Luziana de Avila Machado

Luziana de Avila Machado has created 102 entries

  • Custos e dificuldade de investimento são entraves para produtores de leite

    Mesmo com o bom preço do leite, atividade enfrenta desafios como custos de produção, falta de mão-de-obra e dificuldades de investir

    Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite no Brasil, depois de Minas Gerais e Paraná.

    No entanto, no estado, cresceu o número de famílias que largaram a atividade nos últimos anos.

    De acordo com a Emater-RS, em 2015, eram mais de 85 mil produtores. Atualmente, são apenas 40 mil.

    Alta nos custos de produção, dificuldade de investimento em infraestrutura na propriedade e falta de mão-de-obra estão entre as principais dificuldades.

    família Reichert, de Rolante, no leste do Rio Grande do Sul, está na atividade leiteira há mais de 20 anos. Durante todo esse tempo, foram altos e baixos.

    Em alguns momentos, quase desistiram de tudo por causa da baixa rentabilidade.

    “Muitos produtores deixam a atividade todos os anos. E eles saem pela falta de garantia de renda. Eles não conseguem fazer um planejamento. Com as intempéries da natureza e do mercado, eles não conseguem administrar e acabam desistindo e indo para outras atividades onde o risco é menor, mais seguro. E o jovem não quer ficar porque o leite é 365 dias no ano”, diz o produtor de leite Olester Reichert.

    Na propriedade da família Reichert, são mais de 60 vacas em lactação, com uma produção média de 1.800 litros por dia.

    A melhora na situação só veio com investimento. A nova sala de ordenha e o galpão custaram R$ 500 mil, mas valeu a pena.

    As vacas ganharam mais conforto e saúde e a produção aumentou.

    “A gente tem que estar sempre investindo e aprimorando para diminuir a mão-de-obra, que está bastante escassa hoje em dia”, diz a produtora Andréia Reichert.

    Pecuária leiteira 

    Segundo dados da Emater-RS, em 2019, 40% das famílias desistiram da atividade leiteira e o número de cabeças produtivas de leite diminuiu 20,8%.

    Os produtores mais afetados são os que produzem no máximo 50 litros por dia. A representatividade desse perfil caiu de 23% em 2015 para 8% no ano passado.

    A produção de leite no Rio Grande do Sul está presente em 94% dos municípios.

    A média de produção evoluiu. Em 2004, eram 2,36 milhões de litros e em 2020 foram 4,29 milhões, uma alta de 81%.

    Competitividade

    Mesmo com a valorização do preço do leite, os produtores do Rio Grande Sul não têm poder para competir com produtores de outros estados.

    De acordo com o Sindicato da Indústria de Lacticínios do Rio Grande do Sul, o Sindilat, estados como Minas Gerais, São Paulo e Paraná têm políticas para a atividade como incentivo a venda externa e barreiras para o leite que vem de fora.

    “Para que nós possamos manter os 100% dos créditos de incentivo à produção precisamos comprar todos os insumos dentro do estado. E o estado não tem embalagens. E isso acaba provocando uma perda competitiva”, diz o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini.

    Preços

    Segundo o Sindilat, o leite no atacado valorizou 100% de janeiro a julho deste ano. E para o produtor está na casa dos R$ 3 reais o litro.

    Para a família Reichert o equilíbrio para se manter é produzir grande parte do alimento para as vacas é se planejar para os momentos de baixa na atividade.

    “A ideia é ficar. A gente se preparou para isso e vem se organizando exatamente para ocupar essa brecha, onde talvez os grandes não querem ir por causa da questão de mão-de-obra e tudo mais, talvez seja o nosso espaço de continuar vivo na atividade”, diz Andreia Reichert.

    técnica agrícola Gabriele Rodrigues, que atende mais de 200 produtores ligados a uma cooperativa, aconselha a levar em consideração o perfil de propriedade, produção e o balanço entre dificuldades e potencialidades para não sair da atividade leiteira. “Quem produz como há 30 anos tem grande chance de ter que abandonar. O investimento em estrutura para melhorar o trabalho e driblar a falta de mão-de-obra é fundamental”, explica.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Projeto de irrigação diversifica lavouras gaúchas

