei dispõem sobre a produção on farm (insumos para uso próprio fabricados na propriedade rural), mas, segundo o estudo, não estabelecem como será a participação de cada órgão (Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura) na avaliação tripartite dos produtos biológicos. De acordo com a pesquisa, “haverá necessidade de regulamentação infralegal” quanto à estrutura de governança do registro de produção para fins comerciais.
Em relação à capacitação, a pesquisa observa que a ausência de capacitação de parte dos produtores dificulta a adoção ampla dos bioinsumos, concentrando-se apenas nas principais culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.
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nov 11 2024 Semana da soja: eleição de Trump reacende guerra comercial com a China; incertezas no mercado
O grão é um dos produtos que mais deve ser impactado pela mudança no comando da maior economia do mundo
A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos deve impactar o mercado de commodities agrícolas, especialmente devido à sua abordagem protecionista, à política “America First” e à preferência por acordos bilaterais. A soja é um dos produtos que mais deve sofrer com a mudança no comando da maior economia do mundo. “Se seu segundo mandato repetir as diretrizes anteriores, algumas dinâmicas específicas podem ser previstas”, avalia o analista e consultor da Safras & Mercado, Élcio Bento.
A “guerra comercial” com a China, durante sua gestão anterior, é um exemplo de conflito comercial que pode ressurgir. Trump favoreceu renegociações de acordos multilaterais, como o NAFTA, e promoveu políticas que impactaram diretamente os mercados agrícolas, como a retirada dos EUA do TPP (Trans-Pacific Partnership).
“Durante a guerra comercial, por exemplo, a China reduziu suas compras de soja dos EUA e aumentou as importações do Brasil”, lembra o consultor. “Se tensões semelhantes voltarem a ocorrer, o Brasil e outros grandes exportadores de soja podem novamente beneficiar-se ao atender à demanda chinesa”, frisa.
Trump utilizou tarifas sobre produtos agrícolas para pressionar a China e defender a produção nacional, o que gerou oscilações nos preços globais. “Ao elevar tarifas e impor sanções, produtos como a soja e o milho americanos sofreram quedas de preços”, pondera Bento.
“Além disso, os subsídios concedidos por Trump para mitigar as perdas dos agricultores ajudaram a sustentar a competitividade dos produtos americanos, embora tenham gerado distorções temporárias nos mercados globais”, destaca. “O Brasil poderá se beneficiar, sendo a principal alternativa de abastecimento para a potência asiática”, prevê.
Historicamente, governos republicanos tendem a favorecer um dólar mais fraco, o que aumenta a competitividade dos produtos americanos. “Isso favorece as exportações de commodities agrícolas dos EUA ao reduzir o preço em comparação a outras moedas, o que pode pressionar concorrentes como o Brasil e a Argentina”, justifica o analista.
Tensões geopolíticas e comerciais
A abordagem mais dura de Trump em relação ao Irã na última gestão, incluindo sanções e um posicionamento estratégico com Israel, pode indicar uma intensificação das tensões caso ele retorne ao poder. “Caso sanções ao Irã aumentem, o mercado de petróleo e derivados poderia ser afetado, impactando custos logísticos para o setor agrícola”, explica o consultor. Trump também sugeriu disposição para resolver rapidamente o conflito Rússia-Ucrânia, possivelmente por meio de concessões que poderiam afetar a estabilidade geopolítica e o mercado global de grãos.
A postura combativa de Trump nas negociações comerciais e as tensões com economias como a China e o Irã podem criar um clima de incertezas, influenciando o planejamento e a confiança dos investidores no setor de commodities. “Essa instabilidade pode resultar em volatilidade nos preços das commodities agrícolas, principalmente nas mais expostas ao comércio global, como soja e milho”, prevê Bento.
“Em suma, a nova gestão de Trump, com características similares às de seu primeiro mandato, pode trazer volatilidade e reorganizações comerciais, impactando tanto os produtores americanos quanto os mercados internacionais”, finaliza.
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nov 11 2024 Carrapatos causam perdas de 1,7 milhão de toneladas de carne por ano ao Brasil, diz Fepagro
Entidade destaca que animais livres de parasitas podem ganhar até 40 quilos a mais em 26 semanas de pastejo
O Rio Grande do Sul conta com, aproximadamente, 12 milhões de cabeças de gado. Pelo clima úmido e perfil genético do rebanho, majoritariamente composto por taurinos, as infestações de carrapatos são mais comuns.
De acordo com a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), o impacto é significativo, visto que animais livres de parasitas podem ganhar até 40 quilos a mais em 26 semanas de pastejo.
A entidade aponta que, extrapolando esses dados para o rebanho nacional, estima-se uma perda de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina por ano, o que representa cerca de 15% da produção brasileira.
Prejuízos aos pecuaristas
Em termos econômicos, outros estudos apontam que as pragas geram aos pecuaristas do país perdas estimadas em US$ 6,8 bilhões anuais.
Isso porque os prejuízos determinados por carrapatos resultam tanto de sua ação direta, como irritação, espoliação de sangue e tecidos nos animais parasitados, quanto dos efeitos indiretos, relacionados aos custos de tratamento, transmissão de doenças e danos ao couro.
O carrapato Rhipicephalus microplus, por exemplo, que figura entre os principais a afetar o rebanho gaúcho, de acordo com a Fepagro, apresenta ciclo de vida prolongado na pastagem e transmite agentes causadores da Tristeza Parasitária Bovina, além de favorecer o desenvolvimento de miíases por meio de lesões cutâneas.
Para combater o parasita em território gaúcho, o veterinário da Vetoquinol Saúde Animal Felipe Pivoto, defende a criação de um calendário sanitário, visto que o clima no Rio Grande do Sul permite a ação de mais de três gerações do parasita por ano.