    “Visitamos algumas propriedades onde já existia irrigação, e fomos amadurecendo a ideia”

    Produtores rurais do Rio Grande do Sul estão começando a investir em irrigação para diversificar as lavouras depois de as últimas estiagem terem gerado muitos prejuízos. Segundo o mais recente levantamento das safras brasileiras 2021/2022, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa mostra mais uma vez uma quebra de safra de 41,2% devido à estiagem que atingiu o Rio Grande do Sul na primavera e, de forma mais intensa, no verão.

    Para não ficar refém das condições climáticas e tampouco colocar a sua produção em risco, o produtor e engenheiro agrônomo, Leandro Granella, de Getúlio Vargas, região Noroeste, distante cerca de 350 km da capital Porto Alegre, resolveu investir em um sistema de irrigação. “Nos últimos 30 anos passamos por muitas estiagens severas e veranicos, além disso muitos planos econômicos nos deixaram descapitalizados, era preciso buscar alternativas”, diz.

    “Visitamos algumas propriedades onde já existia irrigação, e fomos amadurecendo a ideia. Tínhamos todos os elementos que precisávamos, um açude pronto e uma coxilha, o pivô dava volta e perdia muito pouco, a rede elétrica também passava bem pertinho. Quando a representação da Lindsay, com a marca Zimmatic chegou na região, foi a hora de arriscar”, lembrou o produtor.

    Já com o equipamento em operação na safra de 2019/20, Granella obteve um bom resultado tanto no milho quanto no feijão. No ano seguinte, a safrinha foi excepcional, e segundo ele, despertou o interesse em investir em mais um pivô. Foi quando adquiriu um equipamento de 35 hectares. “Para esse segundo, por ser bem maior, tive que fazer um novo açude de dois hectares e puxei uma nova linha de transmissão para fazer uma subtração interna”, lembra.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • 5G deve acelerar tecnologia no agronegócio

    Adoção da nuvem pode permitir a conectividade no campo, impulsionando a agricultura de precisão e agricultura 4.0, fundamentais para segurança alimentar do planeta

    O sinal de 5G puro (sem interferência de outras frequências) estreou no Brasil no início do mês e deve chegar a todas as capitais até 29 de setembro. A tecnologia oferece velocidade média de 1 Gigabit por segundo (Gbps), dez vezes superior ao sinal 4G, e tem a possibilidade de chegar a 20 Gbps. Entre outras vantagens, a novidade pode ajudar a acelerar a digitalização do agronegócio, fundamental para o futuro da segurança alimentar do planeta.

    “O agronegócio é uma atividade que ocorre em área aberta e 70% destas áreas produtivas ainda são descobertas de conectividade, são os chamados pontos cegos ou pontos de sombra. Com a chegada do 5G, além de mais qualidade no sinal de internet, haverá maior cobertura e mais ofertas de conectividade, futuramente levando a tecnologia para todos estes pontos”, destacou o account manager para o agronegócio da dataRain — empresa 100% nacional dedicada à tecnologia em nuvem, parceira da AWS —, Bruno Barros.

    Barros destaca a importância da adesão da nuvem para o setor, que pode trazer benefícios que garantem a chamada Agricultura de Precisão e a Agricultura 4.0, conceitos de otimização da gestão agrícola por meio de conectividade, sensoriamento remoto, softwares gerenciais,dispositivos Internet das Coisas (IoT) e Big Data, que coletam e analisam dados sobre a lavoura para viabilizar a automação e dar base para decisões mais assertivas. “Com o uso dessas ferramentas, é possível ter acesso a informações sobre diferentes culturas e solos, além de previsões meteorológicas, fundamentais para o sucesso na colheita, permitindo a tomada de decisões estratégicas”, ressaltou Barros.

    O especialista dá exemplos práticos de como a computação em nuvem pode contribuir com o agronegócio, incluindo o acompanhamento das mudanças climáticas, monitoramento da lavoura para detecção e combate às pragas, programação para irrigação automática, a operação autônoma de máquinas agrícolas e a telemetria, que permite a coleta remota de informações, garantindo um raio-x completo de toda a operação, auxiliando uma produção sustentável e capaz de entregar resultados mais expressivos de cultivo e colheita.

    Entre as funções em destaque, estão o armazenamento e segurança de dados e informações, a capacidade computacional escalável, disponibilidade, acessibilidade e o acesso à tecnologias como Machine Learning, Data Lake, Data Analytics. “Quando falamos em nuvem, falamos de uma vasta gama de soluções que podem ser moldadas, visando atender à necessidade de cada área.  Assim que conhece os benefícios da tecnologia para o agronegócio, o produtor percebe a eficiência e passa a tê-la como uma aliada para enfrentar as adversidades inerentes ao setor”, destaca.

    Para ele, a tecnologia é fundamental para otimizar o setor no País, atividade em franco crescimento, que atualmente é responsável por 27% do PIB brasileiro e deve finalizar o ano em 30%.  Além do crescimento econômico, Barros destaca o papel fundamental da tecnologia para garantir a segurança alimentar do planeta. “Até 2050, a previsão é passarmos de 7 para 10 bilhões de habitantes no planeta Terra. Por esta razão, a demanda pela produção de alimentos crescerá muito e o Brasil é um grande expoente neste cenário. Hoje, a cada cinco pratos de alimentos servidos no mundo, um é cultivado pelo Brasil. Nossa demanda vai dobrar e por isso, a única saída é a tecnologia, que começa com a conectividade no campo”, finalizou Barros.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • LEITE: preços ao produtor podem subir mais de 15%

    Desde janeiro deste ano, o leite no campo acumula valorização real de 19,8% (valores deflacionados pelo IPCA de junho/22)

    O preço do leite captado em maio/22 e pago aos produtores em junho/22 registrou aumento de 4,6% frente ao mês anterior (a quinta alta consecutiva), chegando a R$ 2,6801/litro na “Média Brasil” líquida do Cepea. Desde janeiro deste ano, o leite no campo acumula valorização real de 19,8% (valores deflacionados pelo IPCA de junho/22). As pesquisas ainda em andamento do Cepea apontam forte elevação dos preços em julho (referente à captação de junho): estima-se que a “Média Brasil” líquida possa subir mais de 15%, ultrapassando o patamar de R$ 3,00/litro.

    Preços dos derivados disparam em junho
    Os preços do leite longa vida (UHT), do queijo muçarela e do leite em pó (400g) no estado de São Paulo encerraram o mês de junho com médias de R$ 5,22/litro, de R$ 36,55/kg e de R$ 30,55/kg, respectivas altas reais de 17,7%, de 17,2% e de 6,7% em relação ao mês anterior, conforme pesquisa realizada pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). Em relação ao mesmo período do ano passado, as valorizações foram de 31,94% para o UHT, de 14,95% para a muçarela e de 10,53% para o leite em pó (400g), em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de junho/22).

    Importações de lácteos sobem 30% em junho
    As importações de lácteos subiram 30,2% entre maio e junho, totalizando 85,26 milhões de litros em equivalente leite, segundo a Secex. Com isso, o volume internalizado de lácteos já supera em 17,28% o registrado em junho/21. Ainda assim, comparando-se a quantidade total adquirida nesse primeiro semestre (365,4 milhões de litros em equivalente leite) com o mesmo período do ano passado, observa-se queda de 34,41%.

    COE da pecuária leiteira volta a subir; alta no 1º semestre é de 4,35%

    Depois da leve queda em maio, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira apresentou ligeira alta de 0,10% em junho, considerando-se a “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). No acumulado de 2022 (de janeiro a junho), a elevação do COE é de 4,35% – vale lembrar que, no mesmo período do ano passado, o COE havia aumentado 11,49%.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Pesquisa da Embrapa atesta alta qualidade tecnológica do trigo brasileiro

    As características especiais identificadas habilitam o uso do trigo brasileiro na panificação industrial

    O Brasil produz trigo de alta qualidade. É o que atesta a pesquisa conduzida pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), Embrapa Trigo (RS) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) com o trigo cultivado no Cerrado Mineiro.