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nov 07 2024 Recuperação judicial: agro tem alta de 20,5% no 3º tri no número de empresas
Avanço teria sido impulsionado por queda nos preços das commodities, elevação dos custos de produção e alto nível de endividamento dos produtores rurais
O setor agropecuário brasileiro registrou um aumento de 20,5% no número de empresas em recuperação judicial no terceiro trimestre de 2024, totalizando 264 empresas no período, de acordo com o Monitor RGF de Recuperação Judicial.
O avanço teria sido impulsionado pela queda nos preços das commodities, elevação dos custos de produção e alto nível de endividamento dos produtores rurais.
No terceiro trimestre, 39 novas empresas do setor entraram em recuperação judicial, mais que o dobro das 15 do segundo trimestre. No mesmo período, 18 empresas deixaram a recuperação judicial; dessas, oito retornaram à operação normal, duas faliram e oito tiveram o registro inativado na Receita Federal.
A pesquisa da RGF indica que cinco atividades concentram 75% das recuperações judiciais no setor agropecuário:
- cultivo de soja, com 80 empresas,
- criação de bovinos para corte, com 54,
- cultivo de cana-de-açúcar, com 42,
- serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita, com 12, e
- cultivo de milho, com 11.
Em termos regionais, São Paulo e Goiás lideram com 46 empresas agropecuárias cada em recuperação, seguidos por Mato Grosso, com 43, e Rio Grande do Sul, com 35.
O aumento nos pedidos de recuperação judicial se estendeu a outros setores no Brasil. No total, o número de empresas em recuperação judicial no país alcançou 4.408 no terceiro trimestre, um crescimento de 4,4% em relação ao trimestre anterior e o maior patamar dos últimos 15 meses. A proporção de empresas em recuperação no Brasil subiu de 1,84 para 1,90 a cada mil empresas ativas, segundo o levantamento da RGF.
Em nota, Rodrigo Gallegos, sócio da RGF, afirmou que o aumento nos pedidos de recuperação judicial reflete a estratégia de algumas empresas de focarem em renegociações de curto prazo, postergando dívidas sem abordar questões estruturais. “É fundamental que as empresas combinem a renegociação de dívidas com um aumento da capacidade de geração de resultados, o que depende de uma revisão de estratégia e operação”, disse Gallegos.
A análise da RGF indica que o número de processos de recuperação judicial deve continuar a crescer, influenciado pela manutenção da Selic em níveis elevados e pela restrição ao crédito. “Nesse cenário, as empresas com alto endividamento enfrentam dificuldades para honrar despesas financeiras em um ambiente de crédito escasso, o que cria uma situação desfavorável para os próximos meses”, alertou Gallegos na nota.
Minas Gerais teve o maior crescimento no número de empresas em recuperação judicial, com 47 novos casos, totalizando 297 empresas. O Rio Grande do Sul registrou um aumento de 35 casos, alcançando 396 empresas. São Paulo, em contrapartida, teve uma leve redução, passando de 1.279 para 1.255 empresas em recuperação judicial.
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nov 07 2024 Copom eleva juros básicos da economia para 11,25% ao ano
Alta consolida um ciclo de contração na política monetária; sem citar Trump, Comitê relatou incertezas em relação aos Estados Unidos
A alta recente do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar o ritmo de alta dos juros nesta quarta-feira (6).Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.A alta consolida um ciclo de contração na política monetária. Após passar um ano em 13,75% ao ano, entre agosto de 2022 e agosto de 2023, a taxa teve seis cortes de 0,5 ponto e um corte de 0,25 ponto, entre agosto do ano passado e maio deste ano.
Nas reuniões de junho e julho, o Copom decidiu manter a taxa em 10,5% ao ano, começando a aumentar a Selic na reunião de setembro, quando a taxa subiu 0,25 ponto.
Efeito Trump
Em comunicado, o Copom informou que a incerteza nos Estados Unidos se ampliou. Sem citar diretamente a eleição do ex-presidente Donald Trump, o texto mencionou “a conjuntura econômica incerta nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed [Federal Reserve, Banco Central norte-americano]”.
Em relação ao cenário doméstico, o Copom informou que está acompanhando a política fiscal e cobrou ajustes dos gastos públicos.
“O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida, com a apresentação e execução de medidas estruturais para o orçamento fiscal, contribuirá para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”, destacou o comunicado.
Taxa Selic
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, subiu para 0,44%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), puxado pela bandeira vermelha nas contas de luz e pelo preço dos alimentos, que subiu por causa da seca no início do semestre. O IPCA de outubro só será divulgado na sexta-feira (8).
Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,42% em 12 meses, cada vez mais próximo do teto da meta deste ano. Para 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 4,5% nem ficar abaixo de 1,5% neste ano.
No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou para 4,31% a previsão para o IPCA em 2024, mas a estimativa pode subir ainda mais mudar por causa da alta do dólar e do impacto da seca prolongada sobre os preços. O próximo relatório será divulgado no fim de dezembro.
Previsões pessimistas
As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,59%, acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,38%.
O comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 4,6% em 2024 (acima do teto da meta), 3,9% em 2025 e 3,6% no acumulado em 12 meses no fim do primeiro trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.
O Banco Central aumentou as estimativas de inflação. Na reunião anterior, de setembro, o Copom previa IPCA de 4,3% em 2024, de 3,7% em 2025 e de 3,5% no acumulado em 12 meses no fim do primeiro trimestre em 2026
Crédito mais caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 3,2% a projeção de crescimento para a economia em 2024. O número foi revisado após o expansão de 3,1% do PIB em 2024.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/