    Além do desempenho tecnológico, mostra bom rendimento no campo e na agroindústria, com características especiais que habilitam seu uso na panificação industrial, segundo a Instrução Normativa nº 38/2010, do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

    A expectativa é que o resultado incentive ações de pesquisa e desenvolvimento para geração de novas cultivares adaptadas ao solo nacional e estimule políticas públicas de fomento à cadeia produtiva, reduzindo a dependência brasileira da importação do cereal.

    O estudo foi publicado no Journal of Food Processing and Preservation sob o título:  Brazilian Cerrado Wheat: Technological Quality of Genotypes Grown in Tropical Location (“Trigo do Cerrado Brasileiro: qualidade tecnológica dos genótipos cultivados em locais tropicais”, em tradução livre), e contou com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    Foram estudadas 34 amostras provenientes de 12 genótipos de trigo desenvolvidos pela Embrapa e cultivados sob sistemas irrigados e de sequeiro, em cinco municípios do Cerrado Mineiro.

    Os testes clássicos de caracterização físico-química e reológica (viscosidade) das amostras de trigo tropical mostraram qualidade tecnológica muito boa. As análises indicaram elevada força de glúten na maior parte delas, comprovando que o cereal é apropriado para ser utilizado na panificação ou mesmo em mescla com trigo de força menor, em caso de ser melhorador.

    “Existe um enorme potencial comercial a ser explorado com o cultivo do trigo em ambientes tropicais, como o Cerrado Brasileiro”, conta Martha Zavariz, pesquisadora do Laboratório de Qualidade de Grãos, da Embrapa Trigo.

    A região de Cerrado é caracterizada por não ter chuva na época de colheita, assim, os grãos são sadios com baixa atividade da enzima alfa-amilase, ou seja, não se apresentam germinados, sendo, portanto, adequados para produção de farinha para fazer pão. Além disso, os grãos, em geral, apresentam textura dura, gerando um bom rendimento em farinha, o que é muito interessante para os moinhos em termos comerciais. “Na moagem industrial, quando os grãos são duros, a casca ou farelo separa-se mais facilmente do endosperma (parte branca do interior do grão), permitindo rendimentos mais elevados em farinha branca”, explica.

    Análises inéditas mostram também potencial prebiótico

    Além dos estudos reológicos clássicos, a equipe de pesquisa realizou uma abrangente caracterização do amido, a partir de análises inéditas com o trigo do Cerrado.

    A equipe promoveu uma correlação estatística com 36 variáveis, que compreenderam desde aspectos ligados ao plantio até a transformação industrial do trigo em farinha para uso alimentício. “Identificamos um equilíbrio entre os teores do amido danificado e da força de glúten nas amostras analisadas, adequados para produção de pães de qualidade, com miolo macio, crosta crocante e visual atraente”, revela Cristina Takeiti, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

    Especialmente as variedades cultivadas no município mineiro de Piumhí (MG) expressaram um alto nível de amido resistente, devido ao clima e ao solo da região.

    “Esse trigo apresenta uma estrutura molecular de amido mais cristalina, compacta e organizada, o que indica ser mais resistente à digestão, compatível, portanto, com potencial efeito prebiótico” aponta Mariana Larraz, professora e pesquisadora do curso de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição da Unirio. “Essa fração de amido resistente possui ação metabólica de fibra alimentar, trazendo benefícios para a microbiota intestinal e, consequentemente, para a saúde humana. Trata-se de um diferencial superinteressante do trigo cultivado no Cerrado Mineiro para o desenvolvimento de alimentos funcionais que contribuem para a promoção de uma alimentação mais saudável”, complementa a pesquisadora.

    Em síntese, os dados analisados pelos pesquisadores e publicados no artigo científico indicam que o Cerrado possui grande potencial para se tornar uma das maiores regiões produtoras de trigo de alta qualidade no mundo. Para alcançar esse patamar, segundo o professor e pesquisador do curso de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição da Unirio Luiz Carlos Gutkoski, que atua há mais de 30 anos em estudos de qualidade tecnológica de trigo, é preciso continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento de novas cultivares de trigo adaptadas ao solo nacional e avançar em políticas públicas para incentivar a cadeia produtiva.

    Expansão do trigo nacional pode reduzir dependência de exportação

    Com a alta global de preços de cereais como o trigo, que aumentou mais de 50% nas últimas quatro décadas segundo o índice global de preços da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a expansão da produção de trigo em território nacional com qualidade e produtividade pode tornar o país menos dependente dos impactos do mercado internacional.

    Por que o Brasil ainda importa trigo?

    Com alta produtividade e qualidade de cultivo em várias regiões do país, como o Cerrado Mineiro, qualquer um pode se perguntar o motivo de o Brasil ainda importar trigo. A resposta para esta questão não é simples, e sua solução envolve a atuação de vários atores da cadeia produtiva.

    A questão logística afeta negativamente a triticultura, devido aos altos preços do transporte terrestre em um país com dimensões continentais como o Brasil. “O excedente do trigo produzido no Rio Grande do Sul é exportado para outros países, e não abastece as regiões Norte e o Nordeste do país, por exemplo,” explica Luiz Carlos Gutkoski, professor e pesquisador do curso de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição da Unirio.

    Uma das razões é que não há onde armazenar os grãos de trigo produzidos em excesso no Brasil. Segundo o professor, nos silos de armazenagem de grãos no Brasil, o carro-chefe é a soja, em segundo lugar, o milho, e o trigo vem apenas em terceiro lugar. Faltam políticas de compra pública e de armazenamento de grãos, que ainda é precário em um país tropical como o Brasil. “O trigo brasileiro é de nível internacional, mas os produtores precisam de segurança para ampliar a área plantada e contar com a compra garantida pelo governo. É preciso investir em políticas públicas para este setor e para outras culturas de inverno, para ser mais rentável ao produtor investir nesta cultura”, conta Gutkoski.

    Para tentar superar esta dificuldade, no setor privado começa a ser observada uma estratégia comercial dos moinhos em subsidiar uma parte da produção nacional de trigo com garantia de compra após a colheita. Com a cevada, por exemplo, praticamente toda a produção é comprada pelas fábricas de cerveja nacionais.

    Melhoramento genético contribui com variedades produtivas e resistentes

    Outra questão importante sobre o cultivo de trigo na região de Cerrado é a suscetibilidade à seca e a brusone, que é a principal doença do trigo na região tropical. Martha Zavariz, que há 23 anos colabora com a área de melhoramento de trigo na Embrapa, destaca a necessidade de contínuo desenvolvimento de novas cultivares com resistência à seca e a brusone, combinadas com elevada produtividade de grãos e qualidade tecnológica adequada ao uso final, seja para uso doméstico ou industrial para essa região.

    O Programa de Melhoramento Genético de Trigo da Embrapa desenvolve cultivares adaptadas a cada uma das regiões brasileiras. Para isso realiza inúmeros testes em campo e cruzamentos entre genótipos de trigo para avaliar quais novas plantas e manejos fitotécnicos são indicados para cada região. Para a tropical são feitos cruzamentos a partir de genitores que confiram maior resistência à seca, produtividade, bem como qualidade tecnológica adequada principalmente à panificação, que é o maior nicho de mercado no Brasil (mais de 55% da demanda).

    “A cultivar BRS 264 adotada em ambientes tropicais tem se mostrado bem resistente à seca e excelente para produção de pães”, afirma a pesquisadora. Por ser um produto de ótima qualidade, a farinha produzida a partir desse trigo pode ser comercializada a preço superior e resultar em produtos alimentares, como diversos tipos de pães, biscoitos tipo “cracker” e massas alimentares secas que atendam a demanda de consumidores mais exigentes.

    Nesse sentido, para a pesquisadora, é imperativo o contínuo investimento público em programas de melhoramento de trigo no Brasil. “Estamos sempre desenvolvendo novas cultivares de trigo para atender às necessidades que surgem no campo e também às demandas da indústria moageira e de uso final ao longo do tempo. É um trabalho contínuo que beneficia todo o complexo agroindustrial do trigo”, conclui Martha.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Soja: apesar de aumento da ferrugem, produtor tem vencido a doença

    Safra 2021/22 registrou 41,5% mais casos da praga ante a temporada passada. Para pesquisadora da Embrapa, isso não é, necessariamente, ruim

    A safra 2021/22 de soja brasileira teve 41,5% a mais registros de ferrugem asiática do que a temporada passada.

    Ao todo, o Consórcio Antiferrugem computou 545 casos da doença que é considerada a mais severa da cultura, ante 385 no ciclo 2020/21.

    Os estados com ocorrência de ferrugem em 21/22:

    • Mato Grosso (234)
    • Rondônia (108)
    • Goiás (72)
    • Pará (60)
    • Paraná (18)
    • Rio Grande do Sul (15)
    • Mato Grosso do Sul e Bahia (8)
    • Tocantins (6)
    • Piauí (5)
    • São Paulo (4)
    • Maranhão (3)
    • Minas Gerais (2)
    • Santa Catarina e Roraima (1)

    Apesar do aumento de casos entre uma safra e outra, a pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy, considera que as estratégias de manejo estão funcionando.

    Isso porque a maioria dos casos (231, para ser exato) foram relatados a partir do estágio de enchimento de grãos, algo que vem ocorrendo nas últimas safras, o que mostra que as ações de prevenção da doença, entre elas o vazio sanitário e a adoção de cultivares precoces, estão funcionando.

    Por qual razão os mesmos estados têm mais casos?

    Historicamente, estados como o Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul lideram entre os que mais registram casos de ferrugem asiática. No entanto, Cláudia destaca que isso não significa que eles tenham algum surto incontrolável da doença.

    “Alguns estados apresentam maior número de relatos em função muito da distribuição de municípios e também dos relatos. Às vezes o Paraná tem o maior número de ocorrências pelo maior número de municípios. Então, essa distorção sempre ocorre no site, mas não significa que a gente tenha uma epidemia mais severa em alguns estados”, garante.

    Queda no Rio Grande do Sul

    A fitopatologista Caroline Wesp Guterres acompanha de perto os registros de ferrugem asiática no Rio Grande do Sul. Segundo ela, nesta safra, o fungo não encontrou condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento por conta da longa estiagem enfrentada, o que explica as 15 ocorrências de ferrugem apenas.

    O estado possui um programa para verificar a incidência da doença, o Monitora Ferrugem RS, que é mais uma ferramenta para auxiliar os produtores na tomada de decisão e adoção de medidas de manejo da doença.

    Cultivares precoces

    O manejo da ferrugem asiática passa, por exemplo, pelo vazio sanitário, a utilização de cultivares precoces, o plantio da soja na época recomendada e a aplicação correta dos fungicidas.

    Para o engenheiro agrônomo da Cambaí Sementes, Rossano Dagios, além de fungicidas eficientes, é importante ter a mistura de dois ou três ativos e preconizar o uso de curativos, principalmente.

    “Além disso, a utilização de fungicidas multissítios ajuda a evitar resistência do patógeno e ter uma maior efetividade no controle. O segundo fator fundamental são os intervalos de aplicação: temos que considerar 15 dias no máximo”, ressalta.

    Segundo ele, em algumas lavouras que já tem uma incidência maior, é preciso trabalhar de 10 a 12 dias. “Devemos ter o cuidado com as condições ambientais no momento de aplicar o fungicida, uma temperatura abaixo dos 30 ºC , com umidade relativa acima dos 55% e velocidade do vento entre 5 a 6 km por hora”, detalha.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Soja: AgRural estima que área plantada cresça 1 mi de hectares em 22/23

    Apesar de aumento, número é o menor desde a temporada 2017/18

    A área plantada com soja na safra 2022/23 deve ter aumento de 1 milhão de hectares. É o que prevê a consultoria AgRural. Trata-se da primeira estimativa da empresa para o espaço destinado às lavouras do grão.

    Se o número for confirmado, representará aumento de 2,5% ante a área semeada na temporada 2021/22, que foi de 40,9 milhões de hectares, atingindo 41,9 mi/ha.

    Impactos para a soja

    Embora o aumento seja considerável, é o menor desde a safra 2017/18, conforme a analista de mercado da AgRural, Daniele Siqueira.

    “Isso ocorre porque estamos em cenário de custo de produção mais alto e os preços começam a ceder. Mesmo assim, em cenário de dificuldades, especialmente em fertilizantes, o Brasil vai aumentar a área de soja, mas não tanto como nos últimos anos”, disse.

    Estimativa para o milho

    Para o milho verão 2022/23, a consultoria estima, preliminarmente, estabilidade na área semeada. “É a cultura que não tem mais tanto espaço para aumentar ou diminuir tanto a área. Já chegamos no limite de área algumas regiões”, ressalta Daniele.

    Segundo ela, houve um pequeno incremento na área na safra passada. “Para 2022/23, a área vai depender ainda do comportamento do milho na entrada da safrinha 2021/22 e dos preços que estão em queda”, aponta.

    No entanto, a analista ressalta que as estimativas da empresa para o milho verão 2022/23 ainda não estão fechadas.

    Para a segunda safra de milho 2022/23, as previsões devem ser conhecidas somente em dezembro. “Vai depender do comportamento do preço do milho e das exportações”, pontua.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Índice de inflação de custo de produção recua 1% em junho, aponta Farsul

    Índice de inflação dos preços recebidos pelos produtores rurais (IIPR) também teve retração de 1,5% no período

    Após três meses de altas consecutivas, o índice de inflação de custo de produção (IICP) teve uma queda de 1,19% em junho na comparação com o mês anterior.

    O índice de inflação dos preços recebidos pelos produtores rurais (IIPR) também teve retração de 1,5% no período.

    Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (21) pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

    Os dados do relatório e a série histórica dos indicadores estão disponíveis no Farsul Big Data.

    O principal fator que impactou o resultado nos custos de produção foi o preço dos fertilizantes.

    Em 12 meses, o IICP acumula alta de 40,68%.

    A assessoria Econômica da Farsul destaca que essa elevação acontece em uma base já alta. 2021 já foi um ano de forte elevação do indicador. No acumulado no ano o IICP atingiu inflação de 9,08%.

    No caso do IIPR, os preços da soja e milho foram os principais motivos para a baixa do indicador.

    Em 12 meses, o IIPR aponta uma alta de 13,60%. Apesar do resultado positivo para a receita dos produtores, os custos crescem em velocidade mais acelerada, estreitando as margens de lucro da atividade.

    A Farsul também destaca que o crescimento do IIPR em 12 meses está abaixo do IPCA Alimentos (13,93%), demonstrando que os preços ao consumidor estão em elevação mais acentuada do que os valores praticados no campo. A mesma situação acontece com o IICP em relação ao IPCA, mesmo que o país esteja passando por um momento de inflação geral (1,89%).

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Mercado mundial de leite em pó enriquecido deve crescer quase 80%

    A crescente adoção de leite em pó fortificado para fabricação de alimentos, juntamente com o aumento da conscientização do consumidor, são os principais fatores por trás do crescimento do setor, de acordo com a pesquisa.

    Os fabricantes de leite em pó fortificado procurarão capitalizar uma série de oportunidades lucrativas, já que a previsão é de que a indústria se expanda em quase 80% na próxima década.

    A empresa de pesquisa de mercado Fact.MR prevê que o mercado global, atualmente avaliado em US$ 8,63 bilhões, crescerá 5,9% ao ano, totalizando US$ 15,38 bilhões até o final de 2032.

    A expansão do mercado será impulsionada pela conscientização do consumidor sobre os benefícios nutricionais e de saúde do leite em pó fortificado e seu uso crescente na fabricação de alimentos para adicionar nutrientes cruciais a vários produtos, incluindo sorvetes, iogurtes e fórmulas lácteas infantis.
    Insights regionais

    A Fact.MR prevê que 26,8% de todas as vendas de leite em pó enriquecido permanecerão focadas na América do Norte, onde o mercado atual está avaliado em US$ 2,31 bilhões.

    A participação de mercado da Europa é de 23,3% ou pouco mais de US$ 2 bilhões, enquanto a China detém uma participação de 7,3% ou cerca de US$ 630 milhões. “O crescimento do mercado norte-americano de leite em pó enriquecido é impulsionado pelo aumento da prevalência de doenças do estilo de vida, foco crescente em saúde e nutrição e aumento da disponibilidade de produtos lácteos enriquecidos em países como EUA e Canadá”, afirmaram os pesquisadores.
    Concorrência

    Os fabricantes de leite em pó enriquecido estão continuamente se concentrando em expandir seus portfólios de produtos por meio da inovação de produtos, afirma o relatório.

    Em 2020, a Jatenergy desenvolveu dois produtos de leite em pó enriquecidos com lactoferrina sob a marca Abbeyard e um leite de camelo enriquecido com lactoferrina vendido sob a marca Auveno.

    No ano passado, a Lactalis Ingredients expandiu sua linha de leite em pó ao lançar um novo leite em pó orgânico. E no mês passado, a marca Anchor da Fonterra anunciou o lançamento de uma nova linha de produtos no Oriente Médio, incluindo um creme de leite em pó fortificado.

    Enquanto isso, espera-se que novos players no mercado confiem em P&D para obter uma vantagem competitiva. Os pesquisadores destacaram a estratégia da startup israelense de tecnologia de alimentos Remilk, que levantou US$ 120 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela empresa de capital de risco Hanaco Ventures, para reforçar sua produção de proteínas lácteas.

    Um obstáculo para a expansão do mercado global seria o aumento da disponibilidade de misturas não lácteas, o que poderia “potencialmente diminuir” o crescimento do mercado de leite em pó enriquecido, concluíram os pesquisadores.

    As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

    Fonte: https://www.milkpoint.com.br/

  • Resíduos de milho podem substituir óleo de palma

    Seria significativamente mais sustentável

    É possível uma alternativa local sustentável ao óleo de palma? O consórcio de pesquisa NextVegOil de Aachen, Bochum, Düsseldorf e Münster visa desenvolver um processo em escala comercial para produzir um óleo microbiano semelhante ao óleo de palma a partir de resíduos agrícolas no futuro.

    Um fungo unicelular especialmente modificado fará o trabalho. No projeto, que é financiado pelo Bioeconomy Science Center (BioSC) e do qual participam dois grupos de pesquisa da Heinrich Heine University of Düsseldorf (HHU), o objetivo é produzir queijo vegano a partir do substituto do óleo de palma em cooperação com um start-up com sede em Berlim e Bonn.

    O óleo de palma é um dos óleos vegetais mais utilizados. O produto de baixo custo é utilizado em diversos setores da indústria alimentícia e também pode ser utilizado na produção de biocombustíveis.

    No entanto, a produção de óleo de palma tem consequências ecológicas de longo alcance: grandes áreas de floresta tropical estão sendo desmatadas para permitir o plantio de palmeiras de monocultura, resultando na perda de ecossistemas valiosos e impacto severo na biodiversidade. . Por exemplo, isso representa uma séria ameaça para a população de orangotangos nas ilhas indonésias de Bornéu e Sumatra. Além disso, o óleo de palma produzido nos trópicos deve ser transportado por longas distâncias para consumidores na Europa e nos Estados Unidos, com consequências correspondentes para o meio ambiente. O uso do óleo de palma para biocombustíveis também concorre com a produção de alimentos.

    Seria significativamente mais sustentável, amigo dos recursos e do meio ambiente produzir um produto semelhante ao óleo de palma em uma base regional próxima aos consumidores, a partir de resíduos vegetais que não podem ser usados lucrativamente como produtos alimentícios ou insumos químicos para a indústria. . Este é exatamente o objetivo perseguido pelo consórcio de pesquisa NextVegOil, baseado na Renânia do Norte-Vestfália (NRW).

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/